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18 de julho de 2016

Resenha: O Planeta dos Macacos

Autor: Pierre Boulle
Editora: Aleph
Páginas: 216


Contemplava a imensidão do mundo e deixava-se hipnotizar, como volta e meia lhe acontecia, pela sensação cósmica do nada.


Ler uma história de uma das séries mais aclamadas de filmes, cria em nós, leitores, uma grande expectativa e, às vezes, a história acaba nos decepcionando. Felizmente, essa não foi a situação encontrada ao ler Planeta dos Macacos. Ouvi um monte de gente comentando sobre o livro, positiva e negativamente, mas para mim a história foi surpreendentemente boa. 

Ulysse Mérou é um jornalista francês que, na companhia de um renomado cientista e seu aprendiz, parte do planeta Terra com o intuito de explorar a galáxia e conhecer outros planetas. Ao iniciarem a jornada, os três tinham conhecimento de que o tempo seria diferente em cada lugar e que, ao regressarem, a Terra também estaria diferente pois séculos haveriam se passado.

Após alguns anos de viagem, dois se não me engano, Ulysse e seus companheiros encontram outro planeta, denominado Betelgeuse. Ao desembarcarem no novo planeta, os três notaram que o lugar se parecia muito com seu planeta de origem. O mesmo ar, água, plantas e alimentos, porém as semelhanças encerram aí. 

Ao explorar o ambiente eles encontram humanos que ali vivem, e o primeiro contato lhes faz notar algo assustador: os humanos ali não possuem o intelecto desenvolvidos, agem como animais e invés da fala, desenvolvem grunhidos. O planeta é dominado pelos símios, ou seja, macacos, e a espécie humana é refém e dominado por esses seres. 
Arquibancadas, em torno e acima de mim, achavam-se tomadas por macacos. Havia milhares deles. Nunca tinha visto tantos símios reunidos; sua profusão transcendia os sonhos mais loucos de minha mísera imaginação terrestre: seu número me assustava.
A história é narrada do ponto de vista de Ulysse, e a escrita é bem leve, de forma que a narrativa seja lida bem rápido. Descobrimos o novo mundo junto com o personagem e, por isso, consegui me envolver com a história. Ao decorrer do enredo, vi que minhas dúvidas também eram as dúvidas do personagem, e ele sempre tentava me mostrar o que fosse preciso. Pude sentir na pele o impacto que tudo causava a Ulysse como se fosse eu mesma em um planeta diferente.

Em determinado ponto, Ulysse é obrigado a viver com os macacos, convivendo com eles e assim, mantendo-se seguro. É através disso, que ele descobre como a civilização surgiu, suas regras, classes e divisões, sua história e os acontecimentos que os levaram a fazer testes em humanos. Aqui conseguimos notar uma mera semelhança com a nossa civilização, em que testes são feitos em outras espécies.
O macaco é, naturalmente, a única criatura racional, a única que possui alma e corpo ao mesmo tempo. Os mais materialistas de nossos cientistas reconhecem a essência sobrenatural da alma simiesca

Com a leitura se desenrolando, notei que Pierre quis demonstrar o verdadeiro sentido do existir humano. No livro o papel de caça e caçador são invertidos e aí paramos para pensar: o fato da nossa inteligência nos torna mesmo maiores que os outros ou assim como os macacos só estamos imitando uma série de coisas que já vimos acontecer? Será que temos o direito de explorar outros seres somente pela nossa capacidade de raciocinar?

Durante a narrativa, também temos a personagem de Zira, uma macaca que ajuda Ulysse em sua jornada. Ela, sem dúvida nenhuma é a personagem mais “humana” que encontramos ali. Ela tem a sensibilidade de notar o sofrimento alheio, mesmo que em raças inferiores, e tentar ajudá-los. Zira nos faz entender que o espírito é que da valor ao corpo, que não é o físico, mas a alma que habita ali.  

Com isso, posso dizer que O Planeta dos Macacos, com todas as suas peculiaridades, é um livro surpreendente. A história é grandiosa, trata de valores, inteligência e humanidade de uma forma simples e segura que realmente nos faz refletir e tentar se imaginar conforme aquele mundo e aquelas regras. Eu não assisti a todos os filmes, por isso consegui fazer uma análise somente da leitura e adorei tudo. 

Cheguei ao final do livro com a sensação angustiante e a pergunta que não saía da cabeça: e se isso realmente acontecesse? E assim, também notei uma crítica social que me fez perguntar até onde a espécie pode chegar antes que seja decretado seu fim. Para os fãs de ficção científica esse é o livro recomendado, e para quem não é tão fã assim, talvez seja a hora de arriscar novas histórias e dar uma chance para o gênero. Garanto que vale a pena ser tirado da zona de conforto.


21 de março de 2016

Resenha: Simplesmente Acontece

Autora: Cecelia Ahern
Editora: Novo Conceito
Páginas: 448



Não se pode controlar as coisas que vêm do coração.

Romances. Sempre tão clichês e sempre despedaçando os corações alheios que sabem que o amor não é apenas flores e borboletas. Em Simplesmente Acontece acompanhamos Alex e Rosie, dois grandes amigos, desde os 7 anos aos mais de 50, que por armações do destino, negam para si e para o mundo o amor que sentem um pelo outro. Como o próprio nome do livro diz, as coisas simplesmente acontecem na história dos dois personagens, coisas da vida, que podem acontecer com qualquer pessoa, o que acaba impedindo os dois de ficarem juntos. 

Desde sempre Alex e Rosie são amigos. Sonharam juntos, realizaram planos juntos, entraram em encrencas juntos. Os dois conhecem um ao outro melhor do que ninguém, e o amor um pelo outro é visível, todos acreditam que eles devem ser um casal, pois são inseparáveis, mas as coisas não ocorrem no tempo que deveriam. 

Alex é o estilo de cara desleixado, que não faz longos planos, escreve errado e não tem responsabilidade nenhuma, até que em um momento resolve dar um rumo para a sua vida. Já Rosie é a garota certinha, que está sempre correndo atrás do que deseja, tem tudo planejado, mas por um deslize sua vida mudou completamente e os sonhos ficaram para outra hora. 
''Como a vida é engraçada, né? Bem na hora em que você pensa que está tudo resolvido, bem na hora em que você finalmente começar a planejar alguma coisa de verdade, se empolga e sente como se soubesse a direção em que está seguindo, o caminho muda, a sinalização muda, o vento sopra na direção contrária, o norte de repente vira sul, o leste vira oeste, e você fica perdido.''
Alex se muda para o outro lado do mundo seguindo o sonho de ser médico, e Rosie agora tem uma filha, Katie, a quem ama incondicionalmente, mas que a impede de realizar muitas coisas. Reviravoltas e mais reviravoltas do destino acontecem com os dois em função dos personagens secundários que tem um papel importante para a construção da narrativa. Brigas, segredos, casamentos, mudanças, mortes e perdão são o que constrói esse livro, tudo em volta de uma amizade enorme. 

