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21 de agosto de 2016

Resenha: Como eu era antes de você

Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 320


Você era apenas a ausência a quem ele tentava sempre impressionar.

Eu não sou de livros de romance. Na verdade, a maioria dos livros de romance que leio me dão sono e preguiça porque acho tudo meloso demais. Pra gostar de romances eu preciso que eles me destruam emocionalmente e Jojo Moyes fez isso muito bem tornando esse um dos livros favoritos do ano.

Louisa Clark, a moça de 26 anos, ainda mora com os pais numa pequena cidade da Inglaterra. Ela não tem muitas ambições na vida, possui um namoro estável há 7 anos com Patrick e seu maior desejo é que tudo continue como está. Mas sua vida da uma reviravolta após o fechamento do café onde trabalhava então, ela se vê obrigada a procurar um novo emprego e é assim que acaba se envolvendo com Will Traynor. 

Will é um tetraplégico de 35 anos que teve sua vida completamente mudada após ser atropelado por uma moto. Apesar de ser inteligente e um belo rapaz, Will é imensamente amargurado e mal-humorado devido a condição em que se encontra. Ele não aceita sua nova vida, e acredita que tudo o que fazem por ele é por pena. 
Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo.

Lou começa a trabalhar na mansão de Will, como cuidadora dele. Os primeiros contatos entre os dois não são nada bons e Will parece detestá-la gratuitamente. Ela não tem nenhuma experiência como cuidadora, mas consegue realizar algo que muitas outras enfermeiras não conseguiram, fazer Will se sentir animado. Com poucas semanas de trabalho Lou descobre que Will já tentou suicídio e que ao final de 6 meses ele pretende ir a Dignitas, uma clínica na Suíça, para morrer. A função de Lou é tentar mudar a opinião de Will sobre a vida. 

Mesmo se sentindo traída com a falta de informações que a mãe de Will lhe deu, ela resolve aceitar o desafio de tentar convencer Will de que, mesmo com todas as limitações que a cadeira de rodas traz, ainda vale a pena continuar vivendo. Com suas roupas coloridas e escandalosas, seu bom humor e otimismo, ela cria uma série de atividades e programas diários para mostrar a Will que ele pode fazer tudo que quiser. 

Aos poucos, em meio a algumas ironias, os dois vão criando uma linda relação de amizade, e juntos vão vencendo suas limitações e encarando novos desafios. A autora consegue transmitir todas as dificuldades que os dois personagens enfrentam e principalmente suas frustrações quando algo sai errado. 
Essa vidinha, que será passada quase toda num raio de quinze quilômetros, sem ninguém que a surpreenda, incentive ou mostre coisas que façam sua cabeça girar e você perder o sono à noite.

A escrita é leve, divertida, e você consegue se inserir dentro do cenário sem nenhum problema. A leitura é rápida, e dá para sentir exatamente aquilo que os personagens sentem. O livro traz um misto de felicidade e dor durante toda a história, e quando você pensa que tudo vai dar certo, a autora vai lá e simplesmente te destrói emocionalmente.

A autora também consegue transmitir aos leitores todas as dificuldades que os cadeirantes enfrentam todos os dias. Além do preconceito e dos olhares de pena das pessoas, também precisam enfrentar as estruturas inadequadas da maioria dos lugares, a falta de acessibilidade e a falta de compaixão. 

Se você quer um romance água com açúcar, cheio de melosidade e com final feliz, aconselho que procure algum outro livro de romance para ler. Ao final desse ficamos destruídos, por mais “ameno” que a autora tentou descrever o que acontece, é um final triste de partir o coração. E quando você pensa que já está no chão o suficiente, ainda tem um epilogo para acabar com a estrutura emocional de qualquer um.
Fiquei na cama até meus pensamentos escurecerem e se solidificarem ao ponto de eu não aguentar mais o peso deles [...] enfim, com a cabeça pressionada contra o travesseiro, chorei porque minha vida de repente pareceu muito mais difícil de entender e muito mais complicada do que jamais havia imaginado. 
Como eu era antes de você me ensinou muito sobre dificuldades, superação, amor, amizade, generosidade e acima de tudo amor. Acima de tudo o livro me mostrou que as vezes, por melhor que seja a vida, não é o suficiente. Terminei o livro em lágrimas, mas com a sensação de que posso dar uma chance a alguns romances, principalmente os da Jojo.

SOBRE O FILME:

Para terminar essa resenha, quero fazer um pequeno parêntese sobre o filme. Acredito que a adaptação conseguiu ser fiel a grande parte do livro, conseguiu mostrar os desafios descritos, as frustações e o lado divertido dos personagens. Adorei ver a excentricidade da Lou representada nas telinhas e suas roupas coloridas são exatamente como as descrições do livro. Apesar de ser uma ótima adaptação, acredito que os produtores falharam em excluir algumas partes importantes que construíram a personalidade dos personagens no livro, tanto de Will quanto da Lou. Infelizmente quando fui ao cinema só havia sessão dublada o que também me frustrou um pouco, mas nada que diga que o filme não retratou quase todo o cenário descrito na leitura.

18 de julho de 2016

Resenha: O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle
Editora: Aleph
Páginas: 216


Contemplava a imensidão do mundo e deixava-se hipnotizar, como volta e meia lhe acontecia, pela sensação cósmica do nada.


Ler uma história de uma das séries mais aclamadas de filmes, cria em nós, leitores, uma grande expectativa e, às vezes, a história acaba nos decepcionando. Felizmente, essa não foi a situação encontrada ao ler Planeta dos Macacos. Ouvi um monte de gente comentando sobre o livro, positiva e negativamente, mas para mim a história foi surpreendentemente boa. 

Ulysse Mérou é um jornalista francês que, na companhia de um renomado cientista e seu aprendiz, parte do planeta Terra com o intuito de explorar a galáxia e conhecer outros planetas. Ao iniciarem a jornada, os três tinham conhecimento de que o tempo seria diferente em cada lugar e que, ao regressarem, a Terra também estaria diferente pois séculos haveriam se passado.

Após alguns anos de viagem, dois se não me engano, Ulysse e seus companheiros encontram outro planeta, denominado Betelgeuse. Ao desembarcarem no novo planeta, os três notaram que o lugar se parecia muito com seu planeta de origem. O mesmo ar, água, plantas e alimentos, porém as semelhanças encerram aí. 

Ao explorar o ambiente eles encontram humanos que ali vivem, e o primeiro contato lhes faz notar algo assustador: os humanos ali não possuem o intelecto desenvolvidos, agem como animais e invés da fala, desenvolvem grunhidos. O planeta é dominado pelos símios, ou seja, macacos, e a espécie humana é refém e dominado por esses seres. 
Arquibancadas, em torno e acima de mim, achavam-se tomadas por macacos. Havia milhares deles. Nunca tinha visto tantos símios reunidos; sua profusão transcendia os sonhos mais loucos de minha mísera imaginação terrestre: seu número me assustava.
A história é narrada do ponto de vista de Ulysse, e a escrita é bem leve, de forma que a narrativa seja lida bem rápido. Descobrimos o novo mundo junto com o personagem e, por isso, consegui me envolver com a história. Ao decorrer do enredo, vi que minhas dúvidas também eram as dúvidas do personagem, e ele sempre tentava me mostrar o que fosse preciso. Pude sentir na pele o impacto que tudo causava a Ulysse como se fosse eu mesma em um planeta diferente.

