Editora: Novo Conceito
Páginas: 320
"Os detalhes diferem, é claro, assim como os atores, mas a essência é a mesma"
Voltando a sessão de resenhas depois de um tempo, resolvi continuar seguindo a ordem das minhas leituras para fazer a resenha. Por isso, hoje, vamos falar de Fragmentados. E como falar de um livro que, aparentemente, todo mundo amou e eu só achei “ok”? Pois é, eis a questão.
Fragmentados foi um dos livros que eu comprei pela capa e principalmente pelo título. Sim, o título me chamou atenção então pensei “por que não né?”. Depois de ler a sinopse fiquei mais curiosa ainda, mas confesso que esperava mais da história. O gênero distópico é um dos meus favoritos, mas acho que nenhum vai chegar aos pés do meu queridinho Jogos Vorazes.
No cenário do livro, após uma guerra, as crianças são protegidas até os 13 anos. A partir daí a “Lei da Vida” permite que os pais que não querem mais os filhos, podem mandá-los para a fragmentação. Inicialmente, a gente pensa que a fragmentação é só a retirada de órgãos de uma pessoa, mas conforme a história evolui, percebemos que qualquer parte do corpo pode ser reutilizada e, assim, seu “doador” permanece vivo aonde estiver, no corpo de quem precise.
‘‘A Lei da Vida declara que a vida humana não pode ser tocada desde o momento da concepção até que a criança chegue à idade de treze anos.’’
Temos o livro narrado a partir de três pontos de vistas, Connor, Risa e Lev, três jovens enviados para a fragmentação, ou seja, destinados a terem seus corpos separados em pedaços. Cada um deles possui uma história, mas pela “força do destino” acabam se reunindo e se ajudando.
Connor é considerado um jovem desajustado e malcriado, por isso foi enviado para a fragmentação. Risa vivia em abrigo do governo, nunca fez nada errado, mas por cortes no orçamento também foi mandada para a fragmentação. Lev foi criado e ensinado desde que nasceu que seria um dízimo, seu destino estava fadado a ir voluntariamente para a fragmentação como se isso fosse uma espécie de benção divina.
Um acontecimento aqui, um acidente ali, e os três se juntam. Em uma confusão no trânsito, os três fogem do sistema de fragmentação e agora precisam ficar escondidos e sobreviver até completar 18 anos pois, só assim, estarão livres do procedimento. Mas, talvez, a maior dificuldade dos três seja a convivência um com o outro, pois não se conhecem e nem confiam um no outro.
A escrita de Neal flui bem rápida, porém, em algumas partes do livro, não consegui me apegar aos personagens. Algumas atitudes tomadas pelos protagonistas foram completamente estúpidas e sem sentido. Se algumas cenas fossem cortadas, quem sabe eu não teria ficado tao irritada com o livro.
"Como é que alguém pode aprovar leis sobre coisas que ninguém conhece? [...] É isso que a lei é: palpites instruídos sobre o que é certo e errado"
Apesar disso, o livro me fez refletir sobre as decisões erradas ou equivocadas que tomamos, pois tudo tem uma consequência. Para os personagens a consequência era ter seus corpos divididos em vários pedaços. Quando o foco era realmente as questões de fragmentação, pude refletir sobre o verdadeiro valor da vida, mas em outras partes só queria terminar o livro logo.
Nas narrativas secundárias, a parte que mais me chamou atenção, foi a que mostrou a consciência dos fragmentários ou que usam partes de fragmentados. De certa forma as duas pessoas estão presentes e há um tipo de conflito interno na hora de tomar uma decisão. Quando cheguei em uma parte assim pensei “ok agora o livro vai ficar emocionante”, mas infelizmente foi só um trecho e fiquei na expectativa de mais partes assim. Também foi legal conhecer a história de cada personagem e o que os levou à Fragmentação, ou a fugir dela.
"As pessoas não são completamente boas nem completamente ruins. A gente passa a vida toda entrando e saindo das sombras e da luz"
A história tem um final bem amarrado, sem ganchos para uma continuação, mas pesquisando descobri que a história possui mais 4 volumes. Os próximos livros, assim como o primeiro, têm uma história independente, por isso não se ligam necessariamente com esse. Quem gosta de distopia, deve sim dar uma chance ao livro, mas tentem não ir com “muita sede ao pote” como eu fui.






