Editora: Suma de Letras
Páginas: 424
Até onde você iria para salvar um ente querido? Qual o limite entre a loucura e a sanidade? Qual o nível de medo que a morte representa?
Por insistência de um grande amigo, esse foi o primeiro livro que li do espetacular Stephen King. Nunca tinha lido nada do gênero de terror e suspense e começar por esse foi quase um soco no estômago que fez eu me arrepender de não ter começado antes.
O enredo conta a história de Louis Creed e sua adorável família. Ele é um jovem médico que consegue um emprego no ambulatório universitário em Ludlow, uma cidadezinha do Maine, e quando chegam à nova casa, tem uma sensação que agora tudo dará certo, que fizeram a escolha certa e terão uma vida tranquila na nova cidadezinha pacata. Grande engano.
Logo que chegam, eles conhecem o vizinho Jud Crandall e sua esposa Norma, que moram do outro lado da estrada da Rota 15 muito movimentada e perigosa. O senhor simpático que parece conhecer todos os mistérios da região, os leva para conhecer as propriedades do terreno e nesse passeio acabam conhecendo o “simitério de bichos”, local onde as crianças enterram seus animais que morreram, principalmente, por causa da estrada, por varias gerações.
Fonte: Psychobooks
Tudo parecia uma história fantasiosa de um senhor de idade que já viveu demais, mas após um acidente de trabalho, as coisas começam a ficar diferentes para Louis. Logo no primeiro dia no ambulatório da universidade, o jovem Victor Pascow morre de uma forma trágica, e acaba voltando em um sonho de Louis, vívido demais, o alertando sobre o terreno além do “semitério” de animais. (será que foi sonho ou só a preocupação da morte o assombrando?).
O sonho passou a atormentar Louis por dias, e devido ao seu comportamento estranho ele pede para que a família viaje para passar a Ação de Graças junto com os pais de sua esposa enquanto ele reorganiza seus pensamentos. Durante a viagem, por um descuido, o gato da filha é atropelado na Rota 15 e Jud o leva para conhecer o cemitério além do ‘simitério’ de bichos. E é aí que Louis Creed começa sua batalha entre manter sua sanidade ou se deixar envolver com os mistérios do lugar que podem levar à loucura.
Louis enterra o gato num antigo cemitério indígena dos micmac, que traz consigo a história do Wendigo, uma lenda do norte dos Estados Unidos, de um ser humano que passou muita fome durante um inverno e acabou aderindo às práticas do canibalismo para sobreviver, virando um monstro após isso. O cemitério é diferente, e ao enterrar o gato lá, ele acabou voltando à vida no dia seguinte, mostrando a Louis que às vezes é melhor aceitar a morte.
O gato voltou, mas não é o mesmo. Agora ele parece moribundo, lento, com um cheiro ruim e costumes que nunca teve como caçar ratos. Ele tem um jeito meio “morto”, e toda a família nota essa diferença. Depois desse acontecimento, tudo começa a parecer uma loucura para Louis e as coisas só pioram.
“Um homem planta o que pode e cuida do que plantou...”
Não posso falar o que acontece depois, porque a melhor parte do livro é ver como o personagem se transforma num louco devido aos acontecimentos futuros que ocorrem na sua família. A ação desesperada do personagem é nítida e fica cada vez pior com o passar do tempo e é isso que deixa a história com o clima de terror, medo e suspense arrepiante.
O livro é divido em três partes, na primeira encontramos a apresentação dos personagens, seu dia a dia, na segunda um evento sobrenatural acontece fazendo com que Louis lide com as consequências de seus atos e a terceira é a mais aterrorizante mostrando a insanidade que a mente humana pode chegar com a morte de um ente querido. Stephen King escreve de uma forma envolvente do início ao fim, em algumas partes intercalando o pensamento dos personagens, o que, particularmente, achei bem interessante.
A morte está presente em todo o enredo do livro, inclusive na cabeça de Rachel, esposa de Louis, que viu sua irmã morrer quando era jovem e por isso evita falar sobre qualquer assunto que se relacione a isso. A descrição do autor sobre a doença da irmã é tão vívida que da quase pra sentir o cheiro descrito e as emoções relatadas.
A tragédia que envolve os Creed é pesada e agonizante, e as fronteiras da vida e da morte se misturam assim como o poder de Deus e do homem, sobre coisas impossíveis. Em alguns trechos existem passagens bíblicas sobre Lázaro o que da um tom mais sinistro ainda para a história. O livro é perturbador e nos leva a pensar sobre a incapacidade humana de lidar com a perda, explorando os limites que estamos dispostos a encarar e romper por aquilo que amamos e o quanto isso pode ser perigoso.
Para quem está começando no gênero de terror, assim como eu, essa é uma ótima obra para começar. Espero ler mais coisas do SK e me surpreender mais ainda com sua capacidade de aterrorizar a mente humana. Nunca sabemos nosso limite, mas até onde você iria para ter de volta alguém que ama?
Fonte editada: Psychobooks


