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6 de fevereiro de 2015

Resenha: O Espadachim de Carvão

Autor: Affonso Solano
Editora: Fantasy / Casa da palavra
Páginas: 256


Esse é mais um livro de escritor brasileiro que me cativou de uma forma incrível. Foi através dos nerdcast que conheci o escritor e quando vi o livro numa promoção resolvi comprar. O desing da capa já ajuda a conquistar os leitores e conforme você vai lendo descobre o excelente trabalho do próprio autor como ilustrador.

Adapak é filho de um dos quatro deuses e criadores de Kurgala. O jovem de pele cor de carvão e olhos brancos cresceu em uma ilha sagrada, afastada e adorada pelas espécies do mundo, cercado de toda a sabedoria e conhecimento divino adquirido basicamente por livros e conselhos. Apesar de ser treinado para lutar através do Círculos de Tibaul, Adapak não possui vivência do mundo, mas quando completa 19 anos, um grupo misterioso invade a ilha e o jovem se vê forçado a fugir e se expor aos olhos do mundo pela primeira vez.
"Acho que é porque às vezes – o homem começou a responder, fazendo uma pausa enquanto pensava no resto da frase – os pais acham que vai ser mais fácil se derem um “empurrãozinho” para que os filhos pensem da mesma maneira que eles... Eles não fazem isso por mal, entende? Quando temos uma filosofia de vida que sentimos que funciona bem para nós, é natural que desejemos o mesmo para alguém que gostamos, principalmente nossos filhos. O problema é que em grande parte das vezes, e isso digo como um sacerdote que já viu esse padrão dezenas de vezes, os filhos acabam desenvolvendo uma barreira contra aquela filosofia, pois estão sendo forçados a aprendê-la."
A trama já começa com uma cena de ação onde Adapak revela as técnicas aprendidas do Círculo, porém sem revelar o que eles realmente são, formando então, já no início, um dos mistérios do livro. A narrativa é rica de detalhes, tanto nas características dos personagens como do restante do cenário. Lendas e a cultura em geral, de cada espécie estão presentes no livro, aguçando a curiosidade do leitor e fazendo com que a leitura flua rapidamente. 

Uma das partes da cultura, e também da formação do personagem, é mostrada no começo de cada capítulo, com citações das Aventuras de Tamtul e Magano, série fictícia lida pelo protagonista que muitos (inclusive eu) esperam que Solano publique futuramente, e também partes das Tábuas Dingiri. Essas pequenas citações veio para tornar a leitura ainda mais agradável, já que conhecemos uma nova cultura. 

No começo, a leitura é um pouco confusa já que o enredo é narrado em 2 tempos, um no presente e um no passado num estilo de lembranças que mostram o porque do personagem estar onde está. Contudo, mesmo com a troca temporal a narrativa é fácil e logo você se acostuma que o presente e o passado do personagem se cruzam para explicar melhor a história.

Estamos acostumados a ver os deuses pelo cenário de Percy Jackson, porém o universo criado no romance de estreia de Affonso Solano é bem diferente e original. Apesar de serem deuses os personagens apresentam características bem humanas, como por exemplo, a inocência e ingenuidade, ao se descobrir o mundo ‘real’ que são difíceis ate para um espadachim filho de um deus. Também apresentam sentimentos de amor e esperança, e algumas vezes raiva, que explicam os motivos de tudo estar acontecendo.
"Quando somos crianças, nos é dito que o mundo é... ruim, sim – ele por fim disse, mantendo os olhos em um ponto fixo do tapete, como se acessasse um ponto denso da memória. – Mas conforme crescemos e o vivenciamos, aos poucos entendemos que o ruim não é puramente “ruim” e o bom não é puramente “bom”. O bom e o ruim andam juntos, você tem que aceitar um para entender o outro."
Achei a trama interessante e fiquei motivada a querer descobrir mais sobre Kurgala. O livro tem um grande potencial de narrativa (mesmo com nomes complicados) e acredito que Solano esteja no caminho certo para um segundo livro. Para os fãs de fantasia, aventura e ação o livro é uma boa pedida.


