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21 de abril de 2016

Sessão Pipoca - Hush: A morte ouve

Há tempos não fazia um Sessão Pipoca por aqui. Os últimos foram referentes ao Oscar, provavelmente em Janeiro ou Início de Fevereiro, mas encontrei um motivo para voltar com a sessão.

Muitos filmes emocionam, fazem refletir, causam medo, mas fazia tempos que um filme não me deixava assim: totalmente agoniada. O último filme que me deixou desse jeito foi 172 Horas, e pensem comigo, ele foi lançado há 6 anos atrás. Isso é muito tempo!

Bom sem mais delongas, vamos a crítica/resenha ou o que vocês decidirem chamar. Prometo ser mais breve nessa. 

Diretor: Mike Flanagan
Gênero: Terror, Thriller
Duração: 1h 37min
Ano: 2016

Como muitos já sabem, a Netflix tem investido bastante em produções próprias, principalmente em séries, e está pretendendo expandir seu catálogo de filmes originais também. E bom, o mês de abril começou com o lançamento de Hush: A morte ouve, somente no streaming. Alguns podem pensar que o enredo é clichê: invasão domiciliar, mas é a forma como a história é conduzida que a faz interessante.

Na trama Maddie Young, interpretada pela lindíssima Kate Siegel, é uma escritora que vive recruta, praticamente isolada de tudo, num mundo sem barulhos. As únicas pessoas ao redor são os vizinhos, John e Sarah, com quem ela mantém certo contato. Maddie teve meningite na adolescência e, o resultado da doença a tornou surda-muda, portanto vocês devem imaginar o meu sofrimento.


O filme realmente começa a se desenvolver quando um homem mascarado aparece na sua porta tentando fazer um jogo psicológico com a protagonista. O homem, assassino e misterioso interpretado por John Gallagher não foi totalmente apresentado ao público. Só o que sabemos dele é que ele é um assassino a sangue frio que anda com uma besta pronta para matar. Isso não causou nenhum dano ao filme, pelo contrário deu enfoque ao medo do desconhecido. 

Maggie possui seus instintos para fugir da situação, e muitas vozes na cabeça, vozes dela mesma, lhe dando ideias do que fazer, mas ela sabe que a única opção que tem é matar ou morrer. São as escolhas dela que fazem a história continuar, cada passo, cada ação, define o rumo do filme e dela mesma. 

O jogo de som do filme é excelente, ouvimos os barulhos, ouvimos o que de fato envolve a cena, mas também ouvimos o nada da protagonista. Em muitos momentos do filme, não há barulho nenhum, o que nos deixa apreensivos, querendo avisar a personagem do perigo e tirá-la dali. (Por favor alguém faz ela olhar pra trás!). Com o silêncio do filme, temos a mesma falta de percepção de Maggie e gente, percebi que é difícil lidar com a falta de barulho. 

A atriz foi brilhante durante o filme, pois mesmo sem fala alguma, ela conseguiu prender minha atenção na tela apenas com suas ações e decisões. Ou seja, excelente. Aliás, o filme todo não possui muitos diálogos e as formas de comunicação entre a protagonista e seu assassino são bem diferentes do usual. Particularmente, achei isso maravilhoso. 

O fôlego e a tensão começam a afloram mesmo no último ato, os últimos minutinhos. Silêncio, e só o que consegui pensar foi: e agora? O confronto final entre os dois garantiu o ponto forte do filme. Vilão e mocinha são levados ao limite do desgaste físico e emocional, e nós espectadores, ficamos na expectativa até o último segundo. 

Esse filme mexeu com meus nervos de uma maneira que nem sei explicar. A única sensação que tive era a de querer entrar dentro do filme e ajudar a protagonista e gritar pra ela, mesmo que não adiantasse. Que sensação agoniante! Vale ressaltar a fotografia incrível do filme, que conseguiu transmitir a tensão e suspense como se é esperado.

Se você assina Netflix, vá assistir. E se não, comece a assinatura agora mesmo! Espero que ao assistir, compreendam a minha agonia. 

