Editora: Arqueiro
Páginas: 240
A MLI2015 me fez conhecer um gênero que nunca havia lido, pelo menos, não que me lembre. Suspenses policiais nunca foram meu forte no que diz respeito à leitura. Eu gosto de suspense sim, gosto de assistir coisas que me prendam do início ao fim e que me emocionem com cada possível suspeito ou reviravolta, mas até então não tinha lido nada além de Dan Brown e suas conspirações religiosas.
Como vi muita gente falando bem dos livros do Harlan Coben, resolvi dar uma chance pro gênero, e se arrependimento matasse, eu estaria morta por não ter conhecido os livros desse autor antes.
Não conte a ninguém começa calmo, apresentando um cenário aos leitores e, de uma hora para a outra, esse panorama é completamente destruído por uma cena de adrenalina e é isso que me fez querer continuar o livro sem parar.
David Beck e sua esposa, Elizabeth, estão comemorando seu 13º aniversario de casamento em uma antiga propriedade da família Beck, que em outros tempos funcionava como uma espécie de campi de verão. E como o próprio narrador diz, talvez a 13ª marca registrada na árvore (tradição do casal), fosse um tipo de presságio. Depois de uma tranquila comemoração de aniversário, Beck vê sua esposa ser sequestrada por um serial killer enquanto é atingido por um dos capangas, caindo desacordado no lago da propriedade.
A morte era algo certo para os dois, mas por algum motivo (que será contado no decorrer da história) Beck sobreviveu ao ataque, contudo a perda de sua esposa o deixou totalmente desamparado, sentimento este que compartilhamos com o personagem. Ele tenta seguir sua vida como médico pediatra, se dedicando a população mais carente, mas a perda de sua amada ainda se faz presente, mesmo após 8 anos do ocorrido.
Não me diga que ainda sou jovem. Não me diga que vou ficar bem. Não me diga que ela está num lugar melhor. Não me diga que sua morte faz parte de algum plano divino. Não me diga que tive a sorte de viver aquele amor. Cada um desses lugares-comuns me deixava furioso. Eles só me faziam – sei que você vai me achar cruel – pensar no idiota que estava dizendo aquilo e me perguntar por que ele ou ela ainda respirava enquanto Elizabeth apodrecia. Eu vivia ouvindo aquele besteirol de “melhor ter perdido a pessoa amada do que nunca ter vivido um grande amor”. Outra besteira. Acredite, não é melhor. Não me mostre o paraíso e depois o destrua. Pode ser egoísmo meu, mas foi isso o que aconteceu. O que mais me entristecia – o que realmente doía – era o fato de Elizabeth ter sido privada de tanta coisa. Já perdi a conta de quantas vezes vi ou fiz algo e pensei em como Elizabeth adoraria aquilo. Nesses momentos a dor ressurge. As pessoas se perguntam se sinto algum remorso. A resposta é: apenas um. Sinto remorso dos momentos que desperdicei fazendo outras coisas que não fossem tornar Elizabeth feliz.
No dia em que completariam mais um ano do “primeiro beijo”, 21, o simpático doutor recebe um estranho e-mail anônimo. Conforme lia o texto, cheio de enigmas e informações que somente sua esposa morta saberia, Beck fica furioso com essa brincadeira de mal gosto de alguém brincando com a sua dor, mas uma parte de si acreditou que existisse uma forma de ser mesmo Elizabeth.
O enredo da história começa a se desenvolver através desse ponto, o que quase te faz prender a respiração até o mistério ser resolvido. Um turbilhão de acontecimentos e revelações é repassado aos leitores e o clima tenso permanece até que descobrimos o verdadeiro significado de tudo aquilo.
Corpos são encontrados no mesmo local que David e Elizabeth foram agredidos; novos e-mails surgem sempre especificando a hora do beijo, ou algo que somente o casal saberia; o caso é reaberto e David se torna o principal suspeito sendo acusado de assassinar sua esposa e outras pessoas; não conseguimos descobrir quem está mentindo na história, pois a cada reviravolta nossa mente muda de opinião.
Dizem que se leva muito tempo para compreender uma tragédia. Você fica entorpecido. Não consegue aceitar a triste realidade. Mas nem sempre isso é verdade. Pelo menos não no meu caso. Eu compreendi todas as implicações no momento em que acharam o corpo de Elizabeth. Compreendi que nunca mais a veria, que nunca mais a abraçaria, que nunca mais teríamos filhos e não envelheceríamos juntos. Compreendi que aquilo era definitivo, que não haveria segunda chance, que nada poderia ser permutado ou negociado.
David precisa provar sua inocência, descobrir se sua esposa está viva, desvendar os estranhos e-mails e contatos anônimos que tem recebido e ainda manter tudo em segredo, pois no final de cada mensagem há um único aviso: Não conte a ninguém. E garanto pra vocês que cada detalhe desses misteriosos contatos faz diferença no final da história, assim como os vários personagens que vão surgindo ao longo dela.
Gostaria de poder contar que através da tragédia, descobri algum princípio absoluto, desconhecido e impactante que pudesse transmitir. Não foi o que aconteceu. Os clichês são todos válidos – o que realmente conta são as pessoas, a vida é preciosa, o materialismo é valorizado demais, as pequenas coisas são as que importam, viva o momento –, e posso repeti-los exaustivamente. Você poderá ouvir, mas não vai conseguir internalizar o que eu disser. A tragédia é pessoal. Ela fica gravada na alma. A gente deixa de ser feliz, mas se transforma numa pessoa melhor.
Esse foi meu primeiro contato com o autor e eu simplesmente adorei cada capítulo da história, cada detalhe, cada reviravolta, e cada opinião e palpite que o livro me fez formar. Confesso que nos últimos capítulos eu já suspeitava de um personagem e, pelo menos uma vez, acertei meu palpite, porém o motivo de tudo não foi algo óbvio. Adorei a escrita do Coben, recomendo o livro e, com certeza, lerei mais obras do autor.