1 de novembro de 2014

Resenha: Os 13 porquês

Autor: Jay Asher
Editora: Ática
Páginas: 256



Já pensou chegar em casa e encontrar um pacote com 7 fitas que contam sobre a morte? Essa é a vida de Clay e ele vai dividir com você, assim como Hanna dividiu com ele.



Nunca pensei que o tema suicídio fosse me interessar, mas quando peguei esse livro não conseguia parar de ler. Foi um dos livros que eu li num piscar de olhos e fiquei num clima de “ah meu deus” por vários minutos após a leitura.



A história é narrada do ponto de vista de Clay, um jovem que tem sua vida mudada após voltar da escola e encontrar um pacote com sete fitas cassetes. Não há bilhete, não há carta, não há recado nenhum, só um monte de fitas numeradas do 1 ao 13 sem nenhuma explicação. Por curiosidade Clay resolve escutá-las e percebe que as fitas foram gravadas por uma colega de classe que cometeu suicídio.
Eu precisava tirar uma folga... de mim mesma.
Nas fitas, a voz de Hanna Baker ressoa explicando os 13 motivos que a levaram a tomar a decisão de se matar. Ou as 13 pessoas. E Clay é uma delas. Sem entender o porquê de ser uma das causas da morte de Hanna ele continua a ouvir as fitas, as quais possuem duas regras: você escuta; você repassa ao próximo da lista.

O livro tem um mapa na parte de dentro das capas, que te ajuda a entender a história e os últimos passos de Hanna, que são revividos por Clay ao ouvir as fitas. Esse simples mapinha faz você entrar mais ainda no cenário da história e quem tá lendo consegue realmente sentir as emoções que cada parte do livro quer mostrar.

                                              Lado 1                                                  Lado 2

Se Clay está com raiva, você está com raiva. Se Clay ri, você ri. Se Clay grita, você quer gritar. Se Clay esbraveja pro mundo, você também quer esbravejar. Você sente tudo que ele sente, você imagina tudo que ele vê e cada detalhe se forma na sua cabeça. E se existisse algum pensamento paralelo de Clay ele seria “A próxima fita sou eu? Qual é a minha fita? Quando chega a minha vez?”, e ouvindo as fitas com Clay, foi exatamente isso que pensei. Eu fui Clay, e vocês deviam ser também.

Enquanto revive os passos de Hanna, ele descobre coisas sobre pessoas que conhece e acaba mudando a imagem delas que tinha na cabeça. Ele achava que conhecia Hanna, mas a cada nova fita descobre que a vida complicada dela envolvia segredos que muitos não poderiam imaginar.

A escrita leve do autor me ajudou a compreender um cenário, até então, não explorado. Na maior parte do tempo, não damos importância e não notamos o impacto que simples palavras e ações podem ter na vida de alguém. Mesmo sendo um livro, eu queria entrar na história e salvar a Hanna, queria ajudá-la em cada cena, e em alguns trechos pude sentir a angustia e impotência de não poder fazer isso.
“Vocês não sabem o que estava se passando no resto da minha vida. Em casa. Nem mesmo na escola. Não sabem o que se passa na vida de ninguém, a não ser na de vocês. E quando estragam alguma parte da vida de uma pessoa, não estão estragando apenas aquela parte. Infelizmente, não dá para ser tão seletivo. Quando você estraga uma parte da vida de alguém, você estraga a vida inteira da pessoa. Tudo... é afetado.”
Não existe como definir o livro, ele é incrível e é isso. Então se você ainda não começou a ler ele, eu não sei o que será da sua vida. Vá, leia! Não fique esperando, só leia. E só uma observação: eu ainda quero atirar uma pedra na janela do Tyler, talvez na cara dele também. 


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