11 de fevereiro de 2016

Sessão Pipoca: O Quarto de Jack e Perdido em Marte

Para quem não sabe, estou tentando assistir alguns filmes indicados ao Oscar como mostrei nessa lista aqui. E bom esses dois estão indicados na categoria de melhor filme, então eu precisava assistir. Pra não encher o blog com resenhas e opiniões sobre os filmes, eu resolvi fazer um estilo 2 em 1 (ou mais dependendo da situação) dos filmes que mais gostei, portanto, alguns não vão aparecer por aqui. 

Direção: Lenny Abrahamson
Gênero: Drama, Suspense
Duração: 1h58min
Ano: 2015

Esse 2 em 1 começa com o filme O Quarto de Jack (Room), que conta uma história sobre o amor sem limites entre mãe e filho. Jack (Jacob Tremblay) agora tem cinco anos e não conhece nada do mundo além do quarto, de 10 metros quadrados, em que nasceu e vive até hoje juntamente com sua mãe, a Ma (Brie Larson).

Para o garoto, a falta de espaço não é problema, levando em conta que ele só conhece aquilo. Os móveis, os utensílios, ou qualquer coisa que esteja dentro daquele quarto se tornam seus amigos e praticamente ganham vida na mente do garoto. Já para Ma, as 4 paredes que a cercam são uma prisão, da qual ela precisa sair, mas ainda não encontrou uma maneira. 

Como uma forma de proteger o filho, Ma cria um cenário diferente daquilo que realmente pensa. Apesar de toda a crise emocional e dos sentimentos que afloram dentro de si, ela consegue fazer o melhor possível para que aquele seja um lugar bom para seu filho. Ela sente falta do mundo exterior (que pode ser visto apenas por uma claraboia no teto do quarto), mas não pode demonstrar seu pânico, para que Jack não fique com medo também. 


Ma é a definição perfeita da mãe que faz tudo para proteger o filho e o manter em segurança. A atriz conseguiu demonstrar muito bem isso através de seus olhos. A expressão cansada de Brie contribuiu muito para a personagem e a para a história. Ela consegue mostrar através da fisionomia e de expressões faciais o quanto aquele quarto/cativeiro a faz mal, mas ao mesmo tempo consegue transmitir força e segurança para o pequeno Jack. Ao meu ver, a atriz é uma forte candidata a ganhar o Oscar de Melhor Atriz, e estou torcendo pra isso. 

Já Jacob conseguiu transmitir a ingenuidade de uma criança que nunca conheceu o mundo e acredita que o mundo é o próprio quarto que estão presos. Para ele o mundo exterior só existe dentro da caixa mágica (televisão) e só passa a sentir medo quando Ma tenta lhe contar a verdade sobre tudo. O pequeno espaço em que vivem é o suficiente para ele, mas compreende a necessidade da mãe de escapar dali.  

Os personagens secundários também são bem desenvolvidos pelo trabalho de direção. Eles também precisam lidar com toda a situação que se desenvolve, principalmente com o sentimento de perda e reencontro que há tanto esperavam. Os avós de Jack desenvolvem papeis muito importante para a segunda parte da história. Eles também sofreram com o período do quarto e possuem uma carga de emoções que às vezes não conseguem lidar. A mãe de Ma, precisa aprender a lidar novamente com a filha, já o pai dela, não consegue conviver com o neto, por motivos que são explicados ao longo da história e, no meu ponto de vista, essa é uma cena bem marcante na narrativa.


O filme foi adaptado do livro homônimo da irlandesa Emma Donoghue, que ajudou na produção do roteiro do filme, e talvez por isso o filme tenha ficado tão emocionante. O filme é intenso e comovente. Conseguimos sentir a aflição dos personagens que vivem a restrição do mundo, e todos os sentimentos que conduzem a história: o desejo de ver o mundo novamente, a necessidade de fuga, o medo do desconhecido, os planos para contornar o Velho, o terror ao conseguir, uma nova visão da vida, e principalmente o amor entre mãe e filho.

Clique para ver o trailer

Além de concorrer ao Oscar de Melhor filme, O Quarto de Jack também foi indicado às categorias de Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Roteiro Adaptado. É um filme emocionante que vale a pena ser visto.



Direção: Ridley Scott
Gênero: Ficção Científica
Duração: 2h24min
Ano: 2015

Para a segunda parte deste 2 em 1, vou falar sobre Perdido em Marte (The Martian). Sim o filme já foi lançado há meses, mas eu procrastinei tanto que acabei não assistindo antes. Ele conta sobre uma missão da NASA que acaba fracassando e deixando um astronauta para trás.

