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26 de agosto de 2016

Estante Indicativa: Penny Dreadful

Ano: 2014 - 2016
Temporadas: 3
Episódios: 27

Criada por John Logan e produzida por Sam Mendes para o canal ShowTime, Penny Dreadful é uma série com aspecto sombrio e cheia de mistérios. Resolvi assistir a série por indicação de amigos, e como se tratava de uma história cheia de sobrenatural resolvi dar uma chance. 

O arco inicial da série se baseia em uma busca feita por Sir Malcom Murray (Timothy Dalton), juntamente com Vanessa Ives, para encontrar sua filha Mina sequestrada por algo sobrenatural. É aqui, logo no início da série que as referências aos clássicos da literatura começam a ser feitas. Mina Murray nos clássicos, seria a reencarnação da esposa do Conde Drácula, mas essa não é a única referência de personagens famosos e muito menos o arco principal da série.
O que é o amor senão uma criatura que deseja ser libertada? O que nos trará além de destruição e ruína?

Por se passar na Era Vitoriana de Londres, o seriado une vários personagens famosos dos livros, que posteriormente também ganharam as telas do cinema e da televisão, para compor o enredo. Esse período, permitiu que a mitologia e o sobrenatural se espalhassem, fazendo surgir várias histórias com esses temas, Penny Dreadful conseguiu reunir alguns deles para criar sua própria narrativa.

Entre os clássicos da literatura, além de Drácula, se encontram Frankenstein e seu monstro, Dorian Gray, Van Helsing e, também, as famosas criaturas sobrenaturais: vampiros, bruxas e lobisomens que compõem o restante do enredo. Em determinado capítulo também temos uma breve aparição das Sufragistas lutando por seus direitos.

A história principal se baseia na conturbada vida de Vanessa Ives (Eva Green), uma moça com um passado sombrio e misterioso, que aos poucos vai recrutando pessoas que a ajudam pelo caminho. O seriado não revela nada “de cara”, portanto para descobrir toda a história de Vanessa, precisamos assistir tudo com bastante atenção.


A fotografia, os efeitos e o figurino de Penny Dreadful são impecáveis. Temos uma Inglaterra Vitoriana retratada fielmente e podemos sentir a atmosfera que pairava na época, tudo com um ar sombrio e cheia de perigos. Vemos diálogos cheio de referências poéticas, roupas extravagantes e inocência se perdendo no mundo e tudo é retratado perfeitamente. Porém, alguns dos arcos da história acabam ficando superficiais e sem muitas explicações, como se aquilo só tivesse sido jogado ali para dar mais um toque misterioso para série.

Muitos personagens retratados, principalmente os dos clássicos da literatura, não são fielmente retratados. A série não busca mostrar como cada um deles chegou naquele ponto, eles só estão ali como um meio de compor a história da protagonista. Pelas críticas que li, vi que muitas pessoas não gostaram dessa versão romantizada dos personagens, mas eu não me senti incomodada.

Um destaque de Penny Dreadful, foi a maravilhosa atuação de Eva Green. O papel principal, de vilã, mocinha e sombria, Vanessa Ives, caiu perfeitamente para a atriz, parece que o papel foi feito exatamente para que ela interpretasse. Suas expressões são muito fortes e dão um toque clássico e calmo e, ao mesmo tempo, assustador durante todos os episódios. A atriz foi realmente sensacional em sua atuação.


Em minhas pesquisas, também descobri que o nome da série, é uma singela homenagem a obras de apelo popular que eram vendidos naquela época. Os Penny Dreadfuls, em sem sentido mais literal, significavam “centavos do terror”, e eram publicações de ficção e terror vendidos na Inglaterra por apenas um centavo no século XIX. Eles foram uma forma de desenvolver o hábito de leitura das camadas populares, e por isso tinham um toque bem apelativo.

Bom, eu adorei Penny Dreadful, esperava algo diferente no final, e sim, esperava mais explicações de algumas partes, mas, como um todo, é uma série boa, que traz bastante referência aos clássicos do terror e sobrenatural. 

Os episódios são bem longos, a série é um pouco lenta e por isso não é uma série recomendada para fazer maratonas pois ela não tem muita ação. Para quem gosta de histórias mais intensas é uma série recomendada, para outros que não tem muita paciência para esperar as coisas acontecerem, recomendo que procure outra coisa para assistir.

E pra finalizar, deixo aqui uma parte de um dos poemas de John Clare também citado no seriado, em uma cena de forte representação, para mostrar a personalidade dos personagens e sua obscuridade.
Eu sou, mas o que sou ninguém se importa ou conhece; meus amigos desistiram de mim, como uma memória perdida; Sou o consumidor das minhas próprias mágoas. Elas ascendem e desaparecem em chão estéril, como sombras em dores delirantes de um amor sufocado. E ainda assim, eu sou, eu vivo – como vapores tremulantes. Em meio a um nada ruidoso e escandescente. Em meio a um vivo mar de sonhos vigilantes, onde não há sentido de vida ou alegrias [...]

21 de abril de 2016

Sessão Pipoca - Hush: A morte ouve

Há tempos não fazia um Sessão Pipoca por aqui. Os últimos foram referentes ao Oscar, provavelmente em Janeiro ou Início de Fevereiro, mas encontrei um motivo para voltar com a sessão.

Muitos filmes emocionam, fazem refletir, causam medo, mas fazia tempos que um filme não me deixava assim: totalmente agoniada. O último filme que me deixou desse jeito foi 172 Horas, e pensem comigo, ele foi lançado há 6 anos atrás. Isso é muito tempo!

Bom sem mais delongas, vamos a crítica/resenha ou o que vocês decidirem chamar. Prometo ser mais breve nessa. 

Diretor: Mike Flanagan
Gênero: Terror, Thriller
Duração: 1h 37min
Ano: 2016

Como muitos já sabem, a Netflix tem investido bastante em produções próprias, principalmente em séries, e está pretendendo expandir seu catálogo de filmes originais também. E bom, o mês de abril começou com o lançamento de Hush: A morte ouve, somente no streaming. Alguns podem pensar que o enredo é clichê: invasão domiciliar, mas é a forma como a história é conduzida que a faz interessante.

Na trama Maddie Young, interpretada pela lindíssima Kate Siegel, é uma escritora que vive recruta, praticamente isolada de tudo, num mundo sem barulhos. As únicas pessoas ao redor são os vizinhos, John e Sarah, com quem ela mantém certo contato. Maddie teve meningite na adolescência e, o resultado da doença a tornou surda-muda, portanto vocês devem imaginar o meu sofrimento.


