19 de junho de 2015

5 minutos de reprovação do mundo

Pessoas em ônibus são estranhas. Algumas falam alto, outras ficam com aquele olhar perdido, alguns pegam o ônibus errado ou descem longe demais e têm ainda, os que eu considero o pior tipo, aqueles que ficam de pé tendo bancos disponíveis. Respondam-me, por quê?! 

Essa foi mais ou menos a situação que vi na minha volta pra casa, porém num nível mais elevado de preconceito. Seres humanos, vocês são estranhos! 

Entrei no ônibus e, como sempre, sentei no banco do canto, perto da porta e fiquei brisando como é meu costume. Ao olhar para o outro lado, fiquei analisando as pessoas e uma delas chamou minha atenção. Fones de ouvido, um casaco de pele, calça zebrada (é assim que se fala?), um cabelo um tanto avermelhado e as sobrancelhas mais bem feitas que as minhas. 

Uma descrição comum certo? Então qual o problema disso para alguns? Eis a resposta: A pessoa retratada é um homem, assumido e tranquilo com sua orientação sexual, e que também não se incomoda com a opinião alheia.

Sentada do outro lado do ônibus senti um incomodo com o fato de ninguém querer sentar ao lado do sujeito, como se ele tivesse alguma doença altamente contagiosa. Essa foi uma situação corriqueira vista somente por 5 minutos enquanto o ônibus fazia suas voltas, mas uma situação comum de preconceito pela qual, muitos passam.

Somos diferentes, temos opiniões distintas e temos o total direito à liberdade de expressão. Mostrar sua escolha sexual por meio das roupas é um problema pra você? Quando estamos em uma festa e as meninas estão usando vestidos curtos demais são tarjadas como fáceis, as legitimas ‘piriguetis’, julgamos, falamos sobre, mas depois perdemos o interesse. Bom, se a menina pode usar o vestido curto, se vestir do jeito que quiser, porque grande parte da sociedade sente certo tipo de nojo ao ver um gay mostrar o que realmente é?

USO DE TERMOS

Há alguns dias atrás briguei com um amigo meu pelo mesmo motivo, fui chamada de preconceituosa por rir de um vídeo onde um garoto do meu curso estava dançando. Ri, mas ainda continuo achando que o menino foi muito corajoso em aparecer na frente de toda uma banca de jurados e apresentar sua coreografia. Achar uma apresentação engraçada não é preconceito.

Preconceito seria se eu me retirasse do local, se e achasse um absurdo ver um cara dançando, se eu jogasse algo nele e o agredisse verbalmente. Não fiz nada disso, mas como sempre as palavras se distorcem. Ao mandar o vídeo pro meu amigo, usei algo como ‘a bicha louca foi lá dançar isso’. Ok, mil pessoas dirão que sou nojenta como o moço de pé no ônibus que não sentou ao lado do outro, e outras, como meu amigo, dirão que tenho preconceito e nem sei. 

Confesso que a música não era das melhores e isso tornou a situação engraçada, mas não vejo problema em dizer ‘bicha louca’ quanto isso não tem um sentido pejorativo, até porque, se seguir nessa linha de pensamento vou ter que parar de chamar minhas amigas de vacas em determinadas situações (amo vocês suas lindas muuúhs). 

DIVISÃO

Acredito que homossexuais tenham determinadas “categorias”, não é exatamente esse o termo, mas na falta de um melhor usaremos esse mesmo. Faço jornalismo, e posso dizer que grande parcela de pessoas dentro do meu curso são gays ou lésbicas, e outros ainda estão se decidindo. Desse grupo, posso dizer que até terminar a faculdade não terei certeza realmente da orientação sexual de alguns. 

O primeiro ‘tipo’ são aqueles gays que você fica horas analisando e ainda fica na dúvida do ‘será que são mesmo?’. Mas são! Gays que não usam roupas chamativas, gays que não falam sobre o assunto, gays que não gostam de coisas de ‘mulherzinha’, gays que não tem nem jeito de gay. Gays! Assumidos e até com namorados, mas que não ficam expondo sua opção aos quatro cantos do mundo.

Outros preferem que as pessoas vejam e se acostumem com isso. Adoram as últimas novidades da moda e as fofocas rola solta com as amigas, mas ainda assim são controlados, conversam normalmente sem todo aquele estardalhaço. Esses são o segundo ‘grupo’. E olha gente, palmas pra vocês porque as dicas de roupa, cor, cabelo e maquiagem são sensacionais. Se vocês quiserem uma cobaia para treinar maquiagens e penteados, estou à disposição porque é de arrasar. 

E bom o terceiro gay é aquele que eu chamo de ‘bicha louca’ em uma forma carinhosa. Esses são aqueles que, literalmente, tocam o foda-se para a sociedade. Eles usam brilho, usam rosa, usam roupas femininas, usam salto, e olha, admito que andam melhor do que eu. Fazer escândalos, falar alto e chamar a atenção são pontos fortes da personalidade deles. O fato de serem totalmente despreocupados e ainda xingarem quem resolver falar mal naquele estilo de ‘stop, wait a minute’ balançando a cabeça, torna vocês muito engraçados. ADOOOOOORO AMIGA! Quero mais amigos assim pra minha vida virar em purpurina, porque também gosto de brilhar.

QUESTÃO DE JEITO 

Portanto amigos, o jeito como se usa a frase ou o adjetivo é o que da sentido, e interpretação de texto é fundamental, assim como ouvir todo o porquê da história. Não sou preconceituosa e aplaudo de pé os assumidos em meio a tanta polêmica com o homossexualismo. 

Chamar alguém de ‘bicha louca’ não me faz uma pessoa preconceituosa, é só meu jeito de analisar as coisas, um tipo de escala mental pra eu saber o que devo esperar da conversa. Você pode ser o tipo recatado que ainda tem medo de assumir sua orientação sexual, o tipo que vai vomitar arco íris comigo quando algo ual acontecer, como pode ser o cara que vai me contar da transa com o boy magia na noite anterior. Eu não ligo. 

Assim como eu tenho minhas diferenças e liberdade de expressão, o resto do mundo também tem e é preciso respeito com a opinião alheia. É exatamente como diz o ditado ‘respeite para ser respeitado’. Se você tem o direito e cortar o cabelo igual ao de um jogador de futebol porque essa é a sua forma de se expressar, não julgue a pessoa que resolve se vestir de um jeito diferente do que a sociedade preza.

Se joga porque o resto é resto!

E você, moço alto que estava de pé no ônibus, repense seus conceitos sobre humanidade e da próxima vez sente-se ao lado do moço com calça zebrada. Gays não mordem a não ser que você deixe. Com certeza, você tem todo o direito de permanecer de pé para expressar sua opinião sobre a homossexualidade, mas ser preconceituoso nos dias atuais faz de você um ser humano com a mente fechada e um tanto desprezível, com o qual eu não gostaria de conviver. 

Respeito é bom, e todo mundo gosta não é? Então não sejam asquerosos. Pra finalizar, só quero deixar registrada a minha humilde e pequena opinião sobre mais uma coisa: cara, se tu tem tanto medo de sentar ao lado de um gay, pode ser que a tua tão grandiosa masculinidade esteja um pouco afetada. Aliás, ela não deve ser tão grandiosa assim. 
COPYRIGHT © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | O ARMAZÉM DE IDEIAS - 2015
Design, Ilustrações e Desenvolvimento: