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21 de setembro de 2015

Resenha: Jogo Perigoso


Autor: Stephen King
Editora: Objetiva
Páginas: 172


"Era um pesadelo, tornado mais vivo e mais persuasivo pela própria leveza do sono."
Como já disse em várias resenhas por aqui, Stephen King conquistou meu coração de leitora, por isso venho tentando ler cada vez mais obras do autor. A última história dele lida foi Jogo Perigoso e confesso que foi a que menos gostei até agora. A narrativa nesse livro é diferente das demais obras de King e talvez por isso o livro não me cativou tanto como aconteceu com os outros. 

Tudo começa quando Jessie e Gerald tentam dar uma apimentada em seu casamento. Os dois começam com alguns jogos sexuais, mas Jessie acaba se arrependendo e decide não continuar com aquilo. Gerald por sua vez, não da atenção aos pedidos da esposa e depois de algumas confusões entre os dois, ele acaba sofrendo um infarto, deixando Jessie sozinha, seminua e presa à cama com algemas, na casa do lago no Maine, longe de tudo e de todos. 


O enredo traz um drama psicológico muito forte em questão do medo, da loucura e da sanidade da personagem. A situação da protagonista, é angustiante em toda a narrativa e deixa transparecer um temor que talvez muitos enfrentem algum dia, medo de ficar sozinho. Tudo que Jessie precisava era arranjar um jeito de sair daquela situação, caso contrário, morreria de fome e sede.
A maioria das pessoas associa o ato de contar até dez com o esforço de manter a calma, dissera Nora, mas o que essa contagem realmente faz é nos dar uma chance de reajustar os nossos marcadores emocionais... e qualquer um que não precise de um reajuste, no mínimo uma vez por dia, provavelmente tem problemas bem mais sérios do que os seus ou os meus.
Durante todo o enredo, Jessie ouve vozes em sua cabeça que mostram seu desespero, os sinais de loucura que vão surgindo com o passar das horas e principalmente os pesadelos do passado com os quais a protagonista se vê obrigada a encarar. Os segredos que ela tentou esconder de todos e até dela mesma vem à tona deixando Jessie cada vez mais desesperada para sair daquela situação. 

Jessie grita por ajuda em vários momentos da história, mas seus gritos não são ouvidos. O únicos sons são de uma motosserra que deve estar a quilômetros de distância e os latidos de um cachorro que resolve comer o cadáver de seu marido. As chaves das algemas estão longe, ela não tem como pedir ajuda, as vozes em sua cabeça a atormentam e a sede é cada vez maior.

Em uma das cenas em que Jessie precisa pegar um copo d'água, em cima de uma prateleira e ouve os gelos batendo contra o copo. Nessa parte, eu consegui sentir minha garganta seca como a da protagonista, sentia a necessidade dela em recuperar aquele copo, em beber a água e sobreviver. A água era tudo naquele instante e senti a agonia da personagem. A narração de King, me fez querer água tanto quanto Jessie.


A história se passa, na maior parte do tempo, dentro da cabeça da personagem, envolvendo os leitores em seus traumas, medos e lembranças do passado. O elemento sobrenatural está presente, mas se torna confuso para o leitor e é difícil interpretar se aquilo é real ou mais um truque da mente. Fiquei confusa em muitas partes da história tentando identificar se o pensamento era de Jessie ou das vozes que a acompanham na luta pela sobrevivência. 

Um dos assuntos marcantes na história, que conforme fui lendo percebi ser o ponto principal do terror da protagonista, foi o abuso que sofreu quando criança. King trouxe isso de uma forma tão impactante que me fez ficar chocada e com nojo da situação. A inocência de Jessie ao não querer contar o que aconteceu e achar que aquilo foi sua culpa, foi marcante durante a história e esse é o principal temor da protagonista. 
Você realmente a viu, Jessie. Era a Morte, e você realmente a viu, como acontece frequentemente com as pessoas que morrem em solidão. Claro que a vêem: está estampado em seus rostos contorcidos e nos olhos esbugalhados.
Por esse fato ser o mais impactante, temos aqui um ponto de ligação com outra parte da história: o medo da morte. Em meio a sua mente, já não tão lúcida, Jessie tem certeza que vê um homem parado no canto do quarto, com uma mala cheia de ossos e joias. A figura da morte foi representada no livro como o maior temor da protagonista que em meio a devaneios acreditava que o homem que via era seu pai. E nessa parte, talvez Stephen King quis mostrar que a morte pode ter várias formas, principalmente aquilo que mais se teme. 
O vento soprava. a porta batia. E em algum lugar próximo, uma tábua estalou furtivamente do jeito que as tábuas estalam quando alguém tenta não fazer ruído e pisa nelas de leve.

