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4 de maio de 2016

Resenha: Os homens que não amavam as mulheres

Autor: Stieg Larsson
Série: Millennium
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 528

O olho humano percebe os movimentos mais rapidamente que as formas e as silhuetas. Não fique afoito quando se desloca.

Procrastinei o máximo que deu, mas não tem como deixar de falar de Millennium. Pois é, com o início dessa série literária descobri uma nova paixão nos livros e na vida: jornalismo investigativo. Não há outro jeito de começar essa resenha a não ser dizendo o quão maravilhoso é esse livro, porque ele é, e vocês precisam descobrir isso também.

Esse não é apenas um livro com aspecto policial, não leia esperando encontrar algo como Sherlock Holmes, porque o aspecto é bem diferente, assim como o rumo dos acontecimentos. Logo no início da história somos apresentados a um mistério e a três pontos de vistas principais que vão reger toda a história e tirar nosso fôlego. 

O primeiro deles é de Henrik Vanger, um homem de 80 anos, dono de uma das maiores multinacionais que passou toda a sua vida procurando pela sobrinha desaparecida. Todos os anos, em sua data de aniversário, o senhor Vanger, recebe uma flor de um remetente misterioso. Antes de desaparecer, era sua sobrinha Harriet que sempre lhe enviava flores em quadros, o que faz com que Henrik acredite que ela foi assassinada por alguém que quer enlouquecê-lo. O que aconteceu com Harriet, há mais de 30 anos, permanece um mistério e os suspeitos aumentam a cada dia.

Também conhecemos o personagem 'central' dessa história, Mikael Blomkvist, um jornalista sueco que está sendo acusado e julgado por difamação contra um importante homem de negócios, Wennerstörm. Mikael é dono da revista Millennium juntamente com sua amiga e amante Erika e, devido as acusações, a revista acaba sofrendo um déficit de público. Mikael decide se afastar para que a revista não seja prejudicada pela sua imagem e é nesse momento que Henrik e Mikael se entrelaçam na história.

Suponho que vai passar – disse ele – mas neste momento é como se eu acabasse de levar uma tremenda surra.
O terceiro ponto de vista é de Lisbeth Salander, a protagonista mais forte dessa história e com um papel importantíssimo para sua continuação, tanto nesse livro como nos próximos, mas falaremos dela depois, porque ela merece um destaque maior. 

A história começa a se encaixar após Henrik contratar um investigador particular, para fazer um dossiê sobre nosso jornalista. Depois de analisar todos os dados encontrados por Lisbeth Salander, a investigadora, Vanger entra em contato com Mikael oferecendo um trabalho. Para os olhares atentos da ilha de Hedeby, Mikael apenas estaria escrevendo uma biografia da família Vanger, mas o trabalho real era dar continuidade as investigações sobre o desaparecimento de Harriet. Vanger acredita que sua sobrinha foi assassinada por algum outro membro da família, e essa é a missão do nosso jornalista, descobrir quem foi. 

A família Vanger é um grupo multimilionário, e segundo as investigações, qualquer um poderia ter feito Harriet sumir. Conforme Mikael aprofunda as investigações em torno do caso da jovem, novas pistas começam a surgir, pistas que em 30 anos não foram descobertas pela policia local. Em consequência o número de suspeitos também cresce e temos um mistério muito bem desenvolvido que nos prende em todas as páginas.

Conforme as investigações avançam, Mikael começa a receber ajuda da jovem estranha, de aparência fora dos padrões aceitáveis, hacker e com problemas para se socializar, Lisbeth Salander. Sim, a mesma que anteriormente fez um dossiê da vida do jornalista. Muitas vezes, é pelo aspecto dessa moça cheia de percingis e tatuagens, que vemos a história acontecer. Lisbeth é uma mulher forte que acrescentou muito a narrativa, por mostrar o lado que o autor realmente queria mostrar, o abuso.
Sentia-se perfeitamente satisfeita quando as pessoas a deixavam em paz. Mas as pessoas não eram muito perspicazes e compreensivas

A personagem feminina, destemida, que sofre de Síndrome de Asperger, é a melhor personagem do livro, mostrando que não somos o "sexo frágil" estipulado pela sociedade. O passado dessa personagem é tão misterioso quanto a própria história, Ela é a personagem que carrega, não só o seu passado, mas as marcas do velho mundo, marcado por crimes e abusos que sempre foram empurrados pra debaixo do tapete. Lisbeth ajuda Mikael porque ele é um dos poucos homens bons que conheceu, o ajuda porque acredita nele e em seus ideais, e isso dá um excelente rumo para a narrativa.

A história também possui muitos personagens secundários, principalmente membros da família Vanger, que são importantes para a construção do enredo, mas assim como diz nosso protagonista “há tantos Vanger que não consigo distinguir um do outro”. Para não deixar essa resenha extremamente grande, preferi citar somente os personagens principais, Mikael, Henrik e Lisbeth, apesar dos outros também terem um papel fundamental para o enredo, já que eles são os principais suspeitos.

Durante a narrativa, e com a ajuda das investigações de Mikael e Lisbeth, conhecemos vários casos de desaparecimento que ocorreram naquela região da Suécia, antes e depois do sumiço de Harriet. E eis que surge a dúvida: será que ela foi apenas mais uma vítima de um assassino cruel? 

