7 de dezembro de 2015

Resenha: Os Três

Autora: Sarah Lotz
Editora: Arqueiro
Páginas: 400


"Os três é um livro maravilhoso... Muito instigante, impossível parar de ler" - Stephen King


O final do ano está bem corrido, faculdade está tomou todo o tempo do mundo no mês de novembro e praticamente não postei nada aqui no blog. Mas agora, que acabou os trabalhos da faculdade, voltei com a resenha de Os Três. A diagramação do livro toda preta e o comentário de Stephen King na contracapa me motivaram muito a lê-lo, contudo acho que fui “com muita sede ao pote” e a leitura acabou não sendo tudo que eu esperava. 

O livro começa no dia 12 de janeiro de 2012, o dia que ficou conhecido como Quinta-feira Negra após 4 aviões caírem em diferentes partes do mundo. A população ficou em choque com os acontecimentos, buscando informações sobre as quedas e arrasada com os poucos resultados encontrados. Apesar da grande catástrofe, três crianças sobreviveram aos acidentes, Bobby, Jess e Hiro, o que gerou maior confusão para quem esperava respostas. 

As três crianças passaram a aparecer em todos os canais da mídia, sendo consideradas um verdadeiro milagre pela maioria das pessoas. Porém os familiares dos três começaram a notar comportamentos estranhos, percebendo que algo maior estava acontecendo com elas. 



Os responsáveis pelas aeronaves juntamente com a mídia conseguiram dar explicações aceitáveis para a população que esperava respostas sobre os acidentes, mas logo, outras teorias e conspirações começaram a surgir por todos os lados. Os fanáticos religiosos acreditavam que os três sobreviventes eram os Cavaleiros citados no apocalipse, que vieram terminar com a população do planeta. Os cientistas mais fervorosos acreditam que as crianças sofreram algum tipo de abdução alienígena e por isso agem de forma diferente. Outros ainda acreditam que elas estão possuídas por entidades malignas e devem ser assassinadas.

As teorias, conspirações e tentativas de assassinato crescem cada vez mais. Cada lado tenta provar que estão corretos em suas afirmações e teorias e chegam a fazer comentários absurdos para a mídia para comprovar o que gerou tais fatos. As famílias das crianças sobreviventes não conseguem lidar com a pressão da mídia e do fanatismo da população, e em alguns momentos acabam perdendo o controle da situação.


Toda a narrativa do livro é contada através de um ghost writer conhecida como Elspeth Martins que faz todo o apanhamento dos fatos e do que há de mais importante sobre os eventos da Quinta-Feira Negra. O tal escritor também começou a acompanhar os familiares e as crianças sobreviventes para desenvolver seus textos em uma forma parecida com uma biografia dos acidentes. Em todo o livro vimos entrevistas dos familiares, ou de pessoas que se envolveram com os sobreviventes, e até mesmo depoimentos dos fanáticos religiosos e cientistas, intercalando entre passado e presente.

Através dos trechos de jornal, entrevistas, gravações, blogs e-mails, e tudo que é divulgado por Elspeth, tentamos conseguir uma pista dos acontecimentos de 12 de janeiro, mas nada parece ser revelado. Eu gostei de como o livro foi estruturado, porém a leitura se torna lenta e demasiada por não encontrarmos nada a que nos prender, pelo menos foi isso que aconteceu comigo. Talvez, esse é o plano da autora, eu não nos revelar nenhuma pista que pareça real sobre as quedas dos aviões e sobre seus sobreviventes, porém eu achei cansativo. 

Não gostei de todo o livro, alias achei que o final deixou bastante a desejar, porém não posso classifica-lo como uma história horrível. A narrativa tem seus pontos altos e baixos, criei expectativas, e talvez o fato de não encontrar um ponto, uma pista, em qual me fixar, o fluir da leitura não foi tão bom. Existe muito do sobrenatural envolvido, muito das doutrinas religiosas, muito do fanatismo de teorias alienígenas, mas isso não o torna um livro de terror propriamente. A falta do terror e do medo foi o que mais senti falta durante a leitura. 

Eu terminei a história com a dúvida crescente de “É isso? Acabou assim mesmo?” e não consegui decidir se amei ou odiei o livro, e tenho quase certeza de que esse era o objetivo da autora: fazer os leitores gostarem e odiarem a história o tempo todo. Eu odiei o final, odiei não saber nada e ficar mais na duvida do que no início da história, fiquei puta da vida com a autora e essa coisa de “ok, crie sua própria teoria, acredite no que lhe convém”, não gostei da falta de respostas, mas por outro lado, adorei a forma como o livro foi construído. 

Eu sei que não faz sentido nenhum, mas é exatamente assim que você fica ao terminar a história. Vocês deveriam ler, e tirar suas próprias conclusões também.


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