O filme realmente começa a se desenvolver quando um homem mascarado aparece na sua porta tentando fazer um jogo psicológico com a protagonista. O homem, assassino e misterioso interpretado por John Gallagher não foi totalmente apresentado ao público. Só o que sabemos dele é que ele é um assassino a sangue frio que anda com uma besta pronta para matar. Isso não causou nenhum dano ao filme, pelo contrário deu enfoque ao medo do desconhecido. 

Maggie possui seus instintos para fugir da situação, e muitas vozes na cabeça, vozes dela mesma, lhe dando ideias do que fazer, mas ela sabe que a única opção que tem é matar ou morrer. São as escolhas dela que fazem a história continuar, cada passo, cada ação, define o rumo do filme e dela mesma. 

O jogo de som do filme é excelente, ouvimos os barulhos, ouvimos o que de fato envolve a cena, mas também ouvimos o nada da protagonista. Em muitos momentos do filme, não há barulho nenhum, o que nos deixa apreensivos, querendo avisar a personagem do perigo e tirá-la dali. (Por favor alguém faz ela olhar pra trás!). Com o silêncio do filme, temos a mesma falta de percepção de Maggie e gente, percebi que é difícil lidar com a falta de barulho. 

A atriz foi brilhante durante o filme, pois mesmo sem fala alguma, ela conseguiu prender minha atenção na tela apenas com suas ações e decisões. Ou seja, excelente. Aliás, o filme todo não possui muitos diálogos e as formas de comunicação entre a protagonista e seu assassino são bem diferentes do usual. Particularmente, achei isso maravilhoso. 

O fôlego e a tensão começam a afloram mesmo no último ato, os últimos minutinhos. Silêncio, e só o que consegui pensar foi: e agora? O confronto final entre os dois garantiu o ponto forte do filme. Vilão e mocinha são levados ao limite do desgaste físico e emocional, e nós espectadores, ficamos na expectativa até o último segundo. 

Esse filme mexeu com meus nervos de uma maneira que nem sei explicar. A única sensação que tive era a de querer entrar dentro do filme e ajudar a protagonista e gritar pra ela, mesmo que não adiantasse. Que sensação agoniante! Vale ressaltar a fotografia incrível do filme, que conseguiu transmitir a tensão e suspense como se é esperado.

Se você assina Netflix, vá assistir. E se não, comece a assinatura agora mesmo! Espero que ao assistir, compreendam a minha agonia. 

10 de março de 2016

Estante Indicativa: Super-Heróis


Quem aqui gosta de seriados? Pois é, eu sou viciada! Sempre que posso estou procurando novas séries para ver e, de uma lista enorme dos que ainda quero assistir, acabei encontrando um amor por super-heróis da DC e da Marvel. Sempre gostei desse tipo de história, mas costumava só ver os filmes baseados nos quadrinhos, criando um certo receio sobre as séries. Um grande engano!

Nesses meses de férias descobri um novo vício, em 3 séries: torcer para que os bandidos fossem pegos. No fim, eu acabei sendo pega pelos personagens também e não consegui mais parar de assistir. A cada novo episódio, um novo mistério, um final surpreendente e uma vontade cada vez maior de ver o próximo, e o próximo e o próximo episódio sem parar. Foi assim com Arrow, Flash e Jessica Jones. Pra quem não conhece, tentarei fazer um breve resumo sobre elas.



Essa é uma série americana, baseada nos quadrinhos da DC Comics, Arqueiro Verde, que acompanha a vida do bilionário Oliver Queen, que após naufragar numa ilha "deserta" chamada Lian Yu (purgatório em chinês) por 5 anos, retorna com a intenção de salvar sua cidade, Starling City, combatendo os crimes e buscando uma forma de honrar a morte de seu pai. O mistério por trás do personagem é enorme, e cria uma necessidade de saber o que realmente aconteceu na ilha misteriosa em que esteve. 

Quando retorna para a cidade, ele precisa recriar seus relacionamentos e reconquistar a confiança de entes queridos, mas os segredos que o envolvem torna isso difícil. Ao longo das temporadas Arrow cresce, revela aos poucos seus segredos, aprende a confiar nas pessoas e conta com um time que o ajuda a combater o crime, principalmente John Diggle e Felicity Smoak, minha personagem preferida. 

A série iniciou em 2012 na televisão americana e está em sua quarta temporada, com 23 episódios cada uma. No Brasil ela é transmitida pela Warner Channel Brasil e na TV aberta pelo SBT. Durante todas as temporadas, o seriado conta com flashbacks do passado de Oliver na ilha e mostra como isso o mudou, tornando-o no que é hoje, o que deixa o seriado ainda melhor.



Essa é mais uma série baseada nos quadrinhos da DC e eu comecei a assistir porque nosso personagem Barry Allen aparece em alguns episódios de Arrow, e bom, como já estava viciada em uma porque não assistir as duas? 

The Flash estreou em 2014 e o nome a torna auto explicativa. Barry Allen, um CSI, é o super-herói que combate o crime em Central City (mesmo cenário fictício de Arrow) com sua velocidade sobre-humana após ser atingido por um raio. O mal funcionamento no Acelerador de Partículas que lhe deu essa nova habilidade, também concedeu poderes a outras pessoas, as quais são combatidas por Flash para não causarem o mal de pessoas inocentes. O mistério da série envolve o estranho assassinato de sua mãe que injustamente incrimina o pai de nosso personagem. Barry passa a ser criado pelo detetive Joe West e sua filha Iris com quem cria uma forte relação. 

Desde pequeno ele tem uma obsessão por descobrir o verdadeiro motivo da morte de sua mãe, o que acaba o afastando das pessoas próximas, mas após ganhar sua nova habilidade, seu trágico passado começa a ser revelado, instigando a curiosidade do público e fazendo com que a desconfiança cresça em cima dos personagens, principalmente o Dr Harrison Wells. Barry também conta com uma equipe, Caitlin Snow e Cisco Ramon, que o ajudam a combater os crimes da cidade. 

A série está em sua segunda temporada de 23 episódios cada. Ela também é exibida pela Warner Channel. Flash e Arrow possuem vários crossovers durante suas temporadas o que torna quase impossível você não assistir as duas.



A terceira e última série dessa lista foi criada para a Netflix, baseada nos quadrinhos de mesmo nome da Marvel Comics. Essa é a segunda de quatro séries de super-heróis criadas pela Netflix que no futuro se tornaram uma equipe em uma nova produção. 

Eu comecei a ver a série justamente porque já estava na vibe dos heróis e queria novas histórias sobre isso. Jessica Jones é uma detetive particular e considerada uma ex super-heroína, apesar de continuar combatendo os crimes de Nova York como pode. Após sofrer um acidente de carro na adolescência, que matou sua família, Jessica adquiriu uma força sobre-humana, uma leve habilidade de voar e ainda consegue evitar o controle de mente, o que se torna útil durante a primeira temporada. 

