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5 de julho de 2016

Sumi, mas voltei e com bastante empatia

Depois de um mês conturbado como este, resolvi dar o ar da graça de novo aqui. Não larguei o blog, apenas não tive tempo de fazer nada nesse último mês. Final de semestre na faculdade não é nada fácil, e se alguém disse pra vocês que ser “de humanas” ou fazer jornalismo é moleza, essa pessoa não sabe o que está dizendo.

A ausência teve motivo, e um motivo lindo por sinal: empatia. Durante todo esse semestre, o curso de Jornalismo, que frequento, juntamente com o curso de Publicidade e Propaganda da minha universidade, desenvolveu um projeto para incentivar a prática da empatia e espalhar um pouco de amor pelo mundo.

A empatia é a prática de se colocar no lugar de outra pessoa, sentir como ela se sente, vivenciar o que ela passa a cada dia. Assim como em um dos textos que produzimos para o projeto, “Empatia não é sentir pelo outro, mas sentir com o outro. É quando a gente lê o roteiro de outra vida, é ator em outro palco. É compreender, é não dizer ‘eu sei como você se sente’, é não diminuir a dor do outro. Empatia é saber abraçar a alma".


“Plurais – E se você fosse outro?” foi o nome escolhido para o tão planejado projeto que visava não só a empatia, mas também ajudar a combater rótulos, preconceitos e estereótipos que temos em nossa sociedade. Conforme o trabalho ia sendo desenvolvido outros assuntos também passaram a ser abordados.

O projeto que, inicialmente, era pra atingir apenas o grupo da universidade acabou se expandindo e ganhando proporções maiores do que esperávamos. Com isso também veio o dobro de trabalho e produções para atingirmos a demanda que tínhamos.

Em cada relato, reportagem, vídeo ou texto, particularmente, pude entender melhor como outras pessoas vivem, as situações desagradáveis que enfrentam e sim, consegui me colocar no lugar delas. Os nomes de todas as fontes foram mantidos em sigilo justamente para que outras pessoas se imaginassem naqueles textos afinal, aquela poderia ser a história de qualquer um.

Fizemos um site e também uma fanpage para divulgar nosso trabalho e tudo continua lindo, mas agora com um pouco menos de trabalho para não enlouquecer todo mundo. Caso queiram mandar alguma história ou deixar sua opinião sobre o projeto é só conferir as informações na página do Facebook.

Agora, que as coisas deram uma acalmada, e eu não estou enlouquecendo com 10 tipos de trabalho para entregar, dedicarei o tempo para (re)cuidar do blog. Amanhã mesmo, prometo uma resenha quentinha do forno pra vocês e quem sabe algumas novidades em breve. Desculpem o sumiço, mas voltei e pra ficar.  

17 de abril de 2016

Desculpa, mas tem textão SIM

Me pergunto onde está a representação do povo brasileiro, entre tantos sim's exclamados com louvor a favor de um Impeachment onde a lembrança da mãe, do pai, da neta, do filho e dos sobrinhos são mais importantes do que todo o resto. O show da Xuxa não seria tão vergonhoso quanto as piadas que ouvimos dos deputados que colocamos no poder. Sim, nós, com nossos direitos de voto elegemos candidatos que não conseguem nos representar em frente ao Plenário Nacional. Vejo um grande retrocesso em perceber tamanha falta de vergonha na cara, entre políticos que votaram sim ao Impeachment justificando tais afirmações com a frase ''sou contra a corrupção''. É, realmente percebemos que aqui, ninguém olha para os próprios umbigos, mas saem apontando o dedo na cara de todos pois se julgam justos e honestos. Quanta hipocrisia em um lugar só. Ah, e claro, não podemos esquecer dos faladores que votaram sim pela constituição, pela igreja, por Deus, pela família tradicional brasileira, pela mudança, pela paz em Jerusalém, contra o golpe, e sim claro pela democracia do povo brasileiro ou pelos militares de 64. É tanto absurdo em um lugar só, que enquanto esses são aplaudidos, alguém que cospe em um deputado homofóbico, machista, fascista, racista, entre tantas outras coisas, é causa de notícia e repudia por parte da população brasileira. 

