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10 de abril de 2016

Resenha: Feita de Fumaça e Osso

Autora: Laini Taylor
Trilogia: Feita de fumaça e osso
Editora: Intrínseca
Páginas: 384

A única esperança... é a esperança. Você não precisa de amuletos para isso... está no seu coração ou em parte alguma. E em seu coração criança, ela é mais forte do que eu jamais vi.
Esse é o típico livro que encontrei na promoção e aproveitei pra comprar mesmo sem saber nada da história. Que bela surpresa! Simplesmente amei e ai, meu coração está em pedaços.

Karou, a garota dos cabelos azuis, foi criada por quimeras, seres mitológicos, com partes do corpo humanas e partes animais, e talvez um pouco estranhos. Para todos, sua família é composta por monstros e demônios, porém, para ela é tudo a mais perfeita harmonia. Ela atravessa portais misteriosos e se aventura pelo estranho e clandestino comércio, para buscar todo e qualquer tipo de dentes, isso mesmo DENTES. A vida de Karou é inusitada, ela sente que falta algo, mas mesmo assim é uma rotina plenamente normal.

O que ela não sabe, é que sua vida não passa de um segredo antigo baseado em uma guerra nos céus, que por sinal envolve o mundo por trás da loja de Brimstone, os dentes, e os colares feito deles que geram desejos a quem os possui, dos mais simples aos mais inusitados e poderosos. O cenário em que nos envolvemos é recheado de anjos e demônios, mas com uma grande originalidade, não deixando a história cair no velho clichê de que o bem destrói o mal.
Desejos são falsos. A esperança é verdadeira. A esperança faz sua própria magia.
Os anjos, serafins, o outro lado dessa história, possuem uma personalidade frígida, quase sem compaixão, enquanto os quimeras, ou os monstros da história, podem ter momentos amáveis e relacionamentos cheios de proteção. Os anjos perdem o sentido religioso durante o enredo, o que achei interessante, aqui, eles poderiam ter qualquer outra designação que ainda ficariam perfeitos na história. Os paradigmas que criamos entre bem e mal, são destruídos nesse livro, tornando a leitura diferente, o que com certeza me fez amar esse livro. Adoro um pouquinho de mistério e nessa história encontrei tudo na medida certa.

A história se passa em Praga, um cenário bem inusitado e acho que nunca citado em nenhum outro livro (não que eu tenha conhecimento pelo menos), e combinou perfeitamente com o clima de mistério que o livro precisava. Apesar de morar lá, Karou viaja para vários lugares, fala várias línguas, as quais aprendeu por meio de desejos, e conhece pessoas muito estranhas. Em uma dessas viagens, em busca de novos dentes, ela é atacada por um anjo, não entende porque, e é aí que o mistério sobre sua vida começa a se desenvolver.

Era atormentada pelo pensamento de não estar inteira. Ela não sabia o que isso significava, mas era um sentimento permanente, uma sensação parecida com a de ter esquecido alguma coisa. 
Karou é a típica personagem que não conhece nada sobre si mesma, não sabe sua história, não sabe de onde veio, não sabe porque tantos personagens a perseguem, mas não se faz de vítima por ser enganada sobre sua própria história. Ela vai atrás das pessoas que possam lhe fornecer informações, corre os riscos necessários e os enfrenta porque quer saber de si mesma e revelar seus segredos para nós. Para conhecer mais de si mesma, ela conta com a ajuda de outro personagem que primeiramente tenta matá-la. 

Além de Karou, também temos a visão do serafim Akiva, (o que a atacou), que nos revela histórias que a protagonista não pode contar pois não sabe de tudo. Quando ele nos é apresentado, parece meio confuso e misterioso, não sabendo explicar direito o porquê de estar fazendo a missão a qual foi designado. Mas através de alguns flashbacks passamos a entendê-lo e amá-lo. Akiva é um dos melhores personagens, e acompanhar sua luta contra os instintos naturais é incrível.  

Brimstone foi o personagem que mais me deixou brava pois parecia esconder as coisas de Karou de propósito, como se ela não fosse capaz de entender toda a realidade e perigo que corria. Issa, a outra quimera que vive com Karou, parecia a criatura mãe na história, pra quem se pede socorro sempre que preciso. E Zuzana, a amiga humana de Karou, é o que torna a história leve e até engraçada, adorei a construção dela.


O enredo vai se revelando aos poucos, contando os dois lados da história, o porquê de quimeras e serafins terem problemas entre si e principalmente o porquê de Brimstone usar dentes para fazer colar de desejos, o que por sinal é um fato importante para a história. Também temos a relação entre o título do livro e a história em si, o que particularmente achei fantástico, e tudo se encaixa. Para não dar spoiler, o que posso dizer é que o título é quase a chave para tudo.

Como era de se esperar, os dois protagonistas se envolvem em um romance. Quando o relacionamento começou eu criei uma serie de criticas na minha cabeça, pensando ~não, calma, façam uma pausa, tá indo rápido demais, vocês tem o que 8979437 anos de diferença~. É foi mais ou menos assim, mas enquanto fui descobrindo a história esses pensamentos foram esquecidos bem rápido. Em algumas partes até ficava com raivinha dos personagens por não estarem juntos. Pois é, rolou uma grande bipolaridade aqui.

O final do livro é surpreendente e confesso que não imaginaria nada com o que foi descrito nas últimas páginas, o que me fez amar ainda mais esse livro. Essa foi a descrição de um livro, que ao chegar no fim me deu a sensação maravilhosa de ler algo bom, que me cativou e tornou tudo tão simples como um quebra-cabeça que foi montado aos poucos.

Terminei com a sensação urgente de que precisava do segundo livro, mas me contive porque gosto de seguir a ordem das coisas. O livro é diferente, a escrita de Laini é original e além do título, a capa também faz todo o sentido para a história. Por enquanto, um dos melhores livros que li esse ano.
Esperança? A esperança pode ser uma força poderosa. Talvez não haja magia real nela, mas, quando você sabe o que mais deseja e mantém isso aceso como uma chama dentro de si, pode fazer as coisas acontecerem, quase como mágica.