Jones é o tipo de heroína que não sabe como lidar com seus poderes, sempre achando que não pode proteger as pessoas que ama. Para lidar com isso, ela tenta reconstruir sua vida como detetive particular, evitando se envolver em casos, e bebendo para evitar os problemas que surgem no caminho. Ela ainda se envolve com Luke Cage que também possui habilidades fora do normal. 

Essa é uma série mais curtinha, e possui apenas 13 episódios, todos já disponibilizados na Netflix. O seriado foi renovado para uma segunda temporada, porém ainda não possui uma previsão de estreia, mas eu já estou ansiosa. 


A minha lista de seriados só cresce, e esses são apenas uns dos mais ou menos 20 que estou acompanhando. Por assistir tudo de uma vez só, preciso esperar que saiam novos episódios, toda a semana, o que é um grande sofrimento. Vocês já viram alguma dessas? Qual gostaram mais? Espero que tenham gostado da lista, e caso tenham outros seriados, de super-heróis ou não, para me indicar, é só deixar nos comentários.

11 de fevereiro de 2016

Sessão Pipoca: O Quarto de Jack e Perdido em Marte

Para quem não sabe, estou tentando assistir alguns filmes indicados ao Oscar como mostrei nessa lista aqui. E bom esses dois estão indicados na categoria de melhor filme, então eu precisava assistir. Pra não encher o blog com resenhas e opiniões sobre os filmes, eu resolvi fazer um estilo 2 em 1 (ou mais dependendo da situação) dos filmes que mais gostei, portanto, alguns não vão aparecer por aqui. 

Direção: Lenny Abrahamson
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h58min
Ano: 2015

Esse 2 em 1 começa com o filme O Quarto de Jack (Room), que conta uma história sobre o amor sem limites entre mãe e filho. Jack (Jacob Tremblay) agora tem cinco anos e não conhece nada do mundo além do quarto, de 10 metros quadrados, em que nasceu e vive até hoje juntamente com sua mãe, a Ma (Brie Larson).

Para o garoto, a falta de espaço não é problema, levando em conta que ele só conhece aquilo. Os móveis, os utensílios, ou qualquer coisa que esteja dentro daquele quarto se tornam seus amigos e praticamente ganham vida na mente do garoto. Já para Ma, as 4 paredes que a cercam são uma prisão, da qual ela precisa sair, mas ainda não encontrou uma maneira. 

Como uma forma de proteger o filho, Ma cria um cenário diferente daquilo que realmente pensa. Apesar de toda a crise emocional e dos sentimentos que afloram dentro de si, ela consegue fazer o melhor possível para que aquele seja um lugar bom para seu filho. Ela sente falta do mundo exterior (que pode ser visto apenas por uma claraboia no teto do quarto), mas não pode demonstrar seu pânico, para que Jack não fique com medo também. 


Ma é a definição perfeita da mãe que faz tudo para proteger o filho e o manter em segurança. A atriz conseguiu demonstrar muito bem isso através de seus olhos. A expressão cansada de Brie contribuiu muito para a personagem e a para a história. Ela consegue mostrar através da fisionomia e de expressões faciais o quanto aquele quarto/cativeiro a faz mal, mas ao mesmo tempo consegue transmitir força e segurança para o pequeno Jack. Ao meu ver, a atriz é uma forte candidata a ganhar o Oscar de Melhor Atriz, e estou torcendo pra isso. 

Já Jacob conseguiu transmitir a ingenuidade de uma criança que nunca conheceu o mundo e acredita que o mundo é o próprio quarto que estão presos. Para ele o mundo exterior só existe dentro da caixa mágica (televisão) e só passa a sentir medo quando Ma tenta lhe contar a verdade sobre tudo. O pequeno espaço em que vivem é o suficiente para ele, mas compreende a necessidade da mãe de escapar dali.  

Os personagens secundários também são bem desenvolvidos pelo trabalho de direção. Eles também precisam lidar com toda a situação que se desenvolve, principalmente com o sentimento de perda e reencontro que há tanto esperavam. Os avós de Jack desenvolvem papeis muito importante para a segunda parte da história. Eles também sofreram com o período do quarto e possuem uma carga de emoções que às vezes não conseguem lidar. A mãe de Ma, precisa aprender a lidar novamente com a filha, já o pai dela, não consegue conviver com o neto, por motivos que são explicados ao longo da história e, no meu ponto de vista, essa é uma cena bem marcante na narrativa.


O filme foi adaptado do livro homônimo da irlandesa Emma Donoghue, que ajudou na produção do roteiro do filme, e talvez por isso o filme tenha ficado tão emocionante. O filme é intenso e comovente. Conseguimos sentir a aflição dos personagens que vivem a restrição do mundo, e todos os sentimentos que conduzem a história: o desejo de ver o mundo novamente, a necessidade de fuga, o medo do desconhecido, os planos para contornar o Velho, o terror ao conseguir, uma nova visão da vida, e principalmente o amor entre mãe e filho.

Clique para ver o trailer

Além de concorrer ao Oscar de Melhor filme, O Quarto de Jack também foi indicado às categorias de Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. É um filme emocionante que vale a pena ser visto.



Direção: Ridley Scott
Gênero: Ficção Científica
Duração: 2h24min
Ano: 2015

Para a segunda parte deste 2 em 1, vou falar sobre Perdido em Marte (The Martian). Sim o filme já foi lançado há meses, mas eu procrastinei tanto que acabei não assistindo antes. Ele conta sobre uma missão da NASA que acaba fracassando e deixando um astronauta para trás.

Com o intuito de explorar Marte, bilhões de dólares são investidos na missão Ares 3, onde estão em operação seis astronautas: Mark Watney (Matt Damon), botânico e engenheiro; Melissa Lewis (Jessica Chastain), comandante e geóloga; Chris Beck (Sebastian Stan), médico, biólogo e especialista em AEVs; Beth Johanssen (Kate Mara), operadora de sistema e técnica em reatores; Rick Martinez (Michael Peña), piloto do VDM e VAM (naves); e Alex Vogel (Aksel Hennie), o piloto. 

Tudo ocorria bem enquanto faziam pesquisas e explorações no planeta, até que no Sexto Sol, uma forte tempestade de areia atinge Marte e os integrantes da tripulação, os obrigando a voltar para a VAM. Durante o percurso Mark é atingido por algo e jogado para longe dos companheiros, que por não obterem respostas, acreditam que ele está morto. Apesar dos esforços da comandante para achá-lo, a tripulação precisa sair imediatamente de Marte antes que todos fiquem presos no planeta. 