Não sou a favor do PT, não sou a favor do governo Dilma, mas me pergunto, o que adianta tirá-la do poder e colocar gente pior lá? Nada, não é mesmo? Mas o povo brasileiro é acostumado a pensar no imediatismo. ''OK, tiramos a presidente do poder, o depois a gente vê''. Pensar assim é muito fácil. Mas por eu ser contra o governo Dilma, também tenho que concordar com o golpe que afundará o país de vez? E sim, essa é a hora que entram as milhões de pessoas dizendo que usufruo de muitos projetos criados pelo PT, e eu lhes pergunto: e daí? Admito que o  partido criou bons projetos durante anos, estudo através do FIES sim, e digo que sem ele não estaria na faculdade. Mas e aí, por causa de usufruir de um direito, tenho que tapar os olhos e ouvidos e fingir que não existe roubalheira no país? Então é isso, esquecemos o lava jato, as denúncias, os protestos, a cidadania, o mensalão, a constituição, as dívidas acumuladas, as contas na suíça, o dinheiro roubado, a inflação, os juros, e todo o resto, abraçando sem nos questionar todo e qualquer partido e corrupto que criou, em algum momento da vida, projetos bons que renderam no país. 

Desculpem vocês, mas NÃO, não vou fechar meus olhos pra isso. Não vou apoiar um governo só por usufruir de projetos. E também não vou dar meu apoio a babacas que querem assumir o poder. Entendem que as coisas boas não anulam as coisas ruins. A corrupção está aí sim, e envergonha o país em todo o lugar. Não importa em qual governo as coisas começaram a estourar, a corrupção vem de anos e como sempre, fomos empurrando porque o imediatismo é noção do brasileiro que não pensa a longo prazo. Uma coisa devia ficar clara ao cidadão brasileiro: ser partidário não quer dizer nada. O PT possui corrupção sim, possui lavagem de dinheiro, possui propina, tanto quanto qualquer outro partido do país. Se você fecha os olhos pra um porque é partidário a outro, você realmente não está enxergando o problema real que vivemos. 

Se eu apoiar o governo Dilma devo fingir que não existe problemas? E se eu não apoiar, devo criticar todos os bons projetos criados pelo PT? Retrocesso. É isso que temos aqui. Apoiadores da ditadura, preconceituosos e autoritários são os aplaudidos enquanto os que desejam que a democracia seja mantida são vaiados em rede nacional. E nós, com a força de lutar, com a esperança de um país melhor, sentamos e choramos porque nossa voz não é ouvida. Não vou ser PT por utilizar um programa criado, assim como não vou ser de qualquer outro partido, porque, se pararem pra pensar, cansamos de ser partidaristas, passamos a votar no caráter, e nos enganamos com esse também. Desculpem, mas não é porque usufruo de algo, que preciso votar/ser de um determinado partido. Não sou, e no momento não tenho vontade de votar em nenhuma pessoa ou partido porque não vejo ideais voltamos pra população. São só promessas, vagas e falhas, em qualquer um deles, e vocês sabem que não estou errada.

Li em algum lugar uma vez, alguém dizendo que se negava a ser ''petralha'' ou ''coxinha'', e faço dessas as minhas palavras. Me nego, porque a questão a ser resolvida não é a esquerda e a direita, e sim um país inteiro, uma nação inteira, que sofre com os ladrões do poder, e caso você ainda tenha dúvidas, eles estão por todo o lado. Não vou escolher um partido, porque não acredito que essa seja a solução. Como pudemos notar, nossos representantes, seja qual for o partido que fizerem parte, não sabem ao certo o que desejamos. Queremos pouco. Queremos um país limpo das sujeiras varridas pra debaixo do tapete por anos. Queremos a dignidade de possuir nossa democracia e termos voz em meio ao caos. Queremos acreditar, que independentemente da pessoa ou partido que estiver governando, ele fará por nós e não por si. Queremos nada mais, nada menos, que o país pare de ser uma piada internacional. Mas o que temos agora são pessoas desacreditadas, que se negam a ser brasileiros, por vergonha. 

Vergonha de um país que ao invés de julgar os crimes permite que os réus se escondam atrás de grandes cargos. Vergonha, pois assim como dizia Renato Russo há sujeira pra todo lado e ninguém parece ligar. Sentimos vergonha e nem sabemos explicar, porque muitos se fecham no mundo da ignorância, só esperando passar. Esperando o apoio e as criticas sob aqueles que não escolheram um lado, que não escolheram um partido, e sim lutar pelos direitos que nos foi concedido, lutar pela não decadência de um país. É, já dizia Cazuza, nossa piscina está sim cheia de ratos, as ideias não correspondem aos fatos e estamos vendo o futuro repetir o passado. O governo Dilma vai muito mal, não há como negar, mas é nessa onda de ir levando, que ao dizer sim a um Impeachment colocaremos mais e mais corruptos no poder e só pensaremos nas consequências depois. Ouvimos foguetes, chegamos ao fim ouvindo comemorações e dizendo tchau. Esse é um dia triste. O dia em que a democracia morreu por descarados que sentam no pódio e riem. Riem, gargalham e ovacionam porque aos olhos destes e para estes o país vai bem. É uma pena.