Cada vez que a figura, que não sabemos se é real ou não, volta, Jessie sente o pavor aflorar a pele, e ela precisa lutar desesperadamente para sair daquela situação; Ela está no seu limite, e acompanhamos a angústia da personagem do início ao fim. A história me fez pensar muitas vezes no drama enfrentado pelo protagonista de Misery, mas não chegou a ter tanto impacto como o esperado. 

O livro é uma boa história, mas por ficar confusa com as vozes e personalidades na cabeça da protagonista eu acabei deixado o livro de lado em várias ocasiões, achei a história lenta e talvez por isso não gostei tanto da obra. É claro que recomendo o livro, afinal é uma obra do mestre Stephen King, mas meu conselho é: se você já conhecer outras obras de King, leia, se você estiver pensando em começar a ler obras do autor, acho melhor começar por outra história.

11 de setembro de 2015

Stephen King recebe Medalha Nacional das Artes


O ilustríssimo escritor de terror e fantasia americano, Stephen King, foi distinguido ontem pelo presidente Barack Obama com a Medalha Nacional das Artes. A honra é entregue a indivíduos ou grupos que são merecedores de reconhecimento especial por suas notáveis contribuições para a excelência, crescimento, suporte e disponibilidade das artes nos Estados Unidos.

Stephen King é um dos autores mais populares do nosso tempo, e há décadas suas obras vem ganhando o público ao redor do mundo. Autor de vários livros de sucesso como Misery, O cemitério, Carrie, A hora do Vampiro, a série Torre Negra, e muitos outros títulos, que espero ler em breve, foi prestigiado pela sua contribuição cultural ao país, combinando talento de contador de histórias com sua análise aguçada da natureza humana. 

Vamos combinar que foi muito merecido não é?

18 de agosto de 2015

7 de julho de 2015

Resenha: Sobre a Escrita

Autor: Stephen King
Editora: Suma de letras
Páginas: 256

Vida longa ao King!

Muitos apaixonados por livros já pensaram em escrever suas próprias histórias, inventar um mundo, fantasiar, porém querer e saber escrever são duas coisas diferentes. Esse novo livro do Stephen King, que só recentemente ganhou tradução no Brasil, não me deixa mentir. E preciso destacar que o mestre de terror também é ótimo em histórias reais, sem monstros ou medo. 

O livro é dividido em quatro partes: Currículo; Caixa de Ferramentas; Sobre a escrita; Sobre a Vida. Na primeira delas, SK nos mostra o seu currículo de escritor, não seus livros publicados, mas sim como sua carreira começou, o que lhe ajudou a escrever, e como não desistir perante as inúmeras cartas de “recusado” no início da carreira. Relatos, acontecimentos e as diferentes fases da vida do autor são mostrados em uma narrativa leve e descontraída, que prende o leitor por todo o livro. 

O mestre do terror não é diferente de muitos autores por aí, teve dificuldades, teve seus textos recusados diversas vezes e vícios que quase acabaram com sua carreira e sua vida. Altos e baixos também passaram pela vida do autor, mas que com ajuda de familiares e amigos conseguiu sair de seu ‘buraco negro’ e impulsionar sua carreira.
As ideias para as boas histórias parecem vir, quase literalmente, de lugar nenhum, navegando até você direto do vazio do céu: duas ideias que, ate então, não tinham qualquer relação, se juntam e viram algo novo sob o sol. Seu trabalho não é encontrar essas ideias, mas reconhece-las quando aparecem.
No livro Stephen King cita várias referências para a criação de suas histórias, desde vícios, acidentes de carro, e até mesmo a cidade de onde veio, muitas vezes lhe ajudam a ter inspiração. Portanto futuros escritores, publicações ajudam sim, mas o currículo mais importante na vida de um escritor de livros são as próprias experiências de vida, você pode e deve utilizar sua bagagem emocional, desde que ela gere bons textos. 