Com o intuito de explorar Marte, bilhões de dólares são investidos na missão Ares 3, onde estão em operação seis astronautas: Mark Watney (Matt Damon), botânico e engenheiro; Melissa Lewis (Jessica Chastain), comandante e geóloga; Chris Beck (Sebastian Stan), médico, biólogo e especialista em AEVs; Beth Johanssen (Kate Mara), operadora de sistema e técnica em reatores; Rick Martinez (Michael Peña), piloto do VDM e VAM (naves); e Alex Vogel (Aksel Hennie), o piloto. 

Tudo ocorria bem enquanto faziam pesquisas e explorações no planeta, até que no Sexto Sol, uma forte tempestade de areia atinge Marte e os integrantes da tripulação, os obrigando a voltar para a VAM. Durante o percurso Mark é atingido por algo e jogado para longe dos companheiros, que por não obterem respostas, acreditam que ele está morto. Apesar dos esforços da comandante para achá-lo, a tripulação precisa sair imediatamente de Marte antes que todos fiquem presos no planeta. 

Mark acorda, depois de um tempo, percebendo que com o impacto sua roupa foi destruída e por isso não conseguiu entrar em contato com o restante do grupo. Ao notar que a VAM não está mais ali, ele se vê em apuros ao ter que sobreviver num planeta não explorado, sozinho e com poucos alimentos. Ele teve sorte de sobreviver ao acidente, contudo sua situação para continuar vivo é precária. Além disso, ele não tem comunicação com a Terra, pois com os equipamentos estragados, seus sinais demorariam anos até chegar a central da NASA. Por sorte ele encontra uma estrutura que ficou no local, o HAB, com alguns equipamentos necessários para sua sobrevivência e passa a morar dentro dele. 

Ao estudar as possibilidades e condições para continuar vivo, até a próxima missão vir para Marte e conseguir resgatá-lo, Mark resolve utilizar seus conhecimentos em botânica para produzir mais alimentos. Ele cria uma plantação de batatas dentro do Hab, conserta equipamentos e cria aparelhos que possam ser uteis para sua sobrevivência, testando também suas técnicas de engenheiro. 

Apesar do clima tenso, da falta de água e comida, dos problemas com o equipamento e a falta de comunicação, Mark consegue se manter calmo, e em alguns momentos do filme, temos um toque de comédia e bom humor que se encaixaram muito bem na história, alguns inclusive acontecem devido a própria trilha sonora do filme. Mark não podia entrar em pânico, pois isso resultaria na sua morte. Ele precisava manter a calma, e tentar ser positivo perante as situações que enfrentava, sempre buscando uma nova maneira de sobreviver. 

Depois de vários Sóis, a NASA finalmente consegue contato com Mark através de um satélite que identifica movimento, e ele acaba virando uma celebridade no mundo. A população quer que esforços sejam feitos para que ele seja trazido para casa, as mentes mais brilhantes trabalham para que consigam trazê-lo com vida, e ainda precisam enfrentar a decisão do diretor da NASA (Jeff Daniels) sobre não contar ao restante da tripulação (que continua em uma missão no espaço) sobre Mark. Alias Jeff fez um ótimo representante do diretor da NASA e temos ele como o mais próximo de um vilão no filme.


Em grande parte do filme, Matt atua sozinho, e desempenha seu papel muito bem. Ele precisa lidar com as situações extremas, com as inúmeras emoções que lhe vem a mente, com o medo de morrer sozinho num planeta desconhecido, e ter paciência para que tudo ocorra da melhor forma possível. Apesar de toda a tensão, a atuação mostra que ele conseguiu lidar com tudo de maneira espetacular. Talvez, o fato de Mark não possuir família na Terra, seja o ponto para ele não entrar em desespero, o acontece em outros filmes do gênero. Ele está em uma missão e sabia os riscos dela, a calma que ele transmite é porque sabe que se algo acontecer, ele morreu fazendo algo importante para si e para o mundo, o que em parte deixa o personagem aliviado.

O restante do grupo de astronautas também desempenha seus papeis com uma excelente atuação. Depois de descobrirem que Mark está vivo, cabe a eles decidirem buscar Mark em Marte ou deixá-lo esperando até a próxima missão, o que poderia causar sua morte. A tripulação carrega um peso na consciência por deixar Mark para trás, e precisam lidar com isso durante toda a trama. Talvez isso seja o principal motivo para que resolvam resgatar o componente perdido. 