10 de agosto de 2015

Faça seu próprio copo de clips

Apesar do nome da postagem, isso não é um tutorial ou um DIY, ISSO é pra falar sobre algo muito comum no dia a dia que pode ser definido através disso: Não é seu? Então não mexa!

Tem coisa mais chata do que gente que mexe nas nossas coisas? Tem, tem sim, mas o fato de você saber onde deixou algo e depois essa coisa não estar lá, é totalmente irritante. Se você não pediu, se eu não te dei algo ou não te emprestei, por favor, porque você está sendo chato e pegando o que não é seu?

Tudo bem, tudo bem, estou sendo um pouco exagerada, mas tá vendo aquela coisa de última geração que você sofreu para conseguir, economizou por meses, comprou parcelado, e ainda assim, gastou todo seu dinheiro, só porque você queria muito e lutou por isso? Então, posso pegar? 

Se sua resposta foi não, seja bem vindo ao clube! O valor do objeto, o tamanho ou a modernidade, não importam muito. O que importa é que é MEU, e eu não quero que ninguém pegue sem permissão. Por quê? Porque é MEU!

MÃES ESPECULAS

Sabe aquela coisa de que mãe sempre sabe tudo? Pois então, elas sabem mesmo. Mães são especulas e, com certeza, as que mais mexem nas suas coisas. 

A minha mãe, por exemplo, tem uma, quase, neurose, com mania de arrumação e organização. Pra ela tudo tem que estar em seus devidos lugares, a cama deve ser arrumado e caderno que você vai usar de noite, não deve ficar sobre as cobertas e sim em seu devido local dentro do armário. 

Todas as mães são assim, umas menos que as outras é claro, mas todas sempre pedem pra que você arrume suas coisas, e quando você não faz o que elas pedem? Pronto! Lá esta sua mãe arrumando tudo e “bagunçando” sua organização pessoal.

Minha mãe é exatamente assim, e ela devia escutar aquelas velhas frases estilo “eu me acho na minha bagunça”, porque é exatamente isso! Se eu coloquei algo em determinado lugar, não fico preocupada se ela devia estar na cabeceira da cama ou dentro do armário. Coloquei ela ali, porque é ali que vou procurar por aquele objeto quando precisar dele. Portanto, DEIXE ELE ALI!

Mas, mães nunca escutam, mães precisam organizar, e no clima de deixar a casa arrumada caso apareça alguém, eu não encontro nada. O caderno da noite nunca está em cima do balcão e a lista de compras, simplesmente, foi parar em uma caixinha, junto com tantas outras e se perdem por ali. Poxa, se eu deixei ali, o que custa deixar ali até eu voltar buscar? 

Custa bastante, custa a reputação da sua mãe em manter a casa organizada perante os familiares, as visitas e principalmente as vizinhas. Ah vizinhas. Essas são um grande problema.

REPARTINDO O PÃO

Vizinhos. Tem gente mais fofoqueira? É, talvez eu e minhas amigas, mas isso não vem ao caso agora. Vizinhos comentam, vizinhos reparam, vizinhos são o pior tipo de gente. Mas vizinhos não são apenas que moram do lado ou em frente a sua casa. Existem vizinhos por todas as partes, inclusive no trabalho os que costumo chamar de ‘vizinhos de setor’.

Quando você trabalha com mais pessoas, é normal que um ou outro acabe pegando ou mexendo nas suas coisas, afinal, tudo ali é compartilhado e vocês são uma equipe certo? Certo! Mas isso não da o direito de ninguém abusar da sua boa vontade. 

Outro dia desses, precisei passar um período em outro setor, quando voltei pra minha sala, todas as minhas coisas (lápis, caneta, marca textos...) haviam sumido. Tudo bem, as coisas são compartilhadas, mas poxa, precisava pegar tudo? 

Ok, esses é aqueles momentos em que você respira fundo, e o mantra de contar ate dez meio funciona. Pedi as coisas de novo, tudo tranquilo, tudo na paz, mas sempre, SEMPRE, tem um abusado. 

Nos primeiros dias não senti falta dos clips, porque não estava precisando deles, mas depois, quando precisei, encontrei o MEU copo de clips na mesa de um colega. Ok, eu não estava na sala, ok, ok, deixa passar. Peguei de volta, e no outro dia de manha onde estava meu copo de clips? EXATAMENTE! Me diz ai colega, por que você pegou de novo os meus clips? Ninguém te ensinou que é feio mexer nas coisas dos outros. Respira não desce do salto!

