11 de fevereiro de 2015

Resenha: A Ascensão do Governador

Autor: Robert Kirkman e Jay Bonansinga
Série: The Walking Dead
Volume: 1 de 4 - por enquanto
Editora: Galera Record
Páginas: 361

Até começar a ver a série de TV The Walking Dead, eu simplesmente odiava zumbis, pra mim era a tudo a mesma coisa, era só dar um tiro na cabeça e pronto, era essa a história. Mas TWD é viciante, fico com ódio dos personagens, fico com raiva das atitudes estúpidas que podem acabar com suas vidas, e torço pra que sobrevivem ao mundo apocalíptico de mortos que querem a carne humana e seus cérebros. Viciei.

Foi por me viciar na série que resolvi comprar a trilogia (ou mais, já que o último volume é divido em 2 partes e há boatos que tem mais um depois) dos livros, que narra a história do Governador, o grande vilão que aparece na terceira temporada do seriado, e como ele criou esse personagem cruel e impiedoso que comandou a cidade de Woodburry nesse mundo rodeado por zumbis. A história paralela as HQs e a série, nos leva a conhecer a vida dele antes de virar o personagem tão assombroso mostrado nas telas e quais os motivos que o levaram a isso.
“É quase como se as vísceras estivessem caindo do céu, como chuva, em vez de estarem subindo por debaixo das rodas, ou escorrendo pela lataria, ou esguichando da grade frontal, enquanto o Escalade vai triturando os corpos. A matéria líquida se esparrama pelos vidros, ininterruptamente, com o ritmo de um gigantesco cata-vento, um caleidoscópio colorido, um arco-íris de tecidos humanos – vermelho-sangue-de-boi, verde-lodo-de-lago, amarelo-ocre, e preto-piche. Para Philip, é quase lindo.” 
Pensei que o livro ia trazer só o cenário de mordidas e fugas e zumbis por todos os lados, mas ele também nos mostra os sentimentos dos personagens, a angústia de não ter pra onde ir e as dificuldades enfrentadas por eles. Ao ler conhecemos a história do obstinado e mandão Philip Blake, sua frágil e inocente filha, Penny, e seu doente e covarde irmão, Brian Blake, que junto com mais dois amigos de infância buscam um lugar em meio ao caos aonde possam sobreviver.

Ao verem todos ao seu redor morrerem e virarem zumbis, os 5 personagens partem com intenção de chegar a Atlanta, onde segundo alguns, existe um refúgio. Durante o caminho enfrentam orlas de mortos-vivos, controlando suas emoções e procurando se manter vivos em meio a confusão que se forma envolta deles, consertando carros e arrombando lugares para se abrigar. Para que tudo de certo eles precisam manter a esperança, mas ao acompanhar o dia deles, se vê que ela se esvai devido ao mundo desumanizado que estão vivendo.
“Nós vamos sobreviver a esse pesadelo, e vamos fazer isso nos transformando em monstros piores que eles, está me entendendo? Agora não existem mais regras! Não existe filosofia, não existe misericórdia, não existe perdão, agora somos nós e eles e tudo o que eles querem fazer é devorar a gente! E por isso nós é que vamos devorar a porra dos zumbis! A gente vai mastigar eles e depois cuspir no chão e nós vamos sobreviver a essa situação, ou então eu vou destruir a droga do mundo! Você entendeu o que eu falei? ENTENDEU O QUE EU FALEI?”
O livro não conta como a infestação de mortos vivos começou, mas mostra como os personagens aprendem a lidar com ela sempre buscando um meio de sobreviver ao cenário assustador em que qualquer erro resulta na morte. Os conflitos também estão presentes nesse grupo, e para que todos sobrevivam precisam achar um jeito de lidar com a epidemia da melhor forma mesmo que os sentimentos de medo e pavor aflorem de todos os lados. 
"Minha é a vingança e eu retribuirei, disse o Senhor - Sangue e tecido jorram. A cada golpe espocam faíscas no asfalto. - Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo. - sussurra [...] para ninguém em especial, liberando toda a raiva e a mágoa acumuladas numa enxurrada de golpes brutais. - Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo...”.
Saber os motivos que levaram o temido Governador a agir de tal forma pegam os leitores de surpresa, e às vezes você chega ate a gostar do personagem e sentir pena dele. No final da leitura, os leitores tem uma inusitada revelação o que acaba deixando a história com uma deixa mais emocionante para o segundo livro. Continuo não gostando do Governador, mas estou ansiosa pela continuação.


COPYRIGHT © TODOS OS DIREITOS RESERVADOS | O ARMAZÉM DE IDEIAS - 2015
Design, Ilustrações e Desenvolvimento: