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13 de setembro de 2015

Resenha: Pó de Lua

Autora: Clarice Freire
Editora: Intrínseca
Páginas: 192

Nunca fui fã de poesias, tinha a impressão que alguns autores pensavam demais e me deixavam confusa com suas metáforas, mas mudei de ideia. Depois de ver varias pessoas postando fotos desse livro decidi que eu precisava tê-lo e posso dizer que a autora brasileira conquistou meu coração.

Para quem não sabe os pensamentos da autora começaram a surgir através do seu blog e posteriormente na Fan Page, onde conquistou muitos seguidores e se tornou um verdadeiro sucesso entre os leitores. Com o sucesso da página, a Editora Intrínseca resolveu lançar o livro que foi bem recebido pelo público. O livro não é uma história em si, ele é todo composto por frases, poesias e pensamentos das fases que a autora teve em seu cotidiano e que nós temos também.


Todas as páginas são muito bem acompanhadas por desenhos feitos pela própria Clarice, e vamos combinar que o trabalho da editora em reproduzir esses desenhos ficou sensacional. A cada página virada os desenhos parecem ser desenhados na hora, nas próprias páginas do livro e não apenas uma digitalização do trabalho da autora. Além disso, o livro possui as bordas azuis, o que  deu um charme extra e deixou a obra ainda mais bonita. 


Por ser um livro de poesias, é uma obra fácil e rápida de ser lida. O livro não possui capítulos, mas a autora nos transmite seus pensamentos através das fases da lua, que representam situações que passamos e que ela passou também: a busca por um sonho, as desilusões amorosas, liberdade de rótulos e a vontade de viver intensamente. 

Os poemas se relacionam num jogo de palavras e imagens incríveis e muito bem trabalhadas. São frases simples, mas que trazem uma leveza para quem lê, tiram o peso dos problemas e nos fazem esquecer os sentimentos ruins.  


Com frases de amor, dor, perda, recomeço, felicidade e liberdade a autora nos faz ver a beleza nos detalhes da vida. Cada frase nos mostra que é preciso ser otimista mesmo nos problemas, e com o jeito leve da autora conseguimos diminuir, literalmente, a gravidade das coisas, construindo ou desconstruindo o significado dos poemas conforme nossa própria interpretação. 

O livro é todo fofo e bonito até nos mínimos detalhes, e com certeza me fez gostar mais de poesias. Diminua a gravidade das coisas você também.



6 de fevereiro de 2015

Resenha: O Espadachim de Carvão

Autor: Affonso Solano
Editora: Fantasy / Casa da palavra
Páginas: 256


Esse é mais um livro de escritor brasileiro que me cativou de uma forma incrível. Foi através dos nerdcast que conheci o escritor e quando vi o livro numa promoção resolvi comprar. O desing da capa já ajuda a conquistar os leitores e conforme você vai lendo descobre o excelente trabalho do próprio autor como ilustrador.

Adapak é filho de um dos quatro deuses e criadores de Kurgala. O jovem de pele cor de carvão e olhos brancos cresceu em uma ilha sagrada, afastada e adorada pelas espécies do mundo, cercado de toda a sabedoria e conhecimento divino adquirido basicamente por livros e conselhos. Apesar de ser treinado para lutar através do Círculos de Tibaul, Adapak não possui vivência do mundo, mas quando completa 19 anos, um grupo misterioso invade a ilha e o jovem se vê forçado a fugir e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez.
"Acho que é porque às vezes – o homem começou a responder, fazendo uma pausa enquanto pensava no resto da frase – os pais acham que vai ser mais fácil se derem um “empurrãozinho” para que os filhos pensem da mesma maneira que eles... Eles não fazem isso por mal, entende? Quando temos uma filosofia de vida que sentimos que funciona bem para nós, é natural que desejemos o mesmo para alguém que gostamos, principalmente nossos filhos. O problema é que em grande parte das vezes, e isso digo como um sacerdote que já viu esse padrão dezenas de vezes, os filhos acabam desenvolvendo uma barreira contra aquela filosofia, pois estão sendo forçados a aprendê-la."
A trama já começa com uma cena de ação onde Adapak revela as técnicas aprendidas do Círculo, porém sem revelar o que eles realmente são, formando então, já no início, um dos mistérios do livro. A narrativa é rica de detalhes, tanto nas características dos personagens como do restante do cenário. Lendas e a cultura em geral, de cada espécie estão presentes no livro, aguçando a curiosidade do leitor e fazendo com que a leitura flua rapidamente. 

Uma das partes da cultura, e também da formação do personagem, é mostrada no começo de cada capítulo, com citações das Aventuras de Tamtul e Magano, série fictícia lida pelo protagonista que muitos (inclusive eu) esperam que Solano publique futuramente, e também partes das Tábuas Dingiri. Essas pequenas citações veio para tornar a leitura ainda mais agradável, já que conhecemos uma nova cultura. 

