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21 de agosto de 2016

Resenha: Como eu era antes de você

Autora: Jojo Moyes
Editora: Intrínseca
Páginas: 320


Você era apenas a ausência a quem ele tentava sempre impressionar.

Eu não sou de livros de romance. Na verdade, a maioria dos livros de romance que leio me dão sono e preguiça porque acho tudo meloso demais. Pra gostar de romances eu preciso que eles me destruam emocionalmente e Jojo Moyes fez isso muito bem tornando esse um dos livros favoritos do ano.

Louisa Clark, a moça de 26 anos, ainda mora com os pais numa pequena cidade da Inglaterra. Ela não tem muitas ambições na vida, possui um namoro estável há 7 anos com Patrick e seu maior desejo é que tudo continue como está. Mas sua vida da uma reviravolta após o fechamento do café onde trabalhava então, ela se vê obrigada a procurar um novo emprego e é assim que acaba se envolvendo com Will Traynor. 

Will é um tetraplégico de 35 anos que teve sua vida completamente mudada após ser atropelado por uma moto. Apesar de ser inteligente e um belo rapaz, Will é imensamente amargurado e mal-humorado devido a condição em que se encontra. Ele não aceita sua nova vida, e acredita que tudo o que fazem por ele é por pena. 
Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo.

Lou começa a trabalhar na mansão de Will, como cuidadora dele. Os primeiros contatos entre os dois não são nada bons e Will parece detestá-la gratuitamente. Ela não tem nenhuma experiência como cuidadora, mas consegue realizar algo que muitas outras enfermeiras não conseguiram, fazer Will se sentir animado. Com poucas semanas de trabalho Lou descobre que Will já tentou suicídio e que ao final de 6 meses ele pretende ir a Dignitas, uma clínica na Suíça, para morrer. A função de Lou é tentar mudar a opinião de Will sobre a vida. 

Mesmo se sentindo traída com a falta de informações que a mãe de Will lhe deu, ela resolve aceitar o desafio de tentar convencer Will de que, mesmo com todas as limitações que a cadeira de rodas traz, ainda vale a pena continuar vivendo. Com suas roupas coloridas e escandalosas, seu bom humor e otimismo, ela cria uma série de atividades e programas diários para mostrar a Will que ele pode fazer tudo que quiser. 

Aos poucos, em meio a algumas ironias, os dois vão criando uma linda relação de amizade, e juntos vão vencendo suas limitações e encarando novos desafios. A autora consegue transmitir todas as dificuldades que os dois personagens enfrentam e principalmente suas frustrações quando algo sai errado. 
Essa vidinha, que será passada quase toda num raio de quinze quilômetros, sem ninguém que a surpreenda, incentive ou mostre coisas que façam sua cabeça girar e você perder o sono à noite.

A escrita é leve, divertida, e você consegue se inserir dentro do cenário sem nenhum problema. A leitura é rápida, e dá para sentir exatamente aquilo que os personagens sentem. O livro traz um misto de felicidade e dor durante toda a história, e quando você pensa que tudo vai dar certo, a autora vai lá e simplesmente te destrói emocionalmente.

A autora também consegue transmitir aos leitores todas as dificuldades que os cadeirantes enfrentam todos os dias. Além do preconceito e dos olhares de pena das pessoas, também precisam enfrentar as estruturas inadequadas da maioria dos lugares, a falta de acessibilidade e a falta de compaixão. 

Se você quer um romance água com açúcar, cheio de melosidade e com final feliz, aconselho que procure algum outro livro de romance para ler. Ao final desse ficamos destruídos, por mais “ameno” que a autora tentou descrever o que acontece, é um final triste de partir o coração. E quando você pensa que já está no chão o suficiente, ainda tem um epilogo para acabar com a estrutura emocional de qualquer um.
Fiquei na cama até meus pensamentos escurecerem e se solidificarem ao ponto de eu não aguentar mais o peso deles [...] enfim, com a cabeça pressionada contra o travesseiro, chorei porque minha vida de repente pareceu muito mais difícil de entender e muito mais complicada do que jamais havia imaginado. 
Como eu era antes de você me ensinou muito sobre dificuldades, superação, amor, amizade, generosidade e acima de tudo amor. Acima de tudo o livro me mostrou que as vezes, por melhor que seja a vida, não é o suficiente. Terminei o livro em lágrimas, mas com a sensação de que posso dar uma chance a alguns romances, principalmente os da Jojo.

SOBRE O FILME:

Para terminar essa resenha, quero fazer um pequeno parêntese sobre o filme. Acredito que a adaptação conseguiu ser fiel a grande parte do livro, conseguiu mostrar os desafios descritos, as frustações e o lado divertido dos personagens. Adorei ver a excentricidade da Lou representada nas telinhas e suas roupas coloridas são exatamente como as descrições do livro. Apesar de ser uma ótima adaptação, acredito que os produtores falharam em excluir algumas partes importantes que construíram a personalidade dos personagens no livro, tanto de Will quanto da Lou. Infelizmente quando fui ao cinema só havia sessão dublada o que também me frustrou um pouco, mas nada que diga que o filme não retratou quase todo o cenário descrito na leitura.

