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6 de agosto de 2015

Sessão pipoca: Caminhos da Floresta

Gênero: Fantasia, Musical, Aventura
Direção: Rob Marshall
Duração: 2h 5min
Ano: 2014

Esse é mais um filme da Disney e por ter um aspecto um pouco diferente do normal recebeu uma enxurrada de crítica dos fãs fervorosos que disseram que esse não é o estilo de produção da mesma. O filme é uma adaptação de um famoso musical da Broadway – Into the Woods – que conta a história de um casal que foi amaldiçoado por uma bruxa e por isso não pode ter filhos.

Como se espera, existe muita música em quase todas as cenas e tudo se liga dentro da floresta que liga os castelos e personagens de várias histórias já conhecidas. No início o padeiro da cidade e sua mulher não entendem porque estão amaldiçoados, até que a bruxa conta que o pai dele lhe roubou no passado. O feitiço pode ser revertido se os dois trouxerem à bruxa tudo que ela lhe pediu até a meia noite do terceiro dia:
Uma vaca branca como o leite; um capuz vermelho como o sangue; um fio de cabelo amarelo como o milho; e um sapato tão puro como o ouro.

E é aí que as histórias, como Chapeuzinho Vermelho, Cindelerela, João e o pé de feijão e Rapunzel, se interligam, pois cada um dos objetos pertence a um desses personagens. E, como já disse, tudo acontece nos caminhos da floresta. A floresta meio representa a vida, tudo gira em torno dela, as histórias se interligam nela, mas nem sempre possuem um final feliz, como se espera em filmes da Disney, e talvez esse tenha sido o ponto de crítica de várias pessoas. 

O aspecto do cenário e a caracterização dos personagens são muito boas. Eu gostei bastante do fato da história trazer o sentimento de personagens tão conhecidos, sentimentos esses não mostrados nas histórias normais e essa produção meio que distorce todo aquele aspecto de conto de fadas e do “viveram felizes para sempre”. O filme mostra arrependimento, as perdas, as amarguras, a raiva e até mesmo o sofrimento dos personagens em algumas partes. 


A mensagem do filme é, basicamente, cuidado com o que você deseja, que nem sempre é o melhor pra nós, e que devemos saber lidar com as consequências de nossos atos. Infelizmente, a única partezinha de música que ficou gravada na minha cabeça foi a que eles cantam “I wish” (Eu desejo), mostrando qual o anseio de cada personagem. 

As histórias que conhecemos são mostradas de relances, enquanto o padeiro e sua mulher buscam os itens pedidos pela bruxa, porém essas histórias são distorcidas, mostrando um lado que o público não está acostumado e não conhecia. Há uma discussão cômica musical dos príncipes da Cinderela e Rapunzel (irmãos) para decidir qual dos dois sofre mais por não ter sua amada; a Chapeuzinho Vermelho é uma ladra de pães e biscoitos os quais leva para sua avó. As histórias ‘Rapunzel’ e ‘João e o pé de feijão’ foram a única que não teve muitas alterações. 


A Cinderela é a que mais tem mudanças e, particularmente, eu adorei. Ela não tem carruagens e fadas lhe ajudando, tem uma árvore (túmulo de seu pai) e pássaros que lhe ajudam, fazem fofoca e auxiliam em algumas “vinganças”. Ela não é apenas uma menininha que não sabe lidar com a madrasta e as irmãs, ela as enfrenta. O baile que ela participa dura três dias, e em todos, ela foge porque tem dúvidas se quer mesmo ficar com o príncipe ou não, aliás, seu príncipe é um grande cafajeste e ela descobre isso através dos pássaros. Ela é corajosa e destemida e eu adorei esse novo aspecto dela. 

A ingenuidade dos contos de fadas, de príncipes encantados socorrendo princesas indefesas, é desfeita nesse filme e dentro da floresta, talvez, o caminho que você escolheu não seja o melhor a seguir. Eu gostei do filme, não foi o melhor filme do ano obviamente, mas eu gostei do jeito como os contos de fadas foram tratados nele. A Disney entendeu o recado de que príncipes encantados, talvez, não prendem mais o público como antigamente. 



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