No começo, a leitura é um pouco confusa já que o enredo é narrado em 2 tempos, um no presente e um no passado num estilo de lembranças que mostram o porque do personagem estar onde está. Contudo, mesmo com a troca temporal a narrativa é fácil e logo você se acostuma que o presente e o passado do personagem se cruzam para explicar melhor a história.

Estamos acostumados a ver os deuses pelo cenário de Percy Jackson, porém o universo criado no romance de estreia de Affonso Solano é bem diferente e original. Apesar de serem deuses os personagens apresentam características bem humanas, como por exemplo, a inocência e ingenuidade, ao se descobrir o mundo ‘real’ que são difíceis ate para um espadachim filho de um deus. Também apresentam sentimentos de amor e esperança, e algumas vezes raiva, que explicam os motivos de tudo estar acontecendo.
"Quando somos crianças, nos é dito que o mundo é... ruim, sim – ele por fim disse, mantendo os olhos em um ponto fixo do tapete, como se acessasse um ponto denso da memória. – Mas conforme crescemos e o vivenciamos, aos poucos entendemos que o ruim não é puramente “ruim” e o bom não é puramente “bom”. O bom e o ruim andam juntos, você tem que aceitar um para entender o outro."
Achei a trama interessante e fiquei motivada a querer descobrir mais sobre Kurgala. O livro tem um grande potencial de narrativa (mesmo com nomes complicados) e acredito que Solano esteja no caminho certo para um segundo livro. Para os fãs de fantasia, aventura e ação o livro é uma boa pedida.


20 de dezembro de 2014

Resenha: Herdeiros de Atlântida

Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Série: Filhos do Éden
Volume: 1 de 3
Páginas: 473

Como seria acordar e descobrir que sua vida é uma completa mentira? Há uma guerra no céu, e outra começa a se desenvolver na terra. 


O livro não só escrito por um brasileiro mas também narrado em território nacional, conta a história de Rachel (será esse seu nome?) uma jovem estudante, que vem tendo estranhos sintomas e pesadelos com uma menina que lhe pede ajuda. Menina a qual, de alguma forma misteriosa, está ligada a sua vida sem nenhum motivo aparente.

Rachel conhece Urakin e Levih – anjos – e esses insistem que ela é uma arcante desaparecida a dois anos em uma missão que eles precisam resgatar. E lógico que ela não acredita, afinal, é só uma estudante com uma vida normal.

Mas quando sua vida é exposta a um grande perigo, as historias contadas pelos dois anjos começam a se tornar mais lucidas e reais em sua mente, e muitas coisas acabam sendo reveladas. Isso faz com que ela embarque numa grande jornada para desvendar os mistérios da sua vida. 

Para começar, seu namorado era na verdade uma espécie de raptor de anjos e a ataca, dando um tiro em seu peito. Antes mesmo de começar suas descobertas ela já esta entre a vida e a morte. A única pessoa que pode salvá-la é o exilado Denyel, que só aceita ajudar em troca de uma anistia para voltar ao céu e enfrentar as tropas rebeldes.

Rachel não é Rachel. Ela é realmente uma arconte desaparecida em uma missão e se chama Kaira. Todas as suas memórias foram apagadas e a vida que ela achava que tinha, na verdade, é uma mentira, talvez, vivida por outra pessoa. 

Conforme a história se desenvolve ela descobre que a guerra milenar que acontece no céu, entre as tropas rebeldes de Gabriel contra Miguel, é devido ao fracasso da missão que estava destinada a cumprir. Para tentar reverter a situação ela precisa “conseguir” suas memórias de volta, descobrir o que a menina do sonho tem a ver com isso e retomar sua missão interrompida. 

Para isso, ela e Denyel viajam para a Amazônia tentando encontrar a deusa Andira, do antigo povo Yamí, para que ela ajude Rachel a lembrar sua missão através de um ritual. Após vários conflitos enfrentados no caminho, sem saber se Urakin e Levih estão vivos, já que foram atacados anteriormente, os dois chegam ao templo de Andira e Rachel se lembra de tudo. 


A sua missão era achar uma entrada para o terceiro céu, o Éden Celestial, para dar vantagens as tropas de Miguel e impedir que as tropas rebeldes de Gabriel passassem. A menina dos sonhos realmente esta ligada a sua vida de uma forma não esperada e bem para tentar acabar com a guerra no céu, todos precisam chegar as ruínas de Athea, uma antiga colônia da legendária Atlântida. 

Spohr descreve os personagens (anjos e demônios) como quase humanos, tirando os poderes é claro. Em outros livros, os anjos são descritos como seres bons e divinos que nunca causariam o mal ou falhariam. Ver essa imagem de anjo ser destruída é um dos pontos fortes do livro. O bem e o mal se misturam na história, em alguma parte o personagem é o bonzinho e em seguida não é mais, e eles tem motivos para deixar de ser bom.