Repartir o pão. Sempre ensinam esse mandamento, é preciso saber dividir, tudo bem, você quer o clips, tudo bem, mas lembre-se que não são seus. Depois da terceira vez da “roubagem” de clips, o meu limite de paciência já esgotou e bom, SÃO MEUS, DÁ LICENÇA!

Exagero? Um pouco, mas não importa o que seja, um copo de clips ou o novo lançamento de algo que juntei dinheiro pra comprar, são minhas coisas e ninguém tem o direito de mexer nelas. Eu podia ter pegado outros clips? Com certeza, mas a lição não seria aprendida.

Foi um simples copo de clips, mas foram clips que eu juntei mês após mês, separando os quebrados dos bons, os coloridos dos normais, e nessas ocasiões eu realmente não quero repartir o pão com você, ok? Ok. 

APRENDENDO A LEI DA CONVIVÊNCIA

Eu sei dividir, mas tem certos momentos que é as coisas são minhas e ponto, você não mexe e não há discussão. A lei da boa convivência devia aplicar a regra de NÃO MEXA NO QUE NÃO É SEU, porque isso estraga qualquer humor.

Você quer algo? Peça. Pegou? Devolva. Estragou? Compre um novo. Pegou emprestado sem permissão? Aguente os xingamentos. Todo mundo tem o direito de reclamar se alguém pega algo seu e não devolve, ou ainda pior, estraga. 

É claro que no trabalho o coletivo prevalece. Você precisa entender que as coisas ali, não são exatamente suas e sim de um grupo de pessoas que convivem com você e ocupam, talvez, os mesmos objetos. Talvez, porque muitas vezes é só preguiça de ir buscar o que falta, o que acontece muitas vezes. 

Coletivo é coletivo, mas o que está na minha mesa, não é totalmente de uso público não, e talvez, só talvez, eu não queira que você mexa. Então, pelo bem da boa convivência, não seja preguiçoso, não mexa nas coisas dos outros, não tire do lugar se não for pra colocar de volta e por favor, faça seu próprio copo de clips. 

1 de julho de 2015

Baseada em listas

Não importa o jeito que começa. 1,2,3; asteriscos ou bolinhas, traços e estrelas. A vida é baseada em listas. Pelo menos pra mim. 

Lista de presentes, lista de livros, lista de próximas leituras, listas de séries e filmes que pretendo assistir, lista de ideias, lista de compras, lista de contas, lista de tarefas do dia, lista de coisas a se fazer a um longo prazo, lista de trabalhos, lista de música, lista de reprodução pra secar o cabelo, lista de citações, listas listas e mais um pouco de listas. 

Forraria as paredes do meu quarto com a quantidade de listas que já fiz. Encheria a geladeira com bilhetes que ninguém mais entenderia além de mim. E digo pra vocês, sem listas eu não sei o que fazer.

Tudo, absolutamente tudo, é baseado em listas na minha vida, não importa qual seja o assunto. ‘Ah tudo bem, você faz listas para se organizar melhor’, em partes sim, o resto é pura obsessão. 

Fazer listas é extremamente normal, mas fazer listas sobre a mesma coisa por pelo menos 10 vezes? Ok acho que temos um problema aqui, mas é assim que minha vida funciona.

Se eu preciso comprar presente para alguém, eu vou fazer uma lista, ou dez dela. As mesmas ideias são anotadas várias vezes em diferentes locais. Tipo um ciclo sem fim. 

Primeiro anotado no celular porque é sempre o que está mais perto em qualquer ocasião, depois anotado no primeiro pedaço de papel que encontro. Aí vem o lance de querer ser mais organizada e reescrever essa lista num caderno toda bonitinha e cheia de asteriscos tortos em cada item. Suficiente pra você? Deveria, mas eu preciso de mais. 

Depois de todo esse processo, eu ainda preciso digitar a lista em algum documento no not, mandar pro meu próprio e-mail e salvar no site que uso para organizar minha vida online.

Organizar a vida baseada em listas funciona pra mim, mas ao terminar esse texto estou achando quase um exagero. Será que tenho TOC? Alguma doença psicológica? Algum problema de deixar tudo organizado em excesso? Olha aí, já estamos listando possibilidades. 

Acho ate que vou fazer mais uma só pra não perder o clima. Anotar os possíveis problemas neurológicos e seus sintomas do que posso ter. É, vamos lá, anotar mais algumas coisas nos inúmeros caderninhos e blocos de anotações.

19 de junho de 2015

5 minutos de reprovação do mundo

Pessoas em ônibus são estranhas. Algumas falam alto, outras ficam com aquele olhar perdido, alguns pegam o ônibus errado ou descem longe demais e têm ainda, os que eu considero o pior tipo, aqueles que ficam de pé tendo bancos disponíveis. Respondam-me, por quê?! 

