Editora: Darkside
Páginas: 320
Ao contrário de muitos livros, a história de A Noite dos Mortos-Vivos foi baseada no filme homônimo gravado por George Romero e seu colega John Russo, autor do livro. O livro foi lançado primeiramente em 1973 e posteriormente Russo escreveu A Volta dos Mortos-Vivos que não foi produzida nas telonas (essa obra não tem relação com o filme do mesmo título dirigido por Dan O’Bannon).
As duas histórias foram publicadas pela editora Darkside, e nem precisamos falar sobre o excelente trabalho de design, produção da capa, e diagramação com fotos nas páginas dos livros. Simplesmente excelente, a editora aposta mesmo no escuro, deixando os fãs do terror ainda mais apaixonados.
O livro deu origem às tramas do terror e dos zumbis de uma excelente forma, deixando características para as demais histórias que surgiram posteriormente, como Resident Evil e até mesmo The Walking Dead.
“Os rostos dos agressores eram rostos de defuntos. A carne estava putrefata e gotejava pus em alguns pontos. Os olhos inchados projetavam-se para fora das órbitas profundas. Tinham a pele pálida, branca como gesso. Moviam-se com dificuldade, como se a força misteriosa que os ressuscitara não tivesse feito um trabalho completo”
Como vocês devem ter notado, o livro é dividido em duas histórias, na primeira, podemos notar a incerteza entre os personagens que não sabem a origem do problema, a urgência em sobreviver em meio ao caos e o comportamento humano nas situações extremas, em um estado de paralisação diante do problema, que pode levar a morte.
A primeira história começa num cemitério (local bem apropriado hem), onde Barbara (a personagem mais chata da história) e seu irmão Jonny estão visitando o túmulo de seu pai. Jonny não gosta da situação, pois para ele a mãe e a irmã já deviam ter superado a morte do pai e com isso resolve amedrontar a irmã com um homem que se aproximava do local. Ele diz à irmã que o homem era um morto que voltou a vida, mas ele não imaginava que sua ‘pequena’ brincadeira se tornasse real.
Depois do ataque sofrido aos irmãos, a trama se concentra basicamente em um pequeno grupo de sobreviventes em uma casa rural, onde mais acontecem ataques. O grupo tenta lutar contra a tensão e o pânico de estarem presos sem recursos suficientes para sobreviver em uma casa rodeada por mortos-vivos. A única solução que lhes resta é ter esperança de que o resgate apareça.
O final pode chocar um pouco os leitores, mas mostra realmente como as pessoas reagem nas situações de risco. É basicamente agir pra depois perguntar, e o resultado disso não é bom para quem está em perigo.
Dez anos depois, a história volta a se repetir com A Volta dos Mortos-Vivos, em uma nova versão apocalíptica, mas como na primeira situada mais nas regiões rurais e não nas cidades. Nesse segundo livro, os personagens além de lutar contra a infestação dos mortos ainda precisam lidar com estupradores, assassinos e saqueadores que estão à solta na região meio oeste dos EUA.
Perseguições, fugas desesperadas, desesperança, falta de humanidade e uma confirmação de que o problema pode ser os vivos e não apenas os mortos, fazem parte dessa continuação criada por John.
O livro começa com cenas de religiosos que acreditam que cravar estacas na cabeça dos mortos seja a melhor maneira de evitar que a praga ressurja. Quando ficam sabendo de um acidente envolvendo um ônibus, o misterioso grupo resolve invadir a cena do acidente fatal e fincar estacas nos crânios de todas as vítimas para evitar que o cenário da trama anterior se repetisse.
“Que sua alma descanse em paz. Que sua alma deixe o corpo. Que seu corpo permaneça. Que seu corpo transforme-se em pó, como disse nosso Senhor. Que seu corpo nunca se erga novamente. Liberte a alma para os céus e transforme todo o resto em pó.”
Mesmo tentando evitar que o caos se repetisse, a decisão do grupo não foi suficiente, e os mortos do acidente começam a ressuscitar nos necrotérios da pequena cidade, sedentos por carne humana.
Sendo assim, a narrativa consegue construir um cenário perfeito de uma civilização desordenada, desesperada e em pânico, que precisa salvar sua pele, sem que haja um herói para salvá-los. É cada um por si e literalmente um salve-se quem puder, enfrentando zumbis e pessoas que não estão preocupadas com a vida dos outros, e não se importam em atirar os vivos como ‘alimento’ para os zumbis. Muitos, devido ao medo e o horror da situação, acabam atirando a sangue frio e fazendo perguntas depois, o que resulta em graves erros que mudam a história para todos.
Nos dois livros, o enredo conta com trechos de transmissões de rádio da Defesa Civil, que funcionam para informar os leitores e os personagens sobre a situação do país em diversas áreas deixando um pouco de esperança de como sobreviver a tudo isso. Esses trechos ajudam muito na ambientação da história, fazendo com que a tensão entre os personagens cresça ainda mais.
Os zumbis da narrativa não são como os mortos-vivos de atualmente, eles ainda tem uma pequena parcela de atividade cerebral dentro de suas cabeças apodrecidas. Logo nas primeiras cenas há um zumbi que ataca sua presa com uma pedra repetidamente até matá-lo de vez. Outro ponto dos zumbis, é que eles preferem um corpo quente, ou seja, preferem arrancar os órgãos de um individuo recém-morto do que de algum que esteja no chão há mais tempo.
As duas histórias tem finais surpreendentes, então se você espera finais felizes para sempre, lamento dizer, mas terá que encontrar outro livro. Não se iluda, não crie esperanças para os personagens, pois a morte está presente em todo lado.