10 de abril de 2016

Resenha: Feita de Fumaça e Osso

Autora: Laini Taylor
Trilogia: Feita de fumaça e osso
Editora: Intrínseca
Páginas: 384

A única esperança... é a esperança. Você não precisa de amuletos para isso... está no seu coração ou em parte alguma. E em seu coração criança, ela é mais forte do que eu jamais vi.
Esse é o típico livro que encontrei na promoção e aproveitei pra comprar mesmo sem saber nada da história. Que bela surpresa! Simplesmente amei e ai, meu coração está em pedaços.

Karou, a garota dos cabelos azuis, foi criada por quimeras, seres mitológicos, com partes do corpo humanas e partes animais, e talvez um pouco estranhos. Para todos, sua família é composta por monstros e demônios, porém, para ela é tudo a mais perfeita harmonia. Ela atravessa portais misteriosos e se aventura pelo estranho e clandestino comércio, para buscar todo e qualquer tipo de dentes, isso mesmo DENTES. A vida de Karou é inusitada, ela sente que falta algo, mas mesmo assim é uma rotina plenamente normal.

O que ela não sabe, é que sua vida não passa de um segredo antigo baseado em uma guerra nos céus, que por sinal envolve o mundo por trás da loja de Brimstone, os dentes, e os colares feito deles que geram desejos a quem os possui, dos mais simples aos mais inusitados e poderosos. O cenário em que nos envolvemos é recheado de anjos e demônios, mas com uma grande originalidade, não deixando a história cair no velho clichê de que o bem destrói o mal.
Desejos são falsos. A esperança é verdadeira. A esperança faz sua própria magia.
Os anjos, serafins, o outro lado dessa história, possuem uma personalidade frígida, quase sem compaixão, enquanto os quimeras, ou os monstros da história, podem ter momentos amáveis e relacionamentos cheios de proteção. Os anjos perdem o sentido religioso durante o enredo, o que achei interessante, aqui, eles poderiam ter qualquer outra designação que ainda ficariam perfeitos na história. Os paradigmas que criamos entre bem e mal, são destruídos nesse livro, tornando a leitura diferente, o que com certeza me fez amar esse livro. Adoro um pouquinho de mistério e nessa história encontrei tudo na medida certa.

A história se passa em Praga, um cenário bem inusitado e acho que nunca citado em nenhum outro livro (não que eu tenha conhecimento pelo menos), e combinou perfeitamente com o clima de mistério que o livro precisava. Apesar de morar lá, Karou viaja para vários lugares, fala várias línguas, as quais aprendeu por meio de desejos, e conhece pessoas muito estranhas. Em uma dessas viagens, em busca de novos dentes, ela é atacada por um anjo, não entende porque, e é aí que o mistério sobre sua vida começa a se desenvolver.

Era atormentada pelo pensamento de não estar inteira. Ela não sabia o que isso significava, mas era um sentimento permanente, uma sensação parecida com a de ter esquecido alguma coisa. 
Karou é a típica personagem que não conhece nada sobre si mesma, não sabe sua história, não sabe de onde veio, não sabe porque tantos personagens a perseguem, mas não se faz de vítima por ser enganada sobre sua própria história. Ela vai atrás das pessoas que possam lhe fornecer informações, corre os riscos necessários e os enfrenta porque quer saber de si mesma e revelar seus segredos para nós. Para conhecer mais de si mesma, ela conta com a ajuda de outro personagem que primeiramente tenta matá-la. 

Além de Karou, também temos a visão do serafim Akiva, (o que a atacou), que nos revela histórias que a protagonista não pode contar pois não sabe de tudo. Quando ele nos é apresentado, parece meio confuso e misterioso, não sabendo explicar direito o porquê de estar fazendo a missão a qual foi designado. Mas através de alguns flashbacks passamos a entendê-lo e amá-lo. Akiva é um dos melhores personagens, e acompanhar sua luta contra os instintos naturais é incrível.  

Brimstone foi o personagem que mais me deixou brava pois parecia esconder as coisas de Karou de propósito, como se ela não fosse capaz de entender toda a realidade e perigo que corria. Issa, a outra quimera que vive com Karou, parecia a criatura mãe na história, pra quem se pede socorro sempre que preciso. E Zuzana, a amiga humana de Karou, é o que torna a história leve e até engraçada, adorei a construção dela.


O enredo vai se revelando aos poucos, contando os dois lados da história, o porquê de quimeras e serafins terem problemas entre si e principalmente o porquê de Brimstone usar dentes para fazer colar de desejos, o que por sinal é um fato importante para a história. Também temos a relação entre o título do livro e a história em si, o que particularmente achei fantástico, e tudo se encaixa. Para não dar spoiler, o que posso dizer é que o título é quase a chave para tudo.

Como era de se esperar, os dois protagonistas se envolvem em um romance. Quando o relacionamento começou eu criei uma serie de criticas na minha cabeça, pensando ~não, calma, façam uma pausa, tá indo rápido demais, vocês tem o que 8979437 anos de diferença~. É foi mais ou menos assim, mas enquanto fui descobrindo a história esses pensamentos foram esquecidos bem rápido. Em algumas partes até ficava com raivinha dos personagens por não estarem juntos. Pois é, rolou uma grande bipolaridade aqui.

