Editora: Globo Livros
Páginas: 664
Desde Jogos Vorazes, vários leitores compararam a trilogia como uma cópia de Battle Royale lançado há anos atrás. Pelo fato de adorar a história de Suzanne Collins eu decidi tirar minhas próprias conclusões sobre as duas histórias. Confesso que as duas tem muitos pontos em comum, principalmente o fato de jovens serem largados em determinado lugar para matar uns aos outros, contudo Battle Roayle é bem mais violento nesse quesito.
O livro começa com uma turma de 42 estudantes, 21 meninos e 21 meninas, que pensam estar indo para uma excursão escolar. Nos primeiros capítulos somos apresentados a cada um dos estudantes, criando nossas impressões, através do olhar de Shuya Nanahara, um dos personagens principais da história. São muitos personagens, com nomes complicados e às vezes até parecidos, e apesar de possuir alguns personagens que se destacam mais dentro da narrativa, o autor trouxe a visão de todos os alunos, mostrando sua devida importância.
O ônibus dos estudantes para e tudo começa a ficar confuso, até que eles caem no sono e acordam dentro de uma sala com Sakamochi, o empregado do governo que administra o programa Battle Roayle. Todo o ano uma turma do nono ano do ensino fundamental da Grande Ásia Oriental é sorteada a participar do programa que acontece normalmente em uma ilha evacuada para evitar possíveis fugas. Dessa vez, a turma de Shuya foi selecionada.
Cada um dos estudantes recebe instruções, uma mochila com alguns mantimentos, um mapa e uma arma para que matem uns aos outros até restar apenas um, o grande vencedor. As regras se intensificam quando os alunos descobrem que cada um deles possui uma coleira de rastreamento e, se não houver mortes dentro de 24 horas, as coleiras explodem. Ao longo do tempo algumas partes da ilha passam a ser proibidas, forçando todos a se movimentarem e se aproximarem, caso alguém não saia de um dos quadrantes proibidos, a coleira também explodirá.
O governo diz que o programa é uma forma de investigação militar, porém, na realidade o programa tenta aterrorizar a população para evitar uma rebelião organizada e manter assim o governo fascista e totalitário. Apesar de possuir o mesmo ponto em comum com Jogos Vorazes, a matança de jovens, aqui no cenário de Battle Royale todos se conhecem, o que torna a matança muito mais cruel. Não são inimigos e sim pessoas que passaram anos convivendo umas com as outras e criando laços de amizade e agora são forçados a matar uns aos outros.
Conforme se movimentava, voltou a sentir ânsia de vômito. Acabei me acostumando com pessoas morrendo, mas a imagem desses pássaros... Dessas aves nojentas alimentandose delas... Nunca mais vou conseguir admirar serenamente as gaivotas em voo na praia. Mesmo se escrever as letras de minhas músicas, jamais incluirei pássaros nelas. Talvez por um bom tempo não consiga comer carne de frango. Pássaros são um nojo. Antes mesmo de pensar, voltu a sentir náuseas. Os dois cadáveres com o rosto destruído. E a carne macia deles serviria de lanche da tarde dos pássaros. Bom apetite.
Muitos não conseguem conviver com a pressão psicológica, outros perdem a confiança até mesmo em melhores amigos e o nervosismo de todos os participantes acaba levando alguns à loucura. Alguns dos estudantes morrem por ficarem em quadrantes proibidos, outros assassinam friamente seus antigos colegas e outros ainda preferem acabar com a própria vida do que participar do programa.
A cada capitulo ficamos na expectativa para saber quantos estudantes ainda restam e qual deles será o próximo a morrer. Apesar de acompanharmos mais os acontecimentos de três personagens: Shuya Nanahara, Noriko Nakagawa Shogo Kawada, o autor conseguiu dar conta dos 42 personagens que criou para a narrativa o que achei bem interessante para o enredo. O livro parece ter uma história óbvia, um ganhador, um sobrevivente, mas o final acaba pegando o leitor de surpresa e surpreendendo a todos.
Acredito que o principal objetivo do autor, seja mostrar como um governo opressor trata sua população, mas por outro lado também mostra a questão da confiança, pois em situações extremas como O Programa, as pessoas podem mudar sua forma de pensar. Mesmo que algumas tentem manter sua postura ética, em algum momento a situação pode tomar outros rumos e, por isso, é preciso cuidado na hora de confiar em alguém.
Tenho me empenhado ao máximo para confiar nas pessoas. Quero acreditar nelas. Se não puder, tudo se torna impossível.
Takami cria um cenário das reações humanas em situações extremas, critica a sociedade e o governo, relata histórias de amizade, confiança, sonho e loucura, e ainda mostra que mesmo nessas situações é possível ter esperança de um mundo melhor. Para quem gostou de Jogos Vorazes, tenho certeza que esse também é um livro que merece ser lido, já para os não fãs de JV, é preciso dar uma chance a esse livro, pois apesar de ter a mesma premissa, as histórias são mostradas de maneiras totalmente diferentes.
Temos um misto de tensão e ação durante toda a narrativa que prende o leitor do início ao fim da história. É uma ótima leitura e para finalizar devo também parabenizar a editora Globo Livros por essa ótima diagramação, arte, tradução e resultado final do livro em si. Com certeza esse é um ponto principal para todos os leitores e acredito que a criação de mapas e lista de estudantes no início do livro facilitou a leitura.

