10 de maio de 2015

Quase Espelhos

E há os rostos desconhecidos, analisando outros rostos que também não conhecem, mas observam como se assim, percebessem que se conhecem de outras vidas. Um sorriso tímido aparece e te cumprimenta, você responde por educação, mas continua pensando que não conhece a pessoa. Há os que ficam divagando com uma tela rente ao rosto fugindo do que o mundo nos revela, sorrindo ao receber um novo toque no celular. O amor da sua vida talvez entrou em contato, e o bom dia não foi em fala mas em palavras ditas pela tela de um celular.

E há ainda os que olham com aparência vaga procurando algo novo na paisagem repetida da cidade, procurando um motivo pra fazer todo dia o mesmo trajeto. O motivo não parece vir à mente. Rostos de desconhecidos se cruzam em frações de segundo do dia na minha frente, alguns braços se esbarram com outros braços, mãos que se encostam sem querer devido aos passos largos e apressados com que correm. "Ei me desculpe, não vi você aí". Nunca vimos, sempre deixamos de ver o estranho que está ali na nossa frente, talvez com tantos problemas quanto você.

O dia começou, lojas se abrem, o empregado atrasado corre pra não perder o horário. 8:30 marca o relógio, tic tac, tic tac, você esta atrasado. Tic tac, tic tac, corra mais rápido, tic tac, tic tac, o ponto esta batido. Pronto, agora é so esperar pelo horário de saída. O sol brilha lá em cima mas os passos largos das cabeças baixas não veem o quanto é bonito. Tic tac, tic tac, já é hora de ir embora e você não viu nada nem ninguém, só milhões de rostos desconhecidos. 
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