22 de fevereiro de 2016

Resenha: A Caçada

Autor: Andrew Fukuda
Trilogia: Caçada
Editora: Intrínseca
Páginas: 287



Gene precisa escolher entre ser o caçador ou a caça. Não há escapatória – e qualquer erro significa a morte certa.

A caçada foi o primeiro livro que li nesse ano, no início de janeiro, mas por conter resenhas atrasadas só agora consegui realmente falar sobre ele aqui. Comprei o livro porque ouvi que ele era bom, mas não sei, talvez eu tenha algum leve preconceito com vampiros, então a primeira leitura do ano não foi tão boa quanto eu esperava.

Gene é um jovem de 17 anos que cresceu fingindo ser o que não é. Ele é um eper, perdeu a família, precisa controlar as emoções e agora vive entre uma espécie de vampiros sedentos por sangue, tentando sobreviver ao meio deles sem ser notado. Ok, a premissa da história é boa, mas ela possui muitos eixos que podiam ser explicados melhor para os leitores. 

Os epers (seres humanos) estão quase extintos, os poucos que restaram são enviados a um instituto onde aguardam A Caçada e a morte certa. O mundo agora é dominado por outra raça, a qual não é especificada, mas pelas características podemos entender que se tratam de vampiros meio estranhos. Em nenhum momento do livro, é explicado o porquê da raça humana estar extinta e nem como surgiram tantos vampiros, apenas citações sobrepostas mas que não trazem um verdadeiro sentido para nova sociedade.  Isso acabou me deixando um pouco desanimada com a leitura, pois gosto de histórias que não deixem pontos a ser explicados. 
Antigamente estávamos em maior número. Tenho certeza. Não chegaríamos a lotar um estádio de futebol, nem mesmo uma sala de cinema, mas certamente havia mais do que hoje. A verdade é que acho que não sobrou ninguém. Só eu. É o que acontece quando você é uma iguaria. Quando é desejado. A extinção.
A explicação que temos é que há muitos anos ocorreu uma Caçada, a qual a sede da nova raça foi saciada. A partir dela, todos pensaram que não havia mais epers pelo mundo, mas eis que o anúncio de uma nova Caçada é feito, deixando todos em êxtase, esperando serem os sortudos a participar. Através de um sorteio, Gene é escolhido a participar da nova edição da caçada junto com sua colega Julia Brasa, é aí que começam seus problemas. 

Gene passou a vida toda se escondendo, e fazendo de tudo para se proteger: não ter expressões faciais, não suar, raspar os pelos do corpo, manter as unhas lixadas, e usar presas falsas para não ser notado, mas na sede da Caçada Eper, ele não possui os recursos necessários para se manter a salvo e invisível ao resto do mundo. Durante o treinamento, ele passa a exalar um forte cheiro, fazendo com que os outros participantes notem que há um eper entre eles, o que torna mais complicado para o nosso personagem manter seu fingimento. 

A história tem seus pontos bons, mas eu achei ela bem cansativa, e várias vezes, pensei em desistir do livro. Os capítulos da narrativa são extremamente grandes, chegando a 40 páginas em que somente alguns pontos eram realmente importantes para a história. Eles poderiam ser melhor divididos, pra mim pelo menos, quanto menor o capítulo, mais rápido leio, mas nesse livro parecia que os capítulos não tinham fim. O enredo é arrastado e às vezes até repetitivo, não criando a ação necessária para que a história se desenvolva da maneira que deveria. 

Eu não consegui criar apego com os personagens, pois parecia que tudo era muito superficial. Gene é um tanto egoísta, e não consegui simpatizar com ele, o que prejudicou muito minha leitura porque em vários momentos ficava pensando: nossa que personagem chato! Além disso, a paixão quase platônica que ele possui pela nossa outra personagem, Julia Brasa, é bem tediosa. O uso contínuo do nome inteiro dessa personagem me deixava irritada, pois parecia que o autor tentava desenvolver um romance em partes em que devia focar na sobrevivência dos personagens. 

Aliás, a sobrevivência dos personagens parece ser algo muito distante. Não consegui sentir a preocupação deles ao estarem rodados por vampiros que os matariam em segundos caso descobrissem seu segredo. Gene e Julia parecem encontrar soluções fáceis demais para escapar, e não consegui sentir o desespero que a narrativa queria demonstrar. 

Acredito que a melhor parte do livro é o final, pois criou o clima de suspense e ação que eu esperei durante toda a leitura, mas não chegou a ser excelente, mais uma vez pareceu ser óbvio, premeditado e simplesmente jogado ali no meio da história. Apesar disso, esse suspense criou um bom gancho para a continuação da história, que eu espero que seja melhor, mesmo tento quase certeza de que não vou ler. 

Acho que comparável a Jogos Vorazes é um tanto exagerado para a narrativa do livro. Existe uma urgência de sobrevivência, mas não acho que Fukuda conseguiu transmitir isso ao público. A ação devia estar presente em toda a narrativa, mas me decepcionei por encontrar ela somente nas últimas páginas. Há tensão sim, mas a narrativa se tornou tão óbvia que sabemos que nosso personagem vai sair ileso. A expectativa se perdeu em meio a um romance clichê, que não era o ponto principal da história.  

Talvez o próximo livro seja melhor, mas para o primeiro volume dessa série, eu esperava mais. Acredito que para quem goste de vampiros e novas características dessa raça, o livro seja bom, mas não achei tudo isso não. Espero que as próximas leituras do ano sejam melhores.

25 de janeiro de 2016

Resenha: Divergente

Autora: Veronica Roth
Trilogia: Divergente
Volume: 1 de 3 
Editora: Rocco
Páginas: 504



Uma escolha pode te transformar

Começo essa resenha dizendo que eu devo ser a única pessoa que ainda não havia lido Divergente, mas como diz o ditado “antes tarde do que nunca” né? Eu conheci a história primeiramente pelo cinema, e saí de lá, precisando ler os livros, mas na época eu tive que esperar para que os três livros entrassem em promoção juntos, porque não vejo vantagem em comprar um livro da trilogia sem ter o resto. 