Essa foi mais ou menos a situação que vi na minha volta pra casa, porém num nível mais elevado de preconceito. Seres humanos, vocês são estranhos! 

Entrei no ônibus e, como sempre, sentei no banco do canto, perto da porta e fiquei brisando como é meu costume. Ao olhar para o outro lado, fiquei analisando as pessoas e uma delas chamou minha atenção. Fones de ouvido, um casaco de pele, calça zebrada (é assim que se fala?), um cabelo um tanto avermelhado e as sobrancelhas mais bem feitas que as minhas. 

Uma descrição comum certo? Então qual o problema disso para alguns? Eis a resposta: A pessoa retratada é um homem, assumido e tranquilo com sua orientação sexual, e que também não se incomoda com a opinião alheia.

Sentada do outro lado do ônibus senti um incomodo com o fato de ninguém querer sentar ao lado do sujeito, como se ele tivesse alguma doença altamente contagiosa. Essa foi uma situação corriqueira vista somente por 5 minutos enquanto o ônibus fazia suas voltas, mas uma situação comum de preconceito pela qual, muitos passam.

Somos diferentes, temos opiniões distintas e temos o total direito à liberdade de expressão. Mostrar sua escolha sexual por meio das roupas é um problema pra você? Quando estamos em uma festa e as meninas estão usando vestidos curtos demais são tarjadas como fáceis, as legitimas ‘piriguetis’, julgamos, falamos sobre, mas depois perdemos o interesse. Bom, se a menina pode usar o vestido curto, se vestir do jeito que quiser, porque grande parte da sociedade sente certo tipo de nojo ao ver um gay mostrar o que realmente é?

USO DE TERMOS

Há alguns dias atrás briguei com um amigo meu pelo mesmo motivo, fui chamada de preconceituosa por rir de um vídeo onde um garoto do meu curso estava dançando. Ri, mas ainda continuo achando que o menino foi muito corajoso em aparecer na frente de toda uma banca de jurados e apresentar sua coreografia. Achar uma apresentação engraçada não é preconceito.

Preconceito seria se eu me retirasse do local, se e achasse um absurdo ver um cara dançando, se eu jogasse algo nele e o agredisse verbalmente. Não fiz nada disso, mas como sempre as palavras se distorcem. Ao mandar o vídeo pro meu amigo, usei algo como ‘a bicha louca foi lá dançar isso’. Ok, mil pessoas dirão que sou nojenta como o moço de pé no ônibus que não sentou ao lado do outro, e outras, como meu amigo, dirão que tenho preconceito e nem sei. 

Confesso que a música não era das melhores e isso tornou a situação engraçada, mas não vejo problema em dizer ‘bicha louca’ quanto isso não tem um sentido pejorativo, até porque, se seguir nessa linha de pensamento vou ter que parar de chamar minhas amigas de vacas em determinadas situações (amo vocês suas lindas muuúhs). 

DIVISÃO

Acredito que homossexuais tenham determinadas “categorias”, não é exatamente esse o termo, mas na falta de um melhor usaremos esse mesmo. Faço jornalismo, e posso dizer que grande parcela de pessoas dentro do meu curso são gays ou lésbicas, e outros ainda estão se decidindo. Desse grupo, posso dizer que até terminar a faculdade não terei certeza realmente da orientação sexual de alguns. 

O primeiro ‘tipo’ são aqueles gays que você fica horas analisando e ainda fica na dúvida do ‘será que são mesmo?’. Mas são! Gays que não usam roupas chamativas, gays que não falam sobre o assunto, gays que não gostam de coisas de ‘mulherzinha’, gays que não tem nem jeito de gay. Gays! Assumidos e até com namorados, mas que não ficam expondo sua opção aos quatro cantos do mundo.

Outros preferem que as pessoas vejam e se acostumem com isso. Adoram as últimas novidades da moda e as fofocas rola solta com as amigas, mas ainda assim são controlados, conversam normalmente sem todo aquele estardalhaço. Esses são o segundo ‘grupo’. E olha gente, palmas pra vocês porque as dicas de roupa, cor, cabelo e maquiagem são sensacionais. Se vocês quiserem uma cobaia para treinar maquiagens e penteados, estou à disposição porque é de arrasar. 