O final do livro é surpreendente e confesso que não imaginaria nada com o que foi descrito nas últimas páginas, o que me fez amar ainda mais esse livro. Essa foi a descrição de um livro, que ao chegar no fim me deu a sensação maravilhosa de ler algo bom, que me cativou e tornou tudo tão simples como um quebra-cabeça que foi montado aos poucos.

Terminei com a sensação urgente de que precisava do segundo livro, mas me contive porque gosto de seguir a ordem das coisas. O livro é diferente, a escrita de Laini é original e além do título, a capa também faz todo o sentido para a história. Por enquanto, um dos melhores livros que li esse ano.
Esperança? A esperança pode ser uma força poderosa. Talvez não haja magia real nela, mas, quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica.

22 de fevereiro de 2016

Resenha: A Caçada

Autor: Andrew Fukuda
Trilogia: Caçada
Editora: Intrínseca
Páginas: 287



Gene precisa escolher entre ser o caçador ou a caça. Não há escapatória – e qualquer erro significa a morte certa.

A caçada foi o primeiro livro que li nesse ano, no início de janeiro, mas por conter resenhas atrasadas só agora consegui realmente falar sobre ele aqui. Comprei o livro porque ouvi que ele era bom, mas não sei, talvez eu tenha algum leve preconceito com vampiros, então a primeira leitura do ano não foi tão boa quanto eu esperava.

Gene é um jovem de 17 anos que cresceu fingindo ser o que não é. Ele é um eper, perdeu a família, precisa controlar as emoções e agora vive entre uma espécie de vampiros sedentos por sangue, tentando sobreviver ao meio deles sem ser notado. Ok, a premissa da história é boa, mas ela possui muitos eixos que podiam ser explicados melhor para os leitores. 

Os epers (seres humanos) estão quase extintos, os poucos que restaram são enviados a um instituto onde aguardam A Caçada e a morte certa. O mundo agora é dominado por outra raça, a qual não é especificada, mas pelas características podemos entender que se tratam de vampiros meio estranhos. Em nenhum momento do livro, é explicado o porquê da raça humana estar extinta e nem como surgiram tantos vampiros, apenas citações sobrepostas mas que não trazem um verdadeiro sentido para nova sociedade.  Isso acabou me deixando um pouco desanimada com a leitura, pois gosto de histórias que não deixem pontos a ser explicados. 
Antigamente estávamos em maior número. Tenho certeza. Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando é desejado. A extinção.
A explicação que temos é que há muitos anos ocorreu uma Caçada, a qual a sede da nova raça foi saciada. A partir dela, todos pensaram que não havia mais epers pelo mundo, mas eis que o anúncio de uma nova Caçada é feito, deixando todos em êxtase, esperando serem os sortudos a participar. Através de um sorteio, Gene é escolhido a participar da nova edição da caçada junto com sua colega Julia Brasa, é aí que começam seus problemas. 

Gene passou a vida toda se escondendo, e fazendo de tudo para se proteger: não ter expressões faciais, não suar, raspar os pelos do corpo, manter as unhas lixadas, e usar presas falsas para não ser notado, mas na sede da Caçada Eper, ele não possui os recursos necessários para se manter a salvo e invisível ao resto do mundo. Durante o treinamento, ele passa a exalar um forte cheiro, fazendo com que os outros participantes notem que há um eper entre eles, o que torna mais complicado para o nosso personagem manter seu fingimento. 

A história tem seus pontos bons, mas eu achei ela bem cansativa, e várias vezes, pensei em desistir do livro. Os capítulos da narrativa são extremamente grandes, chegando a 40 páginas em que somente alguns pontos eram realmente importantes para a história. Eles poderiam ser melhor divididos, pra mim pelo menos, quanto menor o capítulo, mais rápido leio, mas nesse livro parecia que os capítulos não tinham fim. O enredo é arrastado e às vezes até repetitivo, não criando a ação necessária para que a história se desenvolva da maneira que deveria. 

Eu não consegui criar apego com os personagens, pois parecia que tudo era muito superficial. Gene é um tanto egoísta, e não consegui simpatizar com ele, o que prejudicou muito minha leitura porque em vários momentos ficava pensando: nossa que personagem chato! Além disso, a paixão quase platônica que ele possui pela nossa outra personagem, Julia Brasa, é bem tediosa. O uso contínuo do nome inteiro dessa personagem me deixava irritada, pois parecia que o autor tentava desenvolver um romance em partes em que devia focar na sobrevivência dos personagens. 

Aliás, a sobrevivência dos personagens parece ser algo muito distante. Não consegui sentir a preocupação deles ao estarem rodados por vampiros que os matariam em segundos caso descobrissem seu segredo. Gene e Julia parecem encontrar soluções fáceis demais para escapar, e não consegui sentir o desespero que a narrativa queria demonstrar. 

Acredito que a melhor parte do livro é o final, pois criou o clima de suspense e ação que eu esperei durante toda a leitura, mas não chegou a ser excelente, mais uma vez pareceu ser óbvio, premeditado e simplesmente jogado ali no meio da história. Apesar disso, esse suspense criou um bom gancho para a continuação da história, que eu espero que seja melhor, mesmo tento quase certeza de que não vou ler. 