Então comprei, emprestei por ter outros livros pra ler e acabei adiando e adiando a leitura, e quando vi já estavam lançando o segundo filme da série. Pois é demorei demais, mas li, e não me arrependo por ter esperado o ‘bafafá’ todo sobre essa nova distopia passar. Apesar de já conhecer a história e, de ter visto o segundo filme antes mesmo de ler o primeiro livro, não perdi o efeito do livro.

Bom, para quem não sabe a história, o que eu acho MUITO difícil, vou tentar resumir brevemente. O mundo atual é dividido em 5 facções, que são responsáveis por manter a ordem de tudo. Há uma cerimônia de escolha, onde cada jovem precisa decidir se vai continuar na facção de sua família ou começar uma nova jornada, deixando para trás todos os costumes, familiares e amigos, pois afinal facção vem antes do sangue. Beatrice Prior chegou aos 16 anos, e agora precisa enfrentar a escolha de decidir em qual facção da sociedade vai viver pelo resto da vida.
Nossas casas, nossas roupas, nossos cortes de cabelo, tudo é projetado para que nos esqueçamos de nós mesmos e para nos proteger da vaidade, da cobiça e da inveja que são apenas formas de egoísmo. 

Amizade, o grupo formado pelos que culpam a raiva e agressividade pelos problemas do mundo; Franqueza, com sua grande e excessiva honestidade, que rende lideres confiáveis para a justiça; Erudição, os inteligentes e estudiosos, que culpam a ignorância por o mundo estar como está; Abnegação, que culpam o egoísmo, e formam o grupo justo e altruísta sempre pensando no bem do outro mais do que em si próprio; e Audácia, que despreza qualquer tipo de covardia e é considerada o exército da sociedade.

Como um meio de auxiliar os jovens, eles passam por um teste que tende a revelar para qual facção estão mais aptos a participar. Para Beatrice o que deveria ajudá-la só a confundiu mais pois ela simplesmente não se encaixa em um única facção. Ela é uma Divergente, não pensa como os demais, não tem o habito a seguir regras, e por isso é um grande risco para o restante da civilização, só que ela não entende o porque desse risco e ninguém explica o que tudo aquilo significa. 

No dia da escolha, mesmo assustada, ela resolve deixar sua facção de família, a Abnegação, e escolher a Audácia. Ao ingressar na nova facção, ela precisa passar pelo rígido e perigoso processo de iniciação, com testes físicos, emocionais, e mentais, e ainda lidar com seu segredo. Caso não consiga passar nos testes do novo grupo, Tris se tornará uma sem facção, ou seja, pessoas que fracassaram e não se encaixam nos quesitos estipulados. Entre amigos e inimigos, as coisas deixam de ser uma questão de honra e sim de sobrevivência. 
Encontrarei novos hábitos, novos pensamentos, novas regras. Eu me tornarei uma nova pessoa.
Tris é uma personagem que cresce aos poucos durante a história e Veronica conseguiu transmitir isso aos leitores. Ela começa como uma menina frágil e assustada, que precisa de proteção para tudo e contra tudo. O medo a assombra e faz dela quase uma perdedora, mas conforme percebe que os perigos fora da facção são piores do que imagina, ela passa a se tornar uma personagem forte, lutando pela sobrevivência de si mesma e das pessoas próximas. 

Ao longo da história, a personagem se envolve com o conflitante Quatro, que passa a ajudá-la  e as vezes insultá-la sem nenhum motivo aparente. Os dois acabam se envolvendo num relacionamento complexo e cheio de segredos que vão sendo revelados conforme passam a conviver mais um com o outro e se envolver emocionalmente. A partir do momento que Tris descobre que há mais por trás de todo o processo de iniciação e especulação por parte de outras facções a ação começa a ocorrer, e se eu já estava gostando, aqui tudo ficou mais interessante. 

A família Prior também tem segredos, principalmente a mãe de Tris, e eu queria que a história desse um pouco mais de foco pra essa parte, mas com os acontecimentos das últimas 100 páginas acredito que esses segredos vão permanecer como estavam. Muitas explicações foram dadas superficialmente como uma forma de acelerar o final do livro, mas eu queria mais detalhes sobre tudo aquilo, e pelo que pude ver pelo segundo filme, muitas coisas ainda permaneceram em segredo. 

Divergente foi um livro que me conquistou, e sim, sou suspeita pra falar porque amo distopias. Mesmo com suas 500 paginas, eu li super rápido pelo Kindle, que quando terminou eu pensei ‘Já? Mas recém comecei!’. Muita gente compara essa distopia com Jogos Vorazes, mas acredito que elas não tem muitos pontos em comum, pois em JV vemos mais o foco político, apesar de contar sobre a vida de Katniss, mas aqui temos a história narrada sobre Tris e suas escolhas, em que, mesmo existindo, o foco político não parece ser o principal ponto da história. 

O livro é excelente, e é mais uma história que não vou cansar de acompanhar. Eu já vi o segundo filme, já conheço a história, mas na meta de leitura desse ano, ainda pretendo ler Insurgente, e se der tempo com a correria e tudo mais, ler o último volume da trilogia, mesmo acreditando que mais uma vez o filme vai vim primeiro. Para quem gosta de distopias, é um livro que vale a pena ser lido, e pra quem não gosta, deviam dar uma chance para esse gênero. 
A Abnegação é o que sou. É o que sou quando não estou pensando no que estou fazendo. É o que sou quando sou posta à prova. É o que sou quando pareço corajosa. Será que estou na facção errada?

16 de novembro de 2015

Resenha: Belo Desastre

Autora: Jamie McGuire
Trilogia: Belo desastre
Volume: 1 de 3
Editora: Verus
Páginas: 389


Eu era uma parte da vida de Travis que lhe era desconhecida, o curinga, a variável que ele não conseguia controlar.
Depois do desastre que foi minha leitura de O lado bom da vida, pensei que não iria mais ler romances/YA e essas coisas por um bom tempo, mas o sorteio de TBR resultou em Belo Desastre, e posso dizer que Jamie conseguiu reanimar meu gosto por romances.

Confesso que comprei a trilogia por gostar muito da diagramação da capa que me chamou bastante atenção. Depois de ler a sinopse da contracapa, achei o enredo bem interessante e resultou numa ótima leitura.  