O escritor dá muitas dicas, e várias vezes durante a leitura pude me sentir como se estivesse em uma sala de aula ouvindo meus professores (tanto da escola, como da faculdade) falar. Me diverti muito lendo, e principalmente aprendi muito sobre a escrita. Em meio a piadas, descontrações e histórias de vida eu tive uma magnífica aula.



Muitos pensam que para escrever um livro é preciso se isolar do mundo, se trancar num quarto e ficar lá até terminar todo o manuscrito, mas o mestre do terror nos mostra que as coisas não são bem assim. É preciso saber dividir o tempo, se concentrar quando estiver escrevendo, mas não deixar de lado as outras partes da sua vida, até porque “a vida não é um suporte à arte, é exatamente ao contrário”. 

Nesse sentido, uma das principais coisas que o autor cita é que você precisa ter alguém que lhe apoie, critique e ajude quando necessário, alguém que leia seus inúmeros projetos, lhe fale a verdade e não desista de você. Para Stephen King, sua maior auxiliadora foi sua esposa, Tabitha, que sempre procurou ser a mais sincera possível ao julgar um livro do autor. 
“Não há como transformar um escritor ruim em um bom escritor, mas há como transformar um escritor competente em um bom escritor.”
É claro que é preciso ter competência para escrever um livro, mas, além disso, também é preciso ler, e ler muito como o próprio King diz. Não existe uma formula de como se tornar um grande escrito, e talvez nem milhões de curso de escrita criativa podem ajudar, portanto, a prática diária, mesmo que exaustiva, é essencial. Assim como King, acredito que o primeiro passo para se tornar um escritor seja fazer por amor, e não pensar só na carreira de sucesso que poderá ter.
“A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar, ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que lêem seu trabalho, e também para enriquecer sua vida. A escrita é para despertar, melhorar e superar. Ficar feliz ok? Ficar feliz.”
Sobre a escrita é envolvente e prazeroso de ler, realmente uma grande aula baseada na sinceridade do autor em falar sobre sua carreira. Esse não é um livro apenas para aspirantes a escritores, mas para qualquer pessoa que deseja escrever bem, até mesmo em trabalhos escolares. Diminuir/cortar textos; deixar apenas o essencial para a história; e fazer revisão, são dicas que aprendo na faculdade, Stephen King só deixou ainda mais claro o quanto essas dicas são essenciais para uma boa escrita, além de ler muito, é claro.
“Se Você quer ser escritor, existem duas coisas a fazer, acima de todas as outras: ler muito escrever muito. Que eu saiba, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho [...] A leitura é o centro criativo da vida de um escritor. Eu levo um livro comigo aonde quer que vá, e não faltam oportunidades para mergulhar na leitura."

Esse livro foi o primeiro livro da MLI2015, mesmo não estando na TBR

26 de abril de 2015

Resenha: Misery

Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 326


Não é um sonho. Só mais um dia no parque de diversões de Annie Wilkes, que está mais para pesadelo.

Mais uma vez, o ilustríssimo SK está marcando presença nas resenhas do blog e acho que não preciso mais dizer o quanto a escrita dele é fantástica. Misery não poderia ser diferente.

Nesse livro, temos a história de Paul Sheldon, que após terminar seu mais novo romance sai para comemorar, mesmo em meio a uma nevasca, e acaba sofrendo um acidente com o carro. E é assim que conhece seu anjo da guarda, a ex-enfermeira Annie Wilkes, que o salva e leva-o para sua casa. Mas as aparências enganam não é mesmo?

Depois de algum tempo desacordado, Paul começa a retomar a consciência com murmúrios de sua salvadora, que por sinal, se diz sua fã número um. Enquanto se acostuma com a volta das memórias, descobre que Annie não é quem ele pensa. Ela não esta querendo apenas cuidar de suas pernas destroçadas ou eliminar sua dor, ela quer mais, e aos poucos vai revelando uma mente doentia que torna Paul prisioneiro. 
Como uma fã fervorosa, Annie lê o último livro lançado pelo escritor sobre Misery, mas quando descobre o final trágico que Paul deu a sua personagem favorita ela mostra o quão descontrolada pode ser. Em meio a torturas e ameaças a enfermeira quer que Paul arrume um jeito de trazer Misery de volta, e bom, para sobreviver, é isso mesmo que ele terá que fazer, mas ele não imagina que sua nova ‘editora’ seja tão exigente. 