E bom o terceiro gay é aquele que eu chamo de ‘bicha louca’ em uma forma carinhosa. Esses são aqueles que, literalmente, tocam o foda-se para a sociedade. Eles usam brilho, usam rosa, usam roupas femininas, usam salto, e olha, admito que andam melhor do que eu. Fazer escândalos, falar alto e chamar a atenção são pontos fortes da personalidade deles. O fato de serem totalmente despreocupados e ainda xingarem quem resolver falar mal naquele estilo de ‘stop, wait a minute’ balançando a cabeça, torna vocês muito engraçados. ADOOOOOORO AMIGA! Quero mais amigos assim pra minha vida virar em purpurina, porque também gosto de brilhar.

QUESTÃO DE JEITO 

Portanto amigos, o jeito como se usa a frase ou o adjetivo é o que da sentido, e interpretação de texto é fundamental, assim como ouvir todo o porquê da história. Não sou preconceituosa e aplaudo de pé os assumidos em meio a tanta polêmica com o homossexualismo. 

Chamar alguém de ‘bicha louca’ não me faz uma pessoa preconceituosa, é só meu jeito de analisar as coisas, um tipo de escala mental pra eu saber o que devo esperar da conversa. Você pode ser o tipo recatado que ainda tem medo de assumir sua orientação sexual, o tipo que vai vomitar arco íris comigo quando algo ual acontecer, como pode ser o cara que vai me contar da transa com o boy magia na noite anterior. Eu não ligo. 

Assim como eu tenho minhas diferenças e liberdade de expressão, o resto do mundo também tem e é preciso respeito com a opinião alheia. É exatamente como diz o ditado ‘respeite para ser respeitado’. Se você tem o direito e cortar o cabelo igual ao de um jogador de futebol porque essa é a sua forma de se expressar, não julgue a pessoa que resolve se vestir de um jeito diferente do que a sociedade preza.

Se joga porque o resto é resto!

E você, moço alto que estava de pé no ônibus, repense seus conceitos sobre humanidade e da próxima vez sente-se ao lado do moço com calça zebrada. Gays não mordem a não ser que você deixe. Com certeza, você tem todo o direito de permanecer de pé para expressar sua opinião sobre a homossexualidade, mas ser preconceituoso nos dias atuais faz de você um ser humano com a mente fechada e um tanto desprezível, com o qual eu não gostaria de conviver. 

Respeito é bom, e todo mundo gosta não é? Então não sejam asquerosos. Pra finalizar, só quero deixar registrada a minha humilde e pequena opinião sobre mais uma coisa: cara, se tu tem tanto medo de sentar ao lado de um gay, pode ser que a tua tão grandiosa masculinidade esteja um pouco afetada. Aliás, ela não deve ser tão grandiosa assim. 

10 de maio de 2015

Quase Espelhos

E há os rostos desconhecidos, analisando outros rostos que também não conhecem, mas observam como se assim, percebessem que se conhecem de outras vidas. Um sorriso tímido aparece e te cumprimenta, você responde por educação, mas continua pensando que não conhece a pessoa. Há os que ficam divagando com uma tela rente ao rosto fugindo do que o mundo nos revela, sorrindo ao receber um novo toque no celular. O amor da sua vida talvez entrou em contato, e o bom dia não foi em fala mas em palavras ditas pela tela de um celular.

E há ainda os que olham com aparência vaga procurando algo novo na paisagem repetida da cidade, procurando um motivo pra fazer todo dia o mesmo trajeto. O motivo não parece vir à mente. Rostos de desconhecidos se cruzam em frações de segundo do dia na minha frente, alguns braços se esbarram com outros braços, mãos que se encostam sem querer devido aos passos largos e apressados com que correm. "Ei me desculpe, não vi você aí". Nunca vimos, sempre deixamos de ver o estranho que está ali na nossa frente, talvez com tantos problemas quanto você.

O dia começou, lojas se abrem, o empregado atrasado corre pra não perder o horário. 8:30 marca o relógio, tic tac, tic tac, você esta atrasado. Tic tac, tic tac, corra mais rápido, tic tac, tic tac, o ponto esta batido. Pronto, agora é so esperar pelo horário de saída. O sol brilha lá em cima mas os passos largos das cabeças baixas não veem o quanto é bonito. Tic tac, tic tac, já é hora de ir embora e você não viu nada nem ninguém, só milhões de rostos desconhecidos. 

30 de abril de 2015

De mãos dadas à baixaria

Escreva sobre o amor bonitinho de livros, filmes e novelas, que ficam sempre de mãos dadas paralelas. NÃO! Eu quero mais. Quero o amor da baixaria, o carnal, que sofre, que chora, que deseja, que dói e que briga. 

O amor da saudade é desprezado por escritores que mostram uma saudade bonita. O lado da angústia, ciúmes e desconfiança ninguém mostra e com sorte é esquecida. Quem disse que saudade é bonita? Saudade é o grito de desespero de uma alma sozinha, por que retratá-la de forma sadia?