Eu conheci a história primeiramente através do filme, e me apaixonei, mas ao ler o livro parece que as minhas expectativas foram se reduzindo. A narrativa do livro é contada através de cartas, bilhetes, e-mails, chats, mensagens no celular, cartões postais ou comemorativos, trocados por Alex e Rosie ao longo dos anos. Confesso que isso me deixou um pouco decepcionada com a história e incomodada também. Eu esperava mais, eu queria mais. Queria um certo contato real entre os personagens e não apenas por chats online. 


Quando vi o filme sentia a proximidade dos personagens, sentia a saudade que sentiam um do outro, percebia a dor de estar longe de quem se ama, mas ao ler o livro pareceu que, mesmo os personagens morando na mesma cidade, eles quase nunca conversavam pessoalmente. Existe a ajuda, os conselhos, e tudo mais, mas senti falta do contato real entre elas. As cartas puderam contar mais dos relacionamentos conturbados que tinham e da vida de Katie e Josh, filhos dos personagens, por outro lado eu ainda senti falta das coisas físicas da história, que tanto me emocionaram quando vi o filme. É acho que talvez, esse seja uns dos raros casos em que prefiro o filme ao livro. 

Eu gostei da história, mas particularmente, prefiro o romancezinho clichê em que o casal fica brigando a história inteira e então, no fim, ficam juntos e felizes. Para mim, o romance precisa desse contato físico entre os personagens, precisa de proximidade, e apesar de sentir o amor que havia entre Alex e Rosie, esse amor parecia uma ideia muito distante para os dois. Eles demoraram muito tempo para perceber o que sentiam, e foram deixando as coisas acontecerem como se adiassem algo. Tudo bem, sempre tem aquele velho ditado de que tudo tem seu tempo, mas aqui me pareceu tempo demais. 
''No começo tínhamos tanta coisa pra conversar que falávamos umas cem palavras por segundo, e mal esperávamos o outro terminar uma frase para começar outra. E demos muita risada. Rimos à beça. Então os risos terminaram e veio o silêncio. Um silêncio estranhamente confortável. Que diabos foi aquilo?''
O amor entre Rosie e Alex existia sim, mas eles nunca pareciam estar em sintonia para dizer o que sentiam. Num momento o trabalho era o foco, em outro os filhos, no outro os casamentos que iam de mal a pior, e assim por diante. O amor estava ali, senti isso enquanto lia, mas por problemas pessoais e brincadeiras do destino ele nunca era revelado. E foi assim que a narrativa foi me cansando. As chances foram passando de uma em uma, o amor foi deixado de lado por medo de dizer o que sentiam, por besteiras e contratempos. Teve momentos durante a leitura que eu pensava: por favor, sentem e resolvam isso de uma vez! Mas como todo romance, isso é coisa para os últimos segundos. 

Acredito que a autora quis mostrar que tudo tem sua hora certa para acontecer, mas que às vezes devemos aproveitar as oportunidades que temos ao longo do tempo, mesmo que não de certo no futuro. Eu gostei mais da adaptação cinematográfica, mas o livro traz pontos da história que não são retratados no cinema, e talvez isso foi o que mais me cativou na escrita, conhecer melhor os personagens, mas em questão do romance deixou um pouco a desejar. Para os apaixonados por romances clichês, esse é o livro, mas para quem, assim como eu, prefere o contato real dos personagens, talvez devesse procurar outra história. 





Esse livro faz parte do Projeto Leia Mulheres

14 de março de 2016

Resenha: Marina

Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
Páginas: 189


Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu.

Esse é um dos livros que eu provavelmente não olharia ou compraria nas livrarias. Com certeza ao procurar títulos nas estantes ele passaria despercebido para mim. Um erro terrível. Mas graças a indicações resolvi comprar e dar uma chance para a escrita um tanto gótica de Zafón. Já tinha ouvido falar de outros livros do autor, como A Sombra do Vento, mas nunca tinha me interessado por eles, então esse foi meu primeiro contato com o autor e já quero mais. 

Marina é um livro curtinho, com uma história um pouco sombria e sobrenatural, mas leve e fácil de ler. O livro conta a história de Oscar, nosso narrador de 15 anos, que estuda nos internatos de Barcelona da década de 80. Por sua imensa curiosidade e busca por aventuras, em um dos passeios pelas ruas da cidade ele encontra uma mansão que parece estar abandonada, porém uma suave música atrai sua atenção para dentro dela. 

Ao andar pelo interior da casa, é surpreendido por um vulto que o deixa assustado, fugindo as pressas para o internato e levando consigo, sem querer, um relógio de ouro. Não querendo parecer um ladrão, Oscar retorna a mansão para devolver o relógio e é assim que conhece Marina e Gérman, que se tornam amigos e protagonistas junto com ele. 

Marina, a menina dos olhos acinzentados, também tem um desejo por descobrir coisas novas e se aventurar em busca dos mistérios da cidade. Todo último domingo de cada mês, ela observa uma dama de preto que vai ao cemitério local com a aparência misteriosa. A dama não leva flores, apenas um símbolo: uma borboleta preta, que deposita sob o tumulo sem nome que sempre visita. Depois de observarem, os dois protagonistas estão dispostos a desvendar o mistério que envolvem a dama de preto. A partir daí as coisas estranhas começam a acontecer.


A dama de preto leva nossos protagonistas a uma estufa, cheia de marionetes, formadas de ossos e pele humana. O cenário que encontram é macabro e ao mesmo tempo bizarro, deixando-nos com medo do que pode vir a seguir. O enredo das marionetes, da dama de preto, e dos mistérios que envolvem o livro, vão sendo contados ao longo da história, pelos olhos do nosso narrador, de um jeito leve, mas sombrio, deixando os leitores intrigados. 

Barcelona se tornou o cenário perfeito, sobre a morte e os mistérios, nas mãos de Zafón. A narrativa de Oscar e Marina gira em torno da sombria história do imigrante Mijail Kolvenik, considerado um gênio das próteses, e uma atriz deslumbrante, que trouxe para Barcelona um medo perturbador. O enredo é cheio de detalhes e muitas vezes conseguimos ouvir o arrastar de coisas descritas pelo autor. Por ter como narrador Oscar, conseguimos sentir um pouco da inocência do personagem, apesar da grande coragem, e ainda reconhecemos o sentimento de proteção que aflora entre ele e Marina.
Naquela noite, Mijail disse que a vida concede a cada um de nós apenas alguns raros momentos de felicidade. Às vezes são apenas dias ou semanas. Às vezes anos. Tudo depende da sorte de cada um. A lembrança desses momentos nos acompanha para sempre e se transforma num pai da memória ao qual tentamos regressar pelo resto de nossas vidas, sem conseguir.
Marina é um livro carregado de sentimentos e foi a isso que me apaguei na história. Medo, paciência, amor, carinho, amizade, cumplicidade e dúvida, são o que movem nossos personagens e nos ajuda a conhecê-los melhor. O passado começa a vir à tona, e assim como os personagens, percebemos que nem tudo é o que parece, por isso, os dois acabam buscando o outro lado da história. O que era para ser apenas uma aventura de crianças acaba virando um perigo real, que os faz correr contra o tempo para que não tenha mais prejudicados. 