O enredo conta sobre Abby Albernathy, que segundo a sinopse é uma boa garota, mas não é bem assim que as coisas acontecem. Abby esconde um segredo, revelado ao longo da história, e parece ser o tipo de garota que dá a cara a tapa quando necessário, apesar de às vezes parecer um pouco sonsa, mas relevamos. Ela muda de cidade com sua melhor amiga América, tentando deixar seu passado para trás ao ingressar na universidade.

América namora Sheppley, que por coincidência é primo de Travis Maddox, ou “Cachorro Louco”, o bad boy da história, que consegue qualquer garota da universidade só para ter noites de diversão e nada mais que isso. Quando Abby demonstra não se importar com ele Travis se sente atraído pela nova aluna e após algum tempo os dois acabam se envolvendo numa relação de amor e ódio, comentada por todos os alunos.


Travis é conhecido por participar de lutas clandestinas, tendo uma fama lendária de nunca ter sido derrotado. Em uma das lutas, ele e Abby fazem uma aposta: se ele perder a luta, ficaria sem sexo por um mês, caso ganhasse ela teria que morar com ele pelo mesmo período de tempo. Abby perde, e a partir daí os dois criam uma amizade colorida e intensa, de amor, brigas, ciúmes e por aí vai.

O comportamento de Travis em relação a Abby é um pouco assustador, ele tenta ser superprotetor com ela, e em vários momentos do livro se torna explosivo e agressivo, e até mesmo, um tanto obsessivo. Abby também comete seus erros, e um ponto forte do livro é a questão de mostrar quão humanos os personagens são ao tentar retratar um relacionamento sem todo aquele mimimi dos romances em que tudo parece um mar de rosas. Acredito que a autora quis retratar como os relacionamentos são no âmbito real, até mesmo com as brigas, sem o estereótipo de casal perfeito.
Depois de todas as brigas e as convidadas da madrugada, aquele era o único lugar onde eu queria estar.

América e Sheppley, tentam ajudar os dois a se reconciliar e assumir o que sentem um pelo outro, mas não é uma tarefa fácil conviver entre a guerra de Abby e Travis. O casal amigo também passa por varias situações e brigas para manter a relação e ainda ficar do lado de seus amigos, o que gera muitas divergências de opinião, que no fim conseguem ser contornadas. 

O livro me fez associar a história com pessoas do meu cotidiano e isso foi uma parte boa e ruim. Ruim porque acabei chorando em várias situações, boa porque tive lembranças de fatos que aconteceram comigo. Às vezes era como se eu estivesse vivendo toda a loucura de Abby e Travis, e é ótimo quando um livro consegue fazer você entrar dessa forma na história.


A escrita da autora é simples, e eu não consegui parar de ler o livro, tanto que o li em apenas 2 dias, porque quanto mais lia, mais queria saber sobre o casal, principalmente sobre Travis e seus imensos antagonismos perfeitos. A história transmite a loucura do amor, mostra o fato que muitos romances não querem mostrar por se manterem no estereótipo de casal perfeito. Aqui temos uma mostra que todo relacionamento passa por crises, que ninguém é perfeito, mas que quando se ama é preciso aceitar o outro de qualquer forma.
Eu sei que a gente tem problemas ta? Sou impulsivo, esquentado, e você me faz perder a cabeça como ninguém. Num minuto você age como se me odiasse, e no seguinte como se precisasse de mim.
Todo mundo já fez alguma burrada, já estragou algo, já perdeu o controle da situação. As relações são instáveis e o livro retrata perfeitamente isso, com crise, erros, e brigas. Quando terminei o livro fiquei com uma sensação de saudade, de vazio daqueles personagens e daquelas situações todas. Ficou um gostinho de quero mais, de querer continuar naquela história e fez crescer em mim uma vontade de mais romance. Espero que consiga ler logo Desastre Iminente e viver mais um pouco dessa loucura amorosa entre Travis e Abby.

25 de outubro de 2015

Resenha: A Aprendiz

Autora: Trudi Canavan
Trilogia: Mago Negro
Volume: 2 de 3
Editora: Novo conceito
Paginas: 544

Ela lutou contra seu poder, mas para sobreviver teve que se tornar um deles.

Nesse mês de outubro as coisas estiveram paradas por aqui. Pois é, a vida não deu folga, trabalhos da faculdade, feira da cidade, e não deu tempo de atualizar as coisas por aqui. Mas voltei com a resenha do segundo volume da Trilogia Mago Negro. 

Pra quem não sabe do que estou falando, pode conferir a resenha do Clã dos Magos, o primeiro volume, aqui

Assim como já disse na resenha do primeiro volume, eu me encantei por essa história, inclusive tive que me controlar um monte pra não ler tudo de uma vez só em respeito aos sorteios da minha TBR, mas a espera não fez diminuir o efeito da historia. A narrativa continua envolvente e cativante, sem aquele clima de desgaste que muitos livros possuem, o que me fez gostar ainda mais da autora. 

Nesse segundo volume, Sonea passa a frequentar as aulas de magia do clã, mas o início de uma vida nova parece não se revelar para ela. Por sua reputação e origem, Sonea é humilhada pelos colegas de aula, principalmente Regin, o antagonista da história, e às vezes até pelos professores da universidade do clã, acusada de roubo e de manter relações com seu mentor Rothen. Muitos alunos, ao comando de Regin, se juntam para atormentá-la entre os intervalos, criando emboscadas e tentando enfraquecê-la.

Com a ajuda de Rothen, e alguns outros amigos, ela tenta se livrar dos estudantes que a atormentam, mas nada para ser suficiente para fazê-los parar, então Sonea busca por novos esconderijos na universidade todo dia. As coisas pioram quando Akkarin, o Lorde Supremo, desconfia que ela, Rothen e Loren saibam seu segredo maligno. 


Apesar do foco do livro ser o treinamento e o desenvolvimento de Sonea, muitas partes da trama focam o bulliyng sofrido pela garota. As brincadeiras sofridas parecem ser ignoradas por grande parte dos magos e professores da universidade, por ela ser uma favelada. Isso me causou ódio de alguns personagens, e eu virava cada página esperando que alguém a ajudasse. 