Mark acorda, depois de um tempo, percebendo que com o impacto sua roupa foi destruída e por isso não conseguiu entrar em contato com o restante do grupo. Ao notar que a VAM não está mais ali, ele se vê em apuros ao ter que sobreviver num planeta não explorado, sozinho e com poucos alimentos. Ele teve sorte de sobreviver ao acidente, contudo sua situação para continuar vivo é precária. Além disso, ele não tem comunicação com a Terra, pois com os equipamentos estragados, seus sinais demorariam anos até chegar a central da NASA. Por sorte ele encontra uma estrutura que ficou no local, o HAB, com alguns equipamentos necessários para sua sobrevivência e passa a morar dentro dele. 

Ao estudar as possibilidades e condições para continuar vivo, até a próxima missão vir para Marte e conseguir resgatá-lo, Mark resolve utilizar seus conhecimentos em botânica para produzir mais alimentos. Ele cria uma plantação de batatas dentro do Hab, conserta equipamentos e cria aparelhos que possam ser uteis para sua sobrevivência, testando também suas técnicas de engenheiro. 

Apesar do clima tenso, da falta de água e comida, dos problemas com o equipamento e a falta de comunicação, Mark consegue se manter calmo, e em alguns momentos do filme, temos um toque de comédia e bom humor que se encaixaram muito bem na história, alguns inclusive acontecem devido a própria trilha sonora do filme. Mark não podia entrar em pânico, pois isso resultaria na sua morte. Ele precisava manter a calma, e tentar ser positivo perante as situações que enfrentava, sempre buscando uma nova maneira de sobreviver. 

Depois de vários Sóis, a NASA finalmente consegue contato com Mark através de um satélite que identifica movimento, e ele acaba virando uma celebridade no mundo. A população quer que esforços sejam feitos para que ele seja trazido para casa, as mentes mais brilhantes trabalham para que consigam trazê-lo com vida, e ainda precisam enfrentar a decisão do diretor da NASA (Jeff Daniels) sobre não contar ao restante da tripulação (que continua em uma missão no espaço) sobre Mark. Alias Jeff fez um ótimo representante do diretor da NASA e temos ele como o mais próximo de um vilão no filme.


Em grande parte do filme, Matt atua sozinho, e desempenha seu papel muito bem. Ele precisa lidar com as situações extremas, com as inúmeras emoções que lhe vem a mente, com o medo de morrer sozinho num planeta desconhecido, e ter paciência para que tudo ocorra da melhor forma possível. Apesar de toda a tensão, a atuação mostra que ele conseguiu lidar com tudo de maneira espetacular. Talvez, o fato de Mark não possuir família na Terra, seja o ponto para ele não entrar em desespero, o acontece em outros filmes do gênero. Ele está em uma missão e sabia os riscos dela, a calma que ele transmite é porque sabe que se algo acontecer, ele morreu fazendo algo importante para si e para o mundo, o que em parte deixa o personagem aliviado.

O restante do grupo de astronautas também desempenha seus papeis com uma excelente atuação. Depois de descobrirem que Mark está vivo, cabe a eles decidirem buscar Mark em Marte ou deixá-lo esperando até a próxima missão, o que poderia causar sua morte. A tripulação carrega um peso na consciência por deixar Mark para trás, e precisam lidar com isso durante toda a trama. Talvez isso seja o principal motivo para que resolvam resgatar o componente perdido. 

O filme tem uma narrativa um pouco lenta enquanto Mark tenta sobreviver em Marte, a NASA tenta trazê-lo de volta, e a tripulação segue em outra missão com o pensamento em Mark. Talvez isso faça com que muitos não gostem do filme por compará-lo com Gravidade, por exemplo, mas é preciso compreender a situação dos personagens até que a ação realmente se desenvolva. 

Os personagens tem decisões importantes para tomar, decisões que se derem errado podem acabar com suas vidas. A trama é lenta, porque é preciso desenvolver o drama e a problemática que qualquer decisão possa acarretar. A narrativa não possui ação o tempo todo pois é preciso estabelecer questões de sobrevivência, de tempo, de cálculos matemáticos e científicos, e de planos para que tudo seja um sucesso. Essas questões são importantes tanto para Mark, como para a tripulação e a coordenação da NASA, que retrata também as questões politicas do resgate, e por isso devem ser muito bem pensadas antes de agir. 

Um ponto que pode ser considerado negativo no filme, é a questão de muitos personagens serem pouco explorados. Dentro do controle da NASA há inúmeras pessoas trabalhando para o sucesso da missão de resgate, porém muitos deles estão lá apenas por estar. Muitos não tem um papel tão importante, e poderiam ser facilmente descartáveis para a narrativa, outros poderiam ter seus pontos de vistas mais expostos, contudo não considero isso um total problema para o filme.

Preciso destacar também a fotografia do filme que está incrível. Os cenários são espetaculares e podemos até nos sentir perdidos em Marte junto com o personagem principal. As imagens dentro da nave em que estão os outros astronautas também ficaram bem realistas o que é um ponto muito positivo no filme, aprovado inclusive pelo verdadeiro diretor da NASA. 

O ponto de impacto do filme é justamente o que rendeu todo o roteiro da trama: o resgate. É angustiante ver que talvez todos os cálculos, todos os planos, todos os equipamentos e todo o esforço sejam em vão. As cenas finais deixam os espectadores nervosos, querendo ajudar a tripulação, querendo tomar o controle da situação, e isso é muito bom dentro de um filme.


Para quem gosta de ação o tempo inteiro, provavelmente não irá gostar tanto do filme, mas para os fãs de ficção cientifica que conseguem compreender os riscos da profissão de astronauta e os problemas que surgem durante as missões, esse é o filme indicado.

Clique para ver o trailer

Perdido em Marte também concorre a estatueta de Melhor Filme, além de outras seis categorias: Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição de Som, e Melhor Mixagem de Som. 


Esse ano, ainda quero ler os dois livros homônimos que deram origem a esses dois filmes, uma pena que não consegui ler antes. Desculpem pela postagem enorme, mas espero que tenham gostado. Até a próxima!

16 de dezembro de 2015

Estante Indicativa: Scream


Há dias estava procurando uma série boa pra assistir, comecei a ver pelo mínimo três e até então nenhuma estava me emocionando como deveria, até que uma alma iluminada me indicou Scream. Eu não sou muito de assistir coisas de terror e suspense, ainda mais sozinha, mas nunca nego um bom susto e essa série me conquistou já no primeiro episódio.

Depois de um cyber-bullying que resulta em uma morte brutal de uma adolescente, a violência se instala por todos os lados em Lakewood. As lembranças de um antigo serial killer que assombrou a comunidade no passado reascende em todos que, após outras mortes, creem que existe um novo assassino à solta inspirado no antigo Brandon James.