Apesar de todo o mistério e perigo, o livro é leve, com uma narrativa que flui a cada página e vai nos revelando o que precisamos saber para que tudo se encaixe no final. O livro também tem fortes metáforas sobre a morte e a aceitação dela em seus vários sentidos, o que achei interessante, pois contribui para um desfecho surpresa que o livro traz. O enredo também traz uma espécie de drama, mas não daquele tipo clichê, mas um drama tocante, ingênuo e humano, que nos faz refletir sobre o que desejamos na vida: grandezas ou apenas ser feliz?
"Ninguém entende nada da vida enquanto não entende a morte”.
A história me cativou, o autor me cativou e com certeza entrou para a lista de autores que desejo ler mais. A escrita de Zafón é incrível, rica em detalhes e descrições e a cada virada de páginas eu ficava encantada pelo toque sombrio e ao mesmo tempo suave que ele conseguiu desenvolver. Uma história excêntrica e original, no meu ponto de vista, com um final de partir corações. Um autor, uma história, um livro que deve ser lido. 

2 de março de 2016

Resenha: A Menina Submersa - Memórias

Autora: Caitlín R. Kiernan
Editora: Darkside
Páginas: 320


Na floresta há um monstro. E coisas horríveis ele fez. Na floresta ele se esconde, e canta esta canção.

Logo que vi esse livro, pensei: eu preciso desse livro na estante e meu Deus as páginas são rosas! Sim, fui presa por essa maravilhosa edição da Darkside, que caprichou no design e não resisti à compra. A Menina Submersa é, no mínimo, um livro peculiar diferente de tudo o que já li, o que torna complicado fazer uma resenha sem confundir todo mundo. 

O livro conta a história de India Morgan Phelps, ou Imp, que assim como sua mãe e sua avó possui esquizofrenia. Imp é totalmente complicada, e para se livrar das situações de desconforto em que acredita estar, ela começa a escrever um livro sobre sua vida após encontrar uma mulher nua na beira da estrada e a levar para casa. 

Por ter uma mente incompreensível, é quase impossível confiar na narrativa da personagem. Ela nos leva a algo, a acreditar que aquilo aconteceu, mas suas crises atrapalham nosso julgamento da história. Muitas vezes me peguei mais confusa do que a própria personagem, reli trechos e, ainda assim, não sabia o que era real ou não durante toda a narrativa.
Fantasmas são essas lembranças fortes demais para serem esquecidas, ecoando ao longo dos anos e se recusando a serem apagadas pelo tempo.
A história toda se baseia na mente perdida de nossa personagem, que em meio a lobos, fantasmas e sereias, não consegue decidir qual dessas partes foram reais em sua vida. A história nos faz buscar um fantasma que talvez só exista na cabeça da personagem. O livro não possui uma ordem cronológica de acontecimentos, o que retrata perfeitamente a falta de memória de Imp. Em algum momento estamos lendo sobre determinada coisa, dois parágrafos depois já nos perdemos em meio as informações confusas de nossa protagonista.

Imp não consegue organizar seus pensamentos, não consegue decidir o que viveu de verdade e o que foi imaginação, se confunde e se perde no meio de suas explicações e histórias, e isso, nos faz entrar plenamente na cabeça dela. Assim como ela, não conseguimos compreender nada do que acontece a sua volta, nos perdemos nas informações, relembramos, e achamos que entendemos. Tudo muito confuso. Acredito que a intenção da autora foi justamente essa: nos fazer entrar na mente da personagem e perceber que assim como ela, não sabemos nada.

A falta de ordem na narrativa é o ponto principal do livro, pois assim tentamos entender o que se passa na mente de Imp, e notamos que talvez estamos loucos que nem ela. Achei sensacional. Às vezes ela narra algo que aconteceu, mas se perde em meio às informações, às vezes nos fala sobre algo que ainda vai acontecer, às vezes retorna a eventos que já nos contou anteriormente, mas que precisa dar mais informações sobre eles, e às vezes fala de si mesma em terceira pessoa, nos deixando perdidos. É realmente confuso, mas ao mesmo tempo incrível.


Outro ponto forte no livro é o fato de Imp ter um relacionamento com outra mulher, deixando de lado todos os preconceitos e padrões estipulados por nossa sociedade. Aqui, o relacionamento das duas é lindo e de plena confiança. Abalyn aguenta todas as loucuras de Imp, a ajuda em momentos difíceis e continua a seu lado apesar de todos os dramas que encaram. 

Assim como Abby é o alicerce de Imp, o que a mantém pensando claramente, seu porto seguro da lucidez, Eva Caning é a ruína, a decadência, de nossa personagem. Eva é todos os personagens das histórias de Imp, ela é mulher, sereia, lobo, fantasma, a catástrofe que rói todos os sentidos e claridade de Imp. A cada nova página, parece que Eva tenta controlar e destruir tudo em Imp, e Abby participa de uma luta invisível para salvá-la de seus próprios pensamentos.

O livro é cheio de metáforas, às vezes sem noção, que parecem não ter sentido para a história, por isso deve ser lido com atenção, mesmo que tudo pareça não fazer sentido algum. Eu adorei o livro, mas terminei sem saber se tinha entendido tudo. Na minha opinião, essa foi a intenção da autora, nos confundir, transmitir um turbilhão de informações e nos deixar em duvida se entendemos a história de Imp. 

A sensação que tive, ao terminar a história, é que estava tão perdida quanto a personagem, mas tudo bem, porque era exatamente isso que deveríamos sentir. A história não precisava de uma resposta, não precisava de uma conclusão. A autora quis mesmo que imaginássemos tudo aquilo e decidíssemos por nós mesmos o que era real ou não. Talvez tudo seja real, talvez tudo seja parte da doença, talvez vocês também estejam se confundindo agora.


A psicologia envolvida no livro é muito forte, quem sabe a falta de remédios da nossa personagem seja o que desencadeou toda a história, ou todo o drama vivido, ou ainda a pressão de saber que possui os genes da esquizofrenia que sua mãe possuía. A história é complexa, ficamos cercados por imensos dilemas mentais da personagem, medos, angústias, falta de realidade e um terror psicológico que nos envolve também. Mas, justamente por ser tão confusa, ela se torna boa, contudo é preciso ter paciência, e TENTAR entender os dramas de Imp, talvez sem conseguir.

Leia o livro, tente entender o cenário denso e um tanto lento dele, mas aceite caso não consiga compreender a mente perturbada de Imp, as coisas são assim mesmo.


Esse foi o primeiro livro lido para o projeto Leia Mulheres que está sendo desenvolvido aqui no blog

4 de fevereiro de 2016

Resenha: Caixa de Pássaros

Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 272


Em um mundo de recursos escassos, olhos vendados, e um terror persistente, encarar os próprios medos é apenas o início da viagem. 

Finalmente resolvi fazer a resenha do último livro lido no ano passado, e para começar essa resenha digo que não sei definir esse livro. Nunca tinha lido nada igual, nada que me prendesse tanto a ponto de ler tudo em uma única madrugada. Não tinha como parar, não tinha como deixar o próximo capítulo para outra hora, eu precisava dele, precisava saber o que acontecia com os personagens e, por isso, o livro se tornou um dos melhores livros que li. 