Ela compra folhas, uma máquina de escrever, e outros materiais de escrita, e obriga Paul a começar um novo livro, o qual espera ser lido só por ela, a melhor fã do escritor. A máquina de escrever tem um pequeno detalhe: a tecla ‘n’ não funciona, sendo assim, além de escrever por horas e horas pra conseguir um mísero analgésico para suas dores, ainda precisava completar as letras faltando quando Annie não estava de bom humor. E acreditem leitores, a editora fez questão de colocar todos os ‘n’ diferentes na diagramação do livro, um detalhe que achei essencial e incrível.
E a outra voz retornou imediatamente: Eu não sei se Deus vai ajudar ou atrapalhar, mas sei de uma coisa: se você não der um jeito de ressuscitar Misery de um modo que Annie possa acreditar, ela vai matar você.
King, como sempre, conseguiu criar um cenário excelente de narrativa, com apenas dois personagens, e em muitos momentos me juntei à dor de Paul. Fiquei angustiada de uma maneira que não sabia que era possível, senti as agonias e aflições do personagem, delirei junto com ele, senti medo e o desespero do personagem ao ter a enfermeira por perto, planejei maneiras de escapar das mãos de Annie e sofri a cada novo golpe que ela aplicava ao corpo de Paul. Sentia uma empolgação crescente a cada página virada e como diz nossa personagem, estava sentada na beira da cadeira esperando pela próxima. 

As mudanças de humor de Annie foram tão bem construídas que às vezes eu nem esperava que ela se tornasse sombria de uma hora pra outra. Em um momento ela está calma, conversando, dando risada e dois segundos depois ela fica com um olhar vago, sombrio, como se fosse um buraco, e começa a gritar histericamente dando ordens e maltratando seu visitante, ou melhor dizendo, prisioneiro.
Houve um estranho intervalo de silêncio e Paul teve medo do que viu no seu rosto, pois não havia nada ali. Era o nada escuro de um abismo escondido em uma campina, trevas onde flor nenhuma desabrochava e onde se poderia cair pra sempre. Era o rosto de uma mulher que momentaneamente se desgarrara de todas as posições e marcos vitais da existência, uma mulher que esquecera não apenas a lembrança que buscava, mas a própria capacidade de lembrar.
Não se pode esquecer de dizer que da enfermeira podemos esperar tudo, sua imprevisibilidade é o que dá um toque fantástico na narrativa.  E assim como Paul acabamos percebendo que seu maior medo não é morrer, mas sim continuar vivendo no mesmo teto que a doentia e psicótica Annie Wilkes. 
Acho que você pensa em escapar. Como um rato na ratoeira, não é? Mas você não vai escapar, Paul. Se essa fosse uma das suas histórias, talvez você conseguisse, mas não é. Eu não posso deixar você ir embora... mas posso ir com você.

A caracterização é tão grande que às vezes até esquecemos que tudo se passa dentro de um quarto ou nos corredores da casa de Annie. A ação é pequena, mas a tensão entre os dois personagens, a disputa psicológica e as emoções estão tão presentes que nos envolvemos na leitura como se estivéssemos sentados em um canto só observando a cena. 

Ao contrário de outros livros do autor, o medo não vem do sobrenatural, mas está associado intensamente a mente desequilibrada da vilã. Você não sabe o que esperar da personagem e é isso que a torna interessante e uma das melhores personagens que já li em algum livro de King. 
Paul, eu estou avisando. Se essa pessoa ouvir algum barulho, ou se eu  ouvir algum barulho e pensar que ela ouviu, eu mato seja lá quem for, quantos forem, depois mato você, e aí me mato.
Para quem nunca leu nada de Stephen King, esse é um bom passo inicial, mesmo não sendo uma obra característica do autor em seus âmbitos sobrenaturais. O sobrenatural aqui é falta de lucidez da personagem, e querendo ou não, você se apaixona por cada detalhe dela, mesmo com tamanha crueldade. Recomendo esse livro mil vezes, e continuarei dizendo que SK é incrível.


25 de março de 2015

Estante Indicativa: Saco de Ossos


Bag of Bones, ou Saco de Ossos em português, é uma minissérie baseada na obra homogênea de Stephen King, dividida em apenas dois episódios. Pra quem quer conhecer algumas das adaptações do mestre do terror essa minissérie pode ser o primeiro passo. 