Em determinado ponto, Ulysse é obrigado a viver com os macacos, convivendo com eles e assim, mantendo-se seguro. É através disso, que ele descobre como a civilização surgiu, suas regras, classes e divisões, sua história e os acontecimentos que os levaram a fazer testes em humanos. Aqui conseguimos notar uma mera semelhança com a nossa civilização, em que testes são feitos em outras espécies.
O macaco é, naturalmente, a única criatura racional, a única que possui alma e corpo ao mesmo tempo. Os mais materialistas de nossos cientistas reconhecem a essência sobrenatural da alma simiesca

Com a leitura se desenrolando, notei que Pierre quis demonstrar o verdadeiro sentido do existir humano. No livro o papel de caça e caçador são invertidos e aí paramos para pensar: o fato da nossa inteligência nos torna mesmo maiores que os outros ou assim como os macacos só estamos imitando uma série de coisas que já vimos acontecer? Será que temos o direito de explorar outros seres somente pela nossa capacidade de raciocinar?

Durante a narrativa, também temos a personagem de Zira, uma macaca que ajuda Ulysse em sua jornada. Ela, sem dúvida nenhuma é a personagem mais “humana” que encontramos ali. Ela tem a sensibilidade de notar o sofrimento alheio, mesmo que em raças inferiores, e tentar ajudá-los. Zira nos faz entender que o espírito é que da valor ao corpo, que não é o físico, mas a alma que habita ali.  

Com isso, posso dizer que O Planeta dos Macacos, com todas as suas peculiaridades, é um livro surpreendente. A história é grandiosa, trata de valores, inteligência e humanidade de uma forma simples e segura que realmente nos faz refletir e tentar se imaginar conforme aquele mundo e aquelas regras. Eu não assisti a todos os filmes, por isso consegui fazer uma análise somente da leitura e adorei tudo. 

Cheguei ao final do livro com a sensação angustiante e a pergunta que não saía da cabeça: e se isso realmente acontecesse? E assim, também notei uma crítica social que me fez perguntar até onde a espécie pode chegar antes que seja decretado seu fim. Para os fãs de ficção científica esse é o livro recomendado, e para quem não é tão fã assim, talvez seja a hora de arriscar novas histórias e dar uma chance para o gênero. Garanto que vale a pena ser tirado da zona de conforto.


6 de julho de 2016

Resenha: Fragmentados

Autor: Neal Shusterman
Editora: Novo Conceito
Páginas: 320



"Os detalhes diferem, é claro, assim como os atores, mas a essência é a mesma"

Voltando a sessão de resenhas depois de um tempo, resolvi continuar seguindo a ordem das minhas leituras para fazer a resenha. Por isso, hoje, vamos falar de Fragmentados. E como falar de um livro que, aparentemente, todo mundo amou e eu só achei “ok”? Pois é, eis a questão. 

Fragmentados foi um dos livros que eu comprei pela capa e principalmente pelo título. Sim, o título me chamou atenção então pensei “por que não né?”. Depois de ler a sinopse fiquei mais curiosa ainda, mas confesso que esperava mais da história. O gênero distópico é um dos meus favoritos, mas acho que nenhum vai chegar aos pés do meu queridinho Jogos Vorazes.

No cenário do livro, após uma guerra, as crianças são protegidas até os 13 anos. A partir daí a “Lei da Vida” permite que os pais que não querem mais os filhos, podem mandá-los para a fragmentação.  Inicialmente, a gente pensa que a fragmentação é só a retirada de órgãos de uma pessoa, mas conforme a história evolui, percebemos que qualquer parte do corpo pode ser reutilizada e, assim, seu “doador” permanece vivo aonde estiver, no corpo de quem precise. 
‘‘A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de treze anos.’’
Temos o livro narrado a partir de três pontos de vistas, Connor, Risa e Lev, três jovens enviados para a fragmentação, ou seja, destinados a terem seus corpos separados em pedaços. Cada um deles possui uma história, mas pela “força do destino” acabam se reunindo e se ajudando. 

Connor é considerado um jovem desajustado e malcriado, por isso foi enviado para a fragmentação. Risa vivia em abrigo do governo, nunca fez nada errado, mas por cortes no orçamento também foi mandada para a fragmentação. Lev foi criado e ensinado desde que nasceu que seria um dízimo, seu destino estava fadado a ir voluntariamente para a fragmentação como se isso fosse uma espécie de benção divina. 


Um acontecimento aqui, um acidente ali, e os três se juntam. Em uma confusão no trânsito, os três fogem do sistema de fragmentação e agora precisam ficar escondidos e sobreviver até completar 18 anos pois, só assim, estarão livres do procedimento. Mas, talvez, a maior dificuldade dos três seja a convivência um com o outro, pois não se conhecem e nem confiam um no outro.

A escrita de Neal flui bem rápida, porém, em algumas partes do livro, não consegui me apegar aos personagens. Algumas atitudes tomadas pelos protagonistas foram completamente estúpidas e sem sentido. Se algumas cenas fossem cortadas, quem sabe eu não teria ficado tao irritada com o livro. 
"Como é que alguém pode aprovar leis sobre coisas que ninguém conhece? [...] É isso que a lei é: palpites instruídos sobre o que é certo e errado"
Apesar disso, o livro me fez refletir sobre as decisões erradas ou equivocadas que tomamos, pois tudo tem uma consequência. Para os personagens a consequência era ter seus corpos divididos em vários pedaços. Quando o foco era realmente as questões de fragmentação, pude refletir sobre o verdadeiro valor da vida, mas em outras partes só queria terminar o livro logo. 

Nas narrativas secundárias, a parte que mais me chamou atenção, foi a que mostrou a consciência dos fragmentários ou que usam partes de fragmentados. De certa forma as duas pessoas estão presentes e há um tipo de conflito interno na hora de tomar uma decisão. Quando cheguei em uma parte assim pensei “ok agora o livro vai ficar emocionante”, mas infelizmente foi só um trecho e fiquei na expectativa de mais partes assim.  Também foi legal conhecer a história de cada personagem e o que os levou à Fragmentação, ou a fugir dela.  

"As pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz"
A história tem um final bem amarrado, sem ganchos para uma continuação, mas pesquisando descobri que a história possui mais 4 volumes. Os próximos livros, assim como o primeiro, têm uma história independente, por isso não se ligam necessariamente com esse. Quem gosta de distopia, deve sim dar uma chance ao livro, mas tentem não ir com “muita sede ao pote” como eu fui. 

25 de maio de 2016

Resenha: Cidade dos Anjos Caídos

Autora: Cassandra Clare
Série: Os Instrumentos Mortais
Volume: 4 de 6
Editora: Galera Record
Páginas: 362

Olá pessoal, a vida tá meio corrida por aqui com trabalhos da faculdade, então as postagens diminuíram bastante, mas não se preocupem que não abandonei o blog. Essa é uma resenha mais curtinha, mas espero que gostem.

Quando comprei o box da série, havia todo um alvoroço sobre a continuação que Cassandra Clare estava trabalhando, mas por mim estava tudo ok, até porque só tinha lido o primeiro volume. Ao ler esse livro entendi porque os fãs da série estavam temerosos. 

Cidade de Vidro foi o livro que mais gostei da série, várias pontas foram amarradas, bastante coisa foi explicada e, por mim, poderia ter sido o final perfeito para a série. Eu gostei da continuação, mas ela não pareceu tão necessária assim. A história acabou deixando os personagens principais, Clary e Jace, de lado, focando mais no Simon.

Bom, Simon nunca foi meu personagem favorito nos livros. Ele sempre pareceu o garoto indefeso que precisava que todos defendessem por não ter poderes e era irritante. Nesse livro, até me surpreendi com o personagem, mas mesmo assim não senti empatia por Simon. Para quem já leu os outros livros sabe que ele se tornou um vampiro e agora tem algumas habilidades, principalmente por causa da marca de Caim que Clary fez no livro anterior. Ah, e ele também namora Izzie e Maia, ao mesmo tempo (particularmente, bem desnecessário).

