Autor: Matthew Quick
Editora: Intrínseca
Páginas: 254
Há alguns anos, minha vida literária se resumia a romances, recheados de Nicholas Sparks e essas coisas, e eu adorava, chorava horrores e tudo que se esperava de um romance. Mas os tempos mudam e os romances também mudaram dando um estilo mais moderno ao amor, e com essa mudança meu gosto literário por esse estilo foi deixado de lado.
Depois de muito terror, suspense e distopias e resolvi dar uma chance e hm.. sei que muitos vão me crucificar nessa hora, mas devia ter continuado nos outros gêneros. Eu conheci O lado bom da vida através do filme, e já havia achado bem mais ou menos, mas é como sempre dizem o livro é melhor né.. dessa vez não foi.
A história é narrada pelo protagonista Pat Peoples, que tem cerca de 30 anos e acabou de sair de uma clínica psiquiatra. Ele não sabe o motivo de ter ido para la, não sabe o que fez, mas tem certeza que quando sair do lugar ruim, como é chamada a clínica, sua esposa vai voltar para ele no final do tempo separados.
Ao sair da clínica Pat continua tendo pequenos surtos de memória e buscando reconquistar sua esposa, mesmo que ela não queira lhe ver. Seu relacionamento com os pais não é muito produtivo, apesar de sua mãe tentar fazer com que se recupere, Pat é o motivo de muita briga entre os pais, o que dificulta ainda mais sua comunicação com o pai.
Mesmo não se lembrando de grande parte dos acontecimentos antes do lugar ruim, Pat tenta recuperar a antiga vida, sempre buscando enxergar o lado bom de todas as coisas. Nem seus amigos, nem seus pais, lhe contam o que aconteceu durante seu tratamento, o que causa em Pat um comportamento infantil durante toda a história.
Para a recuperação do personagem, os amigos dele lhe apresentam Tiffany que também passa por tratamentos psicológicos, mas, mesmo com as tentativas dos amigos, Pat ainda insiste em recuperar a antiga amada. O interesse de Tiffany fica cada vez mais obvio durante a narrativa e aí? Bom e aí nada. Os personagens quase não conversam, Pat insiste em recuperar seu casamento e é isso.
A trama não é envolvente, e não tem uma narrativa cativante e surpreendente, e me desculpem os fãs, mas eu não me emocionei nenhum pouco com a história e também não achei ela tão boa quanto comentam. Na verdade, acredito que só li o livro inteiro pra não deixar mais um pela metade.
Pat é complexo, cheio de altos e baixos e extremamente ingênuo, e não achei que isso faz dele um bom personagem. Ele é carinhoso e dedicado em tentar fazer o melhor pelas pessoas que gosta, porém sofre de problemas de personalidade e todo mundo o trata realmente como uma criança o que me deixou muito irritada. Ok, ele saiu de um centro psiquiátrico, mas não acho necessário todos o tratarem como uma criança de 12 anos de idade.
Ele demora muito tempo para descobrir o que realmente fez ele e sua esposa se separarem e ai gente, esperar até as últimas 20 páginas pra algo fazer sentido dá muito sono. O único relacionamento favorável do personagem é com sua mãe e isso não dá um rumo para a história.
Seu relacionamento com o pai e o irmão se baseia em jogos de futebol americano e inclusive o livro traz muita narração dos jogos, o que, particularmente, achei bem inútil pois não acrescenta nada na história. Em praticamente todos os capítulos existe uma cena dos personagens cantando o grito de guerra dos Eagles, sempre da mesma forma, e em alguns, cheguei até a pular essas partes buscando algo mais interessante.
Pat e Tiffany, também demoram muito até criarem algum vinculo, durante mais da metade do livro os dois ficam apenas correndo sem nem falar um com o outro. Ela é louca, manipuladora e está sempre tentando usar isso em seu favor, mas no fundo tem um bom coração que se preocupa em ajudar Pat, tirá-lo daquela fissura terrível de recuperar o casamento, mas no fim só atrapalha e por isso não existe verdadeiramente um relacionamento entre os dois.
Eu não gostei do livro, não gostei do romance, não gostei dos personagens por não achá-los atraentes para a narrativa e acabei demorando demais pra ler e atrasando outras leituras. Não me emocionei com o sentido da história de tentar buscar sempre o melhor de cada situação, pois achei que até isso apareceu num sentido falho. Acho que minha época de romances e YA passou, e é claro que muita gente tem opiniões diferentes sobre a história, mas não gostei.