Os mistérios da investigação crescem quando Mikael e Lisbeth encontram a Bíblia de Harriet, que possui vários versículos marcados, os quais se relacionam com a morte de várias mulheres encontradas na Suécia. Aliás, precisamos falar sobre o título do livro. Sim, o título! Preste muita atenção ao que ele diz, e conforme for lendo, vai perceber que na verdade a história não se trata apenas da investigação de um crime que ocorreu há anos atrás, mas sim da violência sofrida por mulheres numa sociedade misógina. 

Em algumas partes do livro, podemos encontrar recortes de jornais, com dados e notícias, sobre mulheres que sofreram abusos sexuais na Suécia, que desaparecem ou foram mortas por homens violentos. O verdadeiro sentido da história, é perceber a crítica de Larsson a sociedade de homens que odeiam as mulheres, e nessa história, vemos o que homens violentos são capazes de fazer.

Realmente não sei se conseguir transmitir tudo o que esse livro me fez sentir, acho que não fiz jus a leitura maravilhosa que Larssson me proporcionou, mas se você gosta de mistério, suspense, mortes e mais um pouco, por favor, leia esse livro. Eu só posso dizer que preciso do próximo volume urgentemente, porque ao terminar, descobri que o mistério está em volta dos nossos personagens e ai meu coração! 


E ah, sobre os filmes, a versão sueca (original), me pareceu transmitir mais os aspectos da história e deu mais foco as investigações em si, explicando o porquê de tudo. Mas a versão americana também é excelente, dando uma visão mais geral da história, dando foco as acontecimentos externos. Os dois, mudam um pouco o final da história para ficar melhor na telona, mas nada que destrua a história. Na dúvida faça que nem eu, assista aos dois, mas saiba que nenhum dos filmes é tão profundo quanto o livro. 

31 de julho de 2015

Correio inesperado

Há algum tempo (acho que meses), eu havia solicitado marcadores para algumas editoras. Moro numa cidade pequena, e quase todos os livros que compro são de livrarias onlines, então é bem difícil encontrar marcadores legais. 

Assim como a maioria dos leitores, eu tenho a incrível mania de colecionar esses simples objetos que impedem que os livros amassem. Um pedaço de papel, mas importante para qualquer leitor que se preze, e bom, como todos eles, eu queria ter um marcador de cada livro lido, mas como já citei é difícil encontrar eles por aqui. 

Então, encontrei em alguns blog, a dica de pedir para as editoras, e foi isso que fiz. A maioria não respondeu, outras disseram que só mandavam através das compras em seus sites, e apenas uma me deu uma resposta positiva. Fiz o que foi solicitado e aguardei. 

Confesso que nem lembrava mais que havia pedido, pensei que meu pedido tinha se perdido entre tantos outros, mas eis que a surpresa chegou e encontrei essas belezinhas dentro do envelope:


Agradeço muito a Editora Companhia das Letras e aos selos integrados a ela. É um gesto simples, mas que pra nós, leitores, faz toda a diferença. Parabéns por essa integração com os leitores e muito obrigada por esse presentinho. 

12 de dezembro de 2014

Resenha: O menino do pijama listrado

Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 187

Contar a história de uma criança que viveu na época do Holocausto sem nem ao menos saber do que isso se tratava foi uma tarefa muito bem feita pelo escritor John Boyne em o Menino do Pijama Listrado.

Bruno, um menino de 9 anos teve toda sua vida mudada de uma hora para outra durante a Segunda Guerra Mundial. Abandonando amigos, a aconchegante casa em Berlim e estudos, ele e sua família foram designados a morar em um campo de concentração na Polônia devido a uma proposta de Hitler (citado no livro como O Fúria) ao seu pai, um comandante do exército nazista. 

A história demora um pouco para se interligar com o título, mas próximo ao meio do livro Bruno resolve brincar de explorador e no meio de sua aventura descobre Shmuel, um judeu que vive do outro lado da cerca que rodeia sua nova casa. Os dois garotos acabam firmando uma grande amizade ao longo do enredo e, apesar de nunca discordar de seu pai, Bruno passa a ter uma visão diferente a respeito dos judeus, sempre achando que todos são iguais. 
"Todos no campo usavam as mesmas roupas, aqueles pijamas com os bonés de pano também listrados; e todos que passavam pela sua casa (exceção feita à mãe, Gretel e a ele próprio) vestiam uniformes de variadas qualidades e graus de condecoração e quepes e capacetes com grandes braçadeiras vermelhas e negras e traziam armas e estavam sempre com o semblante terrivelmente severo, como se tudo aquilo fosse muito importante e ninguém pudesse pensar diferente. Qual era a diferença, exatamente? E quem decidia quem usava os pijamas e quem usava os uniformes?"
Apesar de todo o cenário de guerra que os rodeava, o autor consegue retratar a inocência de Bruno, parecendo mesmo ser contado por uma criança que viveu naquela época sem saber o que realmente estava acontecendo ao seu redor. Essa inocência é mostrada até mesmo na reviravolta que surge no final da história, aonde Bruno com toda a sua ingenuidade tem que tomar uma decisão que muda sua vida. 


O livro, apesar de algumas partes tristes, é muito bom e conseguiu retratar bem a inocência das crianças e a amizade mesmo num cenário como o vivido na Segunda Guerra Mundial. A leitura é fácil, e o livro é bem pequeno, e você consegue terminá-lo em um dia. Para quem gosta de livros que abordem a Segunda Guerra e quer conhecer uma outra visão desse cenário, este é uma ótima dica. Recomendo.
"Como ele pôde ver, todas as coisas que ele imaginou estarem lá – não estavam".


Abaixo segue o trailer do filme, que também faz muitos fortões derramarem lágrimas:


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