Autor: John Boyne
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 187
Contar a história de uma criança que viveu na época do Holocausto sem nem ao menos saber do que isso se tratava foi uma tarefa muito bem feita pelo escritor John Boyne em o Menino do Pijama Listrado.
Bruno, um menino de 9 anos teve toda sua vida mudada de uma hora para outra durante a Segunda Guerra Mundial. Abandonando amigos, a aconchegante casa em Berlim e estudos, ele e sua família foram designados a morar em um campo de concentração na Polônia devido a uma proposta de Hitler (citado no livro como O Fúria) ao seu pai, um comandante do exército nazista.
A história demora um pouco para se interligar com o título, mas próximo ao meio do livro Bruno resolve brincar de explorador e no meio de sua aventura descobre Shmuel, um judeu que vive do outro lado da cerca que rodeia sua nova casa. Os dois garotos acabam firmando uma grande amizade ao longo do enredo e, apesar de nunca discordar de seu pai, Bruno passa a ter uma visão diferente a respeito dos judeus, sempre achando que todos são iguais.
"Todos no campo usavam as mesmas roupas, aqueles pijamas com os bonés de pano também listrados; e todos que passavam pela sua casa (exceção feita à mãe, Gretel e a ele próprio) vestiam uniformes de variadas qualidades e graus de condecoração e quepes e capacetes com grandes braçadeiras vermelhas e negras e traziam armas e estavam sempre com o semblante terrivelmente severo, como se tudo aquilo fosse muito importante e ninguém pudesse pensar diferente. Qual era a diferença, exatamente? E quem decidia quem usava os pijamas e quem usava os uniformes?"
Apesar de todo o cenário de guerra que os rodeava, o autor consegue retratar a inocência de Bruno, parecendo mesmo ser contado por uma criança que viveu naquela época sem saber o que realmente estava acontecendo ao seu redor. Essa inocência é mostrada até mesmo na reviravolta que surge no final da história, aonde Bruno com toda a sua ingenuidade tem que tomar uma decisão que muda sua vida.
O livro, apesar de algumas partes tristes, é muito bom e conseguiu retratar bem a inocência das crianças e a amizade mesmo num cenário como o vivido na Segunda Guerra Mundial. A leitura é fácil, e o livro é bem pequeno, e você consegue terminá-lo em um dia. Para quem gosta de livros que abordem a Segunda Guerra e quer conhecer uma outra visão desse cenário, este é uma ótima dica. Recomendo.
"Como ele pôde ver, todas as coisas que ele imaginou estarem lá – não estavam".
Abaixo segue o trailer do filme, que também faz muitos fortões derramarem lágrimas:
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