Tudo começa quando um surto, uma espécie de loucura coletiva, começa a ser divulgado em redes sociais e meios de comunicação, no mundo todo, deixando a população em pânico. Segundo os noticiários, se as pessoas olharem para determinada coisa, começariam a agir diferente, com raiva e insanidade, atacando quem estivesse próximo e depois cometiam suicídio. Ninguém sabe como tudo isso surgiu, nem porque atingiu uma escala global, mas o surto se tornou cada vez mais presente entre a população que tentava desesperadamente encontrar uma forma de escapar. 

Malorie é uma das pessoas que não acredita em nenhuma história contada, até que sua irmã também é atingida pelo surto e tudo muda, fazendo com que a personagem busque uma maneira de escapar. Cada pequena fresta de luz começa a ser fechada para que o perigo não seja visto, mesmo não sabendo do que se trata o perigo, todos começam a colocar tábuas nas janelas e venda sobre os olhos para não correr o risco de enxergar. 
Os dias começam a se misturar. Foi por isso que fizemos o calendário na parede da sala de estar. Sabe, o tempo não significa nada, de certa forma. Mas é uma das poucas coisas que restaram das nossas antigas vidas.
As autoridades somem, a internet e a tv não funcionam mais, o tempo começa a se perder e todos, incluindo a personagem que acompanhamos, não saem mais de casa de olhos abertos. Não há como olhar para fora, não há como enxergar o céu, não há como correr o risco de se expor ao medo, mas Malorie precisa arriscar. Ela está gravida e depois de sua irmã ser atingida pelo surto, ela resolve sair às cegas procurando uma casa que afirma oferecer ajuda. Ao encontrar, ela conhece Tom, um ex professor e outras pessoas que a auxiliam e lhe dão coragem para fazer o que precisa fazer. 


Cinco anos se passaram, muitas coisas aconteceram nesse período, dentro da casa onde estava, e agora Malorie precisa cuidar de si e de duas crianças que nunca viram o céu. Ela precisa tomar a decisão que pode salvar suas vidas ou as destruir de vez. Entre os medos que estão lá fora, seus medos internos, e preocupações maternais, será que ela conseguiu tomar a decisão certa? 

O livro contem flashs entre o presente e o passado, que nos explicam como Malorie chegou naquela situação extrema, naufragando num barco, com duas crianças de quatro anos, a quem se refere como garoto e menina, todos vendados. Os ouvidos das crianças são a única esperança para sobreviver aquilo tudo, aos perigos do rio e da floresta e quem sabe voltar a ver o mundo. A escrita do autor é instigante e descreve um terror psicológico fantástico que me fez querer virar as páginas sem parar.
Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.
O medo está presente, mas do que é esse medo? Ninguém sabe, pois é difícil explicar a forma de um medo quando este não pode ser visto. Talvez o medo esteja dentro da cabeça de cada um, talvez o medo das pessoas sejam as próprias pessoas, não sabemos, mas sabemos que não se pode olhar pra ele. Malorie não mostra apenas a luta pela sobrevivência de si e dos filhos em um ambiente caótico, mas também a luta para esquecer seus próprios medos internos. 

Josh estimula o leitor a buscar por respostas, a querer respostas, mas mostra que nem sempre elas são possíveis. Criamos teorias, criamos formas para a criatura que está assombrando o mundo, mas não conseguimos a definir, e o medo presente no livro continua desconhecido, sem explicações, e esse é o diferencial da história. Temos medo de muitas coisas, mas o desconhecido continua sendo o pior deles, e sendo assim, sentimos o desespero dos personagens. 

Eu amei o livro em todos os detalhes. A editora Intrínseca fez um ótimo trabalho de diagramação. Uma capa simples, mas que chama muito a atenção dos leitores, folhas amarelas, e desenhos de árvores no início de cada capítulo que se relacionam muito bem com as circunstâncias em que se encontra a personagem. 


Para quem gosta de histórias de terror, com muita ação, talvez não deva criar muitas expectativas sobre o livro, mas para quem consegue entender que o terror também pode ser algo psicológico esse é o livro perfeito. Talvez muitos se decepcionem com o final um pouco inconclusivo, eu também gosto de finais que tirem toda as minhas dúvidas, mas por incrível que pareça eu adorei o final desse livro, adorei não saber o que causava medo nas pessoas, pois talvez o medo esteja nas próprias pessoas, o homem é a criatura que ele teme. 
É melhor enfrentar a loucura com um plano do que ficar parado e deixar que ela nos alcance aos poucos.

13 de janeiro de 2016

Resenha: Laranja Mecânica

Autor: Anthony Burgess
Editora: Aleph
Páginas: 224


“A bondade é uma coisa que se escolhe. Quando alguém não pode escolher, deixa de ser humano.“


Laranja Mecânica é o primeiro livro “clássico” que leio na vida. Eu não costumo me interessar por livros assim, mas com o lançamento da Editora Aleph resolvi arriscar. Infelizmente na época que comprei a capa ainda era essa, então eu não tenho a edição comemorativa de 50 anos, também publicado pela Aleph que ficou divinamente linda.

O livro narra a história de Alex, um garoto de 15 anos, integrante de um grupo de delinquentes, do qual é o líder, que destinam grande parte do seu tempo livre para cometer crimes, desde roubos, espancamentos até estupros somente por diversão. Em uma das noites que decidem assaltar a casa de uma senhora, as coisas dão erradas e Alex é traído pelos seus “druges” (amigos) Pete, George e Tapado, e é condenado a 14 anos de prisão.

Por demonstrar um comportamento oposto ao que era esperando nos primeiros anos na prisão, o governo opta e submete o jovem, por persuasão, a um tratamento de choque ainda em fase de teste, chamado Técnica Ludovico. Segundo os criadores do tratamento, ele extingue toda a maldade em apenas duas semanas, sendo assim, eliminando os impulsos criminosos de pessoas como Alex.

Para que o tratamento seja devidamente realizado, o individuo é submetido a sessões diárias de filmes de violência, injetando substâncias que garante mal estar e enjoos. Durante as sessões o paciente é impedido pelos equipamentos de fechar os olhos e digo pra vocês que é agonizante imaginar essa cena.

Ao começar a ler, eu estranhei bastante o vocabulário, pois o autor criou uma mistura do inglês com o russo que nos confunde um pouco. Mas ao ingressar na leitura realmente você começa a compreender as gírias do protagonista e o vocabulário estranho deixa de ser um problema. O livro também possui um glossário no final, então quem tiver dificuldade com os termos pode consultá-lo, eu optei por ler e fazer meu próprio entendimento das gírias, até porque li no Kindle e seria muito complicado.