A narrativa conta sobre Mike Noonan, um escritor que sofre há quatro anos a perda de sua esposa Jo, para tentar eliminar essa falta ele resolve retornar à antiga casa herdade de seu avô, que eles mantinham, fãs de SK adivinhem onde? Exatamente, no Maine. Antes de sua esposa morrer ele era um dos autores reconhecidos pelo New York Times, mas vê sua vida mudar de uma forma repentina com o trágico acidente que matou sua mulher. 

O escritor passa a tentar conectar-se de todas as maneiras com Jo para suprir a saudade que sente e recuperar sua criatividade que está afetada pelos diversos acontecimentos. Nada de projetos, nada de livros, nada escrito em nenhuma das folhas, um total espaço em branco e um imenso bloqueio criativo, até que eventos sobrenaturais começam a acontecer. Mike tem horríveis pesadelos com o lago que está na propriedade de sua casa e de uma maneira inexplicável ele consegue estabelecer um tipo de contato do além com sua esposa já falecida. 
Você está aí?
Um pra sim.
Dois pra não.
Mas o que ninguém esperava era que outra entidade também estivesse se comunicando com Mike e bloqueando a ajuda que sua esposa estava tentando promover. Com essas turbulências de pensamentos, ao dar uma volta pela pequena cidade, Mike conhece Kyra e sua mãe Mattie que estão em uma situação complicada referente à guarda da criança, já que o avô da garotinha está tentando tomá-la da mãe. Ao conhecer melhor sobre a situação da mãe e filha e tentar ajudá-las, Mike descobre que nada na sua vida é uma mera coincidência e as poucos com a ajuda de Mattie começa a encaixar as peça que não envolve só a si mesmo, mas também a família que acabou de conhecer. 

Inicialmente eu fiquei curiosa pela minissérie logo que li o título, mas o que chama mais a atenção é a menina imersa em água que está presente na capa tanto do livro (que ainda não li) como da série. E bom, depois que descobri que era uma adaptação de SK pensei “eu preciso ver” e foi assim que descobri todo o mistério que envolve o título e a menina da capa em uma coisa só. 


Como já falei, ainda não li o livro, mas na adaptação já conseguimos perceber o jeito King de fazer as coisas. No início, ou melhor dizendo, no primeiro episódio, a história retrata apenas o cotidiano de uma pequena cidade e os problemas pessoais de cada personagem da narrativa, contudo cheio de detalhes que requer bastante atenção do espectador. A série deixa as informações um pouco no ar, e além de atenção necessita de paciência para descobrir os mistérios, então se você espera algo agitado desde o início essa minissérie não é pra você. 

O crescimento emocional de Mike foi sensacional, passando de um processo turbulento, nostálgico e confuso a uma mente determinada a descobrir o mistério que não envolve só a si mesmo e a como sobreviver a ele. O modo como as coisas foram resolvidas me deixaram empolgadas e estava naquele estilo de sentar na beira do sofá pra acompanhar mais de perto os acontecimentos.

Gostei do enredo, do cenário e da construção dos personagens que como sempre SK faz minuciosamente bem. Pra quem curte um terror/suspense Saco de Ossos é super recomendada apesar de alguns dizerem que não foi a melhor adaptação das obras de King. Agora, assista e Cale-se, saco de ossos! 

20 de março de 2015

Resenha: A hora do Vampiro

Autor: Stephen King
Editora: Objetiva
Páginas: 319


Quando as sombras do pavor encobrem a cidade é chegada A HORA DO VAMPIRO! 


Esse é mais um livro do ilustríssimo SK que tenho o prazer de ler, e posso dizer que assim como o primeiro é muito bom, estou apaixonada pela escrita de King, que esta honrando seu sobrenome em todos os livros que leio. Já havia visto o filme baseado na história, mas ler dá outro ponto de vista, até porque livros têm bem mais detalhes que as adaptações. 