Nesse livro, também temos um novo protagonista para a história, Dannyl. Depois de assumir como Embaixador, ele começa uma viagem pelo reino de Kyralia e Elyne, e muitas partes do enredo são narradas pela perspectiva dele. Nessas viagens por ordem de Loren, Dannyl começa a seguir antigos passos do Lorde Supremo, tentando descobrir o porquê de realizar algo tão perigoso para o clã e o reino. Dannyl não sabe o verdadeiro significado da sua pesquisa, mas tem certeza que é importante e por isso refaz todos os passos que o Lorde Supremo realizou 10 anos antes. 

É claro que o Lorde Supremo, descobre essas tais pesquisas e então a história começa a tomar outro rumo. Primeiramente, Loren é afastado por um tempo de suas obrigações da universidade, depois Rothen perde a guarda de Sonea e ela se torna aprendiz de nada mais nada menos do que o Lorde Supremo, de quem ela tanto teme. O livro me deixou instigada a descobrir mais sobre Akkarin, e realmente espero que os mistérios dele e seus segredos sejam explicados no último volume. 


A partir daí, muitas histórias paralelas são criadas, mas todas se interligam totalmente com o eixo central, Akkarin e Sonea, se encaixando perfeitamente na trama. Ao final do livro ficamos com várias dúvidas e imaginando milhões de coisas para o próximo livro, o que é ótimo porque poucas séries/trilogias conseguem deixar o leitor intrigado para o próximo livro. 

Sonea evoluiu muito nesse livro e o modo como ela lidava com os problemas me surpreendeu. Também adorei conhecer mais sobre Dannyl que com certeza se sobressaiu nesse livro, mostrando outro fato que é comum não só para os magos, mas também na nossa sociedade, o preconceito. Ainda que gostei da evolução desses personagens, senti bastante falta de Rothen, que após perder a guarda de Sonea apareceu pouquíssimo durante a história. 


Sem dúvidas, meu personagem favorito nesse segundo volume foi o temível Akkarin, o Lorde Supremo. Trudi criou um personagem tão misterioso e complexo que é impossível não querer descobrir tudo sobre ele, ainda estou tentando decidir se ele é o mocinho ou o bandido da história, mas isso só vou descobrir no terceiro volume.

Adorei o segundo volume, e recomendo à todos que leiam a trilogia. Eu vou torcer bastante para que o terceiro volume saia no sorteio da TBR, pois tenho certeza que o final da história vai ser fantástico como os dois primeiros volumes. 

23 de julho de 2015

Resenha: O Teste

Autor: Joelle Charbonneau
Trilogia: O teste
Volume: 1 de 3
Editora: Única
Páginas: 320

Mais uma distopia entrou para a lista de “ok preciso ler o resto”. Esse é o primeiro volume da trilogia e conforme ia lendo notei várias semelhanças com outras distopias, principalmente Jogos Vorazes, mas apesar disso consegui aproveitar a história. 

A história é sobre a jovem Malencia Vale, ou Cia. Ela vive na pequena colônia Cinco Lagos, em um cenário pós guerra, o mundo foi todo devastado nos Sete Estágios da Guerra (que podia ter sido mais explorado), apenas poucos sobreviventes restaram e esses acabaram formando suas próprias colônias tentando reestruturar a vida. A “capital”, Tosu City, seleciona todo ano os melhores alunos de cada colônia para fazer as provas do Teste, quem passar por essas provas consegue uma vaga para a faculdade. O sonho de Cia era ser uma das escolhidas e ok, tudo certo né? Errado!

Fazia 10 anos que ninguém da Colônia Cinco Lagos era escolhido para o Teste, mas após a formatura da turma de Cia, ela e mais 3 jovens foram selecionados. Antes de partir para a capital, seu pai lhe alerta para tomar cuidado, pois acredita que todas as suas lembranças sobre os dias de teste foram apagadas. Como um último conselho ele apenas diz: NÃO CONFIE EM NINGUÉM


Após chegar a cidade central, a protagonista começa a perceber que o Teste não é apenas o que parece e que há muitas coisas por trás dos rostos simpáticos de Tosu City. As palavras ditas por seu pai começam a fazer um pouco mais de sentido, mas ela não segue totalmente o último conselho que lhe foi dado e acaba revelando o que sabe para seu amigo de infância, Thomas, que também foi selecionado. 
Na escola, aprendemos que, há noventa anos, Tosu City foi criada como o primeiro sinal tangível de que as pessoas haviam sobrevivido aos Sete Estágios da Guerra - os Quatro Estágios de destruição que os humanos lançaram uns sobre os outros, então os Três Estágios subsequentes - em que a terra lutou de volta. 
O Teste foi criado para formar lideres que saibam lidar com a pressão e as consequências de seus atos, sejam elas boas ou ruins. Ele consiste em 4 partes: provas, exames de aptidão, habilidade para trabalhar em equipe e habilidade de liderança ao tomar decisões. Parece simples não é? Mas em Tosu City, nada é o que parece. A primeira fase é tranquila, provas sobre conhecimentos gerais são aplicadas e tudo parece sob controle. Contudo a pressão começa a cair sobre os candidatos e dúvidas sobre o que acontece com quem é eliminado surgem a cada instante. 

A partir da segunda fase as coisas começam a piorar e os conselhos do pai de Cia começam a vir toda hora à mente da garota. Os candidatos são testados de forma cruel, opressora e brutal, mostrando que a vida de qualquer um ali não tem valor para os oficiais de Tosu City. Qualquer sinal de fraqueza pode gerar uma eliminação, não só do Teste, mas de tudo; A diferença entre amigos e inimigos são quase nulas; E um passo em falso pode custar a vida do participante. 
Mas desistir é a última coisa que eu faria. Não depois de tudo o que testemunhamos e as coisas que fomos forçados a fazer. Desistir seria como admitir que nada importou.
Depois da segunda fase do teste a leitura rendeu e me agradou bastante. O livro traz bastante questionamentos do que é ser um líder, de como lidar com certas situações e de como agir para buscar um único objetivo: a sobrevivência. 