O filme tem uma narrativa um pouco lenta enquanto Mark tenta sobreviver em Marte, a NASA tenta trazê-lo de volta, e a tripulação segue em outra missão com o pensamento em Mark. Talvez isso faça com que muitos não gostem do filme por compará-lo com Gravidade, por exemplo, mas é preciso compreender a situação dos personagens até que a ação realmente se desenvolva. 

Os personagens tem decisões importantes para tomar, decisões que se derem errado podem acabar com suas vidas. A trama é lenta, porque é preciso desenvolver o drama e a problemática que qualquer decisão possa acarretar. A narrativa não possui ação o tempo todo pois é preciso estabelecer questões de sobrevivência, de tempo, de cálculos matemáticos e científicos, e de planos para que tudo seja um sucesso. Essas questões são importantes tanto para Mark, como para a tripulação e a coordenação da NASA, que retrata também as questões politicas do resgate, e por isso devem ser muito bem pensadas antes de agir. 

Um ponto que pode ser considerado negativo no filme, é a questão de muitos personagens serem pouco explorados. Dentro do controle da NASA há inúmeras pessoas trabalhando para o sucesso da missão de resgate, porém muitos deles estão lá apenas por estar. Muitos não tem um papel tão importante, e poderiam ser facilmente descartáveis para a narrativa, outros poderiam ter seus pontos de vistas mais expostos, contudo não considero isso um total problema para o filme.

Preciso destacar também a fotografia do filme que está incrível. Os cenários são espetaculares e podemos até nos sentir perdidos em Marte junto com o personagem principal. As imagens dentro da nave em que estão os outros astronautas também ficaram bem realistas o que é um ponto muito positivo no filme, aprovado inclusive pelo verdadeiro diretor da NASA. 

O ponto de impacto do filme é justamente o que rendeu todo o roteiro da trama: o resgate. É angustiante ver que talvez todos os cálculos, todos os planos, todos os equipamentos e todo o esforço sejam em vão. As cenas finais deixam os espectadores nervosos, querendo ajudar a tripulação, querendo tomar o controle da situação, e isso é muito bom dentro de um filme.


Para quem gosta de ação o tempo inteiro, provavelmente não irá gostar tanto do filme, mas para os fãs de ficção cientifica que conseguem compreender os riscos da profissão de astronauta e os problemas que surgem durante as missões, esse é o filme indicado.

Clique para ver o trailer

Perdido em Marte também concorre a estatueta de Melhor Filme, além de outras seis categorias: Melhor Ator, Melhor Direção de Arte, Melhores Efeitos Visuais, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição de Som, e Melhor Mixagem de Som. 


Esse ano, ainda quero ler os dois livros homônimos que deram origem a esses dois filmes, uma pena que não consegui ler antes. Desculpem pela postagem enorme, mas espero que tenham gostado. Até a próxima!

9 de novembro de 2015

Sessão Pipoca: Atividade Paranormal - Dimensão Fantasma

Direção: Gregory Plotkin
Gênero: Terror, Suspense
Duração: 1h 28min
Ano: 2015

Esse é o último filme da franquia Atividade Paranormal (pelo que percebi), e assim como os outros teve um baixo orçamento de produção e seguiu a história padrão dos outros filmes: uma família, uma câmera e coisas sobrenaturais acontecendo dentro de uma casa. 

Nesse filme temos a família de Ryan Fleege (Chris J. Murray) que se mudam para uma nova casa. Durante as organizações Ryan descobre uma caixa com dezenas de fitas cassetes de décadas atrás e uma câmera também antiga. Ele começa a utilizar a câmera para filmar os momentos em família, mas, mais uma vez, a câmera começa a mostrar coisas estranhas e sobrenaturais durante as gravações, as tais atividades paranormais que ocorrem em todos os filmes.


Buscando saber qual o “defeito” que a câmera apresenta, Ryan e seu irmão começam a analisar as antigas fitas encontradas na casa. Estranhamente as imagens de décadas atrás parecem se conectar com a realidade da família, como se as pessoas das fitas estivessem enxergando tudo que ocorria na casa de Ryan.