Enquanto Simon está enfrentando alguns membros do submundo que ou o querem do seu lado ou o querem morto, e enrola suas duas ferozes namoradas, Jace volta a ser o depressivo que acredita colocar Clary em perigo. Já a mocinha da nossa história se torna novamente a menina chata e apaixonada do primeiro livro. Mais uma vez, a impressão que tive foi que o final de Cidade de Vidro, simplesmente não existiu e só voltamos ao início de toda a saga.

A melhor parte do livro, foi sem dúvida o novo casal que se desenvolveu: Alec e Magnus. Os dois são ótimos juntos, o melhor casal do livro, e eu amo quando os escritores preferem passar por cima dos preconceitos sociais. Os dois precisam lidar com a imortalidade de Magnus, o que acaba gerando um ciúme em Alec, mas nada que não possa ser resolvido com conversas. Os dois são lindos juntos. 

Um novo vilão surge na história, o que deu um ar mais misterioso para o enredo, mas não foi algo tão empolgante como aconteceu nos livros anteriores. A narrativa desse volume é mais calma, sem grandes acontecimentos. Isso fez com que a história perdesse um pouco o foco principal de tudo. 

Gostei do livro, mas fiquei triste pois acho que o grandioso final de Cidade de Vidro se perdeu em meio aos romances enjoativos da história. O livro não traz grandes revelações e eu realmente espero que os dois últimos volumes sejam melhores do que foi esse. Senão, mais uma vez, volto a dizer que a série deveria ter terminado em seu terceiro volume.

4 de maio de 2016

Resenha: Os homens que não amavam as mulheres

Autor: Stieg Larsson
Série: Millennium
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 528

O olho humano percebe os movimentos mais rapidamente que as formas e as silhuetas. Não fique afoito quando se desloca.

Procrastinei o máximo que deu, mas não tem como deixar de falar de Millennium. Pois é, com o início dessa série literária descobri uma nova paixão nos livros e na vida: jornalismo investigativo. Não há outro jeito de começar essa resenha a não ser dizendo o quão maravilhoso é esse livro, porque ele é, e vocês precisam descobrir isso também.

Esse não é apenas um livro com aspecto policial, não leia esperando encontrar algo como Sherlock Holmes, porque o aspecto é bem diferente, assim como o rumo dos acontecimentos. Logo no início da história somos apresentados a um mistério e a três pontos de vistas principais que vão reger toda a história e tirar nosso fôlego. 

O primeiro deles é de Henrik Vanger, um homem de 80 anos, dono de uma das maiores multinacionais que passou toda a sua vida procurando pela sobrinha desaparecida. Todos os anos, em sua data de aniversário, o senhor Vanger, recebe uma flor de um remetente misterioso. Antes de desaparecer, era sua sobrinha Harriet que sempre lhe enviava flores em quadros, o que faz com que Henrik acredite que ela foi assassinada por alguém que quer enlouquecê-lo. O que aconteceu com Harriet, há mais de 30 anos, permanece um mistério e os suspeitos aumentam a cada dia.

Também conhecemos o personagem 'central' dessa história, Mikael Blomkvist, um jornalista sueco que está sendo acusado e julgado por difamação contra um importante homem de negócios, Wennerstörm. Mikael é dono da revista Millennium juntamente com sua amiga e amante Erika e, devido as acusações, a revista acaba sofrendo um déficit de público. Mikael decide se afastar para que a revista não seja prejudicada pela sua imagem e é nesse momento que Henrik e Mikael se entrelaçam na história.

Suponho que vai passar – disse ele – mas neste momento é como se eu acabasse de levar uma tremenda surra.
O terceiro ponto de vista é de Lisbeth Salander, a protagonista mais forte dessa história e com um papel importantíssimo para sua continuação, tanto nesse livro como nos próximos, mas falaremos dela depois, porque ela merece um destaque maior. 

A história começa a se encaixar após Henrik contratar um investigador particular, para fazer um dossiê sobre nosso jornalista. Depois de analisar todos os dados encontrados por Lisbeth Salander, a investigadora, Vanger entra em contato com Mikael oferecendo um trabalho. Para os olhares atentos da ilha de Hedeby, Mikael apenas estaria escrevendo uma biografia da família Vanger, mas o trabalho real era dar continuidade as investigações sobre o desaparecimento de Harriet. Vanger acredita que sua sobrinha foi assassinada por algum outro membro da família, e essa é a missão do nosso jornalista, descobrir quem foi. 

A família Vanger é um grupo multimilionário, e segundo as investigações, qualquer um poderia ter feito Harriet sumir. Conforme Mikael aprofunda as investigações em torno do caso da jovem, novas pistas começam a surgir, pistas que em 30 anos não foram descobertas pela policia local. Em consequência o número de suspeitos também cresce e temos um mistério muito bem desenvolvido que nos prende em todas as páginas.

Conforme as investigações avançam, Mikael começa a receber ajuda da jovem estranha, de aparência fora dos padrões aceitáveis, hacker e com problemas para se socializar, Lisbeth Salander. Sim, a mesma que anteriormente fez um dossiê da vida do jornalista. Muitas vezes, é pelo aspecto dessa moça cheia de percingis e tatuagens, que vemos a história acontecer. Lisbeth é uma mulher forte que acrescentou muito a narrativa, por mostrar o lado que o autor realmente queria mostrar, o abuso.
Sentia-se perfeitamente satisfeita quando as pessoas a deixavam em paz. Mas as pessoas não eram muito perspicazes e compreensivas

A personagem feminina, destemida, que sofre de Síndrome de Asperger, é a melhor personagem do livro, mostrando que não somos o "sexo frágil" estipulado pela sociedade. O passado dessa personagem é tão misterioso quanto a própria história, Ela é a personagem que carrega, não só o seu passado, mas as marcas do velho mundo, marcado por crimes e abusos que sempre foram empurrados pra debaixo do tapete. Lisbeth ajuda Mikael porque ele é um dos poucos homens bons que conheceu, o ajuda porque acredita nele e em seus ideais, e isso dá um excelente rumo para a narrativa.

A história também possui muitos personagens secundários, principalmente membros da família Vanger, que são importantes para a construção do enredo, mas assim como diz nosso protagonista “há tantos Vanger que não consigo distinguir um do outro”. Para não deixar essa resenha extremamente grande, preferi citar somente os personagens principais, Mikael, Henrik e Lisbeth, apesar dos outros também terem um papel fundamental para o enredo, já que eles são os principais suspeitos.

Durante a narrativa, e com a ajuda das investigações de Mikael e Lisbeth, conhecemos vários casos de desaparecimento que ocorreram naquela região da Suécia, antes e depois do sumiço de Harriet. E eis que surge a dúvida: será que ela foi apenas mais uma vítima de um assassino cruel? 

Os mistérios da investigação crescem quando Mikael e Lisbeth encontram a Bíblia de Harriet, que possui vários versículos marcados, os quais se relacionam com a morte de várias mulheres encontradas na Suécia. Aliás, precisamos falar sobre o título do livro. Sim, o título! Preste muita atenção ao que ele diz, e conforme for lendo, vai perceber que na verdade a história não se trata apenas da investigação de um crime que ocorreu há anos atrás, mas sim da violência sofrida por mulheres numa sociedade misógina. 

Em algumas partes do livro, podemos encontrar recortes de jornais, com dados e notícias, sobre mulheres que sofreram abusos sexuais na Suécia, que desaparecem ou foram mortas por homens violentos. O verdadeiro sentido da história, é perceber a crítica de Larsson a sociedade de homens que odeiam as mulheres, e nessa história, vemos o que homens violentos são capazes de fazer.

Realmente não sei se conseguir transmitir tudo o que esse livro me fez sentir, acho que não fiz jus a leitura maravilhosa que Larssson me proporcionou, mas se você gosta de mistério, suspense, mortes e mais um pouco, por favor, leia esse livro. Eu só posso dizer que preciso do próximo volume urgentemente, porque ao terminar, descobri que o mistério está em volta dos nossos personagens e ai meu coração! 