O livro é dividido em três partes, na primeira somos apresentados ao nosso humilde narrador, na segunda temos Alex na prisão e o início da terapia, e na terceira temos os resultados do projeto na sociedade, as questões éticas, políticas e principalmente uma grande crítica social. Laranja Mecânica é um livro pesado, e apesar da narrativa através das gírias, você consegue entender toda a ultraviolência que ocorre. Então não recomendo o livro para quem não gosta desse tipo de narrativa, pois o autor não reduz o impacto em suas palavras.
Nomes de partidos não significam nada. A tradição de liberdade significa tudo.
A história foi escrita há anos atrás, mas ainda conseguimos ver vários pontos em comum com a sociedade atual, onde somos dependentes da segurança interina sempre em busca de algo para nos proteger. Onde vemos golpes políticos para o favorecimento dos grupos mais elevados e a quase isolação de grupos de menores rendas. O mundo caótico, de violência e desigualdade retratado na história, também está presente na vida real em muitos lugares.

Alex é ruim, sua mente é ruim e quer praticar a violência, mas considerando tudo que ele passa e sofre na história, em determinadas partes até ficamos com pena do personagem, mesmo sabendo que, talvez, ele mereça tudo que lhe acontece. Alex cativa o leitor com suas gírias, seu jeito, sua ruindade, e sua insanidade que piora após o Método Ludovico, e quase nos faz acreditar que ele não seja tão ruim, mostrando que a bondade é subjetiva.

É um livro forte, que muitas pessoas talvez não criem coragem para ler. É um livro que se le rápido sim, depois que você já está familiarizado com o vocabulário do protagonista, mas é um livro que deve ser apreciado e não só passar os olhos pelas palavras. É um livro de antagonismos entre o que é bom e o que é mal, sobre as praticas agressivas do governo autoritário e sobre a confusão interna de um personagem perturbado. É um livro que deve ser lido.


5 de janeiro de 2016

Resenha: A Lista Negra

Autora: Jennifer Brown
Editora: Gutenberg
Páginas: 272

Você já pensou nas consequências de suas palavras? Já desejou que algo ruim acontecesse com outra pessoa? E se isso se tornasse real, o que você faria?


Olá, essa é a primeira resenha do ano, e espero que gostem. Eu ouvi muitos comentários desse livro, principalmente no canal da Pam Gonçalves, e até que enfim consegui lê-lo. O bullying virou moda nos últimos tempos, qualquer coisa se torna motivo de piadas para esse tema tão sério, e esse é também o assunto desse livro que se tornou um dos mais lidos.

Valerie Leftman e Nick Levil sofriam bullying e tentavam aguentar toda a carga emocional que ele trazia. Ela era chamada pelas colegas exuberantes de Irmã Morte, por só usar roupas pretas e brancas e conviver com o grupo “Loser” da escola. Ele é magricelo e desengonçado devido à altura. 

Para fugir de todas as coisas ruins e brincadeiras de mal gosto que sofriam, Val começa a criar uma lista das pessoas que a magoaram, como um lembrete de que não devia se aproximar delas, e talvez, na inocência, desejando que algo ruim acontecesse com elas também. Nick, seu namorado, descobre sobre esse caderno, e os dois passam a escrever juntos nele. Porém, Nick leva tudo a sério e o que deveria ser uma brincadeira, um meio de escapar da realidade, acaba fugindo do controle e os nomes citados na lista acabam sofrendo consequências terríveis.


As pessoas citadas na Lista Negra, pais, celebridades ruins, malfeitores e principalmente professores e colegas de aula, acabam se tornando alvos reais. Val nem desconfia dos planos de seu namorado, pois para ela o caderno e os nomes lá citados não passavam de uma fuga. Quando vê Nick se dirigindo a menina que quebrou seu MP3 de propósito no ônibus, ela até fica feliz por ele ir confronta-la, mas se depara com uma grande surpresa ao ver a arma escondida e em seguida seus colegas caindo devido ao início do tiroteio. 

Para tentar parar com as mortes, e evitar que mais pessoas se ferissem, Val se atira na frente de Nick. Ao acertá-la ele para e atira em si mesmo pondo um fim em todo o caos que se formou dentro da cantina do Colégio Garvin. Valerie passa meses no hospital e em unidades psiquiatras para tentar se recuperar do trauma e dos ferimentos físicos. Além disso, ela também precisa lidar com todas as acusações da policia, da imprensa e dos colegas que passam a vê-la como cúmplice de Nick. 

Ela é obrigada a voltar a escola e encarar os fatos, encarar os colegas que sobreviveram e os que ainda sentem a perda dos amigos, reviver a dor e conviver com os olhares de todos. Os antigos amigos não existem mais, os problemas familiares só aumentam, e ela acaba se isolando do resto das pessoas por medo de sofrer tudo novamente.
Às vezes, todos temos de ser vencedores. Mas o que ele não entendeu foi que todos temos também de ser perdedores. Porque não se consegue uma coisa sem a outra. 
O livro se passa entre flashs do passado e do presente, trazendo notícias divulgadas pela imprensa sobre o atentado, depoimentos dos envolvidos e muitas acusações contra Valerie e Nick. Ela não sabe como tentar reconstruir sua vida, seu único ‘porto seguro’ passou a ser seu terapeuta, Dr Hietler, e as aulas de pintura de Bea, uma artista mística. Com o passar do tempo e com os conselhos do Dr, ela começa a se recuperar do trauma e da opressão que sofria. 


Além de aguentar a impressa, os colegas e sobreviventes do tiroteio, os olhares tortos e as acusações vindas de todos os lados, Val também precisa enfrentar os problemas familiares que se acumularam depois do incidente. Seus pais sempre brigaram, mas tudo se intensificou depois que Valerie voltou para a escola. Sua mãe deixa claro que não acredita na inocência da filha, apesar de querer protegê-la, afirma que a filha tem culpa por escrever todos os nomes na lista. Seu irmão acaba sendo alvo das discussões dos pais e se afasta de Val. E seu pai, o pior de todos, que a acusa de muitas formas e lhe fala coisas que nunca esperamos que um pai fale pra um(a) filho(a).

A cada página conhecemos mais da personagem, suas discussões internas e pensamentos sobre outros personagens. Ao conhecer Nick pelas lembranças de Val, percebemos que ele não é de todo ruim, que ele possui um lado humano, e até sensível, que não é todo tomado pela raiva. Apesar de tudo que ele fez, em determinados momentos não tem como sentir ódio do personagem, pois se pensarmos pelo outro lado ele também era uma vitima, mesmo que isso não justifique as atitudes extremas tomadas para enfrentar o bullying. 

A autora conseguiu confundir nossos sentimentos, mesclar compaixão e raiva dos personagens e acompanhar a mudança deles ao longo da história. Eu senti pena e ao mesmo tempo compreensão pelas atitudes. Conseguia entender o medo e a coragem que se misturaram na mente de Val. Percebi as mudanças de personagens e pensei ‘por que eles não eram assim antes de tudo?’, mas como sempre as mudanças só vêm depois do ocorrido.  Talvez todos sejam vilões ou talvez todos sejam vítimas, e talvez, todos possam ser as duas coisas.
Tivemos que lidar com uma dose brutal de realidade. O ódio das pessoas. Esta é a nossa realidade. As pessoas odeiam e são odiadas. Enchem-se de rancor e exigem castigo.
O livro me fez refletir bastante sobre as consequências de nossos atos, assim como ocorreu em Os 13 Porquês, que também abordava um pouco do bullying. A autora transmitiu a mensagem de maneira tão intensa que era impossível não sentir o peso que a personagem carregava nas costas. Além disso, o livro também demonstra o lado da superação, da amizade, dos rótulos, das mágoas, e principalmente do perdão, que foi muito importante para a conclusão da história.

