Editora: Intrínseca
Páginas: 320
Você era apenas a ausência a quem ele tentava sempre impressionar.
Eu não sou de livros de romance. Na verdade, a maioria dos livros de romance que leio me dão sono e preguiça porque acho tudo meloso demais. Pra gostar de romances eu preciso que eles me destruam emocionalmente e Jojo Moyes fez isso muito bem tornando esse um dos livros favoritos do ano.
Louisa Clark, a moça de 26 anos, ainda mora com os pais numa pequena cidade da Inglaterra. Ela não tem muitas ambições na vida, possui um namoro estável há 7 anos com Patrick e seu maior desejo é que tudo continue como está. Mas sua vida da uma reviravolta após o fechamento do café onde trabalhava então, ela se vê obrigada a procurar um novo emprego e é assim que acaba se envolvendo com Will Traynor.
Will é um tetraplégico de 35 anos que teve sua vida completamente mudada após ser atropelado por uma moto. Apesar de ser inteligente e um belo rapaz, Will é imensamente amargurado e mal-humorado devido a condição em que se encontra. Ele não aceita sua nova vida, e acredita que tudo o que fazem por ele é por pena.
Às vezes, eu me perguntava se aquilo não era um mecanismo de defesa de Will, já que a única maneira que encontrou de lidar com sua vida foi fingir que não era com ele que aquelas coisas estavam acontecendo.
Lou começa a trabalhar na mansão de Will, como cuidadora dele. Os primeiros contatos entre os dois não são nada bons e Will parece detestá-la gratuitamente. Ela não tem nenhuma experiência como cuidadora, mas consegue realizar algo que muitas outras enfermeiras não conseguiram, fazer Will se sentir animado. Com poucas semanas de trabalho Lou descobre que Will já tentou suicídio e que ao final de 6 meses ele pretende ir a Dignitas, uma clínica na Suíça, para morrer. A função de Lou é tentar mudar a opinião de Will sobre a vida.
Mesmo se sentindo traída com a falta de informações que a mãe de Will lhe deu, ela resolve aceitar o desafio de tentar convencer Will de que, mesmo com todas as limitações que a cadeira de rodas traz, ainda vale a pena continuar vivendo. Com suas roupas coloridas e escandalosas, seu bom humor e otimismo, ela cria uma série de atividades e programas diários para mostrar a Will que ele pode fazer tudo que quiser.
Aos poucos, em meio a algumas ironias, os dois vão criando uma linda relação de amizade, e juntos vão vencendo suas limitações e encarando novos desafios. A autora consegue transmitir todas as dificuldades que os dois personagens enfrentam e principalmente suas frustrações quando algo sai errado.
Essa vidinha, que será passada quase toda num raio de quinze quilômetros, sem ninguém que a surpreenda, incentive ou mostre coisas que façam sua cabeça girar e você perder o sono à noite.
A escrita é leve, divertida, e você consegue se inserir dentro do cenário sem nenhum problema. A leitura é rápida, e dá para sentir exatamente aquilo que os personagens sentem. O livro traz um misto de felicidade e dor durante toda a história, e quando você pensa que tudo vai dar certo, a autora vai lá e simplesmente te destrói emocionalmente.
A autora também consegue transmitir aos leitores todas as dificuldades que os cadeirantes enfrentam todos os dias. Além do preconceito e dos olhares de pena das pessoas, também precisam enfrentar as estruturas inadequadas da maioria dos lugares, a falta de acessibilidade e a falta de compaixão.
Se você quer um romance água com açúcar, cheio de melosidade e com final feliz, aconselho que procure algum outro livro de romance para ler. Ao final desse ficamos destruídos, por mais “ameno” que a autora tentou descrever o que acontece, é um final triste de partir o coração. E quando você pensa que já está no chão o suficiente, ainda tem um epilogo para acabar com a estrutura emocional de qualquer um.
Fiquei na cama até meus pensamentos escurecerem e se solidificarem ao ponto de eu não aguentar mais o peso deles [...] enfim, com a cabeça pressionada contra o travesseiro, chorei porque minha vida de repente pareceu muito mais difícil de entender e muito mais complicada do que jamais havia imaginado.
Como eu era antes de você me ensinou muito sobre dificuldades, superação, amor, amizade, generosidade e acima de tudo amor. Acima de tudo o livro me mostrou que as vezes, por melhor que seja a vida, não é o suficiente. Terminei o livro em lágrimas, mas com a sensação de que posso dar uma chance a alguns romances, principalmente os da Jojo.
SOBRE O FILME:
Para terminar essa resenha, quero fazer um pequeno parêntese sobre o filme. Acredito que a adaptação conseguiu ser fiel a grande parte do livro, conseguiu mostrar os desafios descritos, as frustações e o lado divertido dos personagens. Adorei ver a excentricidade da Lou representada nas telinhas e suas roupas coloridas são exatamente como as descrições do livro. Apesar de ser uma ótima adaptação, acredito que os produtores falharam em excluir algumas partes importantes que construíram a personalidade dos personagens no livro, tanto de Will quanto da Lou. Infelizmente quando fui ao cinema só havia sessão dublada o que também me frustrou um pouco, mas nada que diga que o filme não retratou quase todo o cenário descrito na leitura.

















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