Fujo disso, mas não fujo das rimas quando se fala de amor. Ou de dor. 

Quero contar da noite no hotel barato, da mentira contada pra estar lá, do grito que soou mais alto no anonimato da escuridão. Quero a noite em que o medo falou mais alto ecoando por paredes que ousavam escutar o sobressalto da situação.

Ó céus, tornei-me clichê ao tentar falar, de um sorriso exposto que não queria nada, além de amar. Chega de rimas e de amores bonitos. Eu quero falar de gemidos! 

Quero as coisas quebradas em paredes, as mãos que seguram fortes, as pernas que cedem em um quarto de hospede; Quero o fogo que exala do poder da paixão, o cruzar de olhos de corpos que rolam e se enrolam no chão.  

Quero sentir a gana de olhos verdes que por segundos não queriam mais piscar; Quero que contem das baixas palavras suspiradas nos ouvidos ao invés de falar; Quero o conto do sexo escondido, do desejo explodindo e do prazer incontrolável de gritar.

Jogar sujo também é amar; tentar também é berrar; acalmar também é acostumar; calar também é falar. Falar só pelo jeito de olhar. 

Conceder também é perder; compreender também é esconder; defender também é correr; prender também é poder. Poder imenso de fazer.

Amor, amor bonitinho, amor de novelas e amor de livros. Vocês são mais do que isso! 

Vocês são o arrepio do corpo quando os olhos se cruzam e o calor exalando quando os corpos se tocam. Vocês são o amor explicito proibido para menores. O amor que se esconde num lugar dentro dos bastidores! Intérpretes que correm tentando fugir, mas voltam buscando pudores. 

Ah como eu queria, que não escondessem esses atores. Como eu queria que mostrassem suas dores. E por favor, tragam de volta, o moço que me enchia de bons tremores.

30 de março de 2015

O bom da vida não tem preço

Em um dos momentos de sua vida Charles Chaplin, o famoso ator do cinema mudo, nos transmitiu a seguinte frase: “A vida é maravilhosa, caso não se tenha medo dela”. Esta frase nos remete ao fato de aproveitarmos a vida com a maior intensidade possível, principalmente os momentos simples de cada dia. 

Em uma noite dessas enquanto saía apressada e atrasada, como sempre, me deparei com uma cena simples que nunca pensei ver na porta de casa. Um carro parado, uma criança e uma mãe. No meio de toda a pressa e correria pude analisar a cena que se desenrolava dentro do carro por 10 segundos enquanto dava passos largos em outra direção. Segundos estes que me fizeram sorrir pelo resto da noite. 

A criança, que não devia ter mais de 2 anos de idade, estava de pé no colo da mãe enquanto esta segurava suas pequenas mãos. Ao ligar o som, alguma música soou dentro do veículo e as duas resolveram entrar no ritmo. Freneticamente no colo da mãe, a criança se mexia e pulava ao som que tocava. A mãe, por sua vez, resolveu acompanhar a filha fazendo alguns movimentos com a cabeça como se estivesse dançando. 

Frações de segundos que fizeram surgir um sorriso em meu rosto. A cena era tão bonita que deu até vontade de acompanha-las naquela brincadeira, mesmo como intrusa. 

Isso me fez pensar que cada simples momento vale a pena, que a gente não precisa de riquezas e produtos exuberantes quando se é feliz, e a felicidade, pode ser encontrada em um simples momento como este. Um abraço apertado, uma brincadeira entre amigos, um jogo de futebol, um beijo apaixonado, o brilho no olhar devido as novas oportunidades, um chacoalhar de rabo de um cachorro, um sorriso, um dia bonito, o cantar dos pássaros, qualquer coisa pode ser motivo de felicidade quando bem aproveitado. 

Deixamos de aproveitar muita coisa por sempre querer algo melhor, e enquanto esse algo não vem perdemos as maravilhas que a vida nos proporciona, perdemos cenas incríveis por só olhar para as coisas grandes enquanto as coisas pequenas e simples estão só esperando que alguém pare e as observem. Não devemos ter medo de aproveitar, não devemos parar de sonhar e realizar nossos sonhos, contudo também não devemos deixar que coisas simples se percam em meio a imensidão do mundo. 

A cena continuou se desenrolando dentro do carro enquanto eu voltava pra correria do dia pensando no que a minha mãe fazia quando eu tinha a idade daquela menina e no quanto as duas estavam curtindo a música que tocava.  

A simplicidade do momento era grande, é como dizem por aí, o bom da vida não tem preço. O sorriso foi de graça. O amor expressado ali era também.