A Lista Negra, o romance de estreia da autora, não retrata o final feliz de abraços e sorrisos entre os personagens, mas sim o como saber lidar com as situações que fogem do controle, e aqui, cada personagem lidou com isso de uma forma diferente. A tristeza está presente na história, mas cada um a enfrenta como pode, e é isso que torna a história única. É um livro intenso, repleto de sentimentos confusos e com certeza deve ser lido por todos.


28 de dezembro de 2015

Resenha: Desaparecido para sempre

Autor: Harlan Coben
Editora: Sextante
Páginas: 319

Esse é o segundo livro do autor que leio e novamente fui surpreendida com o suspense que me prender do início ao fim. Quando comecei a ler tive a impressão que seria um suspense óbvio e que no final tudo ia se resolver da forma mais simples do mundo, mas não foi bem isso que aconteceu.

O livro acontece em torno de Will Klein, que sempre admirou seu irmão Ken, sua família e a família de sua ex-namorada. Para Will, o irmão era um herói até ser acusado de estuprar e matar Julie (ex-namorada de Will) e desaparecer.

O protagonista não consegue acreditar que seu irmão tenha feito algo tão monstruoso e mesmo após 11 anos Will ainda acredita que ele é inocente. Depois de estabilizar sua vida, e começar a namorar Sheila, Will volta a ter contato com o passado sombrio que assombra sua família há anos. Antes de sua mãe morrer, ela lhe sussurra  que seu irmão ainda está vivo, e então Will começa a procurar por pistas que o levem ao seu irmão, porém acaba entrando cada vez mais num universo que não quer fazer parte.
Três dias antes de morrer, minha mãe me disse – não foram bem suas últimas palavras, mas quase – que meu irmão ainda estava vivo.
O suspense é adicionado, e as consequências começam a surgir ao longo da história. Sheila desaparece, as impressões digitais dela são encontradas em uma cena de assassinato, a irma de Julie também quer respostas ,antigos fantasmas assombram as duas família e Will não sabe se confia na policia ou prefere encontrar as respostas por conta própria.

O autor vai revelando aos poucos cada detalhe da história, e cada um deles para ser essencial para desvendar o mistério. Tudo é um grande quebra-cabeça e a cada página ficamos mais envolvidos na história querendo descobrir, junto com o personagem, o que está acontecendo. Eu fiquei meio perdida no início devido a gama de personagens da história, e parece que nada vai se encaixar com a história principal, mas no fim tudo foi um monte de dicas para o grande desfecho.

Na metade do livro eu já tinha a solução do quebra-cabeça pronto, acreditava fielmente na teoria de quem era o assassino, onde estava Ken, e porque o resto dos personagens estavam envolvidos com a história dos Miler e dos Klein. Quando o que tinha imaginado realmente se concretizou na história, e estava feliz por ter descoberto os planos  tudo mais, Coben vai lá e destrói tudo em cinco páginas me deixando de queixo caído.


O livro é muito bom, pra quem gosta de um suspense, tramas policiais, mistérios, sangue e investigações, Harlan Coben é o autor pra isso. A resenha ficou curtinha, mas é só pra encerrar o ano e vocês, tentem ler Harlan Coben

14 de dezembro de 2015

Resenha: Battle Royale

Autor: Koushun Takami
Editora: Globo Livros
Páginas: 664

Desde Jogos Vorazes, vários leitores compararam a trilogia como uma cópia de Battle Royale lançado há anos atrás. Pelo fato de adorar a história de Suzanne Collins eu decidi tirar minhas próprias conclusões sobre as duas histórias. Confesso que as duas tem muitos pontos em comum, principalmente o fato de jovens serem largados em determinado lugar para matar uns aos outros, contudo Battle Roayle é bem mais violento nesse quesito.

O livro começa com uma turma de 42 estudantes, 21 meninos e 21 meninas, que pensam estar indo para uma excursão escolar. Nos primeiros capítulos somos apresentados a cada um dos estudantes, criando nossas impressões, através do olhar de Shuya Nanahara, um dos personagens principais da história. São muitos personagens, com nomes complicados e às vezes até parecidos, e apesar de possuir alguns personagens que se destacam mais dentro da narrativa, o autor trouxe a visão de todos os alunos, mostrando sua devida importância. 

O ônibus dos estudantes para e tudo começa a ficar confuso, até que eles caem no sono e acordam dentro de uma sala com Sakamochi, o empregado do governo que administra o programa Battle Roayle. Todo o ano uma turma do nono ano do ensino fundamental da Grande Ásia Oriental é sorteada a participar do programa que acontece normalmente em uma ilha evacuada para evitar possíveis fugas. Dessa vez, a turma de Shuya foi selecionada.

Cada um dos estudantes recebe instruções, uma mochila com alguns mantimentos, um mapa e uma arma para que matem uns aos outros até restar apenas um, o grande vencedor. As regras se intensificam quando os alunos descobrem que cada um deles possui uma coleira de rastreamento e, se não houver mortes dentro de 24 horas, as coleiras explodem. Ao longo do tempo algumas partes da ilha passam a ser proibidas, forçando todos a se movimentarem e se aproximarem, caso alguém não saia de um dos quadrantes proibidos, a coleira também explodirá.

O governo diz que o programa é uma forma de investigação militar, porém, na realidade o programa tenta aterrorizar a população para evitar uma rebelião organizada e manter assim o governo fascista e totalitário. Apesar de possuir o mesmo ponto em comum com Jogos Vorazes, a matança de jovens, aqui no cenário de Battle Royale todos se conhecem, o que torna a matança muito mais cruel. Não são inimigos e sim pessoas que passaram anos convivendo umas com as outras e criando laços de amizade e agora são forçados a matar uns aos outros.
Conforme se movimentava, voltou a sentir ânsia de vômito. Acabei me acostumando com pessoas morrendo, mas a imagem desses pássaros... Dessas aves nojentas alimentandose delas... Nunca mais vou conseguir admirar serenamente as gaivotas em voo na praia. Mesmo se escrever as letras de minhas músicas, jamais incluirei pássaros nelas. Talvez por um bom tempo não consiga comer carne de frango. Pássaros são um nojo. Antes mesmo de pensar, voltu a sentir náuseas. Os dois cadáveres com o rosto destruído. E a carne macia deles serviria de lanche da tarde dos pássaros. Bom apetite.
Muitos não conseguem conviver com a pressão psicológica, outros perdem a confiança até mesmo em melhores amigos e o nervosismo de todos os participantes acaba levando alguns à loucura. Alguns dos estudantes morrem por ficarem em quadrantes proibidos, outros assassinam friamente seus antigos colegas e outros ainda preferem acabar com a própria vida do que participar do programa. 


