Editora: Verus
Série: Filhos do Éden
Volume: 1 de 3
Páginas: 473
Como seria acordar e descobrir que sua vida é uma completa mentira? Há uma guerra no céu, e outra começa a se desenvolver na terra.
O livro não só escrito por um brasileiro mas também narrado em território nacional, conta a história de Rachel (será esse seu nome?) uma jovem estudante, que vem tendo estranhos sintomas e pesadelos com uma menina que lhe pede ajuda. Menina a qual, de alguma forma misteriosa, está ligada a sua vida sem nenhum motivo aparente.
Rachel conhece Urakin e Levih – anjos – e esses insistem que ela é uma arcante desaparecida a dois anos em uma missão que eles precisam resgatar. E lógico que ela não acredita, afinal, é só uma estudante com uma vida normal.
Mas quando sua vida é exposta a um grande perigo, as historias contadas pelos dois anjos começam a se tornar mais lucidas e reais em sua mente, e muitas coisas acabam sendo reveladas. Isso faz com que ela embarque numa grande jornada para desvendar os mistérios da sua vida.
Para começar, seu namorado era na verdade uma espécie de raptor de anjos e a ataca, dando um tiro em seu peito. Antes mesmo de começar suas descobertas ela já esta entre a vida e a morte. A única pessoa que pode salvá-la é o exilado Denyel, que só aceita ajudar em troca de uma anistia para voltar ao céu e enfrentar as tropas rebeldes.
Rachel não é Rachel. Ela é realmente uma arconte desaparecida em uma missão e se chama Kaira. Todas as suas memórias foram apagadas e a vida que ela achava que tinha, na verdade, é uma mentira, talvez, vivida por outra pessoa.
Conforme a história se desenvolve ela descobre que a guerra milenar que acontece no céu, entre as tropas rebeldes de Gabriel contra Miguel, é devido ao fracasso da missão que estava destinada a cumprir. Para tentar reverter a situação ela precisa “conseguir” suas memórias de volta, descobrir o que a menina do sonho tem a ver com isso e retomar sua missão interrompida.
Para isso, ela e Denyel viajam para a Amazônia tentando encontrar a deusa Andira, do antigo povo Yamí, para que ela ajude Rachel a lembrar sua missão através de um ritual. Após vários conflitos enfrentados no caminho, sem saber se Urakin e Levih estão vivos, já que foram atacados anteriormente, os dois chegam ao templo de Andira e Rachel se lembra de tudo.
A sua missão era achar uma entrada para o terceiro céu, o Éden Celestial, para dar vantagens as tropas de Miguel e impedir que as tropas rebeldes de Gabriel passassem. A menina dos sonhos realmente esta ligada a sua vida de uma forma não esperada e bem para tentar acabar com a guerra no céu, todos precisam chegar as ruínas de Athea, uma antiga colônia da legendária Atlântida.
Spohr descreve os personagens (anjos e demônios) como quase humanos, tirando os poderes é claro. Em outros livros, os anjos são descritos como seres bons e divinos que nunca causariam o mal ou falhariam. Ver essa imagem de anjo ser destruída é um dos pontos fortes do livro. O bem e o mal se misturam na história, em alguma parte o personagem é o bonzinho e em seguida não é mais, e eles tem motivos para deixar de ser bom.
Tanto como os humanos, eles estão sujeitos a erros, dúvidas, decisões ruins, falhas e etc. Em alguns trechos também é possível ver que os fatos terrenos acabam mudando seus pensamentos, como se a mente deles interagisse diretamente aos atos realizados por humanos.
"Mas nem tudo que provém da natureza humana é necessariamente cruel. São seres de espírito indomável, livres como nunca fomos e nunca seremos. Talvez por sua capacidade de gerar vida, exercitam um tipo de amor sagrado, sublime, puramente divino. Se os conhecesse melhor, entenderia o que estou dizendo."
Outro ponto interessante é que além das explicações informativas durante a narrativa, se você não entender o que tal palavra significa basta consultar o glossário no final do livro. Tudo que se relaciona com a vida dos celestiais (nomes, céus, exércitos...) estão lá para não deixar dúvidas aos leitores.
A descrição dos lugares é ótima e como a história se passa no Brasil é fácil identificar elementos da cultura brasileira, o que também é interessante. O livro termina deixando uma “deixa” para a sequência, e com bastante elementos para serem explorados ainda.