Ao mesmo tempo em que analisa as filmagens antigas e os registros atuais da câmera, sua filha Leila (Ivy George) começa a apresentar um comportamento estranho. As atividades paranormais começam a ocorrer principalmente no quarto da menina, e por isso outras câmeras foram instaladas na casa, como é de costume nos filmes da franquia. 


Como já disse o filme se liga com os outros, trazendo de novo, principalmente, a história das irmãs Katie e Kristi, porém sem acrescentar muito ao público. As duas irmãs estão conectadas a Leila, que por sinal possui uma boa atuação durante a trama com suas risadinhas sinistras e debochadas. 

As coisas começam a complicar quando Leila desenvolve uma amizade com Toby, citado num dos filmes anteriores, o amigo imaginário que vai se materializando aos poucos, conforme o medo da família cresce. Ele surge como uma ebulição, uma fumaça preta mostrada pela câmera. 


Eu assisti o filme em 3D e, talvez, essa foi a grande novidade da franquia, mas que ao meu ver só serviu para causar os sustos previsíveis do roteiro. E por falar em sustos, esses estão presentes em todo o filme, sustos atrás de sustos e fantasmas surgindo na tela, sendo jogados na cara do público pelo efeito 3D. O grande problema é que os sustos não causam medo, nem o terror necessário para o filme, o que torna raro os momentos que o espectador é pego de surpresa. 

Acredito que o filme poderia ter sido melhor trabalhado. Para os fãs da franquia o filme explica coisas deixadas de lado nos primeiros filmes, pois retoma acontecimentos do passado, para mim foi basicamente as mesmas coisas mostradas nos outros filmes. O suspense até pode existir, mas não encontrei o terror necessário para sentir medo ao sair da sala do cinema. Sustos sim, medo nenhum. Como li em algum comentário por aí, talvez esse filme tenha sido somente mais do mesmo.


26 de setembro de 2015

Sessão Pipoca: Êxodo: Deuses e Reis

Direção: Ridley Scott
Gênero: Épico, Ação
Duração: 2h31min
Ano: 2014

Histórias bíblicas nunca foi um ponto forte pra mim no quesito cinema, assisti alguns, mas metade foi esquecida logo em seguida. No final do ano passado dois filmes desse gênero foram lançados: Noé, que não foi bem recebido pelo público, e Êxodos: Deuses e Reis. Assisti ele há meses atrás, mas só agora resolvi fazer resenha. 

Bom o filme reconta a história de Moisés, (Christian Bale), um dos mais conhecidos profetas da bíblia, e sua busca juntamente com o povo hebreu da Terra Prometida. É claro que a versão bíblica foi um pouco alterada para a melhor filmagem para as telas, o que, consequentemente, gerou muitos criticas dos fieis fervorosos do mundo, principalmente para as religiões em que essa história é contada como uma forte amostra da fé.

Essa história aconteceu há mais de 400 anos, no Egito, onde o povo hebreu foi escravizado pelo Faraó e obrigados a trabalhar em construções nas cidades de Píton e Ramsés. A liberdade estava distante para o povo, principalmente após uma profecia que dizia que entre os hebreus nasceria um menino que libertaria todos os escravos e os tiraria do Egito. O então Faraó ordenou que matassem todos os recém-nascidos hebreus na esperança que o líder estivesse entre eles.

Assim como na bíblia, Moisés foi encontrado pela irmã do Faraó Ramsés I, e criado como príncipe do Egito, sem que ninguém soubesse sua verdadeira origem. Cresceu ao lado do irmão adotivo Ramsés II e juntos compartilharam batalhas e aprendizados de como um grande líder deveria se portar. Com o passar dos anos, Ramsés começou a se sentir ofuscado pelo irmão e o ciúmes cresceu pois sabia que Moisés era mais competente para assumir o trono do rei. 


Depois da morte do Faraó Ramsés I, seu filho assumiu o poder. Boatos de que Moisés era na verdade um hebreu começou a surgir e Ramsés II (Joel Edgerton), viu nisso uma oportunidade de expulsá-lo de suas terras.  Moisés vai embora, tentando enfrentar os caminhos traiçoeiros por onde passa, por uma dessas andanças, ele encontra Deus, retratado no filme como uma criança mimada disposta a fazer tudo para conseguir o que quer. Não gostei dessa imagem de Deus, mas ok, vamos relevar a adaptação.

