7 de julho de 2015

Resenha: Sobre a Escrita

Autor: Stephen King
Editora: Suma de letras
Páginas: 256

Vida longa ao King!

Muitos apaixonados por livros já pensaram em escrever suas próprias histórias, inventar um mundo, fantasiar, porém querer e saber escrever são duas coisas diferentes. Esse novo livro do Stephen King, que só recentemente ganhou tradução no Brasil, não me deixa mentir. E preciso destacar que o mestre de terror também é ótimo em histórias reais, sem monstros ou medo. 

O livro é dividido em quatro partes: Currículo; Caixa de Ferramentas; Sobre a escrita; Sobre a Vida. Na primeira delas, SK nos mostra o seu currículo de escritor, não seus livros publicados, mas sim como sua carreira começou, o que lhe ajudou a escrever, e como não desistir perante as inúmeras cartas de “recusado” no início da carreira. Relatos, acontecimentos e as diferentes fases da vida do autor são mostrados em uma narrativa leve e descontraída, que prende o leitor por todo o livro. 

O mestre do terror não é diferente de muitos autores por aí, teve dificuldades, teve seus textos recusados diversas vezes e vícios que quase acabaram com sua carreira e sua vida. Altos e baixos também passaram pela vida do autor, mas que com ajuda de familiares e amigos conseguiu sair de seu ‘buraco negro’ e impulsionar sua carreira.
As ideias para as boas histórias parecem vir, quase literalmente, de lugar nenhum, navegando até você direto do vazio do céu: duas ideias que, ate então, não tinham qualquer relação, se juntam e viram algo novo sob o sol. Seu trabalho não é encontrar essas ideias, mas reconhece-las quando aparecem.
No livro Stephen King cita várias referências para a criação de suas histórias, desde vícios, acidentes de carro, e até mesmo a cidade de onde veio, muitas vezes lhe ajudam a ter inspiração. Portanto futuros escritores, publicações ajudam sim, mas o currículo mais importante na vida de um escritor de livros são as próprias experiências de vida, você pode e deve utilizar sua bagagem emocional, desde que ela gere bons textos. 

O escritor dá muitas dicas, e várias vezes durante a leitura pude me sentir como se estivesse em uma sala de aula ouvindo meus professores (tanto da escola, como da faculdade) falar. Me diverti muito lendo, e principalmente aprendi muito sobre a escrita. Em meio a piadas, descontrações e histórias de vida eu tive uma magnífica aula.



Muitos pensam que para escrever um livro é preciso se isolar do mundo, se trancar num quarto e ficar lá até terminar todo o manuscrito, mas o mestre do terror nos mostra que as coisas não são bem assim. É preciso saber dividir o tempo, se concentrar quando estiver escrevendo, mas não deixar de lado as outras partes da sua vida, até porque “a vida não é um suporte à arte, é exatamente ao contrário”. 

Nesse sentido, uma das principais coisas que o autor cita é que você precisa ter alguém que lhe apoie, critique e ajude quando necessário, alguém que leia seus inúmeros projetos, lhe fale a verdade e não desista de você. Para Stephen King, sua maior auxiliadora foi sua esposa, Tabitha, que sempre procurou ser a mais sincera possível ao julgar um livro do autor. 
“Não há como transformar um escritor ruim em um bom escritor, mas há como transformar um escritor competente em um bom escritor.”
É claro que é preciso ter competência para escrever um livro, mas, além disso, também é preciso ler, e ler muito como o próprio King diz. Não existe uma formula de como se tornar um grande escrito, e talvez nem milhões de curso de escrita criativa podem ajudar, portanto, a prática diária, mesmo que exaustiva, é essencial. Assim como King, acredito que o primeiro passo para se tornar um escritor seja fazer por amor, e não pensar só na carreira de sucesso que poderá ter.
“A escrita não é para fazer dinheiro, ficar famoso, transar, ou fazer amigos. No fim das contas, a escrita é para enriquecer a vida daqueles que lêem seu trabalho, e também para enriquecer sua vida. A escrita é para despertar, melhorar e superar. Ficar feliz ok? Ficar feliz.”
Sobre a escrita é envolvente e prazeroso de ler, realmente uma grande aula baseada na sinceridade do autor em falar sobre sua carreira. Esse não é um livro apenas para aspirantes a escritores, mas para qualquer pessoa que deseja escrever bem, até mesmo em trabalhos escolares. Diminuir/cortar textos; deixar apenas o essencial para a história; e fazer revisão, são dicas que aprendo na faculdade, Stephen King só deixou ainda mais claro o quanto essas dicas são essenciais para uma boa escrita, além de ler muito, é claro.
“Se Você quer ser escritor, existem duas coisas a fazer, acima de todas as outras: ler muito escrever muito. Que eu saiba, não há como fugir dessas duas coisas, não há atalho [...] A leitura é o centro criativo da vida de um escritor. Eu levo um livro comigo aonde quer que vá, e não faltam oportunidades para mergulhar na leitura."

Esse livro foi o primeiro livro da MLI2015, mesmo não estando na TBR
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