Editora: Aleph
Páginas: 224
“A bondade é uma coisa que se escolhe. Quando alguém não pode escolher, deixa de ser humano.“
Laranja Mecânica é o primeiro livro “clássico” que leio na vida. Eu não costumo me interessar por livros assim, mas com o lançamento da Editora Aleph resolvi arriscar. Infelizmente na época que comprei a capa ainda era essa, então eu não tenho a edição comemorativa de 50 anos, também publicado pela Aleph que ficou divinamente linda.
O livro narra a história de Alex, um garoto de 15 anos, integrante de um grupo de delinquentes, do qual é o líder, que destinam grande parte do seu tempo livre para cometer crimes, desde roubos, espancamentos até estupros somente por diversão. Em uma das noites que decidem assaltar a casa de uma senhora, as coisas dão erradas e Alex é traído pelos seus “druges” (amigos) Pete, George e Tapado, e é condenado a 14 anos de prisão.
Por demonstrar um comportamento oposto ao que era esperando nos primeiros anos na prisão, o governo opta e submete o jovem, por persuasão, a um tratamento de choque ainda em fase de teste, chamado Técnica Ludovico. Segundo os criadores do tratamento, ele extingue toda a maldade em apenas duas semanas, sendo assim, eliminando os impulsos criminosos de pessoas como Alex.
Para que o tratamento seja devidamente realizado, o individuo é submetido a sessões diárias de filmes de violência, injetando substâncias que garante mal estar e enjoos. Durante as sessões o paciente é impedido pelos equipamentos de fechar os olhos e digo pra vocês que é agonizante imaginar essa cena.
Ao começar a ler, eu estranhei bastante o vocabulário, pois o autor criou uma mistura do inglês com o russo que nos confunde um pouco. Mas ao ingressar na leitura realmente você começa a compreender as gírias do protagonista e o vocabulário estranho deixa de ser um problema. O livro também possui um glossário no final, então quem tiver dificuldade com os termos pode consultá-lo, eu optei por ler e fazer meu próprio entendimento das gírias, até porque li no Kindle e seria muito complicado.
O livro é dividido em três partes, na primeira somos apresentados ao nosso humilde narrador, na segunda temos Alex na prisão e o início da terapia, e na terceira temos os resultados do projeto na sociedade, as questões éticas, políticas e principalmente uma grande crítica social. Laranja Mecânica é um livro pesado, e apesar da narrativa através das gírias, você consegue entender toda a ultraviolência que ocorre. Então não recomendo o livro para quem não gosta desse tipo de narrativa, pois o autor não reduz o impacto em suas palavras.
Nomes de partidos não significam nada. A tradição de liberdade significa tudo.
A história foi escrita há anos atrás, mas ainda conseguimos ver vários pontos em comum com a sociedade atual, onde somos dependentes da segurança interina sempre em busca de algo para nos proteger. Onde vemos golpes políticos para o favorecimento dos grupos mais elevados e a quase isolação de grupos de menores rendas. O mundo caótico, de violência e desigualdade retratado na história, também está presente na vida real em muitos lugares.
Alex é ruim, sua mente é ruim e quer praticar a violência, mas considerando tudo que ele passa e sofre na história, em determinadas partes até ficamos com pena do personagem, mesmo sabendo que, talvez, ele mereça tudo que lhe acontece. Alex cativa o leitor com suas gírias, seu jeito, sua ruindade, e sua insanidade que piora após o Método Ludovico, e quase nos faz acreditar que ele não seja tão ruim, mostrando que a bondade é subjetiva.
É um livro forte, que muitas pessoas talvez não criem coragem para ler. É um livro que se le rápido sim, depois que você já está familiarizado com o vocabulário do protagonista, mas é um livro que deve ser apreciado e não só passar os olhos pelas palavras. É um livro de antagonismos entre o que é bom e o que é mal, sobre as praticas agressivas do governo autoritário e sobre a confusão interna de um personagem perturbado. É um livro que deve ser lido.
É um livro forte, que muitas pessoas talvez não criem coragem para ler. É um livro que se le rápido sim, depois que você já está familiarizado com o vocabulário do protagonista, mas é um livro que deve ser apreciado e não só passar os olhos pelas palavras. É um livro de antagonismos entre o que é bom e o que é mal, sobre as praticas agressivas do governo autoritário e sobre a confusão interna de um personagem perturbado. É um livro que deve ser lido.