E ah, sobre os filmes, a versão sueca (original), me pareceu transmitir mais os aspectos da história e deu mais foco as investigações em si, explicando o porquê de tudo. Mas a versão americana também é excelente, dando uma visão mais geral da história, dando foco as acontecimentos externos. Os dois, mudam um pouco o final da história para ficar melhor na telona, mas nada que destrua a história. Na dúvida faça que nem eu, assista aos dois, mas saiba que nenhum dos filmes é tão profundo quanto o livro. 

10 de abril de 2016

Resenha: Feita de Fumaça e Osso

Autora: Laini Taylor
Trilogia: Feita de fumaça e osso
Editora: Intrínseca
Páginas: 384

A única esperança... é a esperança. Você não precisa de amuletos para isso... está no seu coração ou em parte alguma. E em seu coração criança, ela é mais forte do que eu jamais vi.
Esse é o típico livro que encontrei na promoção e aproveitei pra comprar mesmo sem saber nada da história. Que bela surpresa! Simplesmente amei e ai, meu coração está em pedaços.

Karou, a garota dos cabelos azuis, foi criada por quimeras, seres mitológicos, com partes do corpo humanas e partes animais, e talvez um pouco estranhos. Para todos, sua família é composta por monstros e demônios, porém, para ela é tudo a mais perfeita harmonia. Ela atravessa portais misteriosos e se aventura pelo estranho e clandestino comércio, para buscar todo e qualquer tipo de dentes, isso mesmo DENTES. A vida de Karou é inusitada, ela sente que falta algo, mas mesmo assim é uma rotina plenamente normal.

O que ela não sabe, é que sua vida não passa de um segredo antigo baseado em uma guerra nos céus, que por sinal envolve o mundo por trás da loja de Brimstone, os dentes, e os colares feito deles que geram desejos a quem os possui, dos mais simples aos mais inusitados e poderosos. O cenário em que nos envolvemos é recheado de anjos e demônios, mas com uma grande originalidade, não deixando a história cair no velho clichê de que o bem destrói o mal.
Desejos são falsos. A esperança é verdadeira. A esperança faz sua própria magia.
Os anjos, serafins, o outro lado dessa história, possuem uma personalidade frígida, quase sem compaixão, enquanto os quimeras, ou os monstros da história, podem ter momentos amáveis e relacionamentos cheios de proteção. Os anjos perdem o sentido religioso durante o enredo, o que achei interessante, aqui, eles poderiam ter qualquer outra designação que ainda ficariam perfeitos na história. Os paradigmas que criamos entre bem e mal, são destruídos nesse livro, tornando a leitura diferente, o que com certeza me fez amar esse livro. Adoro um pouquinho de mistério e nessa história encontrei tudo na medida certa.

A história se passa em Praga, um cenário bem inusitado e acho que nunca citado em nenhum outro livro (não que eu tenha conhecimento pelo menos), e combinou perfeitamente com o clima de mistério que o livro precisava. Apesar de morar lá, Karou viaja para vários lugares, fala várias línguas, as quais aprendeu por meio de desejos, e conhece pessoas muito estranhas. Em uma dessas viagens, em busca de novos dentes, ela é atacada por um anjo, não entende porque, e é aí que o mistério sobre sua vida começa a se desenvolver.

Era atormentada pelo pensamento de não estar inteira. Ela não sabia o que isso significava, mas era um sentimento permanente, uma sensação parecida com a de ter esquecido alguma coisa. 
Karou é a típica personagem que não conhece nada sobre si mesma, não sabe sua história, não sabe de onde veio, não sabe porque tantos personagens a perseguem, mas não se faz de vítima por ser enganada sobre sua própria história. Ela vai atrás das pessoas que possam lhe fornecer informações, corre os riscos necessários e os enfrenta porque quer saber de si mesma e revelar seus segredos para nós. Para conhecer mais de si mesma, ela conta com a ajuda de outro personagem que primeiramente tenta matá-la. 

Além de Karou, também temos a visão do serafim Akiva, (o que a atacou), que nos revela histórias que a protagonista não pode contar pois não sabe de tudo. Quando ele nos é apresentado, parece meio confuso e misterioso, não sabendo explicar direito o porquê de estar fazendo a missão a qual foi designado. Mas através de alguns flashbacks passamos a entendê-lo e amá-lo. Akiva é um dos melhores personagens, e acompanhar sua luta contra os instintos naturais é incrível.  

Brimstone foi o personagem que mais me deixou brava pois parecia esconder as coisas de Karou de propósito, como se ela não fosse capaz de entender toda a realidade e perigo que corria. Issa, a outra quimera que vive com Karou, parecia a criatura mãe na história, pra quem se pede socorro sempre que preciso. E Zuzana, a amiga humana de Karou, é o que torna a história leve e até engraçada, adorei a construção dela.


O enredo vai se revelando aos poucos, contando os dois lados da história, o porquê de quimeras e serafins terem problemas entre si e principalmente o porquê de Brimstone usar dentes para fazer colar de desejos, o que por sinal é um fato importante para a história. Também temos a relação entre o título do livro e a história em si, o que particularmente achei fantástico, e tudo se encaixa. Para não dar spoiler, o que posso dizer é que o título é quase a chave para tudo.

Como era de se esperar, os dois protagonistas se envolvem em um romance. Quando o relacionamento começou eu criei uma serie de criticas na minha cabeça, pensando ~não, calma, façam uma pausa, tá indo rápido demais, vocês tem o que 8979437 anos de diferença~. É foi mais ou menos assim, mas enquanto fui descobrindo a história esses pensamentos foram esquecidos bem rápido. Em algumas partes até ficava com raivinha dos personagens por não estarem juntos. Pois é, rolou uma grande bipolaridade aqui.

O final do livro é surpreendente e confesso que não imaginaria nada com o que foi descrito nas últimas páginas, o que me fez amar ainda mais esse livro. Essa foi a descrição de um livro, que ao chegar no fim me deu a sensação maravilhosa de ler algo bom, que me cativou e tornou tudo tão simples como um quebra-cabeça que foi montado aos poucos.

Terminei com a sensação urgente de que precisava do segundo livro, mas me contive porque gosto de seguir a ordem das coisas. O livro é diferente, a escrita de Laini é original e além do título, a capa também faz todo o sentido para a história. Por enquanto, um dos melhores livros que li esse ano.
Esperança? A esperança pode ser uma força poderosa. Talvez não haja magia real nela, mas, quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica.

21 de março de 2016

Resenha: Simplesmente Acontece

Autora: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 448



Não se pode controlar as coisas que vêm do coração.

Romances. Sempre tão clichês e sempre despedaçando os corações alheios que sabem que o amor não é apenas flores e borboletas. Em Simplesmente Acontece acompanhamos Alex e Rosie, dois grandes amigos, desde os 7 anos aos mais de 50, que por armações do destino, negam para si e para o mundo o amor que sentem um pelo outro. Como o próprio nome do livro diz, as coisas simplesmente acontecem na história dos dois personagens, coisas da vida, que podem acontecer com qualquer pessoa, o que acaba impedindo os dois de ficarem juntos. 

Desde sempre Alex e Rosie são amigos. Sonharam juntos, realizaram planos juntos, entraram em encrencas juntos. Os dois conhecem um ao outro melhor do que ninguém, e o amor um pelo outro é visível, todos acreditam que eles devem ser um casal, pois são inseparáveis, mas as coisas não ocorrem no tempo que deveriam. 