Tanto como os humanos, eles estão sujeitos a erros, dúvidas, decisões ruins, falhas e etc. Em alguns trechos também é possível ver que os fatos terrenos acabam mudando seus pensamentos, como se a mente deles interagisse diretamente aos atos realizados por humanos. 
"Mas nem tudo que provém da natureza humana é necessariamente cruel. São seres de espírito indomável, livres como nunca fomos e nunca seremos. Talvez por sua capacidade de gerar vida, exercitam um tipo de amor sagrado, sublime, puramente divino. Se os conhecesse melhor, entenderia o que estou dizendo."
Outro ponto interessante é que além das explicações informativas durante a narrativa, se você não entender o que tal palavra significa basta consultar o glossário no final do livro. Tudo que se relaciona com a vida dos celestiais (nomes, céus, exércitos...) estão lá para não deixar dúvidas aos leitores.


A descrição dos lugares é ótima e como a história se passa no Brasil é fácil identificar elementos da cultura brasileira, o que também é interessante. O livro termina deixando uma “deixa” para a sequência, e com bastante elementos para serem explorados ainda. 

30 de novembro de 2014

Resenha: O inverno das fadas

Autor: Carolina Munhóz
Editora: Fantasy / Casa da Palavra
Páginas: 304

“A magia ocorre ao longo das estações. As piores no inverno...” Essa é a Frase que Carolina Munhóz, escritora brasileira, usa para definir ‘O inverno das Fadas’ que me conquistou logo pela capa.

Um cenário de mistérios, magia e encantamentos que podem enlouquecer qualquer um que se aproxime por Sofhia Coldheart, uma fada destinada a se aproximar de humanos com talentos inexplicáveis para ser sua fonte de inspirações, ou como já se dizia nos termos antigos, uma musa, faz parte da trama do livro.

A fada amante da o poder para qualquer humano com talento, mas enquanto eles decolam em uma carreira de sucesso ela se aproveita da energia de suas almas para sobreviver. O que era pra ser mágico acaba se tornando torturante, causando loucura e confusão na mente de quem se aproxime, já que ninguém resiste aos seus encantos. Levando até mesmo à morte.

Por ser sua forma de sobrevivência, Sophia se aproxima do jovem escritor William, prevendo um fim trágico para sua próxima vítima assim como todas as outras tiveram. Entretanto, logo no primeiro encontro a fada percebe que o rapaz tem algo diferente o que torna a relação dos dois mais profunda do que qualquer outra.

Ao se apaixonar pelo escritor a fada se vê dividida em salvar a própria pele e sugar a alma do grande amor de sua vida ou salvar o rapaz e morrer por isso. Sem saber o que fazer, Sophia resolve contar sobre sua origem, Leanan Sídhe, e esperar que William a ajude a tomar uma decisão mesmo sabendo que ele sacrificaria as vida para tê-la.
"Você sabe como é a sensação de achar que está perdendo a cabeça? Que ficou louco e não sabia? Maldição, garota! É assim que me sinto."
O enredo traz um pouco da história dos celtas e o ritual de Samhail é muito bem retratado no livro contando todas as crenças sobre seres místicos que rodeavam e, talvez, ainda rodeiam a pequena cidade de Keswick.

A ambientação do livro é fantástica, a autora conseguiu retratar todos os quesitos de uma cidade pequena, a influência da religião, e também envolver o leitor contando detalhes sobre cenários reais como, por exemplo, o CastleriggStone Circle, um dos cenários de grande importância no livro.

Outro ponto de destaque do livro é a construção dos personagens principais que, assim como os cenários, são muito bem descritos. Um relação que achei interessante foi o nome escolhido para a fada, Sophia Coldheart. O significado do nome é inteligência, criatividade e sabedoria o que é exatamente o que a fada pretende passar para suas vitimas. Já o sobrenome quando traduzido para o português mostra a principal característica da personagem, ‘Coração Gelado’, fazendo com que a combinação se torne perfeita.

O enredo do livro é incrível, apesar de parecer um romance shakespeariano, ele mostra um mundo para ser descoberto e nos fazer a pergunta se fadas existem e se a bondade delas é realmente de graça. 
"Ao beijar alguém, permite-se que a outra pessoa conheça seu espírito"
Os detalhes estão bem presentes do livro, assim como a relação com o título, o que ajuda a levar nossa imaginação pra um novo universo cheio de mistérios. É difícil parar a leitura, mesmo nos pontos que a história deixa a desejar.

Apesar de algumas partes um tanto lentas, a história é fantástica. O tipo de história que me faz buscar mais sobre esse universo de encantamentos e magia que envolve o mundo das fadas e também sobre o cenários descritos. O livro me fez pensar se todo esse misticismo não esta presente em cada ação que tomamos e se vivemos realmente num conto de fadas.


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