Moisés agora é o General escolhido por Deus para recrutar e salvar os hebreus. Para isso volta à sua cidade para liderar o exército de escravos e lutar contra seu irmão adotivo em busca da liberdade, atravessar o Mar Vermelho e encontrar a Terra Prometida. O que era para melhorar a situação de seu povo, só piorou, então Deus resolve medir forças, digamos assim, com Moisés, mostrando que ele precisa fazer mais para conseguir sucesso em sua missão. 

É assim que surgem as dez pragas do Egito que afetou os dois lados da civilização. Essas cenas no filme deram a entender que as pragas não passavam de catástrofes naturais e não um aviso de Deus de que coisas piores poderiam vir. As pragas surgiram uma atrás da outra como efeitos ecológicos e não como punição divina, tirando assim todo o sentido que elas tem na história original. 

Apesar disso, gostei da interpretação dos protagonistas, Joel conseguiu repassar o sentimento de um jovem inseguro, invejoso e sem capacidade de governar seu povo, que ama o irmão, mas deseja vê-lo longe para não perder o trono. Já Bale, retratou um homem confuso, perdido e sem fé que precisa enfrentar e se adaptar a realidade do seu povo e ainda comandá-los por entre os perigos sem nem ao menos saber como fazer isso. O filme mostrou muito mais o líder guerreiro do que o espiritual que evolui com os ensinamentos divinos, porém isso deu uma perspectiva mais humana ao personagem que se sente realmente perdido em várias situações. 


E agora, um breve comentário sobre a principal parte do filme: eu fiquei simplesmente chocada quando o Mar Vermelho não abriu. Gente! Essa é a principal parte da história e ela foi mudada no filme, deixando no final da passagem um líder encharcado e quase destruído. Não sei como funciona a montagem das cenas, mas acredito que podia ter rolado um esforço a mais pra que ela fosse tão grandiosa quanto nas escrituras do Antigo Testamento, pois foi um tanto decepcionante. 

Enfim, apesar desse probleminha, eu gostei do filme. Mesmo sendo longo, ele não é cansativo por conter muita ação e um clima de rivalidade e antagonismo entre os dois personagens principais. Acredito que a história de Moisés seja conhecida por grande maioria das pessoas, mas mesmo pra quem não é religioso ou não curte, deveria dar uma chance e assistir a adaptação. 

10 de agosto de 2015

Sessão Pipoca: Garota Exemplar

Direção: David Fincher
Gênero: Suspense
Duração: 2h 29 min
Ano: 2014

Muitos comentários positivos dessa história foram levantados, principalmente, por parte dos leitores. Infelizmente, ainda não tive a oportunidade de ler o livro, mesmo estando na minha lista de compras há muito tempo, por isso a curiosidade falou mais alto e resolvi ver o filme. 

O enredo gira em torno de Nick (Bem Affeck) e Amy (Rosamund Pike), começando com uma típica cena de filme de romance: um café da manhã especial para comemorar os cinco anos de casamento. Mas não se engane! De romântico esse filme não tem nada, e percebemos isso logo nos minutos seguintes do filme, quando Nick volta do trabalho e percebe que Amy desapareceu. 


Os pais de Amy ficaram famosos por produzir uma série de livros infantis utilizando o nome da filha: Amy, A Garota Exemplar. Assim como nas histórias, Amy é bonita, inteligente, divertida e criativa, mas ao longo da narrativa percebemos que sua criatividade é bastante insana. Para aproveitar esse seu lado, todo ano ela cria uma espécie de ‘caça ao tesouro’ para Nick encontrar seu presente de casamento, e dessa vez o presente dele, é descobrir como se livrar da situação que sua mulher lhe meteu. 

A história é contada pelos dois personagens, cada um narrando um tempo do relacionamento e sua visão sobre o próprio, ou seja, lados diferentes de uma mesma história. Os dois são mentirosos, os dois criam jogos de enganação, que dá aos telespectadores a opção de escolher em quem vão acreditar.