Alex é o estilo de cara desleixado, que não faz longos planos, escreve errado e não tem responsabilidade nenhuma, até que em um momento resolve dar um rumo para a sua vida. Já Rosie é a garota certinha, que está sempre correndo atrás do que deseja, tem tudo planejado, mas por um deslize sua vida mudou completamente e os sonhos ficaram para outra hora. 
''Como a vida é engraçada, né? Bem na hora em que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começar a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste, e você fica perdido.''
Alex se muda para o outro lado do mundo seguindo o sonho de ser médico, e Rosie agora tem uma filha, Katie, a quem ama incondicionalmente, mas que a impede de realizar muitas coisas. Reviravoltas e mais reviravoltas do destino acontecem com os dois em função dos personagens secundários que tem um papel importante para a construção da narrativa. Brigas, segredos, casamentos, mudanças, mortes e perdão são o que constrói esse livro, tudo em volta de uma amizade enorme. 

Eu conheci a história primeiramente através do filme, e me apaixonei, mas ao ler o livro parece que as minhas expectativas foram se reduzindo. A narrativa do livro é contada através de cartas, bilhetes, e-mails, chats, mensagens no celular, cartões postais ou comemorativos, trocados por Alex e Rosie ao longo dos anos. Confesso que isso me deixou um pouco decepcionada com a história e incomodada também. Eu esperava mais, eu queria mais. Queria um certo contato real entre os personagens e não apenas por chats online. 


Quando vi o filme sentia a proximidade dos personagens, sentia a saudade que sentiam um do outro, percebia a dor de estar longe de quem se ama, mas ao ler o livro pareceu que, mesmo os personagens morando na mesma cidade, eles quase nunca conversavam pessoalmente. Existe a ajuda, os conselhos, e tudo mais, mas senti falta do contato real entre elas. As cartas puderam contar mais dos relacionamentos conturbados que tinham e da vida de Katie e Josh, filhos dos personagens, por outro lado eu ainda senti falta das coisas físicas da história, que tanto me emocionaram quando vi o filme. É acho que talvez, esse seja uns dos raros casos em que prefiro o filme ao livro. 

Eu gostei da história, mas particularmente, prefiro o romancezinho clichê em que o casal fica brigando a história inteira e então, no fim, ficam juntos e felizes. Para mim, o romance precisa desse contato físico entre os personagens, precisa de proximidade, e apesar de sentir o amor que havia entre Alex e Rosie, esse amor parecia uma ideia muito distante para os dois. Eles demoraram muito tempo para perceber o que sentiam, e foram deixando as coisas acontecerem como se adiassem algo. Tudo bem, sempre tem aquele velho ditado de que tudo tem seu tempo, mas aqui me pareceu tempo demais. 
''No começo tínhamos tanta coisa pra conversar que falávamos umas cem palavras por segundo, e mal esperávamos o outro terminar uma frase para começar outra. E demos muita risada. Rimos à beça. Então os risos terminaram e veio o silêncio. Um silêncio estranhamente confortável. Que diabos foi aquilo?''
O amor entre Rosie e Alex existia sim, mas eles nunca pareciam estar em sintonia para dizer o que sentiam. Num momento o trabalho era o foco, em outro os filhos, no outro os casamentos que iam de mal a pior, e assim por diante. O amor estava ali, senti isso enquanto lia, mas por problemas pessoais e brincadeiras do destino ele nunca era revelado. E foi assim que a narrativa foi me cansando. As chances foram passando de uma em uma, o amor foi deixado de lado por medo de dizer o que sentiam, por besteiras e contratempos. Teve momentos durante a leitura que eu pensava: por favor, sentem e resolvam isso de uma vez! Mas como todo romance, isso é coisa para os últimos segundos. 

Acredito que a autora quis mostrar que tudo tem sua hora certa para acontecer, mas que às vezes devemos aproveitar as oportunidades que temos ao longo do tempo, mesmo que não de certo no futuro. Eu gostei mais da adaptação cinematográfica, mas o livro traz pontos da história que não são retratados no cinema, e talvez isso foi o que mais me cativou na escrita, conhecer melhor os personagens, mas em questão do romance deixou um pouco a desejar. Para os apaixonados por romances clichês, esse é o livro, mas para quem, assim como eu, prefere o contato real dos personagens, talvez devesse procurar outra história. 





Esse livro faz parte do Projeto Leia Mulheres

14 de março de 2016

Resenha: Marina

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Páginas: 189


Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.

Esse é um dos livros que eu provavelmente não olharia ou compraria nas livrarias. Com certeza ao procurar títulos nas estantes ele passaria despercebido para mim. Um erro terrível. Mas graças a indicações resolvi comprar e dar uma chance para a escrita um tanto gótica de Zafón. Já tinha ouvido falar de outros livros do autor, como A Sombra do Vento, mas nunca tinha me interessado por eles, então esse foi meu primeiro contato com o autor e já quero mais. 

Marina é um livro curtinho, com uma história um pouco sombria e sobrenatural, mas leve e fácil de ler. O livro conta a história de Oscar, nosso narrador de 15 anos, que estuda nos internatos de Barcelona da década de 80. Por sua imensa curiosidade e busca por aventuras, em um dos passeios pelas ruas da cidade ele encontra uma mansão que parece estar abandonada, porém uma suave música atrai sua atenção para dentro dela. 

Ao andar pelo interior da casa, é surpreendido por um vulto que o deixa assustado, fugindo as pressas para o internato e levando consigo, sem querer, um relógio de ouro. Não querendo parecer um ladrão, Oscar retorna a mansão para devolver o relógio e é assim que conhece Marina e Gérman, que se tornam amigos e protagonistas junto com ele. 

Marina, a menina dos olhos acinzentados, também tem um desejo por descobrir coisas novas e se aventurar em busca dos mistérios da cidade. Todo último domingo de cada mês, ela observa uma dama de preto que vai ao cemitério local com a aparência misteriosa. A dama não leva flores, apenas um símbolo: uma borboleta preta, que deposita sob o tumulo sem nome que sempre visita. Depois de observarem, os dois protagonistas estão dispostos a desvendar o mistério que envolvem a dama de preto. A partir daí as coisas estranhas começam a acontecer.


A dama de preto leva nossos protagonistas a uma estufa, cheia de marionetes, formadas de ossos e pele humana. O cenário que encontram é macabro e ao mesmo tempo bizarro, deixando-nos com medo do que pode vir a seguir. O enredo das marionetes, da dama de preto, e dos mistérios que envolvem o livro, vão sendo contados ao longo da história, pelos olhos do nosso narrador, de um jeito leve, mas sombrio, deixando os leitores intrigados. 

Barcelona se tornou o cenário perfeito, sobre a morte e os mistérios, nas mãos de Zafón. A narrativa de Oscar e Marina gira em torno da sombria história do imigrante Mijail Kolvenik, considerado um gênio das próteses, e uma atriz deslumbrante, que trouxe para Barcelona um medo perturbador. O enredo é cheio de detalhes e muitas vezes conseguimos ouvir o arrastar de coisas descritas pelo autor. Por ter como narrador Oscar, conseguimos sentir um pouco da inocência do personagem, apesar da grande coragem, e ainda reconhecemos o sentimento de proteção que aflora entre ele e Marina.
Naquela noite, Mijail disse que a vida concede a cada um de nós apenas alguns raros momentos de felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos. Tudo depende da sorte de cada um. A lembrança desses momentos nos acompanha para sempre e se transforma num pai da memória ao qual tentamos regressar pelo resto de nossas vidas, sem conseguir.
Marina é um livro carregado de sentimentos e foi a isso que me apaguei na história. Medo, paciência, amor, carinho, amizade, cumplicidade e dúvida, são o que movem nossos personagens e nos ajuda a conhecê-los melhor. O passado começa a vir à tona, e assim como os personagens, percebemos que nem tudo é o que parece, por isso, os dois acabam buscando o outro lado da história. O que era para ser apenas uma aventura de crianças acaba virando um perigo real, que os faz correr contra o tempo para que não tenha mais prejudicados. 