A história se passa na pequena cidade fictícia de Jurasalém’s Lot, como sempre no Maine, apelidada carinhosamente pelos moradores como Salem’s Lot. A história, no início, vai contando a vida dos moradores da cidadezinha, seus segredos, suas rotinas de trabalho e pessoais, como uma forma de apresentação dos moradores, mas ao longo de seu desenvolvimento os mistérios começam a surgir. 
 “Se ele sabia o que era morte? Claro. Era quando os monstros te pegavam.”
O protagonista do enredo é Ben Mears, um escritor um tanto desconhecido, que retorna a cidade para encarar e superar seus medos de quando era criança. Para isso ele resolve escrever um livro sobre a Mansão Marsten, citada no livro muitas vezes como os olhos que observam a cidade, que o assombra há anos por causa de uma experiência, nada agradável, de infância. Mas ao chegar em Salem’s Lot descobre que a Mansão, onde pretendia se abrigar, foi comprada por dois senhores, Straker e Barlow, e é aí que o suspense do livro começa.

Estranhos desaparecimentos e mortes começam a acontecer na cidadezinha, o que não é comum para os moradores. Dois fatos são associados a essas duas coisas: a chegada do escritor com seu interesse pela Mansão, e a compra da mesma que já possuía um histórico de assassinatos e suicídios. 

A suspeita de que algo sobrenatural esta acontecendo na cidade cresce, e depois de algumas investigações, um grupo de pessoas tenta descobrir se os boatos de que existem vampiros em Salem’s é real ou apensas projeções de suas mentes com medo. Entre esse grupo estão o escritor, sua namorada Susan Nortan, o padre Callahan com sua fé insegura, o corajoso médico Jimmy Cody, e o garotinho apaixonado por monstros, Mark Petrie. Todos vão em busca de uma forma de se livrar do assassino que ronda a, até então, pacata cidadezinha.

Com a escrita sensacional, King consegue nos fazer sentir as emoções dos personagens, o que é muito bom. Em várias partes do livro você consegue sentir o medo de ter alguém te seguindo ou medo de pisar em algo que faça barulho e de ver o que tem atrás das portas. É fácil sentir o pânico dos personagens, a adrenalina que eles têm a cada de cena descrita. 
Chegou ao alto e se virou em silêncio para o corredor. A porta do quarto de hóspedes estava aberta. Ele a deixara fechada. Do andar de baixo, vinha o som constante da voz de Susan. Andando com cautela para não fazer barulho, ele foi até a porta e parou diante dela. A base de todos os medos humanos, pensou ele. Uma porta entreaberta.
A narrativa é bastante descritiva, cheia de detalhes, até o nome da cidade tem um motivo que é explicado aos leitores ao longo da leitura. A importância dos personagens é grande, mesmo aqueles que ficam em segundo plano, ou aqueles que não são humanos, como o caso do cachorro que é encontrado morto no portão do cemitério. Você pode achar que a descrição dele é inútil para a história mas ao seguir a narrativa percebe que até a cor do cachorro faz todo o sentido de estar ali. Não li o Drácula, mas muitos comparam a descrição da criatura maligna e sombria com ele, até o próprio autor que deixa na história algumas frases que se referem à narrativa criada anteriormente por Bram Stoker.

Outra parte importante descrita na história é o modo como os vampiros são ‘derrotados’ que esta ligada inteiramente a religião, mas não aos símbolos em si. No livro você pode ter a cruz para espantar os ‘vilões’ mas se você não tem fé que ela funcione de verdade, e tenha poder de combatê-los ela não vai passar de um pedaço de madeira.

Fonte: Psychobooks

O título é um baita spoiler para quem ainda não sabe nada da história, mas como já sabia o enredo da trama, não mudou nada. O livro foi relançado com o título de ‘Salem, pela Suma de Letras, com uma nova capa e tradução, mas o spoiler continua lá com a frase ‘ lançado anteriormente como A hora do Vampiro’, mas acredito que isso não interfira na narrativa e nem no desenvolvimento da história que é realmente muito boa.

18 de janeiro de 2015

Resenha: O cemitério

Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 424

Até onde você iria para salvar um ente querido? Qual o limite entre a loucura e a sanidade? Qual o nível de medo que a morte representa?


Por insistência de um grande amigo, esse foi o primeiro livro que li do espetacular Stephen King. Nunca tinha lido nada do gênero de terror e suspense e começar por esse foi quase um soco no estômago que fez eu me arrepender de não ter começado antes. 

O enredo conta a história de Louis Creed e sua adorável família. Ele é um jovem médico que consegue um emprego no ambulatório universitário em Ludlow, uma cidadezinha do Maine, e quando chegam à nova casa, tem uma sensação que agora tudo dará certo, que fizeram a escolha certa e terão uma vida tranquila na nova cidadezinha pacata. Grande engano. 

