1 de fevereiro de 2015

Resenha: A estrada da noite

Autor: Joe Hill
Editora: Arqueiro
Páginas: 256

Precisa de um terno? Compre este que vem acompanhado com um fantasma.


Esse livro também me conquistou logo pela capa, pois já nela conseguimos ver o mistério e terror que nos aguardo no livro, e Joe Hill não me deixou pensar diferente. Em uma promoção legal, que me fez gastar todo o dinheiro guardado, esse livro veio parar na minha estante, sem arrependimentos.

O livro de estreia do autor, e filho do ilustríssimo mestre do terror, Stephen King, me conquistou logo nas primeiras paginas e só foi melhorando.

Judas Coyne é uma lenda do rock, bem do estilo ‘sexo, drogas e rock and roll’, sempre arrogante e sem vergonha. Mas após a morte de dois integrantes de sua extinta banda, tudo que Jud quer, aos 50 anos de idade é uma vida tranquila para descansar.

O protagonista, que dá nome de estados para suas namoradas, além de ser um astro do rock, também coleciona uma série de objetos estranhos, inusitados e macabros como um livro de receitas canibais, a gravação de uma bruxa de 300 anos, o laço de um enforcamento, uma fita contendo um assassinato real de um casal adolescente, entre outros. A maioria desses artefatos foi mandando por fãs que sabiam dessa estranha mania de Jud.

Em um dia normal, Danny, seu assistente bajulador, encontra um site de leilões e nele um anúncio: “Vou vender o fantasma do meu padrasto pelo lance mais alto...”. Ao mostrar para Jud, este não titubeou, deu o lance de mil dólares e se tornou o dono do terno que, supostamente, estava assombrado pelo fantasma.

Depois de um tempo, o terno chega à casa de Jud, embalado em uma caixa preta em força de coração, mas o cinquentão não o levou a sério no início e mesmo com a desaprovação de sua nova namorada gótica Marybeth, a quem chamava de Geórgia devido ao seu estado de origem, ele manteve o casaco guardado junto com suas roupas. Após um tempo, o terno começa, de alguma forma, a ‘ganhar’ vida própria e coisas estranhas começam a acontecer com Jud e as pessoas que o rodeiam, e todos passam a correr um grande risco de vida.
“Ele viu um lampejo de movimento refletido na janela parcialmente aberta atrás da escrivaninha e seu olhar saltou para a imagem do vidro. Pôde ver a si mesmo ali e o homem morto parado ao seu lado, curvando e sussurrando no ouvido dele.”
Jud descobre que o terno pertencia na verdade a Cradock, pai de sua antiga namorada Anna, que se suicidou após o termino com o astro. Pelo menos é o que a louca da irmã de sua ex acredita, então ela envia o casaco buscando uma forma de vingança. O roqueiro tenta de todas as formas se livrar do casaco, mas esse continua a assombrá-lo, trazendo lembranças do passado e tirando seu sossego. Não podia simplesmente dar pra alguém, jogar fora ou queimar. Ele pagara pelo fantasma e não podia se livrar dele.

A mudança dos personagens ao longo da narrativa é incrível e acompanhar essa transformação é um dos pontos fortes do livro. Jud, no inicio do livro não se importava com nada e nem ninguém, mantendo a pose do cara frio, desprezível e egocêntrico típico dos astros de rock. Mas essas características mudam ao longo do enredo conforme ele nota que precisa salvar aos outros, principalmente sua namorada Geórgia, e não só a si mesmo.

Geórgia é uma personagem um tanto apagada no começo, feliz só pelo fato de estar dividindo a cama com o astro de rock, mas cresce durante a história de uma forma espetacular tornando-se forte, destemida e determinada a manter o homem que ama vivo. E o fantasma Cradock é notado de uma forma fantástica com sua sede de vingança que se torna cada vez pior, e com todos os efeitos que um fantasma necessita. Às vezes dava até medo de tirar os olhos do livro e ver ele sentado com sua forma sombria me encarando, como fazia com Jud, ou ainda controlando o rádio e a televisão.
“Os fantasmas sempre nos alcançam, é impossível trancá-los do lado de fora. Eles simplesmente atravessam a porta mesmo que esteja trancada”.
Além do sobrenatural, Hill também traz a questão do abuso infantil, mesmo que de uma forma não muito explorada, aos olhos dos leitores. Isso dá ao protagonista um motivo para não se deixar levar pelo fantasma, aflorando também a vontade de vingar a morte de sua ex-namorada querendo acabar com Cradock a qualquer custo.

O livro confirma o velho ditado ‘tal pai, tal filho’, e estou ansiosa para ler mais livros do autor que me mostrou que não devemos nos deixar levar só pelo anúncio, até porque cedo ou tarde, os mortos podem nos alcançar.

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