Acho que comparável a Jogos Vorazes é um tanto exagerado para a narrativa do livro. Existe uma urgência de sobrevivência, mas não acho que Fukuda conseguiu transmitir isso ao público. A ação devia estar presente em toda a narrativa, mas me decepcionei por encontrar ela somente nas últimas páginas. Há tensão sim, mas a narrativa se tornou tão óbvia que sabemos que nosso personagem vai sair ileso. A expectativa se perdeu em meio a um romance clichê, que não era o ponto principal da história.  

Talvez o próximo livro seja melhor, mas para o primeiro volume dessa série, eu esperava mais. Acredito que para quem goste de vampiros e novas características dessa raça, o livro seja bom, mas não achei tudo isso não. Espero que as próximas leituras do ano sejam melhores.

4 de fevereiro de 2016

Resenha: Caixa de Pássaros

Autor: Josh Malerman
Editora: Intrínseca
Páginas: 272


Em um mundo de recursos escassos, olhos vendados, e um terror persistente, encarar os próprios medos é apenas o início da viagem. 

Finalmente resolvi fazer a resenha do último livro lido no ano passado, e para começar essa resenha digo que não sei definir esse livro. Nunca tinha lido nada igual, nada que me prendesse tanto a ponto de ler tudo em uma única madrugada. Não tinha como parar, não tinha como deixar o próximo capítulo para outra hora, eu precisava dele, precisava saber o que acontecia com os personagens e, por isso, o livro se tornou um dos melhores livros que li. 

Tudo começa quando um surto, uma espécie de loucura coletiva, começa a ser divulgado em redes sociais e meios de comunicação, no mundo todo, deixando a população em pânico. Segundo os noticiários, se as pessoas olharem para determinada coisa, começariam a agir diferente, com raiva e insanidade, atacando quem estivesse próximo e depois cometiam suicídio. Ninguém sabe como tudo isso surgiu, nem porque atingiu uma escala global, mas o surto se tornou cada vez mais presente entre a população que tentava desesperadamente encontrar uma forma de escapar. 

Malorie é uma das pessoas que não acredita em nenhuma história contada, até que sua irmã também é atingida pelo surto e tudo muda, fazendo com que a personagem busque uma maneira de escapar. Cada pequena fresta de luz começa a ser fechada para que o perigo não seja visto, mesmo não sabendo do que se trata o perigo, todos começam a colocar tábuas nas janelas e venda sobre os olhos para não correr o risco de enxergar. 
Os dias começam a se misturar. Foi por isso que fizemos o calendário na parede da sala de estar. Sabe, o tempo não significa nada, de certa forma. Mas é uma das poucas coisas que restaram das nossas antigas vidas.
As autoridades somem, a internet e a tv não funcionam mais, o tempo começa a se perder e todos, incluindo a personagem que acompanhamos, não saem mais de casa de olhos abertos. Não há como olhar para fora, não há como enxergar o céu, não há como correr o risco de se expor ao medo, mas Malorie precisa arriscar. Ela está gravida e depois de sua irmã ser atingida pelo surto, ela resolve sair às cegas procurando uma casa que afirma oferecer ajuda. Ao encontrar, ela conhece Tom, um ex professor e outras pessoas que a auxiliam e lhe dão coragem para fazer o que precisa fazer. 


Cinco anos se passaram, muitas coisas aconteceram nesse período, dentro da casa onde estava, e agora Malorie precisa cuidar de si e de duas crianças que nunca viram o céu. Ela precisa tomar a decisão que pode salvar suas vidas ou as destruir de vez. Entre os medos que estão lá fora, seus medos internos, e preocupações maternais, será que ela conseguiu tomar a decisão certa? 

O livro contem flashs entre o presente e o passado, que nos explicam como Malorie chegou naquela situação extrema, naufragando num barco, com duas crianças de quatro anos, a quem se refere como garoto e menina, todos vendados. Os ouvidos das crianças são a única esperança para sobreviver aquilo tudo, aos perigos do rio e da floresta e quem sabe voltar a ver o mundo. A escrita do autor é instigante e descreve um terror psicológico fantástico que me fez querer virar as páginas sem parar.
Remar vendada é ainda mais difícil do que Malorie havia imaginado. Já aconteceu de muitas vezes o barco bater nas margens e ficar preso por vários minutos. Durante esse tempo, ela foi tomada por imagens de mãos invisíveis tirando as vendas dos olhos das crianças. Dedos emergindo da água, surgindo da lama das margens.
O medo está presente, mas do que é esse medo? Ninguém sabe, pois é difícil explicar a forma de um medo quando este não pode ser visto. Talvez o medo esteja dentro da cabeça de cada um, talvez o medo das pessoas sejam as próprias pessoas, não sabemos, mas sabemos que não se pode olhar pra ele. Malorie não mostra apenas a luta pela sobrevivência de si e dos filhos em um ambiente caótico, mas também a luta para esquecer seus próprios medos internos. 

Josh estimula o leitor a buscar por respostas, a querer respostas, mas mostra que nem sempre elas são possíveis. Criamos teorias, criamos formas para a criatura que está assombrando o mundo, mas não conseguimos a definir, e o medo presente no livro continua desconhecido, sem explicações, e esse é o diferencial da história. Temos medo de muitas coisas, mas o desconhecido continua sendo o pior deles, e sendo assim, sentimos o desespero dos personagens. 

