Editora: Nova Fronteira
Páginas: 368
Uma família que criava finais felizes
Esse foi um dos poucos livros que peguei sem ter a mínima noção do que se tratava. Não li resenhas, não busquei sobre ele, e dei só uma lida básica na sinopse que não mostra muito sobre do que o livro se trata. Imaginem minha surpresa ao descobrir que era uma biografia. Nunca fui fã desse gênero, pelo que olhava em outros livros, a escrita parecia ser chata e na realidade nunca quis saber sobre a vida de alguém. Mas esse livro me surpreendeu.
Esse foi um dos poucos livros que peguei sem ter a mínima noção do que se tratava. Não li resenhas, não busquei sobre ele, e dei só uma lida básica na sinopse que não mostra muito sobre do que o livro se trata. Imaginem minha surpresa ao descobrir que era uma biografia. Nunca fui fã desse gênero, pelo que olhava em outros livros, a escrita parecia ser chata e na realidade nunca quis saber sobre a vida de alguém. Mas esse livro me surpreendeu.
Nunca tinha lido uma biografia e nem me interessava sobre, mas a escrita de Jeannette Walls me conquistou. Não posso dizer que é a melhor biografia, até porque não li mais nada nesse gênero, mas poso dizer que o livro entrou na minha lista de favorito.
A autora vem de uma família extremamente pobre, da qual seus pais eram irresponsáveis e infantis. Seu pai, Rex, deseja construir um castelo de vidro para os filhos, o que deu origem ao nome do livro, e também outras invenções para melhorar as condições da família, mas não era maduro suficiente para tirar as ideias do papel e levá-las adiante, vivia bêbado e não conseguia se manter em um emprego. Já sua mãe, Rose Mary, sonhava em ser uma grande artista plástica, mas sua falta de maturidade nunca permitiu que se tornasse algo.
“Às vezes, havia na lata de lixo mais comida do que eu conseguia comer.”
Fome, frio, negligências familiares, irresponsabilidade, falta de interesse nos filhos, catar comida em lixeiras, levar uma vida nômade sem condições nenhuma. Sobreviver era isso que a família Walls desejava, apenas sobreviver. E essa é a história narrada no livro, histórias de sonhos que não saíam do papel e de coragem para correr atrás e conseguir o que almeja.
“Nós nos mudávamos como nômades. Vivemos em pequenas cidades mineiras empoeiradas em Nevada, Arizona ou Califórnia”
Apesar dos problemas, tinham suas qualidades, eram inteligentes, desprendidos e avessos aos valores materiais, adotando uma postura anticonsumista que foi passada para os filhos. Devido a isso viviam em uma imensa miséria, migrando de cidade em cidade em busca de experiências novas, mas sem nunca melhorar as condições financeiras da família. Ao seu modo, os pais incentivavam os filhos a se defender e lutar por aquilo que queriam e acreditavam, e depois de tanta carência, foi isso que os filhos acabaram fazendo.
"-Bom para você- disse mamãe quando me viu cozinhando. Você tem que voltar à rotina. Não pode viver com medo de uma coisa tão básica quanto o fogo."
Jeannette e os irmãos, exceto a irmã mais nova, saíram de casa em busca de seus sonhos depois de aguentar uma vida inteira de miséria, falta de comprometimento por parte dos pais, precariedade e problemas financeiros. Ganharam o mundo, melhoram suas condições em Nova York, conseguiram empregos para se manter e até entraram em faculdades. Mas seus pais preferiram manter uma vida de sem-teto nas ruas da cidade. A autora se tornou uma bem sucedida jornalista, lutando contra a decadência e impotência a qual seus pais a sujeitaram, salvando-se da miséria e buscando oportunidades.
O relato traz memórias que com certeza a autora preferia esquecer, um passado que para muitos leitores pode trazer até certa repulsa por acreditar que os pais possam fazer certas coisas com os filhos, como submetê-los a situações extremas. Mas apesar das situações de insegurança, instabilidade, carência afetiva e material em que viveu, a autora conta sua vida com uma narrativa amorosa, perdoando seus pais e entendendo seus motivos.
“Filha, a gente não tem dinheiro para o presente, mas escolhe uma estrela no céu, e fica com ela pra toda a vida.”
O livro traz uma realidade que, muitas vezes, não nos damos conta que está ali ou simplesmente ignoramos por não estar psicologicamente preparados para encará-la. O livro mexeu comigo, traz um drama real e posso descrevê-lo com um legítimo tapa na cara, que nos faz refletir sobre o que realmente é um problema ou só uma situação que não temos coragem de enfrentar.