O grupo de adolescentes que começam a ser atingidos pelos assassinatos brutais tentam encontrar uma possível ligação entre todas as mortes, mas é quase impossível decidir quem é o vilão ou a vitima. A pessoa por trás da mascara de fantasma cria seus crimes para que todos possam parecer culpados, sendo assim, amigos viram inimigos, desconfiando uns dos outros gerando outras consequências, às vezes irreversíveis.

Todos são vítimas, alvos, suspeitos e é isso que instiga a continuar assistindo. O clima de tensão faz com que nós mesmos criamos mil teorias e isso gera a cada capítulo uma nova suspeita, uma nova emoção, um novo motivo para continuar a série. Apesar de ter um premissa parecida com os filmes de mesmo nome, a história não é a mesma, mas me fez ter vontade de assistir aos filmes da franquia com certeza.

A primeira temporada termina deixando duvidas no público e uma ansiada para a continuação da história (pelo menos pra mim). A série terá sua continuação a partir de 20 de abril de 2016 quando estreia sua segunda temporada. Da tempo de assistir os 10 episódios até lá, e aí pronto para ver?

Imagem: MarmotaNerd

9 de novembro de 2015

Sessão Pipoca: Atividade Paranormal - Dimensão Fantasma

Direção: Gregory Plotkin
Gênero: Terror, Suspense
Duração: 1h 28min
Ano: 2015

Esse é o último filme da franquia Atividade Paranormal (pelo que percebi), e assim como os outros teve um baixo orçamento de produção e seguiu a história padrão dos outros filmes: uma família, uma câmera e coisas sobrenaturais acontecendo dentro de uma casa. 

Nesse filme temos a família de Ryan Fleege (Chris J. Murray) que se mudam para uma nova casa. Durante as organizações Ryan descobre uma caixa com dezenas de fitas cassetes de décadas atrás e uma câmera também antiga. Ele começa a utilizar a câmera para filmar os momentos em família, mas, mais uma vez, a câmera começa a mostrar coisas estranhas e sobrenaturais durante as gravações, as tais atividades paranormais que ocorrem em todos os filmes.


Buscando saber qual o “defeito” que a câmera apresenta, Ryan e seu irmão começam a analisar as antigas fitas encontradas na casa. Estranhamente as imagens de décadas atrás parecem se conectar com a realidade da família, como se as pessoas das fitas estivessem enxergando tudo que ocorria na casa de Ryan.

Ao mesmo tempo em que analisa as filmagens antigas e os registros atuais da câmera, sua filha Leila (Ivy George) começa a apresentar um comportamento estranho. As atividades paranormais começam a ocorrer principalmente no quarto da menina, e por isso outras câmeras foram instaladas na casa, como é de costume nos filmes da franquia. 


Como já disse o filme se liga com os outros, trazendo de novo, principalmente, a história das irmãs Katie e Kristi, porém sem acrescentar muito ao público. As duas irmãs estão conectadas a Leila, que por sinal possui uma boa atuação durante a trama com suas risadinhas sinistras e debochadas. 

As coisas começam a complicar quando Leila desenvolve uma amizade com Toby, citado num dos filmes anteriores, o amigo imaginário que vai se materializando aos poucos, conforme o medo da família cresce. Ele surge como uma ebulição, uma fumaça preta mostrada pela câmera. 


Eu assisti o filme em 3D e, talvez, essa foi a grande novidade da franquia, mas que ao meu ver só serviu para causar os sustos previsíveis do roteiro. E por falar em sustos, esses estão presentes em todo o filme, sustos atrás de sustos e fantasmas surgindo na tela, sendo jogados na cara do público pelo efeito 3D. O grande problema é que os sustos não causam medo, nem o terror necessário para o filme, o que torna raro os momentos que o espectador é pego de surpresa. 

Acredito que o filme poderia ter sido melhor trabalhado. Para os fãs da franquia o filme explica coisas deixadas de lado nos primeiros filmes, pois retoma acontecimentos do passado, para mim foi basicamente as mesmas coisas mostradas nos outros filmes. O suspense até pode existir, mas não encontrei o terror necessário para sentir medo ao sair da sala do cinema. Sustos sim, medo nenhum. Como li em algum comentário por aí, talvez esse filme tenha sido somente mais do mesmo.


1 de outubro de 2015

Estante Indicativa: Under the Dome


Para quem não sabe, essa série foi baseada em um livro de Stephen King de título homônimo. Muitos odiaram a adaptação outros adoraram, e assim choveu criticas em cima da história. Eu, particularmente, não li o livro, então gostei bastante do seriado, apesar de algumas viagens no final da história. 

A série conta a história dos moradores de uma pequena cidade do Maine, (pra dar uma variada), chamada Chester's Mill, em que subitamente surge um campo de força invisível e indestrutível ao redor de toda a cidade. Os moradores ficam presos sob uma redoma, sem nenhuma possibilidade de contato com o mundo externo. O governo e o exército tentam destruir o domo, mas como nada funciona eles desistem, deixando os habitantes da pequena cidade por sua própria conta.

Nada entra, nada sai, nada atinge, nada destrói a redoma. Todos precisam se unir para manter a ordem do local, contudo alguns moradores não lidam muito bem com a atual situação e acabam gerando e sofrendo consequências que afetam a toda a população. Eles não fazem a mínima ideia de como fugir dessa situação, e precisam aprender um jeito de viver dentro do confinamento.

A primeira temporada se focou mais nas histórias de cada personagem, seus envolvimentos, segredos e o porquê de estarem ali. Já na segunda parte, coisas sobrenaturais e estranhas começam a acontecer dando um maior destaque para a redoma. A relação dos personagens, o drama psicológico intenso, a reação a cada novo acontecimento e o medo, me ganharam sem mais nem menos. 

O caos toma conta da cidade enquanto os moradores buscam uma forma de sobreviver com a escassez de comida e a água. Todos buscam por respostas, mas ninguém é capaz de dá-las. As lutas pelo poder tomam conta de vários personagens e, várias vezes, ficamos sem saber quem é o mocinho e quem é o bandido dentro da história.


Dale Barbara ou Barbie, um ex veterano de guerra, e Julia Shumway, uma jornalista local, tentam combater as decisões erradas do vereador da cidade, Big Jim Rennie. Para Jim, a decisão mais fácil é acabar com os problemas, eliminar as pessoas que causam transtornos à cidade, tudo pra se manter no poder. A matança não para, e cada morte reflete na redoma que parece funcionar conforme os conflitos internos entre os personagens. 