A cada capitulo ficamos na expectativa para saber quantos estudantes ainda restam e qual deles será o próximo a morrer. Apesar de acompanharmos mais os acontecimentos de três personagens: Shuya Nanahara, Noriko Nakagawa  Shogo Kawada, o autor conseguiu dar conta dos 42 personagens que criou para a narrativa o que achei bem interessante para o enredo. O livro parece ter uma história óbvia, um ganhador, um sobrevivente, mas o final acaba pegando o leitor de surpresa e surpreendendo a todos. 

Acredito que o principal objetivo do autor, seja mostrar como um governo opressor trata sua população, mas por outro lado também mostra a questão da confiança, pois em situações extremas como O Programa, as pessoas podem mudar sua forma de pensar. Mesmo que algumas tentem manter sua postura ética, em algum momento a situação pode tomar outros rumos e, por isso, é preciso cuidado na hora de confiar em alguém.
Tenho me empenhado ao máximo para confiar nas pessoas. Quero acreditar nelas. Se não puder, tudo se torna impossível.

Takami cria um cenário das reações humanas em situações extremas, critica a sociedade e o governo, relata histórias de amizade, confiança, sonho e loucura, e ainda mostra que mesmo nessas situações é possível ter esperança de um mundo melhor. Para quem gostou de Jogos Vorazes, tenho certeza que esse também é um livro que merece ser lido, já para os não fãs de JV, é preciso dar uma chance a esse livro, pois apesar de ter a mesma premissa, as histórias são mostradas de maneiras totalmente diferentes. 

Temos um misto de tensão e ação durante toda a narrativa que prende o leitor do início ao fim da história. É uma ótima leitura e para finalizar devo também parabenizar a editora Globo Livros por essa ótima diagramação, arte, tradução e resultado final do livro em si. Com certeza esse é um ponto principal para todos os leitores e acredito que a criação de mapas e lista de estudantes no início do livro facilitou a leitura.


7 de dezembro de 2015

Resenha: Os Três

Autora: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Páginas: 400


"Os três é um livro maravilhoso... Muito instigante, impossível parar de ler" - Stephen King


O final do ano está bem corrido, faculdade está tomou todo o tempo do mundo no mês de novembro e praticamente não postei nada aqui no blog. Mas agora, que acabou os trabalhos da faculdade, voltei com a resenha de Os Três. A diagramação do livro toda preta e o comentário de Stephen King na contracapa me motivaram muito a lê-lo, contudo acho que fui “com muita sede ao pote” e a leitura acabou não sendo tudo que eu esperava. 

O livro começa no dia 12 de janeiro de 2012, o dia que ficou conhecido como Quinta-feira Negra após 4 aviões caírem em diferentes partes do mundo. A população ficou em choque com os acontecimentos, buscando informações sobre as quedas e arrasada com os poucos resultados encontrados. Apesar da grande catástrofe, três crianças sobreviveram aos acidentes, Bobby, Jess e Hiro, o que gerou maior confusão para quem esperava respostas. 

As três crianças passaram a aparecer em todos os canais da mídia, sendo consideradas um verdadeiro milagre pela maioria das pessoas. Porém os familiares dos três começaram a notar comportamentos estranhos, percebendo que algo maior estava acontecendo com elas. 



Os responsáveis pelas aeronaves juntamente com a mídia conseguiram dar explicações aceitáveis para a população que esperava respostas sobre os acidentes, mas logo, outras teorias e conspirações começaram a surgir por todos os lados. Os fanáticos religiosos acreditavam que os três sobreviventes eram os Cavaleiros citados no apocalipse, que vieram terminar com a população do planeta. Os cientistas mais fervorosos acreditam que as crianças sofreram algum tipo de abdução alienígena e por isso agem de forma diferente. Outros ainda acreditam que elas estão possuídas por entidades malignas e devem ser assassinadas.

As teorias, conspirações e tentativas de assassinato crescem cada vez mais. Cada lado tenta provar que estão corretos em suas afirmações e teorias e chegam a fazer comentários absurdos para a mídia para comprovar o que gerou tais fatos. As famílias das crianças sobreviventes não conseguem lidar com a pressão da mídia e do fanatismo da população, e em alguns momentos acabam perdendo o controle da situação.


Toda a narrativa do livro é contada através de um ghost writer conhecida como Elspeth Martins que faz todo o apanhamento dos fatos e do que há de mais importante sobre os eventos da Quinta-Feira Negra. O tal escritor também começou a acompanhar os familiares e as crianças sobreviventes para desenvolver seus textos em uma forma parecida com uma biografia dos acidentes. Em todo o livro vimos entrevistas dos familiares, ou de pessoas que se envolveram com os sobreviventes, e até mesmo depoimentos dos fanáticos religiosos e cientistas, intercalando entre passado e presente.

Através dos trechos de jornal, entrevistas, gravações, blogs e-mails, e tudo que é divulgado por Elspeth, tentamos conseguir uma pista dos acontecimentos de 12 de janeiro, mas nada parece ser revelado. Eu gostei de como o livro foi estruturado, porém a leitura se torna lenta e demasiada por não encontrarmos nada a que nos prender, pelo menos foi isso que aconteceu comigo. Talvez, esse é o plano da autora, eu não nos revelar nenhuma pista que pareça real sobre as quedas dos aviões e sobre seus sobreviventes, porém eu achei cansativo. 

Não gostei de todo o livro, alias achei que o final deixou bastante a desejar, porém não posso classifica-lo como uma história horrível. A narrativa tem seus pontos altos e baixos, criei expectativas, e talvez o fato de não encontrar um ponto, uma pista, em qual me fixar, o fluir da leitura não foi tão bom. Existe muito do sobrenatural envolvido, muito das doutrinas religiosas, muito do fanatismo de teorias alienígenas, mas isso não o torna um livro de terror propriamente. A falta do terror e do medo foi o que mais senti falta durante a leitura. 

Eu terminei a história com a dúvida crescente de “É isso? Acabou assim mesmo?” e não consegui decidir se amei ou odiei o livro, e tenho quase certeza de que esse era o objetivo da autora: fazer os leitores gostarem e odiarem a história o tempo todo. Eu odiei o final, odiei não saber nada e ficar mais na duvida do que no início da história, fiquei puta da vida com a autora e essa coisa de “ok, crie sua própria teoria, acredite no que lhe convém”, não gostei da falta de respostas, mas por outro lado, adorei a forma como o livro foi construído. 

Eu sei que não faz sentido nenhum, mas é exatamente assim que você fica ao terminar a história. Vocês deveriam ler, e tirar suas próprias conclusões também.


21 de setembro de 2015

Resenha: Jogo Perigoso


Autor: Stephen King
Editora: Objetiva
Páginas: 172


"Era um pesadelo, tornado mais vivo e mais persuasivo pela própria leveza do sono."
Como já disse em várias resenhas por aqui, Stephen King conquistou meu coração de leitora, por isso venho tentando ler cada vez mais obras do autor. A última história dele lida foi Jogo Perigoso e confesso que foi a que menos gostei até agora. A narrativa nesse livro é diferente das demais obras de King e talvez por isso o livro não me cativou tanto como aconteceu com os outros. 

