Série: Mago Negro
Volume: 1 de 3
Editora: Novo Conceito
Páginas: 446
Cuidado com o que você deseja, você pode se tornar um deles.
Desde Harry Potter, livros de bruxos e magia se tornaram meio clichês, e até então não tinha me interessado por nenhum, até que surgiu essa trilogia incrível, e totalmente diferente dos queridinhos de H, e resolvi dar uma chance para uma nova visão da magia. E adorei!
Pra começar a protagonista da história é uma menina, Sonea, que mora nas favelas de Imardim, capital do reino Kyralia. Essa cidade é governada tanto pelo Rei como pelo Clã dos Magos, e como todo favelado Sonea cresceu odiando as doutrinas adotadas pelos magos, rei e nobres, principalmente a purificação.
O clã envia alguns de seus magos para fazer uma espécie de “limpeza” na cidade, expulsando os pedintes e os pobres para que retornem a seu “devido lugar”: as favelas. Nessa purificação, muitas pessoas acabam morrendo pisoteadas, muitas pessoas que conseguem um lugar para morar na cidade acabam sendo expulsos nesse evento por não serem considerados uma classe importante para a cidade e Sonea e sua família foram uma das famílias expulsas.
Ao voltar para a favela, Sonea reencontra alguns antigos amigos, Harrim e Cery, envolvidos em pequenos crimes. Todos os anos durante a purificação o grupo de Harrim se reúne tentando afrontar os magos com pedras ou outros objetos, porém as pedras sempre batem no escudo protetor que os magos implantam. Devido ao ódio que sente, Sonea resolve se juntar a eles como um ato de rebeldia para mostrar que também não concorda com a ideia da purificação.
Envolvida pela raiva e pela magoa de ser expulsa da cidade, Sonea atira uma pedra contra o escudo dos magos, e deseja com toda a força que ela o ultrapasse. O que era pra se transformar em pó ao atingir a proteção mágica acaba transformando o rosto de Sonea numa versão nítida de incredulidade. A pedra simplesmente atravessa o escudo, atingindo um dos magos e a partir daí, a vida de Sonea assim como a cidade de Imardim são modificadas.
“O Clã sabe que fiz aquilo! O velho mago à vira, apontara para ela de modo que outros magos a vissem. Ela estremeceu quando a lembrança de um cadáver carbonizado surgiu em sua mente.”
A partir desse momento da história, o Clã tenta encontrar Sonea por toda a cidade e somos levados ao interior das favelas, acompanhando os esconderijos de Sonea e os riscos que ela e os amigos correm para se proteger. E ai você pensa, “ok a história vai ficar chata e ser só isso, ela se escondendo dos magos?”.
Bom o enredo realmente se baseia nos esconderijos e o envolvimento dela com os Ladrões para continuar “invisível” ao Clã, um pouco enrolado até, mas em nenhum momento a história se torna chata, maçante ou cansativa. O ritmo flui muito rápido e eu não conseguia largar o livro, precisava descobrir como ela iria controlar seus poderes, que descobriu ter, qual o novo esconderijo e como funcionava a vida dos magos que a estavam procurando. Senti a adrenalina que inalava dos personagens e isso fez a leitura se tornar ainda melhor.
Além da caça que os magos fazem para lhe achar, ela ainda precisa aprender a controlar seus poderes que são perigosos para ela e para todos da cidade. Se eles se desenvolverem sem treinamento ela pode destruir toda a cidade e mais ainda. Isso faz com que dentro do Clã comecem a surgir desavenças entre os próprios magos, já que uns querem ajudá-la e outros acham que será perigoso demais e também porque não querem manchar a imagem do Clã permitindo que uma favelada se instale lá, pois apenas filhos das Casas da Elite podem se tornar magos.
Quando Sonea se envolve definitivamente com o Clã, outros personagens começam a ganhar foco na história, como Rothem, o mago que defende com unhas e dentes a permanência de Sonea dentro do Clã. E conhecer um pouco do outro lado fez eu gostar ainda mais da história.
Os personagens são descritos como se houvesse mais por trás das aparências, o que com certeza vai render emoções nos próximos livros. Eu fiquei tão envolvida na história, que quando terminei fiquei com uma sensação de “Meu Deus, porque não tem mais livros assim?”. Fazia muito tempo que não terminava um livro já querendo pegar a continuação, mas tive que me controlar para não me atrapalhar nos sorteios da TBRJar. Espero que os próximos livros sejam tão bons como este!