Eu amei o livro em todos os detalhes. A editora Intrínseca fez um ótimo trabalho de diagramação. Uma capa simples, mas que chama muito a atenção dos leitores, folhas amarelas, e desenhos de árvores no início de cada capítulo que se relacionam muito bem com as circunstâncias em que se encontra a personagem. 


Para quem gosta de histórias de terror, com muita ação, talvez não deva criar muitas expectativas sobre o livro, mas para quem consegue entender que o terror também pode ser algo psicológico esse é o livro perfeito. Talvez muitos se decepcionem com o final um pouco inconclusivo, eu também gosto de finais que tirem toda as minhas dúvidas, mas por incrível que pareça eu adorei o final desse livro, adorei não saber o que causava medo nas pessoas, pois talvez o medo esteja nas próprias pessoas, o homem é a criatura que ele teme. 
É melhor enfrentar a loucura com um plano do que ficar parado e deixar que ela nos alcance aos poucos.

13 de setembro de 2015

Resenha: Pó de Lua

Autora: Clarice Freire
Editora: Intrínseca
Páginas: 192

Nunca fui fã de poesias, tinha a impressão que alguns autores pensavam demais e me deixavam confusa com suas metáforas, mas mudei de ideia. Depois de ver varias pessoas postando fotos desse livro decidi que eu precisava tê-lo e posso dizer que a autora brasileira conquistou meu coração.

Para quem não sabe os pensamentos da autora começaram a surgir através do seu blog e posteriormente na Fan Page, onde conquistou muitos seguidores e se tornou um verdadeiro sucesso entre os leitores. Com o sucesso da página, a Editora Intrínseca resolveu lançar o livro que foi bem recebido pelo público. O livro não é uma história em si, ele é todo composto por frases, poesias e pensamentos das fases que a autora teve em seu cotidiano e que nós temos também.


Todas as páginas são muito bem acompanhadas por desenhos feitos pela própria Clarice, e vamos combinar que o trabalho da editora em reproduzir esses desenhos ficou sensacional. A cada página virada os desenhos parecem ser desenhados na hora, nas próprias páginas do livro e não apenas uma digitalização do trabalho da autora. Além disso, o livro possui as bordas azuis, o que  deu um charme extra e deixou a obra ainda mais bonita. 


Por ser um livro de poesias, é uma obra fácil e rápida de ser lida. O livro não possui capítulos, mas a autora nos transmite seus pensamentos através das fases da lua, que representam situações que passamos e que ela passou também: a busca por um sonho, as desilusões amorosas, liberdade de rótulos e a vontade de viver intensamente. 

Os poemas se relacionam num jogo de palavras e imagens incríveis e muito bem trabalhadas. São frases simples, mas que trazem uma leveza para quem lê, tiram o peso dos problemas e nos fazem esquecer os sentimentos ruins.  


Com frases de amor, dor, perda, recomeço, felicidade e liberdade a autora nos faz ver a beleza nos detalhes da vida. Cada frase nos mostra que é preciso ser otimista mesmo nos problemas, e com o jeito leve da autora conseguimos diminuir, literalmente, a gravidade das coisas, construindo ou desconstruindo o significado dos poemas conforme nossa própria interpretação. 

O livro é todo fofo e bonito até nos mínimos detalhes, e com certeza me fez gostar mais de poesias. Diminua a gravidade das coisas você também.



23 de agosto de 2015

Resenha: O lado bom da vida

Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 254

Há alguns anos, minha vida literária se resumia a romances, recheados de Nicholas Sparks e essas coisas, e eu adorava, chorava horrores e tudo que se esperava de um romance. Mas os tempos mudam e os romances também mudaram dando um estilo mais moderno ao amor, e com essa mudança meu gosto literário por esse estilo foi deixado de lado. 

Depois de muito terror, suspense e distopias e resolvi dar uma chance e hm.. sei que muitos vão me crucificar nessa hora, mas devia ter continuado nos outros gêneros. Eu conheci O lado bom da vida através do filme, e já havia achado bem mais ou menos, mas é como sempre dizem o livro é melhor né.. dessa vez não foi.

A história é narrada pelo protagonista Pat Peoples, que tem cerca de 30 anos e acabou de sair de uma clínica psiquiatra. Ele não sabe o motivo de ter ido para la, não sabe o que fez, mas tem certeza que quando sair do lugar ruim, como é chamada a clínica, sua esposa vai voltar para ele no final do tempo separados. 

Ao sair da clínica Pat continua tendo pequenos surtos de memória e buscando reconquistar sua esposa, mesmo que ela não queira lhe ver. Seu relacionamento com os pais não é muito produtivo, apesar de sua mãe tentar fazer com que se recupere, Pat é o motivo de muita briga entre os pais, o que dificulta ainda mais sua comunicação com o pai. 

Mesmo não se lembrando de grande parte dos acontecimentos antes do lugar ruim, Pat tenta recuperar a antiga vida, sempre buscando enxergar o lado bom de todas as coisas. Nem seus amigos, nem seus pais, lhe contam o que aconteceu durante seu tratamento, o que causa em Pat um comportamento infantil durante toda a história. 

Para a recuperação do personagem, os amigos dele lhe apresentam Tiffany que também passa por tratamentos psicológicos, mas, mesmo com as tentativas dos amigos, Pat ainda insiste em recuperar a antiga amada. O interesse de Tiffany fica cada vez mais obvio durante a narrativa e aí? Bom e aí nada. Os personagens quase não conversam, Pat insiste em recuperar seu casamento e é isso. 