Tudo começa quando Jessie e Gerald tentam dar uma apimentada em seu casamento. Os dois começam com alguns jogos sexuais, mas Jessie acaba se arrependendo e decide não continuar com aquilo. Gerald por sua vez, não da atenção aos pedidos da esposa e depois de algumas confusões entre os dois, ele acaba sofrendo um infarto, deixando Jessie sozinha, seminua e presa à cama com algemas, na casa do lago no Maine, longe de tudo e de todos. 


O enredo traz um drama psicológico muito forte em questão do medo, da loucura e da sanidade da personagem. A situação da protagonista, é angustiante em toda a narrativa e deixa transparecer um temor que talvez muitos enfrentem algum dia, medo de ficar sozinho. Tudo que Jessie precisava era arranjar um jeito de sair daquela situação, caso contrário, morreria de fome e sede.
A maioria das pessoas associa o ato de contar até dez com o esforço de manter a calma, dissera Nora, mas o que essa contagem realmente faz é nos dar uma chance de reajustar os nossos marcadores emocionais... e qualquer um que não precise de um reajuste, no mínimo uma vez por dia, provavelmente tem problemas bem mais sérios do que os seus ou os meus.
Durante todo o enredo, Jessie ouve vozes em sua cabeça que mostram seu desespero, os sinais de loucura que vão surgindo com o passar das horas e principalmente os pesadelos do passado com os quais a protagonista se vê obrigada a encarar. Os segredos que ela tentou esconder de todos e até dela mesma vem à tona deixando Jessie cada vez mais desesperada para sair daquela situação. 

Jessie grita por ajuda em vários momentos da história, mas seus gritos não são ouvidos. O únicos sons são de uma motosserra que deve estar a quilômetros de distância e os latidos de um cachorro que resolve comer o cadáver de seu marido. As chaves das algemas estão longe, ela não tem como pedir ajuda, as vozes em sua cabeça a atormentam e a sede é cada vez maior.

Em uma das cenas em que Jessie precisa pegar um copo d'água, em cima de uma prateleira e ouve os gelos batendo contra o copo. Nessa parte, eu consegui sentir minha garganta seca como a da protagonista, sentia a necessidade dela em recuperar aquele copo, em beber a água e sobreviver. A água era tudo naquele instante e senti a agonia da personagem. A narração de King, me fez querer água tanto quanto Jessie.


A história se passa, na maior parte do tempo, dentro da cabeça da personagem, envolvendo os leitores em seus traumas, medos e lembranças do passado. O elemento sobrenatural está presente, mas se torna confuso para o leitor e é difícil interpretar se aquilo é real ou mais um truque da mente. Fiquei confusa em muitas partes da história tentando identificar se o pensamento era de Jessie ou das vozes que a acompanham na luta pela sobrevivência. 

Um dos assuntos marcantes na história, que conforme fui lendo percebi ser o ponto principal do terror da protagonista, foi o abuso que sofreu quando criança. King trouxe isso de uma forma tão impactante que me fez ficar chocada e com nojo da situação. A inocência de Jessie ao não querer contar o que aconteceu e achar que aquilo foi sua culpa, foi marcante durante a história e esse é o principal temor da protagonista. 
Você realmente a viu, Jessie. Era a Morte, e você realmente a viu, como acontece frequentemente com as pessoas que morrem em solidão. Claro que a vêem: está estampado em seus rostos contorcidos e nos olhos esbugalhados.
Por esse fato ser o mais impactante, temos aqui um ponto de ligação com outra parte da história: o medo da morte. Em meio a sua mente, já não tão lúcida, Jessie tem certeza que vê um homem parado no canto do quarto, com uma mala cheia de ossos e joias. A figura da morte foi representada no livro como o maior temor da protagonista que em meio a devaneios acreditava que o homem que via era seu pai. E nessa parte, talvez Stephen King quis mostrar que a morte pode ter várias formas, principalmente aquilo que mais se teme. 
O vento soprava. a porta batia. E em algum lugar próximo, uma tábua estalou furtivamente do jeito que as tábuas estalam quando alguém tenta não fazer ruído e pisa nelas de leve.

Cada vez que a figura, que não sabemos se é real ou não, volta, Jessie sente o pavor aflorar a pele, e ela precisa lutar desesperadamente para sair daquela situação; Ela está no seu limite, e acompanhamos a angústia da personagem do início ao fim. A história me fez pensar muitas vezes no drama enfrentado pelo protagonista de Misery, mas não chegou a ter tanto impacto como o esperado. 

O livro é uma boa história, mas por ficar confusa com as vozes e personalidades na cabeça da protagonista eu acabei deixado o livro de lado em várias ocasiões, achei a história lenta e talvez por isso não gostei tanto da obra. É claro que recomendo o livro, afinal é uma obra do mestre Stephen King, mas meu conselho é: se você já conhecer outras obras de King, leia, se você estiver pensando em começar a ler obras do autor, acho melhor começar por outra história.

13 de setembro de 2015

Resenha: Pó de Lua

Autora: Clarice Freire
Editora: Intrínseca
Páginas: 192

Nunca fui fã de poesias, tinha a impressão que alguns autores pensavam demais e me deixavam confusa com suas metáforas, mas mudei de ideia. Depois de ver varias pessoas postando fotos desse livro decidi que eu precisava tê-lo e posso dizer que a autora brasileira conquistou meu coração.

Para quem não sabe os pensamentos da autora começaram a surgir através do seu blog e posteriormente na Fan Page, onde conquistou muitos seguidores e se tornou um verdadeiro sucesso entre os leitores. Com o sucesso da página, a Editora Intrínseca resolveu lançar o livro que foi bem recebido pelo público. O livro não é uma história em si, ele é todo composto por frases, poesias e pensamentos das fases que a autora teve em seu cotidiano e que nós temos também.


Todas as páginas são muito bem acompanhadas por desenhos feitos pela própria Clarice, e vamos combinar que o trabalho da editora em reproduzir esses desenhos ficou sensacional. A cada página virada os desenhos parecem ser desenhados na hora, nas próprias páginas do livro e não apenas uma digitalização do trabalho da autora. Além disso, o livro possui as bordas azuis, o que  deu um charme extra e deixou a obra ainda mais bonita. 


Por ser um livro de poesias, é uma obra fácil e rápida de ser lida. O livro não possui capítulos, mas a autora nos transmite seus pensamentos através das fases da lua, que representam situações que passamos e que ela passou também: a busca por um sonho, as desilusões amorosas, liberdade de rótulos e a vontade de viver intensamente. 

Os poemas se relacionam num jogo de palavras e imagens incríveis e muito bem trabalhadas. São frases simples, mas que trazem uma leveza para quem lê, tiram o peso dos problemas e nos fazem esquecer os sentimentos ruins.  


Com frases de amor, dor, perda, recomeço, felicidade e liberdade a autora nos faz ver a beleza nos detalhes da vida. Cada frase nos mostra que é preciso ser otimista mesmo nos problemas, e com o jeito leve da autora conseguimos diminuir, literalmente, a gravidade das coisas, construindo ou desconstruindo o significado dos poemas conforme nossa própria interpretação. 

O livro é todo fofo e bonito até nos mínimos detalhes, e com certeza me fez gostar mais de poesias. Diminua a gravidade das coisas você também.



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