Eu gostei bastante da história e fiquei bem empolgada em algumas partes, abismada em outras e curiosa com tudo, contudo achei que a autora poderia ter explorado mais alguns personagens citados (espero que isso seja trabalhado nos outros volumes). Outro ponto que deixou um pouco a desejar foi a revisão, pois durante toda a leitura em encontrava pequenos errinhos e algumas frases sem sentido que atrapalharam um pouco. 

Apesar de comparar bastante a história com Jogos Vorazes no quesito de sobrevivência eu quero muito ler os próximos volumes, porque o final, meu deus, ainda estou absorvendo. Para os fãs de distopias, assim como eu, essa é uma trilogia que deve ser lida.


12 de abril de 2015

Resenha: Nas Sombras

Autor: Jeri Smith – Ready
Série: Shade
Volume: 1 de 3
Editora: Galera Record
Páginas: 335

Quem não gostaria de ter seus entes queridos sempre por perto? Contudo todos morrem um dia e, para os nascidos depois da Passagem, o convívio com fantasmas não é agradável.


Aura faz parte dessa convivência com os mortos. Sua capacidade de ver e falar com fantasmas é normal para ela, assim como para outros jovens nascidos depois do evento que mudou o mundo, “A Passagem”.

Assim como os outros, Aura sempre detestou essa habilidade de comunicação com fantasmas e faria qualquer coisa para reverter a situação, mas como não pode, ela só tenta ignorar os fantasmas que aparecem a sua volta. Alguns são insistentes e devido a isso, Aura começa a trabalhar com sua tia Gina, num escritório de advocacia, ajudando os mortos a conseguir justiça e finalmente passar para a outra dimensão.


No aniversário de seu namorado e vocalista do Keeley Brothers, Logan, a única coisa que Aura espera, é que aquele seja o melhor dia de todos, pincipalmente para ela e seu amor. A banda tem um show agendado, possíveis futuros contratos com uma gravadora conceituada e tudo parecia correr extremamente bem. Nenhum fantasma por perto para acabar com seu humor, tudo estava perfeito, até que um acontecimento inesperado muda sua maneira de pensar sobre seu dom.

Aura estava ansiosa pela festa onde comemorariam os 18 anos de Logan e na qual haviam combinado uma noite romântica. Entre tantas surpresas e noticias boas, ninguém esperava que o anfitrião da festa morresse de uma overdose acidental. 
"Mas não havia nada para ser escutado a não ser o sangue pulsando em minhas têmporas. Nada a ser visto que não as luzes da ambulância que passavam pela janela."
O pânico toma conta de todos, mas Aura é com certeza a mais afetada, até porque ela consegue ver o espírito de seu namorado vagando ao seu lado, mas sem poder tocá-lo. O dom que sempre detestou passa a ser a única forma de contato entre ela e Logan mesmo que seja de uma forma roxa. E ela sabe que, se seu namorado continua ali, visível, é porque tem algo inacabado no mundo mortal e sendo assim não pode fazer a passagem, correndo o risco de ser transformado em uma Sombra maligna

A personagem consegue nos transmitir o sentimento da perda, da dor e da saudade que sentimos de entes que se foram, mas também nos mostra que continuar convivendo com alguém que á se foi não é a mesma coisa de antes, a relação muda mesmo que a pessoa seja importante e com isso, as consequências surgem e por isso é preciso continuar a própria vida. 
Ele não podia sentir minha tensão aumentando ou seu alívio explosivo, mas, com a voz de Logan em meus ouvidos, podíamos fingir.
Em meio a história, Aura também começa a se envolver com Zachary, personagem que li o nome errado durante toda a narrativa. Ele foi o último nascido antes d’A Passagem e não tem o dom de falar com os espectros roxos das pessoas, mas por algum motivo, sua vida e a de Aura estão interligadas por uma força maior, a qual os dois desconhecem e precisam descobrir. 

Os personagens têm características contrárias. Enquanto Logan é egocentrista e mimado, Zachary é compreensível e carinhoso, e Aura se vê no meio dos dois sem saber o que fazer. Desistir de seu grande amor que já se foi ou desistir de seu amigo e único que a compreende? Já o resto dos personagens que compõem o grupo secundário da história é pouco explorado, mas acredito que a autora trará grandes emoções e revelações sobre eles nos próximos volumes da trilogia e deixará tudo mais emocionante. 

O livro superou minhas expectativas e adorei o enredo que se desenvolve. Confesso que quando comecei a ler eu não sabia que era uma trilogia e ao chegar no fim e me deparar com um final, literalmente UAL, quase tive um leve enfarte por pensar que não saberia o resto da história (e por enquanto ainda não saberei porque o segundo livro não foi lançado no Brasil), mas depois da pesquisa e saber que tem continuação, tudo ficou ok.

A autora conseguiu criar uma obra com cenário e personagens inovadores e únicos do gênero sobrenatural. A narrativa é fácil, viciante e rápida, os detalhes estão tão presentes que é quase impossível largar o livro. Para quem quer uma história inovadora sobre fantasmas essa é super recomendada. 


11 de fevereiro de 2015

Resenha: A Ascensão do Governador

Autor: Robert Kirkman e Jay Bonansinga
Série: The Walking Dead
Volume: 1 de 4 - por enquanto
Editora: Galera Record
Páginas: 361

Até começar a ver a série de TV The Walking Dead, eu simplesmente odiava zumbis, pra mim era a tudo a mesma coisa, era só dar um tiro na cabeça e pronto, era essa a história. Mas TWD é viciante, fico com ódio dos personagens, fico com raiva das atitudes estúpidas que podem acabar com suas vidas, e torço pra que sobrevivem ao mundo apocalíptico de mortos que querem a carne humana e seus cérebros. Viciei.