A trama não é envolvente, e não tem uma narrativa cativante e surpreendente, e me desculpem os fãs, mas eu não me emocionei nenhum pouco com a história e também não achei ela tão boa quanto comentam. Na verdade, acredito que só li o livro inteiro pra não deixar mais um pela metade. 



Pat é complexo, cheio de altos e baixos e extremamente ingênuo, e não achei que isso faz dele um bom personagem. Ele é carinhoso e dedicado em tentar fazer o melhor pelas pessoas que gosta, porém sofre de problemas de personalidade e todo mundo o trata realmente como uma criança o que me deixou muito irritada. Ok, ele saiu de um centro psiquiátrico, mas não acho necessário todos o tratarem como uma criança de 12 anos de idade.

Ele demora muito tempo para descobrir o que realmente fez ele e sua esposa se separarem e ai gente, esperar até as últimas 20 páginas pra algo fazer sentido dá muito sono. O único relacionamento favorável do personagem é com sua mãe e isso não dá um rumo para a história. 

Seu relacionamento com o pai e o irmão se baseia em jogos de futebol americano e inclusive o livro traz muita narração dos jogos, o que, particularmente, achei bem inútil pois não acrescenta nada na história. Em praticamente todos os capítulos existe uma cena dos personagens cantando o grito de guerra dos Eagles, sempre da mesma forma, e em alguns, cheguei até a pular essas partes buscando algo mais interessante.

Pat e Tiffany, também demoram muito até criarem algum vinculo, durante mais da metade do livro os dois ficam apenas correndo sem nem falar um com o outro. Ela é louca, manipuladora e está sempre tentando usar isso em seu favor, mas no fundo tem um bom coração que se preocupa em ajudar Pat, tirá-lo daquela fissura terrível de recuperar o casamento, mas no fim só atrapalha e por isso não existe verdadeiramente um relacionamento entre os dois.

Eu não gostei do livro, não gostei do romance, não gostei dos personagens por não achá-los atraentes para a narrativa e acabei demorando demais pra ler e atrasando outras leituras. Não me emocionei com o sentido da história de tentar buscar sempre o melhor de cada situação, pois achei que até isso apareceu num sentido falho. Acho que minha época de romances e YA passou, e é claro que muita gente tem opiniões diferentes sobre a história, mas não gostei. 


28 de julho de 2015

Resenha: Circo da Noite

Autor: Erin Morgenstern 
Editora: Intrínseca 
Páginas: 365
Que tipo de circo só abre a noite? É isso que você precisa descobrir!

O Circo da Noite, narra a história de Celia e Marcos, personagens que tem um destino meio predestinado e com um fim não tão agradável assim, porém eles não sabem disso. Ambos estão em um jogo travado por seus pais, que tem como cenário um circo: Le Cirque des Rêves (O Circo dos Sonhos).

Ambos têm uma magia natural, que sempre correu em suas veias, não sendo apenas simples ilusionistas e nada melhor que um circo para provar seus talentos dentro da competição que se iniciou quando ainda eram crianças. As regras desse jogo não ficam claras, e a gente acaba conseguindo entender melhor as preocupações, dúvidas e medos dos personagens; nos sentimos tão confusos quanto eles até que de pouquinho em pouquinho alguma informação é dada.


A história se passa entre 1800 e 1904 (acho que é isso), e tive certa dificuldade em acompanhar o tempo da narrativa, pois os capítulos são narrados por personagens diferentes em tempos diferentes, mas com o tempo o raciocínio acostuma com essa mudança. O cenário do circo, todo em preto e branco e com muito mistério, é impecável; a descrição da autora faz com que imaginamos realmente um circo dos sonhos. É tudo muito surreal.

A fantasia não esta numa simples ilusão da mente, com coelhos saindo da cartola. Dentro do circo, as ilusões de Celia e Marcos vão muito além do que truques comuns, e o melhor disso? Não são truques. A magia pode não existir, mas ao ler Circo da Noite, devido aos imensos detalhes, nos faz perguntar se não existe pessoas por ai com esse tipo de dom. 


Mesmo com todo o jogo e competição entre Celia e Marcos, os dois acabam se envolvendo em um romance proibido que pode colocar eles, os criadores, os envolvidos e todos que já estiveram no circo em perigo. Apesar de Celia e Marcos serem os protagonistas a história envolve muitos outros personagens, e um deles, mesmo que passe despercebido durante a leitura, pode mudar o rumo de todos os envolvidos com o circo. Eu gostei da forma como a autora jogou com essa informação, brincando com os leitores e deixando um ar de suspense. 

No meio do livro, existem textos de alguns Rêveuses (seguidores do circo que se identificavam por algum detalhe vermelho), como se fosse um jornalzinho, explicando o que acontece dentro do circo e toda a fantasia que ele exala. Particularmente, eu adorei esses trechinhos, porque mesmo simples, deram sentido pros acontecimentos internos do circo e me mostrou como ele realmente funcionava em cada um de suas tendas.