Na narrativa de Nick, percebemos que ele não conhece tão bem sua esposa e acaba se tornando o principal sumiço de seu desaparecimento ou, como acredita a polícia, seu homicídio, mesmo podendo ser o verdadeiro alvo de toda a história. Já na narrativa de Amy, conhecemos a história dos dois através de um diário. O início do relacionamento, os desentendimentos, traições, a vida sexual e pessoal, e todas as crises e fases que um casamento pode ter. E é nessas partes que você precisa decidir em quem acreditar, decidir qual dos dois tem razão, decidir quem tem a mente mais, ou menos, sã. 


O filme mostra, em muitas partes, que o relacionamento dos personagens principais, é um relacionamento de aparências, o tipo de relacionamento em que se age de uma maneira na frente de amigos e que em outros momentos não existe. Os dois aparentam ser um casal perfeito, mas as intrigas internas vão se mostrando ao longo da história e quando você menos espera vem uma reviravolta e confunde a sua opinião já formada. 

Eu gostei muito do filme, e em quase todo ele a minha mente ficou pensando “Será? Não pode ser isso, essa gente é louca!”, e bom talvez o sociopata da história seja mesmo. Existem cenas fortes durante a narrativa o que me fez ficar ainda mais interessada pelos personagens, pois são cenas importantes para o desenvolvimento da trama final. Recomendo muito esse filme pra quem gosta de suspense, e espero conseguir comprar o livro em breve para ver qual foram as mudanças de um meio para o outro. 

6 de agosto de 2015

Sessão pipoca: Caminhos da Floresta

Gênero: Fantasia, Musical, Aventura
Direção: Rob Marshall
Duração: 2h 5min
Ano: 2014

Esse é mais um filme da Disney e por ter um aspecto um pouco diferente do normal recebeu uma enxurrada de crítica dos fãs fervorosos que disseram que esse não é o estilo de produção da mesma. O filme é uma adaptação de um famoso musical da Broadway – Into the Woods – que conta a história de um casal que foi amaldiçoado por uma bruxa e por isso não pode ter filhos.

Como se espera, existe muita música em quase todas as cenas e tudo se liga dentro da floresta que liga os castelos e personagens de várias histórias já conhecidas. No início o padeiro da cidade e sua mulher não entendem porque estão amaldiçoados, até que a bruxa conta que o pai dele lhe roubou no passado. O feitiço pode ser revertido se os dois trouxerem à bruxa tudo que ela lhe pediu até a meia noite do terceiro dia:
Uma vaca branca como o leite; um capuz vermelho como o sangue; um fio de cabelo amarelo como o milho; e um sapato tão puro como o ouro.

E é aí que as histórias, como Chapeuzinho Vermelho, Cindelerela, João e o pé de feijão e Rapunzel, se interligam, pois cada um dos objetos pertence a um desses personagens. E, como já disse, tudo acontece nos caminhos da floresta. A floresta meio representa a vida, tudo gira em torno dela, as histórias se interligam nela, mas nem sempre possuem um final feliz, como se espera em filmes da Disney, e talvez esse tenha sido o ponto de crítica de várias pessoas. 

O aspecto do cenário e a caracterização dos personagens são muito boas. Eu gostei bastante do fato da história trazer o sentimento de personagens tão conhecidos, sentimentos esses não mostrados nas histórias normais e essa produção meio que distorce todo aquele aspecto de conto de fadas e do “viveram felizes para sempre”. O filme mostra arrependimento, as perdas, as amarguras, a raiva e até mesmo o sofrimento dos personagens em algumas partes. 


A mensagem do filme é, basicamente, cuidado com o que você deseja, que nem sempre é o melhor pra nós, e que devemos saber lidar com as consequências de nossos atos. Infelizmente, a única partezinha de música que ficou gravada na minha cabeça foi a que eles cantam “I wish” (Eu desejo), mostrando qual o anseio de cada personagem. 

As histórias que conhecemos são mostradas de relances, enquanto o padeiro e sua mulher buscam os itens pedidos pela bruxa, porém essas histórias são distorcidas, mostrando um lado que o público não está acostumado e não conhecia. Há uma discussão cômica musical dos príncipes da Cinderela e Rapunzel (irmãos) para decidir qual dos dois sofre mais por não ter sua amada; a Chapeuzinho Vermelho é uma ladra de pães e biscoitos os quais leva para sua avó. As histórias ‘Rapunzel’ e ‘João e o pé de feijão’ foram a única que não teve muitas alterações. 