Foi por me viciar na série que resolvi comprar a trilogia (ou mais, já que o último volume é divido em 2 partes e há boatos que tem mais um depois) dos livros, que narra a história do Governador, o grande vilão que aparece na terceira temporada do seriado, e como ele criou esse personagem cruel e impiedoso que comandou a cidade de Woodburry nesse mundo rodeado por zumbis. A história paralela as HQs e a série, nos leva a conhecer a vida dele antes de virar o personagem tão assombroso mostrado nas telas e quais os motivos que o levaram a isso.
“É quase como se as vísceras estivessem caindo do céu, como chuva, em vez de estarem subindo por debaixo das rodas, ou escorrendo pela lataria, ou esguichando da grade frontal, enquanto o Escalade vai triturando os corpos. A matéria líquida se esparrama pelos vidros, ininterruptamente, com o ritmo de um gigantesco cata-vento, um caleidoscópio colorido, um arco-íris de tecidos humanos – vermelho-sangue-de-boi, verde-lodo-de-lago, amarelo-ocre, e preto-piche. Para Philip, é quase lindo.” 
Pensei que o livro ia trazer só o cenário de mordidas e fugas e zumbis por todos os lados, mas ele também nos mostra os sentimentos dos personagens, a angústia de não ter pra onde ir e as dificuldades enfrentadas por eles. Ao ler conhecemos a história do obstinado e mandão Philip Blake, sua frágil e inocente filha, Penny, e seu doente e covarde irmão, Brian Blake, que junto com mais dois amigos de infância buscam um lugar em meio ao caos aonde possam sobreviver.

Ao verem todos ao seu redor morrerem e virarem zumbis, os 5 personagens partem com intenção de chegar a Atlanta, onde segundo alguns, existe um refúgio. Durante o caminho enfrentam orlas de mortos-vivos, controlando suas emoções e procurando se manter vivos em meio a confusão que se forma envolta deles, consertando carros e arrombando lugares para se abrigar. Para que tudo de certo eles precisam manter a esperança, mas ao acompanhar o dia deles, se vê que ela se esvai devido ao mundo desumanizado que estão vivendo.
“Nós vamos sobreviver a esse pesadelo, e vamos fazer isso nos transformando em monstros piores que eles, está me entendendo? Agora não existem mais regras! Não existe filosofia, não existe misericórdia, não existe perdão, agora somos nós e eles e tudo o que eles querem fazer é devorar a gente! E por isso nós é que vamos devorar a porra dos zumbis! A gente vai mastigar eles e depois cuspir no chão e nós vamos sobreviver a essa situação, ou então eu vou destruir a droga do mundo! Você entendeu o que eu falei? ENTENDEU O QUE EU FALEI?”
O livro não conta como a infestação de mortos vivos começou, mas mostra como os personagens aprendem a lidar com ela sempre buscando um meio de sobreviver ao cenário assustador em que qualquer erro resulta na morte. Os conflitos também estão presentes nesse grupo, e para que todos sobrevivam precisam achar um jeito de lidar com a epidemia da melhor forma mesmo que os sentimentos de medo e pavor aflorem de todos os lados. 
"Minha é a vingança e eu retribuirei, disse o Senhor - Sangue e tecido jorram. A cada golpe espocam faíscas no asfalto. - Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo. - sussurra [...] para ninguém em especial, liberando toda a raiva e a mágoa acumuladas numa enxurrada de golpes brutais. - Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo...”.
Saber os motivos que levaram o temido Governador a agir de tal forma pegam os leitores de surpresa, e às vezes você chega ate a gostar do personagem e sentir pena dele. No final da leitura, os leitores tem uma inusitada revelação o que acaba deixando a história com uma deixa mais emocionante para o segundo livro. Continuo não gostando do Governador, mas estou ansiosa pela continuação.


23 de janeiro de 2015

Resenha: O Clã dos Magos

Autor: Trudi Canavan
Série: Mago Negro
Volume: 1 de 3
Editora: Novo Conceito
Páginas: 446


Cuidado com o que você deseja, você pode se tornar um deles.


Desde Harry Potter, livros de bruxos e magia se tornaram meio clichês, e até então não tinha me interessado por nenhum, até que surgiu essa trilogia incrível, e totalmente diferente dos queridinhos de H, e resolvi dar uma chance para uma nova visão da magia. E adorei! 

Pra começar a protagonista da história é uma menina, Sonea, que mora nas favelas de Imardim, capital do reino Kyralia. Essa cidade é governada tanto pelo Rei como pelo Clã dos Magos, e como todo favelado Sonea cresceu odiando as doutrinas adotadas pelos magos, rei e nobres, principalmente a purificação.

O clã envia alguns de seus magos para fazer uma espécie de “limpeza” na cidade, expulsando os pedintes e os pobres para que retornem a seu “devido lugar”: as favelas. Nessa purificação, muitas pessoas acabam morrendo pisoteadas, muitas pessoas que conseguem um lugar para morar na cidade acabam sendo expulsos nesse evento por não serem considerados uma classe importante para a cidade e Sonea e sua família foram uma das famílias expulsas. 

Ao voltar para a favela, Sonea reencontra alguns antigos amigos, Harrim e Cery, envolvidos em pequenos crimes. Todos os anos durante a purificação o grupo de Harrim se reúne tentando afrontar os magos com pedras ou outros objetos, porém as pedras sempre batem no escudo protetor que os magos implantam. Devido ao ódio que sente, Sonea resolve se juntar a eles como um ato de rebeldia para mostrar que também não concorda com a ideia da purificação.

Envolvida pela raiva e pela magoa de ser expulsa da cidade, Sonea atira uma pedra contra o escudo dos magos, e deseja com toda a força que ela o ultrapasse. O que era pra se transformar em pó ao atingir a proteção mágica acaba transformando o rosto de Sonea numa versão nítida de incredulidade. A pedra simplesmente atravessa o escudo, atingindo um dos magos e a partir daí, a vida de Sonea assim como a cidade de Imardim são modificadas.
“O Clã sabe que fiz aquilo! O velho mago à vira, apontara para ela de modo que outros magos a vissem. Ela estremeceu quando a lembrança de um cadáver carbonizado surgiu em sua mente.”
A partir desse momento da história, o Clã tenta encontrar Sonea por toda a cidade e somos levados ao interior das favelas, acompanhando os esconderijos de Sonea e os riscos que ela e os amigos correm para se proteger. E ai você pensa, “ok a história vai ficar chata e ser só isso, ela se escondendo dos magos?”.