Confesso que a sinopse do livro me enganou um pouco e isso quase me fez desistir. Fiquei procurando a grande batalha citada na sinopse, mas acabei notando que era apenas uma propaganda enganosa do livro, e isso me decepcionou um pouco, porque na hora H as coisas não são tão assustadoras quanto aparentam. Apesar disso, gostei bastante do livro, nunca havia imaginado tanta mágica nos ilusionistas e quem sabe eu vire uma Rêveuse, mostrando um lenço vermelho por onde passo.




4 de março de 2015

Resenha: Especial Percy Jackson


Sempre tive curiosidade por histórias de mitologia, queria saber sobra a vida dos deuses e dos mitos que criavam envolta de seus dons, e a serie de Rick Riordan me proporcionou esse conhecimento. Já tinha lido os primeiros livros há um tempinho mas resolvi fazer a resenha de todos junto. Então vamos lá.

Percy Jackson é um garoto de 12 anos que descobre ser um semideus, ou seja, filho de um deus do Olimpo com uma humana. Mas seu pai não é um deus qualquer, é um dos ‘chefões’: o Deus do mar, Poseidon. Os deuses são reais e moram mais perto do que imaginamos, já que agora a sede do Olimpo está no alto do Empire States no centro de Nova York, mas apesar disso os deuses parecem um pouco indiferentes com seus filhos. 

Os semideuses são salvos por sátiros, que se mesclam para parecer o mais humano possível, e Percy é um dos resgatados depois de uma confusão em sua antiga escola. Ele é levado para o Monte Olimpo, onde se encontra o Acampamento Meio-Sangue, local onde a maioria dos semideuses se encontram por ser protegido contra os monstros mitológicos que perseguem os jovens. 

Foi assim, sendo atacado por um monstro, resgatado por um sátiro, fugindo com sua mãe e entrando no Acampamento, que Percy descobriu a verdade sobre si mesmo, sobre seu pai e sobre sua verdadeira origem como semideus. 


Quando comecei a ler, achei o enredo bem parecido com Harry Potter, e agora é o momento que vocês falam que eu estou louca, mas apesar do contexto da historia ser diferente, existem muitas semelhanças sim, e essas podem ser notadas logo no início da leitura sendo quase impossível não lembrar as características da outra série que ganhou meu coração. 

A primeira semelhança é que, cada livro se passa em determinada idade de Percy, ou seja, cada livro conta um ano de sua vida, dos 12 aos 16. Existem três personagens principais, do qual um é uma menina super inteligente, Anabeth Chase; o outro é o amigo meio perdido, Grover Underwood;  e o último, Percy, é o herói de tudo. Existe um professor, o Centauro Quíron, que dá conselhos assim como Dumblodore.  Existe um vilão que quer voltar à vida e destruir os deuses e assim como Harry, Percy também tem uma profecia sobre a sua vida, segundo ela, ou ele destruirá ou salvará o Olimpo para sempre. Mas apesar das semelhanças, e lembranças que PJ me trouxe, gostei muito dos livros. 

As aventuras Percy e seus amigos, Grover e Anabeth, envolve resgatar o raio mestre de Zeus, procurar o Velocino de Ouro para salvar o Acampamento, atravessar o perigoso Labirinto de Dédalo, vencer os monstros da mitologia, encarar antigos amigos que trocaram de lado e lutar contra o poderoso titã Cronos que esta tentando ressurgir e destruir todo o Olimpo. Além disso os 3 ainda precisam se preocupar com as profecias que envolvem a vida de cada um e cumprir com as tarefas destinadas a eles. 

Algo que achei interessante é que os monstros mitológicos se misturam com a sociedade, mas não são vistos por meros mortais. A névoa impede que os humanos vejam os monstros e criaturas da Grécia antiga em sua verdadeira forma, então eles enxergam apenas o que sua mente é capaz de compreender. 


Adorei Percy Jackson e adorei conhecer mais sobre a mitologia de uma forma leve e descontraída. Meu livro preferido da série é 'A batalha do labirinto', mas todos tem alguma características que fizeram eu me envolver na história de alguma forma. Ainda não li a segunda coleção e espero que consiga adquiri-la logo, porque se for tão boa quanto a primeira ela merece estar na minha estante. 

Informações dos livros: 
Autor: Rick Riordan
Editora: Intrínseca

15 de janeiro de 2015

Resenha: Cidades de Papel

Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 366

Contém Spoiler! Se você não leu o livro e ainda quer lê-lo, por favor, pare aqui! Mas se quiser continuar a escolha é sua.

Esse é o terceiro livro de John Green que leio, então posso dizer que sim, os livros possuem certo padrão. Ao contrário dos romances do Nicholas Sparks, que particularmente me fizeram chorar que nem criança, John Green escreve de uma forma mais suave, mostrando aos leitores um casal mais “jovem” e talvez até mais descolado. 

Como em todo o livro do escritor fico esperando a morte de algum personagem e com Cidades de Papel não foi diferente. Ao chegar na segunda parte do livro foi exatamente isso que pensei: “OK, a personagem morreu de novo” mas para a minha surpresa estava enganada.

A história se baseia em 2 vizinhos, Quentin Jacabsen e Margo Spiegelman, que quando crianças encontraram um homem morto no parque e aí você acredita que a história será sobre isso ou sobre o trauma que eles sofreram mas, é claro que não até porque o livro é um romance não um suspense policial. 
“Quanto mais eu trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somo de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos.”
Anos depois do ocorrido Margo resolve incluir Quentin em uma de suas aventuras noturnas. Os dois se divertem e quando pensei que finalmente o romance ia acontecer, OPA, ai esta John Green estragando as expectativas e Margo desaparece. 