Logo que chegam, eles conhecem o vizinho Jud Crandall e sua esposa Norma, que moram do outro lado da estrada da Rota 15 muito movimentada e perigosa. O senhor simpático que parece conhecer todos os mistérios da região, os leva para conhecer as propriedades do terreno e nesse passeio acabam conhecendo o “simitério de bichos”, local onde as crianças enterram seus animais que morreram, principalmente, por causa da estrada, por varias gerações. 

Fonte: Psychobooks

Tudo parecia uma história fantasiosa de um senhor de idade que já viveu demais, mas após um acidente de trabalho, as coisas começam a ficar diferentes para Louis. Logo no primeiro dia no ambulatório da universidade, o jovem Victor Pascow morre de uma forma trágica, e acaba voltando em um sonho de Louis, vívido demais, o alertando sobre o terreno além do “semitério” de animais. (será que foi sonho ou só a preocupação da morte o assombrando?).

O sonho passou a atormentar Louis por dias, e devido ao seu comportamento estranho ele pede para que a família viaje para passar a Ação de Graças junto com os pais de sua esposa enquanto ele reorganiza seus pensamentos. Durante a viagem, por um descuido, o gato da filha é atropelado na Rota 15 e Jud o leva para conhecer o cemitério além do ‘simitério’ de bichos. E é aí que Louis Creed começa sua batalha entre manter sua sanidade ou se deixar envolver com os mistérios do lugar que podem levar à loucura.

Louis enterra o gato num antigo cemitério indígena dos micmac, que traz consigo a história do Wendigo, uma lenda do norte dos Estados Unidos, de um ser humano que passou muita fome durante um inverno e acabou aderindo às práticas do canibalismo para sobreviver, virando um monstro após isso. O cemitério é diferente, e ao enterrar o gato lá, ele acabou voltando à vida no dia seguinte, mostrando a Louis que às vezes é melhor aceitar a morte.

O gato voltou, mas não é o mesmo. Agora ele parece moribundo, lento, com um cheiro ruim e costumes que nunca teve como caçar ratos. Ele tem um jeito meio “morto”, e toda a família nota essa diferença. Depois desse acontecimento, tudo começa a parecer uma loucura para Louis e as coisas só pioram.
“Um homem planta o que pode e cuida do que plantou...”
Não posso falar o que acontece depois, porque a melhor parte do livro é ver como o personagem se transforma num louco devido aos acontecimentos futuros que ocorrem na sua família. A ação desesperada do personagem é nítida e fica cada vez pior com o passar do tempo e é isso que deixa a história com o clima de terror, medo e suspense arrepiante. 

O livro é divido em três partes, na primeira encontramos a apresentação dos personagens, seu dia a dia, na segunda um evento sobrenatural acontece fazendo com que Louis lide com as consequências de seus atos e a terceira é a mais aterrorizante mostrando a insanidade que a mente humana pode chegar com a morte de um ente querido. Stephen King escreve de uma forma envolvente do início ao fim, em algumas partes intercalando o pensamento dos personagens, o que, particularmente, achei bem interessante.

A morte está presente em todo o enredo do livro, inclusive na cabeça de Rachel, esposa de Louis, que viu sua irmã morrer quando era jovem e por isso evita falar sobre qualquer assunto que se relacione a isso. A descrição do autor sobre a doença da irmã é tão vívida que da quase pra sentir o cheiro descrito e as emoções relatadas. 

A tragédia que envolve os Creed é pesada e agonizante, e as fronteiras da vida e da morte se misturam assim como o poder de Deus e do homem, sobre coisas impossíveis. Em alguns trechos existem passagens bíblicas sobre Lázaro o que da um tom mais sinistro ainda para a história. O livro é perturbador e nos leva a pensar sobre a incapacidade humana de lidar com a perda, explorando os limites que estamos dispostos a encarar e romper por aquilo que amamos e o quanto isso pode ser perigoso. 

Para quem está começando no gênero de terror, assim como eu, essa é uma ótima obra para começar. Espero ler mais coisas do SK e me surpreender mais ainda com sua capacidade de aterrorizar a mente humana. Nunca sabemos nosso limite, mas até onde você iria para ter de volta alguém que ama?

Fonte editada: Psychobooks

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