Bom o enredo realmente se baseia nos esconderijos e o envolvimento dela com os Ladrões para continuar “invisível” ao Clã, um pouco enrolado até, mas em nenhum momento a história se torna chata, maçante ou cansativa. O ritmo flui muito rápido e eu não conseguia largar o livro, precisava descobrir como ela iria controlar seus poderes, que descobriu ter, qual o novo esconderijo e como funcionava a vida dos magos que a estavam procurando. Senti a adrenalina que inalava dos personagens e isso fez a leitura se tornar ainda melhor. 


Além da caça que os magos fazem para lhe achar, ela ainda precisa aprender a controlar seus poderes que são perigosos para ela e para todos da cidade. Se eles se desenvolverem sem treinamento ela pode destruir toda a cidade e mais ainda. Isso faz com que dentro do Clã comecem a surgir desavenças entre os próprios magos, já que uns querem ajudá-la e outros acham que será perigoso demais e também porque não querem manchar a imagem do Clã permitindo que uma favelada se instale lá, pois apenas filhos das Casas da Elite podem se tornar magos. 

Quando Sonea se envolve definitivamente com o Clã, outros personagens começam a ganhar foco na história, como Rothem, o mago que defende com unhas e dentes a permanência de Sonea dentro do Clã. E conhecer um pouco do outro lado fez eu gostar ainda mais da história. 

Os personagens são descritos como se houvesse mais por trás das aparências, o que com certeza vai render emoções nos próximos livros. Eu fiquei tão envolvida na história, que quando terminei fiquei com uma sensação de “Meu Deus, porque não tem mais livros assim?”. Fazia muito tempo que não terminava um livro já querendo pegar a continuação, mas tive que me controlar para não me atrapalhar nos sorteios da TBRJar. Espero que os próximos livros sejam tão bons como este!

20 de dezembro de 2014

Resenha: Herdeiros de Atlântida

Autor: Eduardo Spohr
Editora: Verus
Série: Filhos do Éden
Volume: 1 de 3
Páginas: 473

Como seria acordar e descobrir que sua vida é uma completa mentira? Há uma guerra no céu, e outra começa a se desenvolver na terra. 


O livro não só escrito por um brasileiro mas também narrado em território nacional, conta a história de Rachel (será esse seu nome?) uma jovem estudante, que vem tendo estranhos sintomas e pesadelos com uma menina que lhe pede ajuda. Menina a qual, de alguma forma misteriosa, está ligada a sua vida sem nenhum motivo aparente.

Rachel conhece Urakin e Levih – anjos – e esses insistem que ela é uma arcante desaparecida a dois anos em uma missão que eles precisam resgatar. E lógico que ela não acredita, afinal, é só uma estudante com uma vida normal.

Mas quando sua vida é exposta a um grande perigo, as historias contadas pelos dois anjos começam a se tornar mais lucidas e reais em sua mente, e muitas coisas acabam sendo reveladas. Isso faz com que ela embarque numa grande jornada para desvendar os mistérios da sua vida. 

Para começar, seu namorado era na verdade uma espécie de raptor de anjos e a ataca, dando um tiro em seu peito. Antes mesmo de começar suas descobertas ela já esta entre a vida e a morte. A única pessoa que pode salvá-la é o exilado Denyel, que só aceita ajudar em troca de uma anistia para voltar ao céu e enfrentar as tropas rebeldes.

Rachel não é Rachel. Ela é realmente uma arconte desaparecida em uma missão e se chama Kaira. Todas as suas memórias foram apagadas e a vida que ela achava que tinha, na verdade, é uma mentira, talvez, vivida por outra pessoa. 

Conforme a história se desenvolve ela descobre que a guerra milenar que acontece no céu, entre as tropas rebeldes de Gabriel contra Miguel, é devido ao fracasso da missão que estava destinada a cumprir. Para tentar reverter a situação ela precisa “conseguir” suas memórias de volta, descobrir o que a menina do sonho tem a ver com isso e retomar sua missão interrompida. 

Para isso, ela e Denyel viajam para a Amazônia tentando encontrar a deusa Andira, do antigo povo Yamí, para que ela ajude Rachel a lembrar sua missão através de um ritual. Após vários conflitos enfrentados no caminho, sem saber se Urakin e Levih estão vivos, já que foram atacados anteriormente, os dois chegam ao templo de Andira e Rachel se lembra de tudo. 


A sua missão era achar uma entrada para o terceiro céu, o Éden Celestial, para dar vantagens as tropas de Miguel e impedir que as tropas rebeldes de Gabriel passassem. A menina dos sonhos realmente esta ligada a sua vida de uma forma não esperada e bem para tentar acabar com a guerra no céu, todos precisam chegar as ruínas de Athea, uma antiga colônia da legendária Atlântida. 

Spohr descreve os personagens (anjos e demônios) como quase humanos, tirando os poderes é claro. Em outros livros, os anjos são descritos como seres bons e divinos que nunca causariam o mal ou falhariam. Ver essa imagem de anjo ser destruída é um dos pontos fortes do livro. O bem e o mal se misturam na história, em alguma parte o personagem é o bonzinho e em seguida não é mais, e eles tem motivos para deixar de ser bom.

Tanto como os humanos, eles estão sujeitos a erros, dúvidas, decisões ruins, falhas e etc. Em alguns trechos também é possível ver que os fatos terrenos acabam mudando seus pensamentos, como se a mente deles interagisse diretamente aos atos realizados por humanos. 
"Mas nem tudo que provém da natureza humana é necessariamente cruel. São seres de espírito indomável, livres como nunca fomos e nunca seremos. Talvez por sua capacidade de gerar vida, exercitam um tipo de amor sagrado, sublime, puramente divino. Se os conhecesse melhor, entenderia o que estou dizendo."
Outro ponto interessante é que além das explicações informativas durante a narrativa, se você não entender o que tal palavra significa basta consultar o glossário no final do livro. Tudo que se relaciona com a vida dos celestiais (nomes, céus, exércitos...) estão lá para não deixar dúvidas aos leitores.


A descrição dos lugares é ótima e como a história se passa no Brasil é fácil identificar elementos da cultura brasileira, o que também é interessante. O livro termina deixando uma “deixa” para a sequência, e com bastante elementos para serem explorados ainda. 

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