30 de novembro de 2014

Resenha: O inverno das fadas

Autor: Carolina Munhóz
Editora: Fantasy / Casa da Palavra
Páginas: 304

“A magia ocorre ao longo das estações. As piores no inverno...” Essa é a Frase que Carolina Munhóz, escritora brasileira, usa para definir ‘O inverno das Fadas’ que me conquistou logo pela capa.

Um cenário de mistérios, magia e encantamentos que podem enlouquecer qualquer um que se aproxime por Sofhia Coldheart, uma fada destinada a se aproximar de humanos com talentos inexplicáveis para ser sua fonte de inspirações, ou como já se dizia nos termos antigos, uma musa, faz parte da trama do livro.

A fada amante da o poder para qualquer humano com talento, mas enquanto eles decolam em uma carreira de sucesso ela se aproveita da energia de suas almas para sobreviver. O que era pra ser mágico acaba se tornando torturante, causando loucura e confusão na mente de quem se aproxime, já que ninguém resiste aos seus encantos. Levando até mesmo à morte.

Por ser sua forma de sobrevivência, Sophia se aproxima do jovem escritor William, prevendo um fim trágico para sua próxima vítima assim como todas as outras tiveram. Entretanto, logo no primeiro encontro a fada percebe que o rapaz tem algo diferente o que torna a relação dos dois mais profunda do que qualquer outra.

Ao se apaixonar pelo escritor a fada se vê dividida em salvar a própria pele e sugar a alma do grande amor de sua vida ou salvar o rapaz e morrer por isso. Sem saber o que fazer, Sophia resolve contar sobre sua origem, Leanan Sídhe, e esperar que William a ajude a tomar uma decisão mesmo sabendo que ele sacrificaria as vida para tê-la.
"Você sabe como é a sensação de achar que está perdendo a cabeça? Que ficou louco e não sabia? Maldição, garota! É assim que me sinto."
O enredo traz um pouco da história dos celtas e o ritual de Samhail é muito bem retratado no livro contando todas as crenças sobre seres místicos que rodeavam e, talvez, ainda rodeiam a pequena cidade de Keswick.

A ambientação do livro é fantástica, a autora conseguiu retratar todos os quesitos de uma cidade pequena, a influência da religião, e também envolver o leitor contando detalhes sobre cenários reais como, por exemplo, o CastleriggStone Circle, um dos cenários de grande importância no livro.

Outro ponto de destaque do livro é a construção dos personagens principais que, assim como os cenários, são muito bem descritos. Um relação que achei interessante foi o nome escolhido para a fada, Sophia Coldheart. O significado do nome é inteligência, criatividade e sabedoria o que é exatamente o que a fada pretende passar para suas vitimas. Já o sobrenome quando traduzido para o português mostra a principal característica da personagem, ‘Coração Gelado’, fazendo com que a combinação se torne perfeita.

O enredo do livro é incrível, apesar de parecer um romance shakespeariano, ele mostra um mundo para ser descoberto e nos fazer a pergunta se fadas existem e se a bondade delas é realmente de graça. 
"Ao beijar alguém, permite-se que a outra pessoa conheça seu espírito"
Os detalhes estão bem presentes do livro, assim como a relação com o título, o que ajuda a levar nossa imaginação pra um novo universo cheio de mistérios. É difícil parar a leitura, mesmo nos pontos que a história deixa a desejar.

Apesar de algumas partes um tanto lentas, a história é fantástica. O tipo de história que me faz buscar mais sobre esse universo de encantamentos e magia que envolve o mundo das fadas e também sobre o cenários descritos. O livro me fez pensar se todo esse misticismo não esta presente em cada ação que tomamos e se vivemos realmente num conto de fadas.


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