Apesar de todo o mistério e perigo, o livro é leve, com uma narrativa que flui a cada página e vai nos revelando o que precisamos saber para que tudo se encaixe no final. O livro também tem fortes metáforas sobre a morte e a aceitação dela em seus vários sentidos, o que achei interessante, pois contribui para um desfecho surpresa que o livro traz. O enredo também traz uma espécie de drama, mas não daquele tipo clichê, mas um drama tocante, ingênuo e humano, que nos faz refletir sobre o que desejamos na vida: grandezas ou apenas ser feliz?
"Ninguém entende nada da vida enquanto não entende a morte”.
A história me cativou, o autor me cativou e com certeza entrou para a lista de autores que desejo ler mais. A escrita de Zafón é incrível, rica em detalhes e descrições e a cada virada de páginas eu ficava encantada pelo toque sombrio e ao mesmo tempo suave que ele conseguiu desenvolver. Uma história excêntrica e original, no meu ponto de vista, com um final de partir corações. Um autor, uma história, um livro que deve ser lido. 

2 de março de 2016

Resenha: A Menina Submersa - Memórias

Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside
Páginas: 320


Na floresta há um monstro. E coisas horríveis ele fez. Na floresta ele se esconde, e canta esta canção.

Logo que vi esse livro, pensei: eu preciso desse livro na estante e meu Deus as páginas são rosas! Sim, fui presa por essa maravilhosa edição da Darkside, que caprichou no design e não resisti à compra. A Menina Submersa é, no mínimo, um livro peculiar diferente de tudo o que já li, o que torna complicado fazer uma resenha sem confundir todo mundo. 

O livro conta a história de India Morgan Phelps, ou Imp, que assim como sua mãe e sua avó possui esquizofrenia. Imp é totalmente complicada, e para se livrar das situações de desconforto em que acredita estar, ela começa a escrever um livro sobre sua vida após encontrar uma mulher nua na beira da estrada e a levar para casa. 

Por ter uma mente incompreensível, é quase impossível confiar na narrativa da personagem. Ela nos leva a algo, a acreditar que aquilo aconteceu, mas suas crises atrapalham nosso julgamento da história. Muitas vezes me peguei mais confusa do que a própria personagem, reli trechos e, ainda assim, não sabia o que era real ou não durante toda a narrativa.
Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo.
A história toda se baseia na mente perdida de nossa personagem, que em meio a lobos, fantasmas e sereias, não consegue decidir qual dessas partes foram reais em sua vida. A história nos faz buscar um fantasma que talvez só exista na cabeça da personagem. O livro não possui uma ordem cronológica de acontecimentos, o que retrata perfeitamente a falta de memória de Imp. Em algum momento estamos lendo sobre determinada coisa, dois parágrafos depois já nos perdemos em meio as informações confusas de nossa protagonista.

Imp não consegue organizar seus pensamentos, não consegue decidir o que viveu de verdade e o que foi imaginação, se confunde e se perde no meio de suas explicações e histórias, e isso, nos faz entrar plenamente na cabeça dela. Assim como ela, não conseguimos compreender nada do que acontece a sua volta, nos perdemos nas informações, relembramos, e achamos que entendemos. Tudo muito confuso. Acredito que a intenção da autora foi justamente essa: nos fazer entrar na mente da personagem e perceber que assim como ela, não sabemos nada.

A falta de ordem na narrativa é o ponto principal do livro, pois assim tentamos entender o que se passa na mente de Imp, e notamos que talvez estamos loucos que nem ela. Achei sensacional. Às vezes ela narra algo que aconteceu, mas se perde em meio às informações, às vezes nos fala sobre algo que ainda vai acontecer, às vezes retorna a eventos que já nos contou anteriormente, mas que precisa dar mais informações sobre eles, e às vezes fala de si mesma em terceira pessoa, nos deixando perdidos. É realmente confuso, mas ao mesmo tempo incrível.


Outro ponto forte no livro é o fato de Imp ter um relacionamento com outra mulher, deixando de lado todos os preconceitos e padrões estipulados por nossa sociedade. Aqui, o relacionamento das duas é lindo e de plena confiança. Abalyn aguenta todas as loucuras de Imp, a ajuda em momentos difíceis e continua a seu lado apesar de todos os dramas que encaram. 

Assim como Abby é o alicerce de Imp, o que a mantém pensando claramente, seu porto seguro da lucidez, Eva Caning é a ruína, a decadência, de nossa personagem. Eva é todos os personagens das histórias de Imp, ela é mulher, sereia, lobo, fantasma, a catástrofe que rói todos os sentidos e claridade de Imp. A cada nova página, parece que Eva tenta controlar e destruir tudo em Imp, e Abby participa de uma luta invisível para salvá-la de seus próprios pensamentos.

O livro é cheio de metáforas, às vezes sem noção, que parecem não ter sentido para a história, por isso deve ser lido com atenção, mesmo que tudo pareça não fazer sentido algum. Eu adorei o livro, mas terminei sem saber se tinha entendido tudo. Na minha opinião, essa foi a intenção da autora, nos confundir, transmitir um turbilhão de informações e nos deixar em duvida se entendemos a história de Imp. 

A sensação que tive, ao terminar a história, é que estava tão perdida quanto a personagem, mas tudo bem, porque era exatamente isso que deveríamos sentir. A história não precisava de uma resposta, não precisava de uma conclusão. A autora quis mesmo que imaginássemos tudo aquilo e decidíssemos por nós mesmos o que era real ou não. Talvez tudo seja real, talvez tudo seja parte da doença, talvez vocês também estejam se confundindo agora.


A psicologia envolvida no livro é muito forte, quem sabe a falta de remédios da nossa personagem seja o que desencadeou toda a história, ou todo o drama vivido, ou ainda a pressão de saber que possui os genes da esquizofrenia que sua mãe possuía. A história é complexa, ficamos cercados por imensos dilemas mentais da personagem, medos, angústias, falta de realidade e um terror psicológico que nos envolve também. Mas, justamente por ser tão confusa, ela se torna boa, contudo é preciso ter paciência, e TENTAR entender os dramas de Imp, talvez sem conseguir.

Leia o livro, tente entender o cenário denso e um tanto lento dele, mas aceite caso não consiga compreender a mente perturbada de Imp, as coisas são assim mesmo.


Esse foi o primeiro livro lido para o projeto Leia Mulheres que está sendo desenvolvido aqui no blog

22 de fevereiro de 2016

Resenha: A Caçada

Autor: Andrew Fukuda
Trilogia: Caçada
Editora: Intrínseca
Páginas: 287



Gene precisa escolher entre ser o caçador ou a caça. Não há escapatória – e qualquer erro significa a morte certa.

A caçada foi o primeiro livro que li nesse ano, no início de janeiro, mas por conter resenhas atrasadas só agora consegui realmente falar sobre ele aqui. Comprei o livro porque ouvi que ele era bom, mas não sei, talvez eu tenha algum leve preconceito com vampiros, então a primeira leitura do ano não foi tão boa quanto eu esperava.

Gene é um jovem de 17 anos que cresceu fingindo ser o que não é. Ele é um eper, perdeu a família, precisa controlar as emoções e agora vive entre uma espécie de vampiros sedentos por sangue, tentando sobreviver ao meio deles sem ser notado. Ok, a premissa da história é boa, mas ela possui muitos eixos que podiam ser explicados melhor para os leitores. 