Os mistérios da redoma só aumentam, e a cada episódio queremos saber o porquê dela estar ali, qual a relação de alguns personagens com ela e porque eles foram escolhidos pela parede de vidro para tentar resolver o problema. Quatro personagens se tornam a fonte de explicações, e para muitos, eles são os culpados pela situação da cidade. Apesar das acusações eles precisam defender a redoma e proteger a sua fonte de energia para manter todos seguros.


As tensões aumentam, assim como os problemas e conflitos. A relação entre os personagens só piora e é normal que uns fiquem contra os outros. Ameaças, mortes e muitos segredos envolvem a cidade em um clima de crise. Os poucos policiais que sobraram não conseguem controlar a ferocidade da população e cada vez mais, a situação dentro da redoma piora e, por mais incrível que pareça, a redoma responde a esses acontecimentos. 

A terceira temporada começou a dar umas viajadas no rumo final da história. Acredito que com a pressa de acabar a série, os produtores cortaram informações importantes e apressaram os acontecimentos. Eu fiquei meio perdida tentando entender quem era o responsável pela redoma. O governo, extraterrestres, cientistas, uma junção de tudo isso? Qualquer resposta parece certa considerando os acontecimentos dentro do domo.

“Quero que eles fiquem fascinados pelas situações. Eu amo histórias sobre pessoas comuns em situações extraordinárias; [amo] ver como algumas pessoas vão superar aquilo e como outras vão sucumbir”. Stephen King sobre a série
Já ouvi alguém falar que Stephen King não sabe criar finais, e talvez nessa história, se os produtores seguiram a lógica do livro, o final não ficou lá grande coisa não. Era conflito pra tudo quanto é lado, e muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, como se precisassem acabar logo com a história. Contudo gostei da série, e o final, com certeza, me deixou curiosa e com desejo de mais, e ficou no ar aquela sensação de “será que isso vai acontecer?”. Acredito que a história conseguiu representar o que o autor queria: pessoas comuns em situações extremas.


26 de setembro de 2015

Sessão Pipoca: Êxodo: Deuses e Reis

Direção: Ridley Scott
Gênero: Épico, Ação
Duração: 2h31min
Ano: 2014

Histórias bíblicas nunca foi um ponto forte pra mim no quesito cinema, assisti alguns, mas metade foi esquecida logo em seguida. No final do ano passado dois filmes desse gênero foram lançados: Noé, que não foi bem recebido pelo público, e Êxodos: Deuses e Reis. Assisti ele há meses atrás, mas só agora resolvi fazer resenha. 

Bom o filme reconta a história de Moisés, (Christian Bale), um dos mais conhecidos profetas da bíblia, e sua busca juntamente com o povo hebreu da Terra Prometida. É claro que a versão bíblica foi um pouco alterada para a melhor filmagem para as telas, o que, consequentemente, gerou muitos criticas dos fieis fervorosos do mundo, principalmente para as religiões em que essa história é contada como uma forte amostra da fé.

Essa história aconteceu há mais de 400 anos, no Egito, onde o povo hebreu foi escravizado pelo Faraó e obrigados a trabalhar em construções nas cidades de Píton e Ramsés. A liberdade estava distante para o povo, principalmente após uma profecia que dizia que entre os hebreus nasceria um menino que libertaria todos os escravos e os tiraria do Egito. O então Faraó ordenou que matassem todos os recém-nascidos hebreus na esperança que o líder estivesse entre eles.

Assim como na bíblia, Moisés foi encontrado pela irmã do Faraó Ramsés I, e criado como príncipe do Egito, sem que ninguém soubesse sua verdadeira origem. Cresceu ao lado do irmão adotivo Ramsés II e juntos compartilharam batalhas e aprendizados de como um grande líder deveria se portar. Com o passar dos anos, Ramsés começou a se sentir ofuscado pelo irmão e o ciúmes cresceu pois sabia que Moisés era mais competente para assumir o trono do rei. 


Depois da morte do Faraó Ramsés I, seu filho assumiu o poder. Boatos de que Moisés era na verdade um hebreu começou a surgir e Ramsés II (Joel Edgerton), viu nisso uma oportunidade de expulsá-lo de suas terras.  Moisés vai embora, tentando enfrentar os caminhos traiçoeiros por onde passa, por uma dessas andanças, ele encontra Deus, retratado no filme como uma criança mimada disposta a fazer tudo para conseguir o que quer. Não gostei dessa imagem de Deus, mas ok, vamos relevar a adaptação.

Moisés agora é o General escolhido por Deus para recrutar e salvar os hebreus. Para isso volta à sua cidade para liderar o exército de escravos e lutar contra seu irmão adotivo em busca da liberdade, atravessar o Mar Vermelho e encontrar a Terra Prometida. O que era para melhorar a situação de seu povo, só piorou, então Deus resolve medir forças, digamos assim, com Moisés, mostrando que ele precisa fazer mais para conseguir sucesso em sua missão. 

É assim que surgem as dez pragas do Egito que afetou os dois lados da civilização. Essas cenas no filme deram a entender que as pragas não passavam de catástrofes naturais e não um aviso de Deus de que coisas piores poderiam vir. As pragas surgiram uma atrás da outra como efeitos ecológicos e não como punição divina, tirando assim todo o sentido que elas tem na história original. 

Apesar disso, gostei da interpretação dos protagonistas, Joel conseguiu repassar o sentimento de um jovem inseguro, invejoso e sem capacidade de governar seu povo, que ama o irmão, mas deseja vê-lo longe para não perder o trono. Já Bale, retratou um homem confuso, perdido e sem fé que precisa enfrentar e se adaptar a realidade do seu povo e ainda comandá-los por entre os perigos sem nem ao menos saber como fazer isso. O filme mostrou muito mais o líder guerreiro do que o espiritual que evolui com os ensinamentos divinos, porém isso deu uma perspectiva mais humana ao personagem que se sente realmente perdido em várias situações. 


E agora, um breve comentário sobre a principal parte do filme: eu fiquei simplesmente chocada quando o Mar Vermelho não abriu. Gente! Essa é a principal parte da história e ela foi mudada no filme, deixando no final da passagem um líder encharcado e quase destruído. Não sei como funciona a montagem das cenas, mas acredito que podia ter rolado um esforço a mais pra que ela fosse tão grandiosa quanto nas escrituras do Antigo Testamento, pois foi um tanto decepcionante. 

Enfim, apesar desse probleminha, eu gostei do filme. Mesmo sendo longo, ele não é cansativo por conter muita ação e um clima de rivalidade e antagonismo entre os dois personagens principais. Acredito que a história de Moisés seja conhecida por grande maioria das pessoas, mas mesmo pra quem não é religioso ou não curte, deveria dar uma chance e assistir a adaptação. 

