22 de fevereiro de 2016

Resenha: A Caçada

Autor: Andrew Fukuda
Trilogia: Caçada
Editora: Intrínseca
Páginas: 287



Gene precisa escolher entre ser o caçador ou a caça. Não há escapatória – e qualquer erro significa a morte certa.

A caçada foi o primeiro livro que li nesse ano, no início de janeiro, mas por conter resenhas atrasadas só agora consegui realmente falar sobre ele aqui. Comprei o livro porque ouvi que ele era bom, mas não sei, talvez eu tenha algum leve preconceito com vampiros, então a primeira leitura do ano não foi tão boa quanto eu esperava.

Gene é um jovem de 17 anos que cresceu fingindo ser o que não é. Ele é um eper, perdeu a família, precisa controlar as emoções e agora vive entre uma espécie de vampiros sedentos por sangue, tentando sobreviver ao meio deles sem ser notado. Ok, a premissa da história é boa, mas ela possui muitos eixos que podiam ser explicados melhor para os leitores. 

Os epers (seres humanos) estão quase extintos, os poucos que restaram são enviados a um instituto onde aguardam A Caçada e a morte certa. O mundo agora é dominado por outra raça, a qual não é especificada, mas pelas características podemos entender que se tratam de vampiros meio estranhos. Em nenhum momento do livro, é explicado o porquê da raça humana estar extinta e nem como surgiram tantos vampiros, apenas citações sobrepostas mas que não trazem um verdadeiro sentido para nova sociedade.  Isso acabou me deixando um pouco desanimada com a leitura, pois gosto de histórias que não deixem pontos a ser explicados. 
Antigamente estávamos em maior número. Tenho certeza. Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando é desejado. A extinção.
A explicação que temos é que há muitos anos ocorreu uma Caçada, a qual a sede da nova raça foi saciada. A partir dela, todos pensaram que não havia mais epers pelo mundo, mas eis que o anúncio de uma nova Caçada é feito, deixando todos em êxtase, esperando serem os sortudos a participar. Através de um sorteio, Gene é escolhido a participar da nova edição da caçada junto com sua colega Julia Brasa, é aí que começam seus problemas. 

Gene passou a vida toda se escondendo, e fazendo de tudo para se proteger: não ter expressões faciais, não suar, raspar os pelos do corpo, manter as unhas lixadas, e usar presas falsas para não ser notado, mas na sede da Caçada Eper, ele não possui os recursos necessários para se manter a salvo e invisível ao resto do mundo. Durante o treinamento, ele passa a exalar um forte cheiro, fazendo com que os outros participantes notem que há um eper entre eles, o que torna mais complicado para o nosso personagem manter seu fingimento. 

A história tem seus pontos bons, mas eu achei ela bem cansativa, e várias vezes, pensei em desistir do livro. Os capítulos da narrativa são extremamente grandes, chegando a 40 páginas em que somente alguns pontos eram realmente importantes para a história. Eles poderiam ser melhor divididos, pra mim pelo menos, quanto menor o capítulo, mais rápido leio, mas nesse livro parecia que os capítulos não tinham fim. O enredo é arrastado e às vezes até repetitivo, não criando a ação necessária para que a história se desenvolva da maneira que deveria. 

Eu não consegui criar apego com os personagens, pois parecia que tudo era muito superficial. Gene é um tanto egoísta, e não consegui simpatizar com ele, o que prejudicou muito minha leitura porque em vários momentos ficava pensando: nossa que personagem chato! Além disso, a paixão quase platônica que ele possui pela nossa outra personagem, Julia Brasa, é bem tediosa. O uso contínuo do nome inteiro dessa personagem me deixava irritada, pois parecia que o autor tentava desenvolver um romance em partes em que devia focar na sobrevivência dos personagens. 

Aliás, a sobrevivência dos personagens parece ser algo muito distante. Não consegui sentir a preocupação deles ao estarem rodados por vampiros que os matariam em segundos caso descobrissem seu segredo. Gene e Julia parecem encontrar soluções fáceis demais para escapar, e não consegui sentir o desespero que a narrativa queria demonstrar. 

Acredito que a melhor parte do livro é o final, pois criou o clima de suspense e ação que eu esperei durante toda a leitura, mas não chegou a ser excelente, mais uma vez pareceu ser óbvio, premeditado e simplesmente jogado ali no meio da história. Apesar disso, esse suspense criou um bom gancho para a continuação da história, que eu espero que seja melhor, mesmo tento quase certeza de que não vou ler. 

Acho que comparável a Jogos Vorazes é um tanto exagerado para a narrativa do livro. Existe uma urgência de sobrevivência, mas não acho que Fukuda conseguiu transmitir isso ao público. A ação devia estar presente em toda a narrativa, mas me decepcionei por encontrar ela somente nas últimas páginas. Há tensão sim, mas a narrativa se tornou tão óbvia que sabemos que nosso personagem vai sair ileso. A expectativa se perdeu em meio a um romance clichê, que não era o ponto principal da história.  

Talvez o próximo livro seja melhor, mas para o primeiro volume dessa série, eu esperava mais. Acredito que para quem goste de vampiros e novas características dessa raça, o livro seja bom, mas não achei tudo isso não. Espero que as próximas leituras do ano sejam melhores.

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