Os epers (seres humanos) estão quase extintos, os poucos que restaram são enviados a um instituto onde aguardam A Caçada e a morte certa. O mundo agora é dominado por outra raça, a qual não é especificada, mas pelas características podemos entender que se tratam de vampiros meio estranhos. Em nenhum momento do livro, é explicado o porquê da raça humana estar extinta e nem como surgiram tantos vampiros, apenas citações sobrepostas mas que não trazem um verdadeiro sentido para nova sociedade.  Isso acabou me deixando um pouco desanimada com a leitura, pois gosto de histórias que não deixem pontos a ser explicados. 
Antigamente estávamos em maior número. Tenho certeza. Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando é desejado. A extinção.
A explicação que temos é que há muitos anos ocorreu uma Caçada, a qual a sede da nova raça foi saciada. A partir dela, todos pensaram que não havia mais epers pelo mundo, mas eis que o anúncio de uma nova Caçada é feito, deixando todos em êxtase, esperando serem os sortudos a participar. Através de um sorteio, Gene é escolhido a participar da nova edição da caçada junto com sua colega Julia Brasa, é aí que começam seus problemas. 

Gene passou a vida toda se escondendo, e fazendo de tudo para se proteger: não ter expressões faciais, não suar, raspar os pelos do corpo, manter as unhas lixadas, e usar presas falsas para não ser notado, mas na sede da Caçada Eper, ele não possui os recursos necessários para se manter a salvo e invisível ao resto do mundo. Durante o treinamento, ele passa a exalar um forte cheiro, fazendo com que os outros participantes notem que há um eper entre eles, o que torna mais complicado para o nosso personagem manter seu fingimento. 

A história tem seus pontos bons, mas eu achei ela bem cansativa, e várias vezes, pensei em desistir do livro. Os capítulos da narrativa são extremamente grandes, chegando a 40 páginas em que somente alguns pontos eram realmente importantes para a história. Eles poderiam ser melhor divididos, pra mim pelo menos, quanto menor o capítulo, mais rápido leio, mas nesse livro parecia que os capítulos não tinham fim. O enredo é arrastado e às vezes até repetitivo, não criando a ação necessária para que a história se desenvolva da maneira que deveria. 

Eu não consegui criar apego com os personagens, pois parecia que tudo era muito superficial. Gene é um tanto egoísta, e não consegui simpatizar com ele, o que prejudicou muito minha leitura porque em vários momentos ficava pensando: nossa que personagem chato! Além disso, a paixão quase platônica que ele possui pela nossa outra personagem, Julia Brasa, é bem tediosa. O uso contínuo do nome inteiro dessa personagem me deixava irritada, pois parecia que o autor tentava desenvolver um romance em partes em que devia focar na sobrevivência dos personagens. 

Aliás, a sobrevivência dos personagens parece ser algo muito distante. Não consegui sentir a preocupação deles ao estarem rodados por vampiros que os matariam em segundos caso descobrissem seu segredo. Gene e Julia parecem encontrar soluções fáceis demais para escapar, e não consegui sentir o desespero que a narrativa queria demonstrar. 

Acredito que a melhor parte do livro é o final, pois criou o clima de suspense e ação que eu esperei durante toda a leitura, mas não chegou a ser excelente, mais uma vez pareceu ser óbvio, premeditado e simplesmente jogado ali no meio da história. Apesar disso, esse suspense criou um bom gancho para a continuação da história, que eu espero que seja melhor, mesmo tento quase certeza de que não vou ler. 

Acho que comparável a Jogos Vorazes é um tanto exagerado para a narrativa do livro. Existe uma urgência de sobrevivência, mas não acho que Fukuda conseguiu transmitir isso ao público. A ação devia estar presente em toda a narrativa, mas me decepcionei por encontrar ela somente nas últimas páginas. Há tensão sim, mas a narrativa se tornou tão óbvia que sabemos que nosso personagem vai sair ileso. A expectativa se perdeu em meio a um romance clichê, que não era o ponto principal da história.  

Talvez o próximo livro seja melhor, mas para o primeiro volume dessa série, eu esperava mais. Acredito que para quem goste de vampiros e novas características dessa raça, o livro seja bom, mas não achei tudo isso não. Espero que as próximas leituras do ano sejam melhores.

11 de fevereiro de 2016

Sessão Pipoca: O Quarto de Jack e Perdido em Marte

Para quem não sabe, estou tentando assistir alguns filmes indicados ao Oscar como mostrei nessa lista aqui. E bom esses dois estão indicados na categoria de melhor filme, então eu precisava assistir. Pra não encher o blog com resenhas e opiniões sobre os filmes, eu resolvi fazer um estilo 2 em 1 (ou mais dependendo da situação) dos filmes que mais gostei, portanto, alguns não vão aparecer por aqui. 

Direção: Lenny Abrahamson
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h58min
Ano: 2015

Esse 2 em 1 começa com o filme O Quarto de Jack (Room), que conta uma história sobre o amor sem limites entre mãe e filho. Jack (Jacob Tremblay) agora tem cinco anos e não conhece nada do mundo além do quarto, de 10 metros quadrados, em que nasceu e vive até hoje juntamente com sua mãe, a Ma (Brie Larson).

Para o garoto, a falta de espaço não é problema, levando em conta que ele só conhece aquilo. Os móveis, os utensílios, ou qualquer coisa que esteja dentro daquele quarto se tornam seus amigos e praticamente ganham vida na mente do garoto. Já para Ma, as 4 paredes que a cercam são uma prisão, da qual ela precisa sair, mas ainda não encontrou uma maneira. 

Como uma forma de proteger o filho, Ma cria um cenário diferente daquilo que realmente pensa. Apesar de toda a crise emocional e dos sentimentos que afloram dentro de si, ela consegue fazer o melhor possível para que aquele seja um lugar bom para seu filho. Ela sente falta do mundo exterior (que pode ser visto apenas por uma claraboia no teto do quarto), mas não pode demonstrar seu pânico, para que Jack não fique com medo também. 


Ma é a definição perfeita da mãe que faz tudo para proteger o filho e o manter em segurança. A atriz conseguiu demonstrar muito bem isso através de seus olhos. A expressão cansada de Brie contribuiu muito para a personagem e a para a história. Ela consegue mostrar através da fisionomia e de expressões faciais o quanto aquele quarto/cativeiro a faz mal, mas ao mesmo tempo consegue transmitir força e segurança para o pequeno Jack. Ao meu ver, a atriz é uma forte candidata a ganhar o Oscar de Melhor Atriz, e estou torcendo pra isso. 

Já Jacob conseguiu transmitir a ingenuidade de uma criança que nunca conheceu o mundo e acredita que o mundo é o próprio quarto que estão presos. Para ele o mundo exterior só existe dentro da caixa mágica (televisão) e só passa a sentir medo quando Ma tenta lhe contar a verdade sobre tudo. O pequeno espaço em que vivem é o suficiente para ele, mas compreende a necessidade da mãe de escapar dali.  

Os personagens secundários também são bem desenvolvidos pelo trabalho de direção. Eles também precisam lidar com toda a situação que se desenvolve, principalmente com o sentimento de perda e reencontro que há tanto esperavam. Os avós de Jack desenvolvem papeis muito importante para a segunda parte da história. Eles também sofreram com o período do quarto e possuem uma carga de emoções que às vezes não conseguem lidar. A mãe de Ma, precisa aprender a lidar novamente com a filha, já o pai dela, não consegue conviver com o neto, por motivos que são explicados ao longo da história e, no meu ponto de vista, essa é uma cena bem marcante na narrativa.


O filme foi adaptado do livro homônimo da irlandesa Emma Donoghue, que ajudou na produção do roteiro do filme, e talvez por isso o filme tenha ficado tão emocionante. O filme é intenso e comovente. Conseguimos sentir a aflição dos personagens que vivem a restrição do mundo, e todos os sentimentos que conduzem a história: o desejo de ver o mundo novamente, a necessidade de fuga, o medo do desconhecido, os planos para contornar o Velho, o terror ao conseguir, uma nova visão da vida, e principalmente o amor entre mãe e filho.

