26 de agosto de 2016

Estante Indicativa: Penny Dreadful

Ano: 2014 - 2016
Temporadas: 3
Episódios: 27

Criada por John Logan e produzida por Sam Mendes para o canal ShowTime, Penny Dreadful é uma série com aspecto sombrio e cheia de mistérios. Resolvi assistir a série por indicação de amigos, e como se tratava de uma história cheia de sobrenatural resolvi dar uma chance. 

O arco inicial da série se baseia em uma busca feita por Sir Malcom Murray (Timothy Dalton), juntamente com Vanessa Ives, para encontrar sua filha Mina sequestrada por algo sobrenatural. É aqui, logo no início da série que as referências aos clássicos da literatura começam a ser feitas. Mina Murray nos clássicos, seria a reencarnação da esposa do Conde Drácula, mas essa não é a única referência de personagens famosos e muito menos o arco principal da série.
O que é o amor senão uma criatura que deseja ser libertada? O que nos trará além de destruição e ruína?

Por se passar na Era Vitoriana de Londres, o seriado une vários personagens famosos dos livros, que posteriormente também ganharam as telas do cinema e da televisão, para compor o enredo. Esse período, permitiu que a mitologia e o sobrenatural se espalhassem, fazendo surgir várias histórias com esses temas, Penny Dreadful conseguiu reunir alguns deles para criar sua própria narrativa.

Entre os clássicos da literatura, além de Drácula, se encontram Frankenstein e seu monstro, Dorian Gray, Van Helsing e, também, as famosas criaturas sobrenaturais: vampiros, bruxas e lobisomens que compõem o restante do enredo. Em determinado capítulo também temos uma breve aparição das Sufragistas lutando por seus direitos.

A história principal se baseia na conturbada vida de Vanessa Ives (Eva Green), uma moça com um passado sombrio e misterioso, que aos poucos vai recrutando pessoas que a ajudam pelo caminho. O seriado não revela nada “de cara”, portanto para descobrir toda a história de Vanessa, precisamos assistir tudo com bastante atenção.


A fotografia, os efeitos e o figurino de Penny Dreadful são impecáveis. Temos uma Inglaterra Vitoriana retratada fielmente e podemos sentir a atmosfera que pairava na época, tudo com um ar sombrio e cheia de perigos. Vemos diálogos cheio de referências poéticas, roupas extravagantes e inocência se perdendo no mundo e tudo é retratado perfeitamente. Porém, alguns dos arcos da história acabam ficando superficiais e sem muitas explicações, como se aquilo só tivesse sido jogado ali para dar mais um toque misterioso para série.

Muitos personagens retratados, principalmente os dos clássicos da literatura, não são fielmente retratados. A série não busca mostrar como cada um deles chegou naquele ponto, eles só estão ali como um meio de compor a história da protagonista. Pelas críticas que li, vi que muitas pessoas não gostaram dessa versão romantizada dos personagens, mas eu não me senti incomodada.

Um destaque de Penny Dreadful, foi a maravilhosa atuação de Eva Green. O papel principal, de vilã, mocinha e sombria, Vanessa Ives, caiu perfeitamente para a atriz, parece que o papel foi feito exatamente para que ela interpretasse. Suas expressões são muito fortes e dão um toque clássico e calmo e, ao mesmo tempo, assustador durante todos os episódios. A atriz foi realmente sensacional em sua atuação.


Em minhas pesquisas, também descobri que o nome da série, é uma singela homenagem a obras de apelo popular que eram vendidos naquela época. Os Penny Dreadfuls, em sem sentido mais literal, significavam “centavos do terror”, e eram publicações de ficção e terror vendidos na Inglaterra por apenas um centavo no século XIX. Eles foram uma forma de desenvolver o hábito de leitura das camadas populares, e por isso tinham um toque bem apelativo.

Bom, eu adorei Penny Dreadful, esperava algo diferente no final, e sim, esperava mais explicações de algumas partes, mas, como um todo, é uma série boa, que traz bastante referência aos clássicos do terror e sobrenatural. 

Os episódios são bem longos, a série é um pouco lenta e por isso não é uma série recomendada para fazer maratonas pois ela não tem muita ação. Para quem gosta de histórias mais intensas é uma série recomendada, para outros que não tem muita paciência para esperar as coisas acontecerem, recomendo que procure outra coisa para assistir.

E pra finalizar, deixo aqui uma parte de um dos poemas de John Clare também citado no seriado, em uma cena de forte representação, para mostrar a personalidade dos personagens e sua obscuridade.
Eu sou, mas o que sou ninguém se importa ou conhece; meus amigos desistiram de mim, como uma memória perdida; Sou o consumidor das minhas próprias mágoas. Elas ascendem e desaparecem em chão estéril, como sombras em dores delirantes de um amor sufocado. E ainda assim, eu sou, eu vivo – como vapores tremulantes. Em meio a um nada ruidoso e escandescente. Em meio a um vivo mar de sonhos vigilantes, onde não há sentido de vida ou alegrias [...]
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