A Cinderela é a que mais tem mudanças e, particularmente, eu adorei. Ela não tem carruagens e fadas lhe ajudando, tem uma árvore (túmulo de seu pai) e pássaros que lhe ajudam, fazem fofoca e auxiliam em algumas “vinganças”. Ela não é apenas uma menininha que não sabe lidar com a madrasta e as irmãs, ela as enfrenta. O baile que ela participa dura três dias, e em todos, ela foge porque tem dúvidas se quer mesmo ficar com o príncipe ou não, aliás, seu príncipe é um grande cafajeste e ela descobre isso através dos pássaros. Ela é corajosa e destemida e eu adorei esse novo aspecto dela. 

A ingenuidade dos contos de fadas, de príncipes encantados socorrendo princesas indefesas, é desfeita nesse filme e dentro da floresta, talvez, o caminho que você escolheu não seja o melhor a seguir. Eu gostei do filme, não foi o melhor filme do ano obviamente, mas eu gostei do jeito como os contos de fadas foram tratados nele. A Disney entendeu o recado de que príncipes encantados, talvez, não prendem mais o público como antigamente. 



27 de julho de 2015

Sessão Pipoca: Sniper Americano

Gênero: Biografia, Drama, Guerra
Direção: Clint Eastwood
Duração: 2h12min
Ano: 2015

Na época do Oscar, tentei ver todos os filmes indicados, mas alguns ainda foram deixados de lado, não por falta de interesse, mas sim falta de tempo. Sniper Americano foi um deles, então pra abrir esse novo “quadro” aqui no blog, começarei com ele. (Talvez, filmes assistidos há mais tempo apareçam aqui em breve).

Bom, o filme conta a história real do atirador que foi considerado uma lenda na marinha dos Estados Unidos na Guerra do Iraque, Chris Kyle (interpretado por Bradley Cooper). Ele acertou alvos a distancias surpreendentes, matando, nas quatro expedições de guerra, mais de 150 pessoas.

A adaptação do livro autobiográfico, liberado pela marinha americana, tenta mostrar que Chris fazia de tudo para salvar a vida de seus companheiros, sendo considerado, muitas vezes, como um herói. Para Chris a defesa do país era algo primordial, e em todo o filme isso é altamente valorizado, mostrando que para ele a guerra era quase mais importante do que sua família; na cabeça dele defender a pátria era manter sua família segura mesmo que não estivesse por perto.


A tensão ocorre em todo o filme, tanto para Kyle quanto para sua esposa (interpretada por Sienna Miller). O enredo possui algumas cenas fortes e uma decisão errada pode acarretar em consequências ruins para todos. Chris precisava ter uma boa interpretação das pessoas, saber em quem atirar e tomar a decisão correta, pois ninguém poderia opinar em suas escolhas. Esse é um fardo que aparece em toda a história, parecendo revelar um peso enorme cada vez que Kyle apertava o gatilho.

Muitas cenas no filme mostram que a realidade da guerra não se desligava totalmente dos pensamentos do protagonista. Ele ouvia tiros, explosões (mesmo que só na sua imaginação) e acabava tendo atitudes inapropriadas quando estava em casa, deixando sua esposa preocupada.


Após um ataque inimigo que quase acatou em sua morte, Chris resolve voltar para casa, contudo a guerra parece não sair de sua cabeça. Sua esposa e seus filhos são deixados um pouco de lado logo no início de sua volta, mas com o tempo ele começa a visitar antigos veteranos de guerra, e as coisas melhoram. Chris quer ajudar esses veteranos, pois estar com eles o ajudava a acalmar a mente.

O que Chris não esperava era que poderia ser morto por um ex-veterano que tentava ajudar. A lenda da marinha se tornou uma celebridade nos EUA, seja como herói ou como assassino de sangue frio, e diversas homenagens, mostradas no final do filme, foram prestadas em sua morte. O ex-veterano que o assassinou foi condenado à prisão perpetua sem possibilidade de liberdade condicional.


Não sou uma crítica de cinema, mas considerei a atuação dos protagonistas muito adequadas com o papel que estavam desempenhando. Achei que o filme traz um forte e um tanto exagerado patriotismo, mas não deixa de ser uma história boa. Ele ganhou o Oscar de melhor edição de som 2015 e para quem curte histórias de guerra esse é um ótimo filme para ver.
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