Clique para ver o trailer

Além de concorrer ao Oscar de Melhor filme, O Quarto de Jack também foi indicado às categorias de Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. É um filme emocionante que vale a pena ser visto.



Direção: Ridley Scott
Gênero: Ficção Científica
Duração: 2h24min
Ano: 2015

Para a segunda parte deste 2 em 1, vou falar sobre Perdido em Marte (The Martian). Sim o filme já foi lançado há meses, mas eu procrastinei tanto que acabei não assistindo antes. Ele conta sobre uma missão da NASA que acaba fracassando e deixando um astronauta para trás.

Com o intuito de explorar Marte, bilhões de dólares são investidos na missão Ares 3, onde estão em operação seis astronautas: Mark Watney (Matt Damon), botânico e engenheiro; Melissa Lewis (Jessica Chastain), comandante e geóloga; Chris Beck (Sebastian Stan), médico, biólogo e especialista em AEVs; Beth Johanssen (Kate Mara), operadora de sistema e técnica em reatores; Rick Martinez (Michael Peña), piloto do VDM e VAM (naves); e Alex Vogel (Aksel Hennie), o piloto. 

Tudo ocorria bem enquanto faziam pesquisas e explorações no planeta, até que no Sexto Sol, uma forte tempestade de areia atinge Marte e os integrantes da tripulação, os obrigando a voltar para a VAM. Durante o percurso Mark é atingido por algo e jogado para longe dos companheiros, que por não obterem respostas, acreditam que ele está morto. Apesar dos esforços da comandante para achá-lo, a tripulação precisa sair imediatamente de Marte antes que todos fiquem presos no planeta. 

Mark acorda, depois de um tempo, percebendo que com o impacto sua roupa foi destruída e por isso não conseguiu entrar em contato com o restante do grupo. Ao notar que a VAM não está mais ali, ele se vê em apuros ao ter que sobreviver num planeta não explorado, sozinho e com poucos alimentos. Ele teve sorte de sobreviver ao acidente, contudo sua situação para continuar vivo é precária. Além disso, ele não tem comunicação com a Terra, pois com os equipamentos estragados, seus sinais demorariam anos até chegar a central da NASA. Por sorte ele encontra uma estrutura que ficou no local, o HAB, com alguns equipamentos necessários para sua sobrevivência e passa a morar dentro dele. 

Ao estudar as possibilidades e condições para continuar vivo, até a próxima missão vir para Marte e conseguir resgatá-lo, Mark resolve utilizar seus conhecimentos em botânica para produzir mais alimentos. Ele cria uma plantação de batatas dentro do Hab, conserta equipamentos e cria aparelhos que possam ser uteis para sua sobrevivência, testando também suas técnicas de engenheiro. 

Apesar do clima tenso, da falta de água e comida, dos problemas com o equipamento e a falta de comunicação, Mark consegue se manter calmo, e em alguns momentos do filme, temos um toque de comédia e bom humor que se encaixaram muito bem na história, alguns inclusive acontecem devido a própria trilha sonora do filme. Mark não podia entrar em pânico, pois isso resultaria na sua morte. Ele precisava manter a calma, e tentar ser positivo perante as situações que enfrentava, sempre buscando uma nova maneira de sobreviver. 

Depois de vários Sóis, a NASA finalmente consegue contato com Mark através de um satélite que identifica movimento, e ele acaba virando uma celebridade no mundo. A população quer que esforços sejam feitos para que ele seja trazido para casa, as mentes mais brilhantes trabalham para que consigam trazê-lo com vida, e ainda precisam enfrentar a decisão do diretor da NASA (Jeff Daniels) sobre não contar ao restante da tripulação (que continua em uma missão no espaço) sobre Mark. Alias Jeff fez um ótimo representante do diretor da NASA e temos ele como o mais próximo de um vilão no filme.


Em grande parte do filme, Matt atua sozinho, e desempenha seu papel muito bem. Ele precisa lidar com as situações extremas, com as inúmeras emoções que lhe vem a mente, com o medo de morrer sozinho num planeta desconhecido, e ter paciência para que tudo ocorra da melhor forma possível. Apesar de toda a tensão, a atuação mostra que ele conseguiu lidar com tudo de maneira espetacular. Talvez, o fato de Mark não possuir família na Terra, seja o ponto para ele não entrar em desespero, o acontece em outros filmes do gênero. Ele está em uma missão e sabia os riscos dela, a calma que ele transmite é porque sabe que se algo acontecer, ele morreu fazendo algo importante para si e para o mundo, o que em parte deixa o personagem aliviado.

O restante do grupo de astronautas também desempenha seus papeis com uma excelente atuação. Depois de descobrirem que Mark está vivo, cabe a eles decidirem buscar Mark em Marte ou deixá-lo esperando até a próxima missão, o que poderia causar sua morte. A tripulação carrega um peso na consciência por deixar Mark para trás, e precisam lidar com isso durante toda a trama. Talvez isso seja o principal motivo para que resolvam resgatar o componente perdido. 

O filme tem uma narrativa um pouco lenta enquanto Mark tenta sobreviver em Marte, a NASA tenta trazê-lo de volta, e a tripulação segue em outra missão com o pensamento em Mark. Talvez isso faça com que muitos não gostem do filme por compará-lo com Gravidade, por exemplo, mas é preciso compreender a situação dos personagens até que a ação realmente se desenvolva. 

Os personagens tem decisões importantes para tomar, decisões que se derem errado podem acabar com suas vidas. A trama é lenta, porque é preciso desenvolver o drama e a problemática que qualquer decisão possa acarretar. A narrativa não possui ação o tempo todo pois é preciso estabelecer questões de sobrevivência, de tempo, de cálculos matemáticos e científicos, e de planos para que tudo seja um sucesso. Essas questões são importantes tanto para Mark, como para a tripulação e a coordenação da NASA, que retrata também as questões politicas do resgate, e por isso devem ser muito bem pensadas antes de agir. 

Um ponto que pode ser considerado negativo no filme, é a questão de muitos personagens serem pouco explorados. Dentro do controle da NASA há inúmeras pessoas trabalhando para o sucesso da missão de resgate, porém muitos deles estão lá apenas por estar. Muitos não tem um papel tão importante, e poderiam ser facilmente descartáveis para a narrativa, outros poderiam ter seus pontos de vistas mais expostos, contudo não considero isso um total problema para o filme.

Preciso destacar também a fotografia do filme que está incrível. Os cenários são espetaculares e podemos até nos sentir perdidos em Marte junto com o personagem principal. As imagens dentro da nave em que estão os outros astronautas também ficaram bem realistas o que é um ponto muito positivo no filme, aprovado inclusive pelo verdadeiro diretor da NASA. 

O ponto de impacto do filme é justamente o que rendeu todo o roteiro da trama: o resgate. É angustiante ver que talvez todos os cálculos, todos os planos, todos os equipamentos e todo o esforço sejam em vão. As cenas finais deixam os espectadores nervosos, querendo ajudar a tripulação, querendo tomar o controle da situação, e isso é muito bom dentro de um filme.


Para quem gosta de ação o tempo inteiro, provavelmente não irá gostar tanto do filme, mas para os fãs de ficção cientifica que conseguem compreender os riscos da profissão de astronauta e os problemas que surgem durante as missões, esse é o filme indicado.

Clique para ver o trailer

Perdido em Marte também concorre a estatueta de Melhor Filme, além de outras seis categorias: Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição de Som, e Melhor Mixagem de Som. 


Esse ano, ainda quero ler os dois livros homônimos que deram origem a esses dois filmes, uma pena que não consegui ler antes. Desculpem pela postagem enorme, mas espero que tenham gostado. Até a próxima!
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