11 de setembro de 2015

Trailer da nova temporada de AHS


Ontem, 10/09, foi divulgado o primeiro trailer da quinta temporada de American Horror Story. A série vem sendo elogiada desde sua primeira temporada em outubro de 2011 e ganhando cada vez mais público, inclusive eu que me rendi as histórias como mostrei aqui, numa lista de séries que viciei rapidinho. 

Cada temporada tem uma história independente da outra, e dessa vez a série terá como tema Hotel e segundo o presidente do canal FX, John Landgranf essa tempoarada vai exigir uma grande reinvenção para o futuro da série. 

A participação da atriz Jessica Lange, a preferida e muito bem elogiada pelos fãs, foi confirmada o que acalmou os corações de muita gente por aí. O elenco também contará com a participação de Lady Gaga e alguns outros atores que já vinham participando do seriado. 

A quinta temporada estreará em outubro desse ano (falta pouco!), pelo canal FX. Enquanto o retorno da série não começa, podemos aproveitar o trailer e ficar com 'um gostinho de quero mais'. Confira:

2 de setembro de 2015

Lista #3 Seriados que viciei rapidinho

Eu sou apaixonada por seriados, e assim como os livros, sempre estou buscando por novas séries pra ver. Há algum tempo fiz uma lista de seriados que queria ver, e olha, deu bastante. Apesar de ter pouco tempo na correria do dia a dia, sempre acho um tempinho pra ver um episódio ou outro. 

Nessa época do ano, a maioria dos seriados que acompanham estão parados, por isso fui procurar outros seriados pra ver. Se estou arrependida de não terminar os que já estava vendo e que estão BEM atrasados? Nenhum pouco! 

No último mês assinei Netflix, em conjunto com os colegas de trabalho, e foi a melhor aquisição da vida. Eu sempre pensei que o valor da assinatura fosse um absurdo, mas são míseros 30 reais e dividido em 4 pessoas isso dá uma mixaria pra cada um. Se eu soubesse disso, teria assinado há muito tempo. 

Devido ao Netflix consegui escolher mais facilmente qual série assistir e bom, estou emocionada porque a minha vida se resume em seriados. Então, como adoro, resolvi fazer uma lista dos últimos seriados que viciei de uma hora pra outra e não consegui mais parar de ver. Vamos lá:


A série é baseada no romance Red Dragon de Thomas Harris, e conta sobre a amizade do investigador especial do FBI, William Graham, e o psiquiatra e sociopata Dr Hannibal Lecter. Will consegue dar perfis de assassinos ajudando as investigações do FBI, contudo só o público sabe que o psicopata procurado é o próprio Hannibal.

Eu adorei o jeito como as coisas se desenvolvem no seriado, adorei como Lecter faz as coisas ou como consegue persuadir a mente de Will. Estou no início da terceira temporada (a última) e espero terminar todos os episódios rapidinho.

O Dr. também gerou 4 filmes: Dragão Vermelho (1986), O silêncio dos inocentes (1991), Hannibal (2001) e Hannibal: A origem do mal (2007), os quais pretendo ver depois que terminar a série.


Essa é uma série original Netflix e conta a história da cidade Pretty Lake em que uma doença misteriosa está levando a óbito qualquer pessoa acima dos 22 anos de idade. Após só restar jovens abaixo dessa idade, a pequena cidade se vê cercada por soldados do exército e de um tipo de controle de doenças, ou seja, ninguém entra ou sai da cidade.

A cerca que envolve a cidade se torna a única coisa com eletricidade e qualquer um que tente sair de lá é, literalmente, fuzilado sem dó nem piedade.

Apesar de não gostar dos atores principais, achei a premissa da história boa e pretendo assistir a segunda temporada pra ver o que vai acontecer com os jovens moradores.


Mais uma série original Netflix e vamos combinar, QUE SERIADO!  A série conta a trajetória de 8 personagens espalhados pelo mundo, com culturas e vidas diferenças, mas que descobrem, depois de terem a visão da morte de uma mulher chamada Angélica, que estão ligados emocional e mentalmente uns aos outros. Eles podem sentir e ter o conhecimento do outro, se comunicar e ainda recorrer as habilidades de cada um quando necessário.

Enquanto tentam descobrir porque tem essa ligação, um estranho tenta caçá-los através do mesmo poder. O nome da série é um trocadilho com a palavra Sensate, nome dado as habilidades desses personagens. Ela foi gravada em diferentes países, mostrando as diferenças dos personagens e gente é demais.

A temporada inteira é fantástica e eu assisti tudo em 2 dias, porque tudo é incrível, a fotografia é sensacional e todo mundo deveria ver. A série foi renovada para a segunda temporada e terá estreia em 2016.


Fazia tempos que esse seriado estava na minha lista de coisas para assistir, mas tinha um certo medo por causa do nome. Com certeza, devia ter começado a ver antes. A série tem 4 temporadas já lançadas e a 5ª  temporada estreia em outubro desse ano. Se estou ansiosa? Nem precisa perguntar!

Estou terminando a Terceira temporada e estou emocionada de um jeito que não sei nem como definir.Cada temporada é uma história independente, ou seja, você pode assistir a segunda temporada sem ter visto a primeira sem problemas nenhum pois não existe uma sequência apesar de os atores serem os mesmos. Eu optei por assistir tudo na ordem por uma questão de organização, mas não muda nada.

A primeira foi chamada de Murder House (Casa da morte), e como vocês podem imaginar, todos que morrem dentro dessa casa ficam presos a ela, assombrando os novos moradores e tudo que se espera de assombrações. A segunda narra uma história dentro de um sanatório, tem ET'S, freiras e criaturas estranhas querendo matar todo mundo e, além disso, tem possessão! Já na terceira, a série traz um pouco sobre a inquisição, as Bruxas de Salém e vodu nos dias atuais. Por enquanto é a que mais gostei das três temporadas porque simplesmente amo histórias sobre isso.

Adorei o modo como o seriado foi filmado, adorei o jogo de câmeras e as cenas em planos sequências, principalmente quando essas começam viradas, dando realmente um aspecto mais sombrio de como os personagens reagem em certas situações. Simplesmente viciei e que venham logo mais AHS!


Essa foi a minha lista de seriados que não consegui parar de ver e que estou ansiosa pela continuação ou término da série. Todas valem muito a pena! Me contem nos comentários se já viram alguma dessas séries citadas, o que acharam e quais as séries viciaram vocês. 

10 de agosto de 2015

Sessão Pipoca: Garota Exemplar

Direção: David Fincher
Gênero: Suspense
Duração: 2h 29 min
Ano: 2014

Muitos comentários positivos dessa história foram levantados, principalmente, por parte dos leitores. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mesmo estando na minha lista de compras há muito tempo, por isso a curiosidade falou mais alto e resolvi ver o filme. 