SPOILER

O restante da história se torna obvio e é baseado em dicas e metáforas deixadas pela personagem e adivinhem? SIM! É ISSO MESMO QUE VOCÊ ESTA PENSANDO: Quentin segue todas as dicas para tentar encontrá-la, de qualquer forma. Outros três amigos se juntam na busca de Margo e eis aí seu romance: Quentin tentando encontrar Margo, e quando a encontram é realmente decepcionante. 
“Fazer as coisas nunca é tao bom quanto imaginá-las”
Se John Green possui um padrão de escrita, ele seria o de nunca deixar o casal da história junto, pois, um dos personagens sempre morre ou é uma rabugenta como Margo Roth Spiegelman!

Depois de um mês buscando mais dicas para encontrar Margo, Quentin e seus amigos Lacey, Radar e Ben, a encontram em algo parecido com uma fazenda abandonada escrevendo um livro porque supostamente, mesmo com todas as dicas, ela “não queria ser encontrada”. (OK, EU QUERO AGREDIR A PERSONAGEM)

Após alguns bate-bocas e muita conversa fiada, Margo e Quentin se beijam e cada um segue seu caminho. FIM DA HISTÓRIA. FIM DO ROMANCE, que praticamente não existiu. Ou seja: não obvio, mas frustrante e AI MEU DEUS!
“Talvez seja mais como o que você falou antes, rachaduras em todos nós. Como se cada um tivesse começado como um navio inteiramente à prova d’água. Mas as coisas vão acontecendo… as pessoas se vão, ou deixam de nos amar, ou não nos entendem, ou nós não as entendemos… e nós perdemos, erramos, magoamos uns aos outros. E o navio começa a rachar em determinados lugares. E então, quando o navio racha, o final é inevitável. Quando começa a chover dentro do Osprey, ele nunca vai voltar a ser o que era. Mas ainda há um tempo entre o momento em que as rachaduras começam a se abrir e o momento em que nós nos rompemos por completo. E é nesse intervalo que conseguimos enxergar uns aos outros, porque vemos além de nós mesmos, através de nossas rachaduras, e vemos dentro dos outros através das rachaduras deles. Quando foi que nos olhamos cara a cara? Não até que você tivesse visto através das minhas rachaduras, e eu, das suas. Antes disso, estávamos apenas observando a ideia que fazíamos um do outro, tipo olhando para sua persiana sem nunca enxergar o quarto lá dentro. Mas, uma vez que o navio se racha, a luz consegue entrar. E a luz consegue sai.”

As metáforas da história são boas porém, repetitivas, o que acaba deixando a história cansativa. Chorei lendo A Culpa é das Estrelas, mas não senti nada além de raiva dos personagens com Cidades de Papel. Ainda prefiro chorar que nem manteiga derretida com Nicholas Sparks.

15 de novembro de 2014

Resenha: A culpa é das estrelas

Autor: John Green
Editora: Intrínseca
Páginas: 288
Com uma capa linda e chamativa o livro conta a história de Hazel e Gus, dois adolescentes que vivem entre a vida e a morte devido ao câncer.

Hazel convive com um câncer terminal desde os 13 anos e o dilema de sua vida é não ter certeza de quando irá morrer mas, mesmo com todos os problemas, ela e sua família tentam aproveitar tudo que surge da melhor maneira possível.

Ao participar de uma reunião em um grupo de apoio ela conhece Augustus (ou somente Gus) e sua vida muda completamente passando a ter um novo sentido. A partir de então Hazel passa a ter mais vontade para fazer as coisas e ate mesmo para viver, mesmo que isso não dependa dela já que possui uma bomba relógio dentro si.
"Meus medos? Eu tenho medo de ser esquecido"
A história tem um ritmo bem lento mais ou menos ate a metade do livro ate que os dois protagonistas resolvem encarar uma aventura na Holanda para realizar um sonho e tudo parece se desenrolar melhor a partir dai. Com essa aventura os personagens sofrem algumas decepções mas não desistem de achar um verdadeiro sentido pra tudo aquilo e continuam as buscas, tornando o desenrolar da história mais interessante.
"Me apaixonei do mesmo jeito que alguém cai no sono: gradativamente e de repente, de uma hora para a outra."
O final do livro é surpreendente. Já havia me preparado psicologicamente para um final, mas tudo que eu tinha imaginado não aconteceu o que tornou a história ainda melhor. Assim como a maioria das pessoas que leu o livro eu chorei muito com o final da história e particularmente pude sentir a perda que o livro quis demonstrar.
"Alguns infinitos são maiores que outros [..] Talvez "OK" seja o nosso sempre."

Admito que não foi o melhor livro, já que as expectativas eram grandes e talvez isso estragou um pouco mas, com certeza, ele entrou para a lista de um dos melhores. A narrativa e a história em si é linda e nos faz parar pra refletir se realmente aproveitamos cada momento ou se somente ficamos reclamando dos problemas que surgem.


Fiz mil marcações, pena que não cabem todas aqui.


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