3 de fevereiro de 2015

27 de janeiro de 2015

O balançar do rabo

A sensação mais gratificante depois de um dia cheio e estressante, é chegar em casa e ter uma bola de pelos te recepcionando com um rabo frenético a chacoalhar. A alegria dos cachorros é contagiante e é quase impossível não se ver sorrindo com a felicidade que eles transmitem só de enxergar seus donos.

Caso você não saiba do que estou falando, que tal procurar um amigo bichano por aí? Sabemos que os canis municipais, muitas vezes não dão conta da demanda de cachorros abandonados. Também sabemos que as condições de moradia não são essenciais, mas muitos ainda não se sentem corajosos o suficiente parar adotar um animal. Não sabem o que estão perdendo. 

O dia pode ter sido, literalmente, aqueles 'dias de cão', mas ter uma recepção calorosa vindo de um cachorro é muito bom. Eles não precisam de nada, ficam felizes pelo simples fato de você estar ali, e não te pedem mais que um carinho. Rolar no chão, apostar corrida, sentir algo pulando em suas pernas e dando giros é a diversão de ter um cachorro. 

Lembro que quando li e vi Marley e Eu, além de chorar muito por uns instantes, algumas frases me chamaram a atenção. Uma delas dizia o seguinte: 
“Poderíamos ter comprado um pequeno iate com tudo o que gastamos com o nosso cachorro e tudo que ele destruiu. Mas, me pergunto: quantos iates ficam esperando junto à porta o dia inteiro até você voltar? Quantos vivem esperando a chance se subir no seu colo ou descer a colina com você em um tobogã, lambendo seu rosto?”.
Hoje percebo que isso faz total sentido e às vezes é bom deixar as futilidades do dia a dia de lado, apenas aproveitar o momento. Dar valor as coisas simples, como um balançar de rabo te esperando todo dia na porta, pronto pra pular em você e te lamber inteiro. Garanto que não faz mal nenhum. 

15 de dezembro de 2014

O enrolar das girafas

Vocês já viram como os casais de girafas tendem a encostar um pescoço no outro? Como se estivessem se apoiando um pouco, descansando ali o fardo de carregar um corpo tão grande que quase encosta o céu. 

A cena que representa é que qualquer movimento a mais e os pescoços se cruzariam, assim como dedos, como taças em um brinde, como pernas numa cama quente enquanto se dorme de conchinha com alguém, e convenhamos que não seria uma má ideia. 

Enroscar, cruzar, enrolar. Mãos, pernas e braços. O mal de todos os séculos de querer um romance barato que pode ser criado em qualquer lugar com um simples cruzar de olhos. 

Enroscar-se e perder-se enquanto os olhos se encontram. Cruzar os dedos com alguém assim como se cruza quando se quer sorte. E querer sorte, desejar sorte. Enrolar e rolar ate que enrolem de vez. 

Não seria má ideia cruzar pescoços com alguém. Mãos, pernas e braços. Ser girafa. Tocar o céu. Encontrar alguém que aceite o enroscar que a vida oferece. Ser girafa pra descansar o fardo que achamos pra levar. Ser girafa e deixar desenrolar.


15 de novembro de 2014

Auto baixismo

A temperatura pros outros é sempre mais alta e ser levada pelo vento parece ser minha especialidade. Não enxergo nos shows e sofro sempre por esmagamento de multidões. No meu (baixo) ponto de vista o máximo que conseguiria acertar alguém em uma luta seria um pouco acima da barriga e um pouco abaixo dos ombros. Com algum esforço alcançaria a cabeça.

Ser atrapalhada parece que vem junto com o pacote e por isso odeio salto alto, salto plataforma, salto agulha, salto 15, salto qualquer coisa, até porque sapatilha é bem mais confortável. No auge dos meus 1,60m (talvez menos, segundo alguns), com amigos de quase 2 metros, eu sofro com as alturas da vida (algo que se resolveria se eu gostasse de salto, mas ainda tem aquela carga de ser do contra).

Sofro por não enxergar o cantor gostoso ou as dançarinas do palco. Sofro por não ver o final da fila e os tumultos que rolam por ser sempre rodeada pelas enormes multidões. Sofro por querer andar rápido e ter pernas curtas, sem falar nos vários tipos de cotoveladas e empurrões que levo por onde passo. 

A gente sofre por não alcançar as caixas altas e pelos apelidos de pintor de rodapé e tampinha que vão surgindo. Não uso e não gosto de salto porque sou apaixonada pela minha altura, e na minha (pequena) opinião, acredito que todos deveriam ser. 
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