O enredo gira em torno de Nick (Bem Affeck) e Amy (Rosamund Pike), começando com uma típica cena de filme de romance: um café da manhã especial para comemorar os cinco anos de casamento. Mas não se engane! De romântico esse filme não tem nada, e percebemos isso logo nos minutos seguintes do filme, quando Nick volta do trabalho e percebe que Amy desapareceu. 


Os pais de Amy ficaram famosos por produzir uma série de livros infantis utilizando o nome da filha: Amy, A Garota Exemplar. Assim como nas histórias, Amy é bonita, inteligente, divertida e criativa, mas ao longo da narrativa percebemos que sua criatividade é bastante insana. Para aproveitar esse seu lado, todo ano ela cria uma espécie de ‘caça ao tesouro’ para Nick encontrar seu presente de casamento, e dessa vez o presente dele, é descobrir como se livrar da situação que sua mulher lhe meteu. 

A história é contada pelos dois personagens, cada um narrando um tempo do relacionamento e sua visão sobre o próprio, ou seja, lados diferentes de uma mesma história. Os dois são mentirosos, os dois criam jogos de enganação, que dá aos telespectadores a opção de escolher em quem vão acreditar.


Na narrativa de Nick, percebemos que ele não conhece tão bem sua esposa e acaba se tornando o principal sumiço de seu desaparecimento ou, como acredita a polícia, seu homicídio, mesmo podendo ser o verdadeiro alvo de toda a história. Já na narrativa de Amy, conhecemos a história dos dois através de um diário. O início do relacionamento, os desentendimentos, traições, a vida sexual e pessoal, e todas as crises e fases que um casamento pode ter. E é nessas partes que você precisa decidir em quem acreditar, decidir qual dos dois tem razão, decidir quem tem a mente mais, ou menos, sã. 


O filme mostra, em muitas partes, que o relacionamento dos personagens principais, é um relacionamento de aparências, o tipo de relacionamento em que se age de uma maneira na frente de amigos e que em outros momentos não existe. Os dois aparentam ser um casal perfeito, mas as intrigas internas vão se mostrando ao longo da história e quando você menos espera vem uma reviravolta e confunde a sua opinião já formada. 

Eu gostei muito do filme, e em quase todo ele a minha mente ficou pensando “Será? Não pode ser isso, essa gente é louca!”, e bom talvez o sociopata da história seja mesmo. Existem cenas fortes durante a narrativa o que me fez ficar ainda mais interessada pelos personagens, pois são cenas importantes para o desenvolvimento da trama final. Recomendo muito esse filme pra quem gosta de suspense, e espero conseguir comprar o livro em breve para ver qual foram as mudanças de um meio para o outro. 

6 de agosto de 2015

Sessão pipoca: Caminhos da Floresta

Gênero: Fantasia, Musical, Aventura
Direção: Rob Marshall
Duração: 2h 5min
Ano: 2014

Esse é mais um filme da Disney e por ter um aspecto um pouco diferente do normal recebeu uma enxurrada de crítica dos fãs fervorosos que disseram que esse não é o estilo de produção da mesma. O filme é uma adaptação de um famoso musical da Broadway – Into the Woods – que conta a história de um casal que foi amaldiçoado por uma bruxa e por isso não pode ter filhos.

Como se espera, existe muita música em quase todas as cenas e tudo se liga dentro da floresta que liga os castelos e personagens de várias histórias já conhecidas. No início o padeiro da cidade e sua mulher não entendem porque estão amaldiçoados, até que a bruxa conta que o pai dele lhe roubou no passado. O feitiço pode ser revertido se os dois trouxerem à bruxa tudo que ela lhe pediu até a meia noite do terceiro dia:
Uma vaca branca como o leite; um capuz vermelho como o sangue; um fio de cabelo amarelo como o milho; e um sapato tão puro como o ouro.

E é aí que as histórias, como Chapeuzinho Vermelho, Cindelerela, João e o pé de feijão e Rapunzel, se interligam, pois cada um dos objetos pertence a um desses personagens. E, como já disse, tudo acontece nos caminhos da floresta. A floresta meio representa a vida, tudo gira em torno dela, as histórias se interligam nela, mas nem sempre possuem um final feliz, como se espera em filmes da Disney, e talvez esse tenha sido o ponto de crítica de várias pessoas. 

O aspecto do cenário e a caracterização dos personagens são muito boas. Eu gostei bastante do fato da história trazer o sentimento de personagens tão conhecidos, sentimentos esses não mostrados nas histórias normais e essa produção meio que distorce todo aquele aspecto de conto de fadas e do “viveram felizes para sempre”. O filme mostra arrependimento, as perdas, as amarguras, a raiva e até mesmo o sofrimento dos personagens em algumas partes. 


A mensagem do filme é, basicamente, cuidado com o que você deseja, que nem sempre é o melhor pra nós, e que devemos saber lidar com as consequências de nossos atos. Infelizmente, a única partezinha de música que ficou gravada na minha cabeça foi a que eles cantam “I wish” (Eu desejo), mostrando qual o anseio de cada personagem. 

As histórias que conhecemos são mostradas de relances, enquanto o padeiro e sua mulher buscam os itens pedidos pela bruxa, porém essas histórias são distorcidas, mostrando um lado que o público não está acostumado e não conhecia. Há uma discussão cômica musical dos príncipes da Cinderela e Rapunzel (irmãos) para decidir qual dos dois sofre mais por não ter sua amada; a Chapeuzinho Vermelho é uma ladra de pães e biscoitos os quais leva para sua avó. As histórias ‘Rapunzel’ e ‘João e o pé de feijão’ foram a única que não teve muitas alterações. 


A Cinderela é a que mais tem mudanças e, particularmente, eu adorei. Ela não tem carruagens e fadas lhe ajudando, tem uma árvore (túmulo de seu pai) e pássaros que lhe ajudam, fazem fofoca e auxiliam em algumas “vinganças”. Ela não é apenas uma menininha que não sabe lidar com a madrasta e as irmãs, ela as enfrenta. O baile que ela participa dura três dias, e em todos, ela foge porque tem dúvidas se quer mesmo ficar com o príncipe ou não, aliás, seu príncipe é um grande cafajeste e ela descobre isso através dos pássaros. Ela é corajosa e destemida e eu adorei esse novo aspecto dela. 

A ingenuidade dos contos de fadas, de príncipes encantados socorrendo princesas indefesas, é desfeita nesse filme e dentro da floresta, talvez, o caminho que você escolheu não seja o melhor a seguir. Eu gostei do filme, não foi o melhor filme do ano obviamente, mas eu gostei do jeito como os contos de fadas foram tratados nele. A Disney entendeu o recado de que príncipes encantados, talvez, não prendem mais o público como antigamente. 



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